Notas iniciais
Aqui é a Meell!

Rose Danvers

“Não acredito senão na alma e no mistério divino que a envolve” – Vicente Avelino

Conseguiu entrar sorrateiramente no quarto de Brandon, enquanto ele dormia. Abrira as persianas, deixando a luz do dia entrar. Não havia Sol, apenas um céu inteiramente branco e neve, muita neve.

A sopa que tinha preparado para ele ainda estava quente e com fumaça a rodeando quando Anya abriu a porta do quarto, fazendo a outra garota dar um salto assustado. Rose a repreendeu, mas não podia brigar por algo tão ridículo. Estava chateada por Luci não tê-la levado para o Vietnam e sabia que Bran precisava de alguém para cuidar dele, mas... Ela queria aventura! A emoção da adrenalina, assim como quando as duas pegaram aqueles pégasos e saíram voando pelo céu! Ah, daria tudo para ter um replay daquele momento...

– Que gostoso – Anya comentou, enfiando o dedo dentro da sopa de Bran.

– Não faça isso! Não é para você! – Rose correu até a pequena e a pegou pelos ombros, notando o quanto ela estava mais alta. – Você... Cresceu.

– Sim. – Anya ergueu os olhos. – Sorvete parece me fazer crescer e... – espirrou antes de completar a frase.

– Você tomou sorvete? No inverno? – ela estava a ponto de apertar as bochechas de Anya e puxar-lhe as orelhas – E agora fica espirrando... Só falta eu ter mais um doente para cuidar!

A garotinha apenas encolheu os ombros, num sorriso travesso.

– Quantos anos?

– Onze – Anya ergueu os olhos azuis, novamente. Loira, assim como Rose, de olhos claros, igualmente a Rose. As duas poderiam até ser confundidas com irmãs, entretanto Anya possuía traços mais fracos e finos, e Rose era mais angulosa.

Rose assentiu. Não era quatorze, pelo menos, ela ainda tinha um ponto com Bran. Ou era o que imaginava.

Rose estava na verdade confusa com tudo aquilo, afinal nunca tinha visto um “amor à primeira vista” como tinha acontecido quando viu Bran. Ele era simplesmente o príncipe que tinha sonhado em encontrar. Sim, isso soava muito estranho até mesmo para ela, mas... O que mais poderia ser?

Por fim suspirou, já cansada de tudo aquilo. Não queria continuar fazendo aquele papel de menina boba.

– Pare de puxar a ponta da colcha. – repreendeu. Anya soltou a lã e, demonstrando estar emburrada, se encolheu e abraçou os joelhos. Brandon ainda dormia com ardor e Rose achou que não acordaria facilmente, afinal tinha resistido a conversa das duas meninas até agora. Anya soltou um espirro.

– Não fique perto dele, deste jeito vai deixá-lo ainda mais doente.

– Pare de se preocupar como se fosse a mãe dele. – respondeu a mais nova, ríspida. – Você não o conhece o suficiente para querer dar uma de guardiã.

As palavras frias de Anya quase cortaram a pele de Rose. Não imaginou que a doce Anya poderia dizer tais coisas de forma tão rude, mas disse. E ela tinha escutado em alto e bom som. A nova Anya, a que tinha onze anos, era de uma maneira ruim, muito diferente da de oito anos. Era quase parecida com seu pai.

Rose sentiu asco por ela.

º º º

Edgar Lewis

“A ambição foi sempre irmã do crime” – Rebelo da Silva

Hatsune Miku – Kagerou Days (Tem legenda no vídeo)

Enquanto o calor parecia quase invadir o agasalho, Edgar começava a sentir a falta do inverno russo. Mas com certeza preferia aquele calor leve do que aquele gelo que o fazia encolher em todos os aspectos, até em regiões pouco habitadas, se é que me entende.

– Pare de ficar pensando em coisas pervertidas enquanto Cat dorme em seu ombro – Gloss repreendeu de repente em voz alta. Khaos ergueu os olhos, quase apavorado e com um leve rubor nas bochechas.

– Como?

– Não se finja de idiota comigo – a albina apenas fechou os braços em volta dos seios, afundando-se em seu espaço contra a parede da sala de cargas. Era literalmente uma sala, com cargas bem pesadas. Carros de guerra, aviões pequenos para ataques rápidos, até mesmo munição e armas de fogo. Tinham pego uma carona não muito amigável, mas foi melhor do que explicar para o aeroporto porquê adolescentes e menores de dezesseis anos queriam viajar para a Ásia.

Edgar observou com certa sonolência. Aquilo era quase que normal. Khaos sendo um homem com instintos, Cat uma inocente menina que não percebia isso, Gloss uma responsável mulher que não permitia assédio mental contra suas amigas... Ele apenas respirou fundo, soltando o ar com toda a força e se sentindo incrivelmente cansado. Não percebeu quando, mas estava exausto e os ombros tensos.

– Esta caverna da qual falam...

– Pode não ser mais uma caverna — corrigiu Edgar, abrindo um dos olhos. – Não vamos até lá fazem... Uns seis anos.

– Sim. – Gloss virou os olhos violetas para outro lugar e de repente Edgar sentiu a falta de sua poltrona e percebeu o quanto queria se desmanchar nela. Gloss, por mais incrível que pareça, o convidava para se deitar assim como a poltrona. Entretanto Edgar sabia que aquilo eram apenas seus instintos fazendo-o despertar para não congelar seus futuros filhos. Isto é, caso um dia fosse tê-los. – Mas onde fica?

– Se chama Caverna Son Doong, o lugar mais específico eu não sei, mas qualquer guia turístico deve conhecer.

– Certo... Então vamos pedir informação. Em que língua?

– Inglês. É quase universal e é nossa língua mãe. – o menino louro apenas deu de ombros. Suas sobrancelhas se arquearam de uma forma quase impossível – Lembram-se de onde Luci foi se perder?

– Ela está vendo os tanques de guerra. – Khaos sorriu, com um ar ainda mais sonolento que o de Edgar. – Ela particularmente adora isso. Estão percebendo que... De repente ficou tão... Suave.

– É a viagem. – Gloss fechou os olhos com força e os abriu, num tom claro de verde água. – Acontece isso. Assim como enjôos. Durmam, o tempo passará mais rápido.

– Aposto que um dos carros deve ter um banco fofinho e macio – Khaos sorriu, erguendo o queixo – Será que estão abertos?

– Luci está brincando de guerra dentro de um deles, então acho que estão abertos sim. A não ser que ela tenha descoberto alguma habilidade que a ajude a ultrapassar pesadas defesas de guerra...

– Às vezes eu tenho medo dessas suas habilidades – Khaos se levantou, levando Cat junto dele, de forma que até parecia fácil carregá-la.

Gloss sorriu, com os olhos tornando-se de um violeta do jeito que Edgar gostava. Só não entendeu o que a teria feito mudar tão radicalmente a cor dos olhos. Sabia que a única maneira de saber o que ela realmente sentia era através de seus olhos, e normalmente eles estavam violeta. Deveria ser alguma coisa parecida com neutralidade?

– Não é neutralidade. – Gloss se virou para ele, e seus olhos não mudaram. Edgar engoliu em seco.

– Não gosto que fiquem lendo minha mente. – soltou.

– Eu sei. Por isso não faço sempre. Tenho medo de alguns dos seus pensamentos – deu de ombros, deixando os cabelos brancos e finos caírem no ombro ainda mais branco e fino.

– Você deveria, mesmo.

Notas finais
Beijos e mandem reviws! Não me abandonem ;-;