Q.I.- Fanfic Interativa
21 A Primeira Batalha- Parte Um
Notas iniciais
Clevence Menethil
"Desistir é a saída mais fácil e não a mais sábia."
Seven Devils- Florence and the Machine
Pelos monitores ele pode ver que as Gárgulas rondavam a casa, provavelmente procurando se havia algum modo de eles entrarem de surpresa, acreditando que as pessoas ali dentro realmente dormiam e não sabiam da presença deles. Eles deviam estar procurando algo importante, Clevence pode perceber isso ao notar a presença de Volúpia.
Apesar de ser uma genuína serviçal de Sebastian, Volúpia vivia tranquila em seu castelo na Escócia, isolada de tudo e de todos. Ela só aparecia quando era uma missão muito importante, as Gárgulas não eram uma crianção de Sebastian, ele apenas deu mais poder a elas. Mas foi Volúpia quem as criou, ela tinha o poder de dar vida a coisas inanimadas, e aquelas Gárgulas eram as mesmas que enfeitavam o seu castelo.
Ele ativou o sistema de defesa, o que mandaria uma mensagem a todos os fundadores e ativaria as armas ocultas da mansão. Mas aquilo apenas seguraria eles para terem o tempo de se prepararem para lutar. Madame Gláucia passava as instruções para os novatos. Eles não poderiam lutar contra os monstros de Volúpia, ainda não estavam preparados para tal coisa.
Estavam tramando algum tipo de fuga, mas um deles teria de distrair os monstros enquanto os outros fugiam e por ser um dos veteranos, esse alguém teria que ser ele. Ele planejava mentalmente o que ia fazer, lembrava de todas as trilhas e caminhos daquele bosque e de como chegar a qualquer lugar da cidade. Madame Gláucia levaria os novatos em segurança até a "Casa do Refúgio", o nome carinhoso que eles davam ao local onde se escondiam quando Sebastian estava atrás deles.
Ele fechou a jaqueta e preparou-se mentalmente, seria a coisa mais arriscada que ele já fizera em toda sua vida. Ele só queria saber o que significava aquela carta antes de morrer, mas agora não tinha mais importância.
Ele levantou-se da cadeira e olhou para os novatos, todos tinham a expressão de medo e de surpresa em meio a tudo o que estava acontecendo. Mada Gláucia distribuía as armas entre eles.
– Estou pronto- ele sibilou enquanto ficava de frente a porta que dava acesso ao porão da casa- vocês fogem quando eu atraí-los.
– Tome cuidado- disse Madame Gláucia com certa tristeza em sua voz- pegue isso pelo menos.
Ela deu a ele um arco e flecha, não seria a arma mais útil do mundo, mas se ele conseguisse acertar Volúpia as Gárgulas virariam pó em questão de segundos. Ele prendeu a aljava nas costas. Respirou fundo e abriu o portão, mas antes que pudesse sair uma garota puxou-o para perto:
– Eu vou com você- ela disse séria, ele sabia que ela não estava brincando- não posso deixar que você se arrisque sozinho com essas... coisas.
– Você é novata!- ele olhou nos olhos dela, era a mesma garota que o acordou- Não iria durar um minuto com eles, tem que ficar em segurança!
Ele ia sair mas ela o puxou com mais força ainda, agora sua seriedade se transformava em raiva:
– Você vai me levar! Queria ou não!
– Então você vem, mas não diga que eu não avisei!
Eles passaram para o corredor e a porta fechou-se atrás deles. A estante que dava passagem para o porão moveu-se para o lado e as luzes do corredor se apagaram. Eles subiram as escadas de madeira e passavam lentamente pelos corredores, sairiam pela porta da frente chamando a atenção de Volúpia e consequentemente a das Gárgulas.
– Nem me apresentei- disse a garota enquanto eles andavam na direção da sala- eu sou...
– Sei quem você é. Seu nome é Alice Dallas, tem dezessete anos, veio da Inglaterra, tem o poder de controlar os quatro elementos, mas por enquanto só se saiu bem com água e fogo, ainda aprendendo a lidar com terra e ar.
– Como você sabe de tudo isso?
– Eu sou encarregado de descobrir o passado dos novatos e guardo tudo em minha memória, sei sobre sua mãe e seus padastros.
Ela olhou-o apavorada, sua boca abriu-se para dizer alguma coisa, mas os rugidos das Gárgulas tomaram conta do local, naquele momento Clevence teve vontade de matar quem resolveu construir o Instituto tão longe da cidade. E pensar que a Carolina do Norte seria a mais segura...
Ele pôs a chave na porta, abrindo-a. Ele olhou para Alice, aquele olhar perguntava a ela se queria mesmo ir. Alice apenas acenou com a cabeça. Eles passaram correndo pela porta, gritavam chamando a atenção dos monstros de pedra que vieram na direção deles. Eles foram na direção dos dois, que já entravam no bosque. Clevence orava para que seu plano desse certo e todos os novatos pudessem escapar em segurança do Instituto, ele só queia que alguém aparecesse e os salvasse daquela situação.
