Notas iniciais
Sei que não sou muito boa para romances, mas tentei >.

O Rebelde – Consequências do Amor [Amores Imperfeitos]

“Cada qual sabe amara seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar” – Machado de Assis

Birdy – People Help The People

A cada minuto que se passava enquanto ele ficava deitado naquela cama, sem poder fazer nada para resgatar Anya só o consumia mais ainda. Não sabia de onde estava vindo tanta vontade de tê-la, mas ele não podia simplesmente deixá-la nas mãos de um monstro que matara seus pais e sua querida irmã na frente de seus olhos. Bran sabia que não importava como, Sebastian jamais conseguiria sentir amor por qualquer outra pessoa.

Contar a Petor sobre o que tinha acontecido e como deixaram Anya foi difícil, mesmo assim no final não foi o culpado. Petor entendeu quais eram as prioridades, mesmo que estivesse sofrendo muito com a perda de sua filha adotiva. Quando Bran o olhou na sala da biblioteca, chorando, teve vontade de correr até o homem e o abraçar, consolá-lo e assim ser consolado também, afinal Brandon estava tão devastado quanto qualquer um. Mas ele não se mexeu. Ficou observando o homem tão sério e maduro, agora se esvaindo em lágrimas profundas e de pura dor. Não sou o melhor narrador para dizer como alguém se sente, porém até mesmo eu senti a dor dele, e acredite, era intensa. Somente de olhar um homem daquele jeito, tive vontade em chorar ao seu lado. Mas ele é um humano, humanos não merecem o consolo de nós, narradores.

– Eu te trouxe comida – a menina entrou, andando calmamente até a cama de Bran. Ele não tinha saído dela já faziam dois dias. Estava lá, murchando, recebendo comida na boca e mal olhando para a janela. Apodrecia enquanto os minutos passavam. O que estaria acontecendo com Anya? Já se faziam dois dias, será que ela tinha desistido de esperar por ele? Ela sabia que ele estaria pensando nela pelos dois dias? Ou então ela não tinha mais fé? Rose se sentou na cadeira que tinha arrastado até a cama de Bran, onde sempre se sentava para lhe dar comida.

Rose, como era a única a falar um pouco da língua russa e como Kano se recusou a alimentar Bran, teve de fazer o serviço. Mas parecia estar fazendo aquilo de bom grado. Quase sempre ficava em silêncio, deixando o menino mastigar a sopa até que percebesse que já poderia engolir. Bran não tinha olhado para ela em nenhuma das visitas, simplesmente não queria que os outros sentissem pena dele. Não era como se precisasse dos sentimentos alheios. Ainda mais de uma americana.

– Hoje é sopa de ervilha – ela disse, com delicadeza, mergulhando a colher e logo levando-a até os lábios de Bran. Quando sentiu a quentura, ele recuou, passando a língua pelos lábios. – Me desculpe! – pediu com vergonha, começando a assoprar a colher. Bran viu uma gotícula de saliva de Rose voar até a colher e na hora decidiu não comer mais nada. Virou a cabeça, observando os quadros que tinha pintado. – Aqui. – ela levou a colher, mas ele não aceitou. Insistiu, mas ele continuou convicto de sua negação. Por fim, Rose desistiu. – Ah, por favor, você precisa se alimentar. – e então se levantou, abrindo as janelas e deixando os raios solares fazerem reflexos nos cabelos dourados de Bran. – Vai ficar magrelo e feio desse jeito.

– Já sou magrelo e feio – suas primeiras palavras em dois dias. – Por outro lado, você é que deveria comer e tentar sustentar sua beleza, jovem.

– Jovem, como se você fosse tão mais velho – mesmo que ela tivesse dito isso, Brandon percebeu o leve rubor nas bochechas de Rose. – Então, come.

– Não, perdi a fome – ele voltou a encarar as pinturas – O que vê ali? – indicou uma de suas obras abstratas.

