Notas iniciais
Espero que gostem! :3 Os leitores que enviaram fichas recentemente, não se preocupem que logo os personagens aparecerão. Eles não serão do Instituto na Carolina do Norte, mas sim na Rússia. E ao leitor Carpe Diem, sim eu usei você para descontar minha raiva. Desculpe. Nenhum outro leitor teria paciência para me perdoar, e acho que você tem e.e

Gloss Violett

“Todos nós somos um mistério para os outros... e para nós mesmo” – Érico Veríssimo

Taylor Swift – Safe & Sound

Enquanto rastejava com a mão até os cabelos, Gloss sentiu a orelha e então encontrou a cicatriz. Com hesitação, tocou-a gentilmente, tentando não fazê-la arder. Tinha sido atacada por um pégaso alguns dias atrás, porém a ferida não tinha se fechado por inteira. Agora, com o sangue manchando as madeixas brancas, sentia os fios duros e grudados enquanto o sangue secava. Tirou a mão de trás da orelha e olhou-se no espelho. Nua, sua pele ficava ainda mais pálida. Suas veias eram visíveis através da pele, os cílios longos e brancos ocultando os olhos que agora refletidos no vidro ficavam cinzentos. Os lábios com as cicatrizes de seus dentes. Era um vício, Gloss não conseguia parar de morder seus lábios e sentir o gosto do sangue.

Percorreu a cintura com a ponta dos dedos, vendo que a cicatriz da Batalha do Desamparado branca e com a linha grossa deformando sua pele. As pernas, finas, desenhavam cortes feitos pelos arreios e a sela dos cavalos. Também tinha a marca na sobrancelha que a lembrava da França e de quando tinha ido patinar no gelo. Um garoto de sua escola que estava patinando também a empurrou pelo chão e seu patins cortou a testa dela, fazendo a sobrancelha errar em as forma. Assim, Gloss preferia deixar a franja grande e reta ocultando a cicatriz que lhe deformava o rosto.

Estava pronta para um banho quente, para sentir a água fervente na pele das costas e ficar vermelha da cabeça aos pés, porém alguém tocou sua porta, fazendo o som ecoar pelo quarto quase vazio. Ela se apressou em ir ver quem era. Abriu somente uma fresta da porta.

– Gloss? – a menina albina reconheceu a voz de Edgar.

– Sim.

– Sou eu, Edgar. Me deixe entrar.

Ela abriu a porta um pouco mais, dando passagem para o menino, que vestia um agasalho quente, botas de andar na neve e luvas de lã, cachecol e um gorro azul marinho. Ele parecia estar morrendo de calor dentro daquela roupa. Gloss fechou a porta com cuidado para que esta não batesse. O menino olhou em volta no quarto, admirando. O papel de parede branco era sem vida, o carpete amarelado também. A cama no centro da parede, a janela aberta sem cortinas ou persiana e uma mesa de cabeceira. Somente isso. O quarto de Gloss não possuía fotos, computador ou livros. Nenhuma estante, com nada. Seu guarda-roupa, porém, ocupava a parede inteira oposta a da cama. Edgar sabia que era lá onde Gloss escondia suas roupas, livros e instrumentos. Ela só os tirava de lá de vez em quando, para admirá-los.

– Vamos para Rússia, alguns professores do Instituto que está inaugurando lá acham que Sebastian estará de olho neles e...

Edgar ruborizou, puxando o gorro para baixo, escondendo os olhos azuis faiscantes. Seu nariz também estava vermelho, de modo que Gloss ficou imaginando como suas sobrancelhas estariam reagindo. Por fim, ele disse com a voz engasgada:

– Dá pra por uma roupa, por favor?

