Péssima Escolha
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Quando fui voltando a consciência, senti meu corpo chacoalhando, como se eu estivesse sendo carregada, a luz cegava meus olhos e eu fui piscando para conseguir voltar a enxergar, no momento em que finalmente consigo e olho para cima, vejo o Johnson, me carregando com uma cara de extremamente preocupado
– Johnson…? — perguntei ainda meio grogue
– Jass… — parou de andar e olhou para mim, mas a imagem ainda estava embaçada
– O que…? — comecei mas meus olhos foram perdendo o foco e eu botei minhas mãos no rosto
– Shhiiii… Tudo bem… Para de falar… Já estamos chegando… — falou de um jeito protetor, encostei meu rosto em seu peito, para ver se a tontura passava, ele abriu uma porta com o pé e falou alguma coisa com alguém, que eu não entendi nada, depois me pôs encima de uma espécie de cama. Uma voz feminina falou alguma coisa e ouvi o barulho de uma porta abrindo logo depois se fechando. Então finalmente minha consciência foi se retomando e eu abri os olhos, olhei para o lado e vi o Fred em pé me encarando, então eu notei que estávamos na enfermaria do colégio e eu sobre uma maca
– Johnson…? — murmurei
– Tá tudo bem… Estamos na enfermaria… — tentou me acalmar
– Eu sei, seu idiota… — falei me levantando
– Aff… Será possível que nem assim você consegue ser gentil comigo…? — falou indignado e eu dei um risinho
– Pra você ver… — tentei sair da maca
– Eieiei… Aonde a senhorita acha que vai…? — me repreendeu
– Pra fora daqui… — falei como se fosse óbvio
– Não, senhora… Pelo menos, não, até a enfermeira te examinar… Fique paradinha aí que eu vou chamar ela… — falou e foi até o fundo da salinha, onde ficava o quartinho onde se guardava os remédios, aparelhos de exame e coisas do tipo
– Ok… — falei baixinho, assim que ele pôs a cabeça para dentro do quartinho, eu girei os olhos e me levante, quando eu estava abrindo a porta…
– Opa…! Espere um pouco aí, mocinha… — ouvi a voz repressora da enfermeira
– Mas eu tô ótima… — fiz birra me virando para ela
– Tudo bem… Sente aqui, vou tirar sua pressão, se estiver normal você pode ir… — contragosto sentei na maca e ela tirou minha pressão — Hum… Está baixa… O que foi que você comeu hoje…?
– É… Hoje…?
– Aham — pensando bem, é verdade hoje eu não tinha comido nada — O que foi que a senhorita tomou no café? — perguntou
– Bem… Hoje eu acordei meio atrasada então não deu tempo de tomar café… — sorri amarelo
– Ok… E no almoço… Comeu o que?
– Olha… No almoço eu não estava com muita fome, por isso acabei não comendo…
– Jessie… — repreendeu o Johnson
– Então deve ser por isso… — me olhou desaprovadora
– Ok… Fazemos assim… A senhora me libera e eu vou até a cantina ou a alguma maquina de lanche e como alguma coisa…
– Tudo bem… Mas depois vocês voltam aqui para eu poder ver se sua pressão normalizou
– Sim, senhora… — falei
– Ah… Eu vou com você — ofereceu-se o Johnson
– Que? Não precisa — retruquei
– Na verdade precisa, sim, se a senhorita desmaiar de novo, quem vai socorrê-la? — questionou a enfermeira
– Viu? A escolha é sua… Ou você vai comigo ou não sai daqui… — falou com um sorrisinho
– Tá bom… Vamos logo!
– Vamos… Obrigado, enfermeira…
– Por nada, queridos… — sorriu
Saímos e fomos até a área de almoço, a lanchonete estava fechada, então, fui até uma das maquinas, peguei um pacotinho de biscoito e uma barra de cereal e me sentei numa das mesas, e Fred sentou-se na minha frente
– Sabe… Do jeito que aquela aula estava chata, até eu teria desmaiado… — comentou
– Eu nem tava prestando atenção…
– Sorte sua, eu agradeço que você tenha me dado um motivo para sair dela, antes que eu pulasse daquele terraço… — fiz cara de ofendida
– Então, o senhor só me trouxe para fugir da aula?