° ° ° °
Machael Bernhardt
Mary o puxava pelo braço enquanto eles seguiam por um estreito corredor, Madame Gláucia ia na frente levando uma lanterna e cada um deles levava diferentes tipos de armas. Ele mesmo tinha em mãos uma adaga, ele não sabia usar armas, mas Mary disse a ele que seria como brincar de dardos, só que acertando adagas em monstros de pedra, era como uma brincadeira.
Ele só não entendia porque brincar tão tarde da noite. Mas não protestou e deixou que Mary o guiasse até aquele corredor junto com os outros novatos. Alice havia saído junto com o garoto de óculos, mas se todos deviam brincar daquele jogo, porque eles não?
Após uma longa caminhada, eles saíram do túnel escuro, agora estavam no que parecia ser um depósito, cheio de caixotes e barris de todos os tamanhos, era uma espécie de barracão no meio de uma clareira, haviam ali também algumas curiosas estátuas de leões.
– Estamos no meio da floresta, se seguirmos em linha reta chegaremos na estrada em pouco tempo- disse Mada Gláucia enquanto limpava o vestido de seda que ela usava- vamos logo!
Eles começaram a andar em linha reta, mas uma gargalhada maléfica pode ser ouvida, uma mulher vestida de preto estava diante deles com um olhar nada bondoso. Machael puxou a manga de Mary que aproximou-se dele:
– Mary, ela vai brincar também?
Mary encarou-o por poucos segundos, mas lembrou-se que ele era apenas uma crianças de oito anos que não sabia de quase nada da vida:
– Sim! A brincadeira é ficar bem longe dela, o.k.?
– Sim!
Ele voltou a olhar para mulher que estava a frente deles sorrindo macabramente. Madame Gláucia olhou para ela irritada, foi então que a mulher de preto proferiu as primeiras palavras:
– Olá Gláucia... Está mais velha do que eu me lembrava.
– Cláudia, você poderia estar do nosso lado, mas preferiu ser a serviçal daquele traidor.
– Não xingue meu mestre sua velha coroca. E não sou Cláudia, eu sou Volúpia- ela disse em tom ameaçador- vejo que quer fugir com seus pupilinhos. Se quiser, terá de passar primeiro por meus guardiões.
Ela olhou para as estátuas de leão que estavam no barracão atrás deles. Elas começaram a tremular e estalar, as estátuas começaram a mover-se e em questão de minutos estavam de pé. Mexendo-se normalmente como se estivessem vivas. As estátuas rugiam e batiam a pata no chão irritados.
Ao lado da mulher de preto, que agora Machael sabia que se chamava Volúpia, pousavam monstros alados, que ele ouviu o garoto de óculos chamar de Gárgulas.
– Novatos- gritou Volúpia- bem-vindos ao Pesadelo!
° ° °
Alice Dallas
Ela acreditava que Mary estava em segurança e por isso dedicava-se apenas em correr dentro do bosque despistando os monstros de pedra que teimavam em segui-los sem dar nenhum descanso. Clevence corria na mesma velocidade que ela, indicando a direção que deveriam tomar.
Ela não questionou, sabia que ele tinha uma boa memória e que conhecia aquele bosque como a palma de sua mão. Por sorte o bosque tornava-se cada vez mais fechado e em breve as Gárgulas não os veriam mais, sendo obrigadas a pousar e quando isso acontecesse, ela os atacaria com toda a força que tivesse, e voltaria as pressas para encontrar Mary.
Clevence apenas olhava fixamente para frente continuando a correr no mesmo ritmo, sem nem aparentar que estava cansado. Alice já sentia as pernas doerem, mas continuava a correr, já que sua vida dependia da velocidade que ela tivesse naquela fuga.
Como previsto o bosque tornou-se fechado, e segundos depois as Gárgulas pousaram no chão, derrubando as árvores com as garras e se aproximando cada vez mais deles. Alice aumentou sua velocidade e de súbito parou de correr e virou-se na direção dos monstros.
Ela fechou os olhos concentrando-se o máximo que podia, só poder ouvir o grunhido dos monstros e quando abriu os olhos, viu que eles estavam rachados. Não havia nenhum sinal de fogo, apenas rachaduras nas Gárgulas.
– Faça isso de novo- disse Clevence com uma voz temerosa- rápido!
Ela fechou os olhos novamente, concentrando-se mais do que última vez, os grunhidos tornavam-se cada vez mais altos e estridentes, até que eles cessaram deixando uma barulho de explosão em seu lugar. Quando ela abriu os olhos, pode ver os pedaços das Gárgulas espalhados no chão e um monte de fumaça se erguendo em meio as árvores destruídas.
– Você conseguiu- disse Clevence suspirando- vamos para a Casa do Refúgio, os novatos devem estar bem!
Alice continuou a seguir Clevence, mas algo dentro dela dizia que os novatos não estavam tão bem quanto eles imaginavam.
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