Ela se apressou, embora não estivesse envergonhada. Não entendia porque ele estava, na verdade, Edgar tinha lhe dado banho tantas vezes quando era criança... Gloss se lembrava de quando chegou ao Instituto, quase morta, magra até os ossos e com sangue pelo corpo todo. Tinha seis anos e foi a mais nova a chegar ao Instituto. Quase que não foi permitido que entrasse, afinal não tinha a idade mínima de oito anos. Edgar, com apenas onze, já era um ótimo veterano, enquanto mantinha sua briga constante com Ariel. Gloss se lembrava que quando teve seu primeiro pesadelo e eles disseram “Bem vinda a Resistência”. Tinha ficado tão assustada com aquilo que saíra correndo, porém Edgar foi o único que foi atrás dela. Naquela noite tinha dormido em seu quarto, na cama, enquanto ele dormia no tapete. Foi muito engraçado quando não se lembrou de que ele estava lá embaixo e desceu da cama, pisando nele e acordando-o.

– Pronto – ela disse, após enfiar-se dentro de uma camisola jogada na cama.

– Ótimo – ele arrumou o gorro – Como eu estava dizendo, vamos para Rússia para protejer a inauguração do Instituto de lá. Ariel ficará aqui para ajudar Madame Gláucia a cuidar do Instituto, por isso eu e Clevence escolhemos você e Luci para nos acompanhar até lá.

– Não luto – ela disse, apenas.

– É verdade que você seria inútil. – Edgar concordou com um meneio – Por isso estou levando Khaos e Cat comigo. Só vim avisar que você não precisava ir.

– Mas eu quero – ela levantou a cabeça, encarando-o. Gloss raramente encarava uma pessoa, e quando fazia suas emoções refletiam em seus olhos e assim mudavam de cor. Ela tinha noção de qual era a cor que eles assumiam, e naquela hora estavam lilases, como sempre ficavam quando encarava Edgar.

– Eu sei – ele sorriu – Por isso vou te levar.

Ela abaixou a cabeça, satisfeita. Edgar passou por Gloss e chegou até seu guarda-roupa, abrindo a porta e escancarando-a. Gloss odiava que mexessem em suas coisas, por isso logo se apressou em tirá-lo de cima de suas coisas. Ele apenas soltou uma risada fraca e enfiou as mãos nos bolsos do casaco.

– Você vai precisar de uma roupa de frio. É inverno na Rússia e costuma ser aterrorizante. – ele arqueou as sobrancelhas por debaixo da touca. – Mas você não tem roupas de inverno. Quer alguma emprestada?

– Claro – ela fechou as portas do guarda-roupa, impedindo-o de ver seu santuário. Com isso, Edgar saiu do quarto de Gloss, deixando-a finalmente sozinha. A menina piscou os olhos, sentindo que eles voltavam ao normal, refletindo a cor que aparecesse na frente. Eles só mudavam quando conversava com alguém importante, e se mudavam perto de Edgar, Khaos e Ariel, com certeza queria dizer que eles eram importantes. Gloss abriu um meio sorriso ao pegar o diário que deixava guardado debaixo do travesseiro. Abriu a porta do guarda-roupa e deixou seu santuário a mostra.

Era um pequeno quadrado entre suas meias e calcinhas, onde deixava a foto de seus amigos mais importantes. Tocou o rosto de Ariel e Luci, enquanto deslizava os dedos por Edgar e Clevence. Era uma foto com todos, alguns meses após a Batalha do Desamparado. Luci ainda tinha a testa marcada com a pancada que recebera de um dos monstro do exército de Sebastian. Ariel, com seu sorriso vitorioso, parecia ter ganhado a guerra, o que não tinha acontecido. Edgar parecia muito feliz perto de todos, embora seu sorriso travesso e suas sobrancelhas arqueadas sugerissem que ele iria pregar uma peça em todos. Perto de Luci, entre as pernas de Ariel e Edgar, Gloss se encontrou. Era pequena, os cabelos brancos estavam bem maiores do que agora, amarrados em tranças ao lado da cabeça. Os olhos cintilavam em dourado, o que significava que estava feliz. Ela não tinha lutado de verdade na Batalha, porém sabia que tinha sido de grande auxílio, afinal ninguém teria a capacidade de saber quando Sebastian morreria além dela. Não podia contar aquilo para ninguém, pois senão anos de sua vida seriam retirados, era uma troca por uma troca.