A garota observou, virando a cabeça e respondendo:

– Minha casa, a fazenda. Minha mãe na varanda pintando um quadro novo e papai ao lado dela, tomando café. Ele está segurando uma Bíblia Sagrada e anuncia que e hora de irmos ler a Palavra de Deus. – ela respirou fundo – Eu estou lá embaixo, escondida num arbusto perto do rio. Estou tremendo de medo.

Brandon a admirou, encantado com a resposta. Normalmente as pessoas diriam “isso é um monte de rabiscos verdes e brancos, com pontilhados pretos e um vermelho amanhecer”. Mas sempre estavam erradas. Rose acertou em cheio. Mesmo que não estivesse pensando nisso quando pintou o quadro, Bran queria que ele despertasse as melhores ou piores lembranças das pessoas.

Ela se aproximou, sentando-se ao seu lado na cama e então pegou o prato ao lado, levando a colher até os lábios de Bran. Quando percebeu, ele já tinha engolido. Não sentiu o gosto de saliva, mas refletiu que agora tinha beijado indiretamente aquela garota. Seus olhos azuis faiscantes estavam ligados agora.

Ela sorriu, enquanto enfiava mais uma colherada goela abaixo. Bran aceitou as colheradas, ainda fascinado com o jeito que as madeixas louras acinzentadas caíam e se misturavam com as pontas tingidas de rosa. Ela tinha olhos vibrantes e encantadores, enquanto seu rosto desenhava um coração. Piscou os cílios várias vezes, tentando ver se era brincadeira, mas ela estranhamente se parecia com Anya. Isso o atormentou. Isso o enlouqueceu. De fato tinha enlouquecido de vez. Quando se viu, a sopa já tinha escorregado das mãos de Rose e penetrava a pele das pernas do menino, queimando-o, seus lábios se encontravam com os dela, enquanto seus olhos se fechavam numa tentativa de ignorar a dor que sentia nas regiões baixas. Quando finalmente não agüentou mais, soltou-a e pulou da cama, já arrancando a calça do pijama. Se enfiou no armário e vestiu uma bermuda jeans. Quando voltou os olhos para Rose, o rubor não era mais leve, mas sim fervente. A menina abaixou os olhos, ainda espantada com o que ele tinha feito. Até mesmo Bran estava espantado. Nunca tinha agarrado uma garota daquele jeito.

– Me desculpe – balbuciou com os dentes afiados – Preciso ir.

Deixou a menina mergulhada em seus próprios pensamentos, enquanto tentava ignorar o fato de ainda vestir a parte de cima de seu pijama.

º º º

Bran colocou o casaco antes de sair do Instituto. Ele era apenas uma casa grande com espaço para uma biblioteca e salão principal. O pavilhão era onde almoçariam e jantariam. Os alojamentos ficavam atrás do Instituto, separados entre meninos e meninas. Ele passou pelo Pavilhão e foi em direção ao alojamento, passando por entre as casas longas e retangulares, chegando ao estábulo. Abriu as portas, que rangeram. Viu a menina de cabelos brancos acariciando alguns dos cavalos. A ignorou por completo. Nenhuma albina o impediria de fazer aquilo. Já tinha enlouquecido demais por dois dias, não agüentaria mais nada. Encontrou Seller entre os cavalos mais velhos. Ela estava muito bem escovada e saudável, como se aquela menina de cabelos brancos tivesse jogado alguma magia para que a égua ficasse mais forte. Mesmo assim, Brandon não agradeceu. Tocou o dorso da égua, sentindo que estava liso. As asas, pensou, só aparecem quando eles tem de usá-las. Sem se importar em colocar uma sela, levou a égua até a porta do estábulo e montou-a, sentindo a cueca ainda molhada e quente por causa da sopa. Tocou a crina castanha do pégaso, se inclinando e acariciando-a.

– Voe. – ele ordenou, e Seller obedeceu, abrindo as asas negras e alçando vôo. Seller era sua égua, já George era o cavalo de Joe e Crina a égua de Anya. Nunca entendeu porque Anya tinha dado o nome de Crina para sua égua, mas não questionou a garota, era apenas um bebê de seis meses com aparência e mentalidade de dois anos.

