Q.I.- Fanfic Interativa

32 Os Gritos dos Fantasmas - Parte Final


Notas iniciais
Espero que gostem!

Os Gritos dos Fantasmas – Parte Seis [Final]

“A felicidade não tem história” – Lopes de Medonça

Rose Danvers

Skinny Love – Birdy

Tomou-se pela mão, enquanto sentia o corpo todo respondendo ao chamado. Era como uma suave brisa de verão, invadindo-a de calor e excitação. Era ótimo ter aquilo em seu abraço, num mundo particular onde ela era a pessoa mais importante de mundo. Onde seu egoísmo poderia ser explorado sem restrições. Egoísmo... Nas outras pessoas é ruim, mas em você nem parece ser tão mau assim... Esticou a mão para frente, sentindo seus dedos tocando suavemente a carta de bordado verde. Podia ver, podia ouvir. O único problema é que ouviu errado.

– Não parta pra cima das cartas só porque ouviu a primeira sílaba, muitas delas são iguais. – ensinou Khaos, arrumando suas cartas espalhadas por Rose. Cat deu uma pausa para que eles se arrumassem e voltou a dizer o segundo verso do poema. Quando chegou ao fim, deu um tempo de três segundos e então voltou a cantar.

Moveu-se assim que ouviu a primeira sílaba. Não podia se culpar por causa daquilo, era como um instinto! Rose sempre fora impulsiva e impaciente demais, não poderia esperar até ouvir a segunda sílaba ou terceira. Khaos, entretanto, conseguia. Ele foi na direção de uma carta que estava do lado dele, no lado esquerdo, enquanto Rose foi para cima de uma carta do lado direito de seu campo.

– É por isso que estrangeiros não jogam karuta. – Khaos se espreguiçou, movendo as mãos rapidamente. Cat soltou uma risadinha fraca. Humilhada, Rose pensou em desistir do jogo, afinal já seria o terceiro seguido que ela perderia, mas não podia deixar seu orgulho se abater desse jeito! Cerrou os punhos. Contou a pausa de três segundos de Cat, enquanto esperava para ouvir a próxima sílaba.

– Si...– ela começou. – nta o amor aprofundar ao longo do tempo... Como a ampliação do fluxo de um rio que desce do Monte Tsukuba.

Rose não sabia onde ficava o Monte Tsukuba, mas arriscou a sílaba Si e conseguiu. No karuta as sílabas são muito importantes, e diferentes. Tinha começado um dia antes, enquanto assistia a Cat e Khaos. Parecia tão fácil! Mas com certeza não era. Assim que viu sua primeira carta ser tomada pelo menino, foi como se um tsunami lhe envolvesse e a destruísse. Respirou fundo, sentindo o suor. Nunca se esforçara tanto, nem mesmo nas atividades de resistência ou quando seu pai invocou que eles tinham de construir uma Arca para caso o dilúvio voltasse.

Os Cem Poemas era um jogo japonês, nomeado Karuta. Haviam vários gêneros, como cartas de um baralho que podem ser usadas para vários jogos diferente, porém o que Khaos e Cat jogavam era o karuta competitivo. Um leitor lia aleatoriamente uma das cem cartas de karuta e o primeiro jogador e encontrar a carta correspondente no tabuleiro ganhava-a, até que o número de cartas do seu lado fosse reduzido à zero. Quando se pegava uma carta do lado do oponente, entregava-se uma de suas cartas para ele. Foi difícil decorar as regras, mais difícil ainda quando soube que teria de decorar todos os cem poemas.

– Muito obrigado – Khaos se curvou para frente, como sempre se fazia antes e depois de uma partida de karuta. Depois se virou para Cat – Muito obrigado pela oportunidade.

– Muito obrigada pela oportunidade – Cat balançou a cabeça. Rose se curvou, embora não conseguisse dizer aquelas palavras corretamente. Japonês nunca foi seu forte.

– Venci de novo! – Khaos sorriu, com o suor caindo para dentro da boca, aberta num brilhante ar de vitória. Cat se jogou para seu colo, aninhando-se entre suas pernas.

– Nyan, eu sabia... – ela disse, tão doce quanto um gato pedindo carinho. Khaos acariciou leve e suavemente a cabeça da menina, tocando-a como se fosse uma flor. Rose teve nojo só de pensar o que eles faziam quando ninguém estava por perto. Notou que estava mais ofegante do que de costume. Mesmo se esforçando ela sabia manter o foco e a calma. Mas agora estava em um ritmo constante, qualquer coisa que ouvia chamava sua atenção e ela se virava para o lado, enquanto tentava achar o local. A adrenalina ainda rolava por suas veias, quentes.

– Gostou de jogar karuta, Rose? – Khaos perguntou, enquanto Cat aninhava sua cabeça no rosto do menino, que tentava tirá-la dali, em vão.

– Claro, é um ótimo meio de passar o tempo...

– Passar o tempo... – Khaos empurrou Cat o suficiente para se colocar sentado, ereto. – Acha que o meu povo decorava cem cartas de poemas de amor somente para passar o tempo? Karuta competitivo é para se competir. Há torneios no Japão, sabia? As pessoas torcem e choram com o karuta. É um... Um basquete!

Rose piscou os olhos. A comparação entre karuta e basquete foi tão idiota que a fez querer rir, mas reprimiu a risada enquanto sentia as bochechas queimado, junto com o sangue que ainda corria rápido, porém sua respiração estava mais controlada. Passou as mãos pelos cabelos louros, notando que estavam ainda úmidos. Tinha tomado banho já fazia algum tempo, porém ainda não secaram... Estava frio, logo estaria com dor de cabeça. Tinha de secá-los.

– Khaos-Kun, escova meus cabelos?

– Mas eu já fiz isso. – ele suspirou, pegando a escova cor-de-rosa que a menina oferecia. – Por que não pede para Rose?

– Mas eu gosto do jeito que você faz!

Rose saiu da sala o mais rápido que pôde, não queria que sobrasse para ela cuidar daquela garota-gato. Mantinha os pés descalços num ritmo controlado. Após jogar três rodadas de karuta seguidos, o ritmo de repente se tornara algo que completava o ambiente. Os sons, por mais minuciosos... Ela conseguia semtir tudo. Tudo o que acontecia em volta. Nunca mais jogaria karuta. Gostava do jeito como as coisas pareciam insignificantes.

Quando chegou perto da sala de biblioteca, onde cerca de trinta livros velhos e destruídos pelos tempos estavam espalhados por prateleiras, começou a ouvir uma conversa quase silenciosa entre Petor, o Professor do Instituto da Rússia, e alguém que ela nunca tinha ouvido na vida. Por sorte, ou por azar, agora conseguia ouvir cada palavra que os homens diziam, o jogo de karuta, por mais devastador que fosse, tinha ajudado-a a conseguir isso. E não gostou, novamente, de ter começado a jogar.

Notas finais
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