– Pronta? – Edgar entrou no quarto, assustando-a. Gloss bateu a porta do guarda-roupa com força que surpreendeu até mesmo Ed. Ele ergueu as sobrancelhas, enquanto trazia em seus braços as roupas de frio. – Acho que vai ficar um pouco grande...

– Não – Gloss pegou as peças – Você é do meu tamanho. Temos a mesma estrutura.

– Ah, claro. Mas não fique me lembrando que eu tenho estrutura óssea de uma garota.

Ela apenas assentiu, enquanto entrava no banheiro e se trocava rapidamente. O agasalho era pesado e quente, perfeito para o inverno da Rússia. O cheiro de sabão em pó era agradável, embora o cheiro do perfume de Edgar fosse bem mais. Encontrou nos bolsos do agasalho um par de luvas de lã, puxou a touca e se observou no espelho. As roupas masculinas não ficavam bem, nem lhe favoreciam, embora isso não fosse problema pois Gloss nunca reparou nisso. Usava o uniforme do jeito que tinha ganho, com a saia até em baixo dos joelhos e a camisa de botão branca. Não se preocupava se iria ficar desfavorecida.

Saiu do banheiro.

– As botas – ele balançou um par de botas de inverno, que tinha tirado das gavetas de Gloss.

– Liberdade demais. – ela comentou, pegando os sapatos de seus dedos.

– Eu posso ter essa liberdade – ele sorriu – Sou praticamente seu irmão mais velho.

– Sim – ela concordou – Praticamente.

Ele balançou as sobrancelhas, esperando ela calçar as botas. Quando terminou, Gloss levantou os olhos, mas sem encará-lo, só fazia aquilo quando era preciso. Ver o interior de Edgar era bem difícil, sabendo a data de sua morte, quanto tempo de vida lhe restava e qual era seu motivo para ter nascido. Também era horrível saber quais eram seus sentimentos e sua história. Ela podia ver tudo isso, somente por encarar os olhos de uma pessoa. No momento, porém, sentiu que não deveria pensar nisso. Esperou que Edgar a levasse em direção ao lugar onde iriam embarcar para a Rússia, porém foram em direção a biblioteca, onde Ariel e Madame Gláucia tomavam chá, viradas para a janela. Edgar colocou um dedo nos lábios, pedindo silêncio para Gloss. Ela concordou com um meneio. Entrando nas pontas dos pés, os dois deslizaram em direção a elas. Quando já estavam a oito metros de distância, ele bateu as palmas das mãos, fazendo com que as duas mulheres dessem um pulo de suas poltronas. Elas se viraram, com cara de quem iria matar.

Ariel foi quem mais odiou aquela brincadeira, porém Gloss estava rindo ao lado de Edgar. Madame Gláucia se virou na cadeira com um leve sorriso nos lábios, exibindo seus dentes afiados. Era uma imagem horripilante, caso você fosse um novato, pois Gloss já estava acostumada.

– Ela vai conosco – Edgar disse – Vamos de carro até a cidade e então pegaremos um trem para Raleigh, lá nós usamos um avião para cruzarmos e então pousamos em Krasnoyarsk e o Instituto enviará um carro para nos levar até a praia onde o Instituto foi inaugurado. Nós voltaremos no final de semana.

– Certo – Madame Gláucia concordou. – Levem roupas de frio a mais. Se armem com o que tiverem aqui, não sabemos se serão atacados durante a ida ou se lá há boas armas.

– Sim. – Edgar concordou com um meneio – Devemos ir agora?

– Já estão atrasados.

Notas finais
O autor Murilo voltou das férias! EBA! Tuts tuts tuts... >.< E ele vai postar o próximo capítulo! :3 Beijos e mandem reviws! QUERO AGRADECER A TODOS PELOS 100 REVIWS DA FANFIC E A NOSSA RECOMENDAÇÃO LINDA FEITA PELA MINHA CAT-NYAN-NEKO :3 Valeu, bakazinha.