Agora tinha nove. E sabe-se Deus se já tinha mudado. Ele então estudou essa possibilidade. Se Anya tivesse se transformado naquela menina de dezessete anos, Sebastian com certeza ficaria impressionado com as habilidades da filha e poderia poupá-la de algo. Ou então se espantar e a matar. Isso, é claro, se já não soubesse dos poderes dela. Respirando fundo, cutucou Seller para que ela voasse mais rápido. Obediente, a égua foi.

Enquanto voava em direção ao centro da cidade mais próxima, repassava seu beijo com Rose inúmeras vezes, até começar a se sentir tonto. Não estava arrependido, nem mesmo envergonhado. Não entendia porque fizera aquilo com uma menina que mal conhecia, mas de algum jeito tinha se encantado tanto com ela que foi como se Rose tivesse lhe tirado Anya da mente por alguns minutos. E então... Ele tinha enlouquecido. Concluiu que deveria deixar Anya em sua mente, custe o que custar, pois sem ela ele enlouqueceria.

Quando viu o grande rio congelado abaixo de Seller, indicou o hotel em que a égua teria de pousar, e quando o fez, lembrou-se de que não tinha pego arma nenhuma. Não importava. Tinha vindo até ali para resgatar Anya e não era agora que se sairia mal. Com ou sem arma, ele conseguiria derrotar Sebastian. Sentindo a coragem invadi-lo, ele cutucou a barriga da égua, fazendo-a voar mais alto e mais rápido, até pousar no local indicado. Ele desceu, confiante, enquanto abria a porta e seguia as escadas, sem olhar para trás. Ouviu os cascos de Seller atrás dele e não impediu a égua de segui-lo. Queria ter uma testemunha para presenciar o dia em que ele finalmente vingaria sua irmã e sua família. Quando chegou ao corredor das prisões, lembrou-se de que Kano tinha dito alguma coisa sobre outro corredor que levava para o escritório particular de Sebastian. Anotou isso na mente e seguiu o corredor, até encontrar outro. Quando saiu na sala em que o corredor dava, notou que aquilo realmente parecia um escritório, e logo notou os cabelos negros por trás de um monitor de computador. Ele sorriu. Estendeu a mão, fazendo surgir uma pedra não muito grande. Segurou-a com força e mirou, atirando-a com toda a força que tinha. A pedra atingiu o monitor que explodiu na frente do nariz de Sebastian, que caiu da cadeira com um susto.

Bran correu até o homem, formando mais uma pedra e a acertando em seu olho direito. levantou-a novamente, atingindo seu nariz e quebrando-o, fazendo sangue jorrar. Levantou mais uma vez, pronto para atingir seu outro olho, porém uma voz esganiçada e familiar se soltou enquanto Bran sentia que alguém o empurrava para trás. Levantou os olhos logo vendo Anya. A menina tinha lágrimas nos olhos e se ajoelhou ao lado do pai, tocando-o com gentileza e limpando sangue que escorria dele. Bran piscou, sem entender.

– Como pôde, Bran? – ela perguntou, gritando – Como pôde fazer isso com meu pai?

– M-Mas... Eu estava te salvando.

– Salvando? Você só quer descontar sua raiva nele! É porque você perdeu seus pais e agora quer que eu perca o meu!

– Não! – Bran se irritou, dando um violento tapa na bochecha de Anya e a assustando. A garota caiu sentada para trás, com os olhos azuis fixos nele, em choque – Esse cara não é seu pai. Petor que é. Ele chorou quando soube que você estava aqui, todos ficamos preocupados. Eu só pensei em você em dois dias, para vir aqui em meio uma crise de loucura, usar meus poderes que eu mal conheço e bater nele que é o vilão mais perigoso somente para você me dizer que ele é a sua família? Francamente, Anya, você não sabe diferenciar amor de interesse.

