Q.I.- Fanfic Interativa
38 Agulhas de Calor
Notas iniciais
Jean Robbin-Loui
“Há certos beijos que se parecem com a torre de Babel, pois neles se dá a confusão de línguas” – Barão de Itarere
Manteve a cabeça baixa enquanto seus superiores discutiam o próximo passo de uma batalha. Loui não conseguia acreditar em como tinha tido tanta sorte deles deixarem que ele ficasse dentro da sala durante do debate. Ingênuos! Mas Loui não podia deixar aparente sua felicidade e satisfação.
– Temos de ir para o Instituto! — dizia Gloss, com desespero — Não recebemos notícias faz dias!
– Não podemos — Rose rebatia — O que acontecerá com este Instituto aqui?
– Nós não podemos arriscar — Edgar disse, acariciando o braço de sua poltrona — Caso algo realmente sério aconteceu com o Instituto da Carolina, então não podemos nos arriscar indo lá. Temos de proteger os outros Institutos.
– Quais outros? — questionou Rose — Pensei que só existissem esses.
– Há mais alguns. — Edgar deu de ombros — Mas são tão pequenos que nem dá pra dar importância... Há um ainda na Rússia, com um dos professores que fundaram o Instituto e mais dois aprendizes. Outro no Egito, mas faz alguns meses que não ouvimos notícias do professor de lá e parece que foram despejados. E há um no Vietnam. Este é maior que os outros, até maior que este aqui. Mas é composto apenas por órfãos e meninos de rua, nem todos são desenvolvidos como nós. O professor de lá abriu uma espécie de Instituto-Orfanato.
– Então é pra lá que devemos ir? Afinal ele é o segundo maior Instituto — Cat disse.
– Podemos avaliar... — Edgar pressionou a têmpora — Mas há um problema: Estou tentando fazer contato com eles há mais de dois anos e nenhuma resposta. Não sei se é algum erro do meu programa ou no dele, mas... Só me lembro de que da última vez o lugar era infestado de cupins, pragas e logo desabaria.
– Está sugerindo que desabou?
Gloss piscou os olhos.
– Mas fomos para lá não faz nem cinco anos! Éramos novatos, até.
– Não importa o tempo, Gloss. Se passar um ano ou cinquenta, o importante é o tempo em que a estrutura caiu, não o tempo que se passou desde que se foi para lá. — Khaos colocou sua xícara de chá na mesa de centro — Então, sugerindo que arrisquemos ir para o Vietnam, com o quê? Com quem? Como?
– Estou tentando formular. — Edgar colocou as duas mãos no braço da poltrona, tentando se acalmar. — Primeiro: Iremos para lá de trem. Não há maneira mais fácil. Se precisar usamos uma barca. Segundo: Vamos levar apenas o essencial: roupas, comida e algumas armas. Terceiro: Somente veteranos.
– O quê? Mas eu queria! — Rose protestou, mas ninguém a apoiou, todos sabiam dos riscos e não queriam que uma menina jovem e inexperiente passasse por tudo. Luci pousou a mão no ombro da garota loura.
– Então está decidido. — Gloss colocou os olhos sobre a mesa. — Comunicarei o Professor Petor de nossa partida. Rose e Loui podem ficar aos cuidados dele enquanto não voltamos.
Loui ergueu os olhos quando tocaram em seu nome. Não esperava que ela ainda se lembrasse e sua presença.
– Tudo bem para você? — ela perguntou, sem olhá-lo direito. Loui não se ofendeu.
– Tudo maravilhoso. — ele apenas deu de ombros. — Prometo me comportar.
– Ótimo — Edgar lançou-lhe um olhar de "não gosto de você e de seu badboyzismo", mas apenas se virou rapidamente, correndo a sala com os olhos até encontra Khaos e chamar o menino para uma conversa particular.
O sorriso de Loui se estreitou. Seus olhos esquadrinharam a sala, guardando rostos e nomes, decorando os dados que recebera. Sebastian não gostava de erros, realmente não gostava.
– Algo errado, Jean? — A voz de Gloss atingiu seus ouvidos. Loui engoliu um xingamento. Odiava aquele nome. Relevou, suspirando fundo. Respondeu que não, com um sorrisinho fraco.
Loui enfiou as mãos nos bolsos, pronto para sair da sala. Desgrudou as costas na parede e se pôs a caminhar. Ninguém o parou, para sua alegria. Agora tinha apenas de mandar uma mensagem para Sebastian contando que iria voltar com boas novas.
Passou pelo corredor da biblioteca e deu uma olhada lá dentro. Aquele era o lugar mais interessante do Instituto, e o único que ele gostava. Agora que os outros iram sair, talvez tivesse mais tempo para desfrutar da tranquilidade e do silêncio. Isso, é claro, se as outras crianças não quisessem usá-lo de "cavalinho" em suas brincadeiras.
– Você gosta de ler? — perguntou uma voz atrás de seu ombro, bem no cangote. Loui se arrepiou.
– Quem? — virou-se, pronto para agarrar o maldito pelo pescoço.
– Pode me chamar de Kano. — ele sorriu, sarcástico — E você, jovem?
– Quer saber meu nome? — Loui sorriu com o mesmo sarcasmo.
– Claro.
– Jean Robbin-Loui. Mas prefiro que me chamem de Loui.
– Loui é seu apelido ou sobrenome?
O menino piscou os olhos, até que Kano começasse a rir. Virou o rosto, enfurecido, mas tentou não demonstrar.
O menino piscou os olhos, até que Kano começasse a rir. Virou o rosto, enfurecido, mas tentou não demonstrar.
– Não vai me responder? — O outro buscou saber, arqueando as sobrancelhas.
– Sobrenome. — Respondeu Loui, pacientemente. — Poderia lhe ajudar em alguma coisa? — Forçou um tom amigável.
– Na realidade, adoraria que sim, mas não pode. — Retornou, misterioso. Olhou para as prateleiras, sonhador.
Loui achou que o menino era louco, claro. Daria um atestado de autismo com índices de esquizofrenia, mas não era nenhum psicólogo. — Se me dá licença... — Murmurou, indo em direção à porta. Não obteve resposta alguma do outro, tomando isso como um sim.
Quando já estava próximo da porta da sala de dormitórios, sentiu sua camisa ser puxada.
– Só mais uma coisinha... — Kano se aproximou novamente do cangote de Loui, depositando ali seu hálito quente e arrepiando a pele de Loui. — Sebastian prefere surpresas.
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