– Claro… Por que mais a traria…? — brincou, eu estreitei os olhos e nós dois rimos, continuei comendo o biscoito — Mais uma coisa… Que feio hein…? Deixar de comer… E ter um treco no meio de todo mundo — provocou
– Não enche — dei um tapinha no seu ombro e ele riu, terminei de comer o biscoito e estava no final da barra de cereal — Sabe, Jass… Eu tô com saudade da nossa amizade… — começou eu enfiei o resto a barra na boca e engoli
– Vamos…? — quebrei o clima
– Já está de boa agora…?
– É… Acho que não morro mais, não… — brinquei, seguimos e entramos na enfermaria, a enfermeira mediu minha pressão de novo e concluiu que estava tudo bem…
– É… Só faltam 10 minutos para a aula acabar eu nem sei se vale a pena vocês subirem… — comentou tirando o trequinho de medir pressão do meu braço
– É… Acho que vamos esperar aqui embaixo por precaução caso ela fique tonta de novo… — sugerio o Johnson, o enfermeira sorriu e balançou negativamente a cabeça.
Saímos da salinha e fechamos a porta
– Então… O que vamos fazer…? — perguntou ele
– Como assim…? Vamos voltar para a sala…
– Vai, Jessie… Deixa de ser certinha… Vamos ficar aqui embaixo, ainda tem gente aí no jardim, a diretora não vai nem perceber…
– Não sei, não…
– Jass… — começou
– Fê…! — ouvi uma voz chata se aproximando, fechei os olhos — Atrapalho alguma coisa…? — perguntou, se pendurando no pescoço dele
– Não — respondi balançando a cabeça e me virei
– Jass… — ele começou
– Tudo bem… Fica com ela… Eu tô legal… — dei meia volta
– Ah… Fê, hoje o treino de líder de torcida acabou mais cedo… — ouvi a Swift falando enquanto me afastava
Fui até o fundo do jardim para trás de uma árvore, ignorando os olhares das poucas pessoas que ainda estavam alí, pus o fone e uns 5 minutos depois o sinal tocou
– Oi… — ouvi a voz da Thaty ao meu lado, junto dela estavam o Teddy e a Maya
– Oi — respondi com um leve sorriso
– Maninha, fiquei sabendo que você teve um piripaque no meio da aula… E o Fred teve que te carregar… É verdade…? — perguntou o Teddy com um sorriso infantil, eu lancei um olhar feio para a Maya que sorriu amarelo.
– É verdade, sim… — Maya falou antes que eu pudesse responder — Ele nem deixou ninguém tocar nela… Falou que ele que a traria para baixo e ponto… — meu olhar se intensificou para mortal e todos dali caíram na gargalhada.
A época de provas passou e hoje era o último dia dela, nesse dia também poderíamos ir até a biblioteca, no horário da saída, para pegar as primeira provas, já corrigidas, para irmos começando a ter uma média de nossas notas e já que os professores dessas matérias foram os que tiveram mais tempo. Era uma quarta-feira e no decorrer da semana o restante das notas iriam ser entregues, logo que fomos liberadas, eu, Thaty e Sam descemos e fomos até a biblioteca, como estava muito tumulto resolvemos esperar um pouco, mas não conseguimos segurar o nervosismo e resolvemos arriscar, assim que nos aproximamos nos deparamos com a seguinte cena…
– Fê, conseguimos, eu tirei notas boas… Obrigada, Fê… — a Swift pulava, logo depois se atracando com ele, que parecia começar a se incomodar com o grude
– Vem, Jessie… Finalmente conseguimos achar a mesa que está entregando as provas do segundo ano… — Thaty falou e me puxou para o meio da multidão, foi um empurra-empurra, porém conseguimos atravessar a biblioteca e chegar até a mesa que estava entregando as nossas provas, tinha uma espécie de fila, mas estava tão desorganizada que não dava para saber onde ela começava e onde terminava, ficamos onde achávamos que era o final dela e esperamos, as primeiras provas que fizemos foram física, química e biologia, eu estava super nervosa… ficamos conversando para ver se conseguíamos nos acalmar.