– Meu pai me ama sim! – ela gritou, entre lágrimas.

– Não ama. – Bran encarou Sebastian, que estava desmaiado. – E eu não me importo com o que você vai dizer. – ele se levantou, pegando a menina pela cintura e a colocando ao seu lado, deixando-a pendurada. – Seller! – o menino chamou e a égua se aproximou, dando seu lombo para que os dois subissem. As asas de Seller se revelaram, e ela galopou até as escadas, subindo com cuidado e então indo pela cobertura e alçando vôo. Anya não se debatia nos braços de Bran, o que lhe deu coragem de soltá-la. Ela continuou imóvel. — Anya?

– Você é um monstro – ela disse, com sua voz fraca e tentando conter os soluços. – Você está me seqüestrando, você matou meu pai e agora está me seqüestrando! – ela bateu em seu rosto com força, do mesmo jeito que ele tinha feito tempo atrás – Eu te odeio, Bran!

– Não odeia – ele tocou a crina da égua, direcionando-a para o Instituto. – Eu sei que você não odeia.

º º º

Skank – Amores Imperfeitos

Tocou gentilmente a franja de Anya, que tinha crescido quase dois palmos. Ela tinha acabado de se transformar em uma garota de doze anos, com madeixas até além dos ombros e peito reto. Uma tábua, ele admitiu. Enquanto deixava Seller no estábulo, Anya esperava-o com impaciência. Era assim que faziam as pazes, sem dizer nada, somente no silêncio de suas ações. Ao chegar ao lado da menina, Bran se ajoelhou, e ela subiu em suas costas. Tinha ficado bem mais pesada, ele notou, mas a levou com bom grado até o Instituto. Entrou sem fazer ruído e tomou cuidado para que ninguém no corredor o notasse. Por fim, entrou em seu quarto e deixou que Anya escorregasse de suas costas. Ela correu até a cama de Bran e começou a gargalhar.

– Shiu! – ele ralhou – Vai acordar os outros.

– Que se dane – Anya pulou na cama, fazendo os lençóis se embaraçarem um no outro. Bran respirou fundo, tentando não se irritar com aquilo. Por fim, tomou coragem e a agarrou enquanto ela pulava. A prendeu embaixo de seu corpo. Ainda era bem pequena comparado a ele, e sua força continuava menor. Mas Bran sabia que aos dezessete ela já seria tão forte quanto dois Brans. – Eu amo você, Bran, você sabe disso. Aquilo lá era mentira, eu só fiquei brava. – ela disse, tentando soar doce, e conseguiu.

– Isso é um flerte, Anya Pentilivrusky?

– O que é flerte? – a menina levantou uma sobrancelha, fazendo Bran sorrir. Inclinou-se e a beijou suavemente na bochecha esquerda.

– Isto é um flerte – ele contou.

– Mas eu não te beijei.

– Flertes não são só beijos – ele explicou.

– Entendo – Anya concordou com um meneio de cabelos louros – E para quê serve?

– Para dizer que você gosta de uma pessoa.

Ela assentiu novamente, se inclinou e beijou a bochecha direita de Bran, a que ela tinha dado um tapa. O menino riu e então se deixou cair sobre o peito reto de Anya, sentindo seu coração palpitando normalmente.

Ficou assim por longos minutos, até que notou com o canto do olho que sua pintura ainda estava lá, na parede, e junto dela uma garota. Lançou os olhos sobre a garota, prestando atenção para reconhecê-la. Não tinha se lembrado de que deixara Rose no quarto, e levantou a mão acenando para ela. Estava prestes fazer alguma piada sobre como tinha ido resgatar Anya, quando notou as lágrimas que se formavam nos olhos dela. Rose saiu correndo do quarto.

Notas finais
As atrizes que representam Rose e Anya são irmãs na vida real, por isso que têm semelhanças e assim Bran achou que Rose fosse parecida com Anya. Agora votem: #TEAMBranya #TEAMBrose