Finalmente, após o que pareceu uns 15 minutos conseguimos pegar nossas provas, resolvemos sair para olhar nossas notas, porque naquela confusão não iria dar certo, eu fui razoável mas poderia ter sido melhor… tirei B- em química, A- em física e B+ em biologia. Quanto as meninas, ambas tiraram A+ em química, como já deve ter dado para perceber com o curso avançado, elas são super nerds nessa matéria, Thaty tirou C em biologia e B- em física, a Sam tirou A em biologia e C+ em física, segundo ela essas matérias com números não eram a sua praia…
– É… Fomos razoavelmente bem… Bom trabalho, meninas… — falou a Thaty e nós três demos um "toca aqui" — Então… Vamos comemorar…? — deu um sorriso maroto
– Ah… Nem vem, Thaty, amanhã temos aula… Esqueceu? — a repreendi
– Vai… Jessie… Eu ouvi o povo do terceiro ano falando que iria numa boate para comemorar o fim das provas… — insistiu
– Bom… Boa festa para eles… — falei tentando sair, mas a Thaty me puxou de volta
– Jessie… Acho que até seu irmão vai tá lá… — comentou a Sam
– Sério…? Que bom pra ele… Eu vou pra casa… — a Thaty que ainda me segurava, me puxou de novo
– Por favor… Jessie, deixa de ser certinha… Vamos comemorar o fim das provas… E as nossas notas… — fez cara de cachorrinho
– Mas amanhã tem aula… — repeti
– Amanhã só vai ser entrega de provas… Nenhum professor vai dar assunto nem passar atividade. Vamos…!
– Eu ainda não acho uma boa ideia… — falei firme
– Por favor… — insistia a Thaty
– É Jessie, vai ser legal. Você tem que aprender a viver a vida sem tanto estresse — falou a Sam
– Vamos… Vai ser divertido…!
– Por favor… Por favor… Por favor… Por favor… — repetiam elas juntas
– Tá bom…! Eu desisto! Eu vou nessa festa…! — cedi
Eu não acredito que as meninas me convenceram, assim que cheguei em casa falei com minha mãe e ela deixou na hora, falou que é até bom para eu aprender a relaxar… Qual o problema desse povo com meu modo de viver?! Subi, nem tive tempo de pensar em tomar banho, deitei na cama e em dois segundos, ou até antes disso, peguei no sono, estava completamente esgotada, fazia um bom tempo que eu não tinha uma boa noite de sono, me dedicava completamente aos estudos, só não deixei de comer porque meu queridíssimo irmão contou para os meus pais do meu desmaio e desde então eles não deixam eu nem sequer me atrasar numa refeição.
Dormi profundamente e acordei algumas horas depois, olhei no relógio, 6:15 da tarde, decidi me levantar e tomar meu banho, se era para eu ir nessa festa o melhor era ficar pronta logo para não ouvir reclamação da Thaty. Tomei um longo e quente banho, outra coisa que eu não tenho podido de uns tempos para cá é demorar e relaxar num banho. Sai enrolada na toalha e abri as portas do meu guarda-roupa. Fiquei alguns segundos ali fitando minhas roupas, comecei a remexer e a jogar vários conjuntos encima da cama a procura da vestimenta perfeita, nenhuma chegava nem perto, experimentei várias, mas não gostei de nenhuma, eu não tinha jeito mesmo para ficar indo a festas… estava jogando mais um conjunto na cama quando meu celular tocou
– Oi…? — falei atendendo
– Me diz que você já está se arrumando… — ordenou a Thaty do outro lado da linha
– Mais ou menos…
– Como assim…? — deu um pirada
– Eu não tô achando roupa nenhuma para ir…
– Pois trate de encontrar uma perfeita e seja rápida, mas não precisa se matar ainda, temos um tempinho…
– Ok… Vou continuar procurando…
– Tá bom, eu já já estou aí com a Sam… Estamos aqui na casa dela… Até logo — mandou um beijo pelo telefone e desligou
Sentei na borda da cama e fiquei pensando… Que roupa eu poderia usar…? Até que me deu um estalo… claro… Como eu não pensei nisso, a roupa que a Thaty me deu de presente no Natal, revirei o fundo do guarda-roupa e tirei de lá o conjuntinho perfeito, vesti, pus um sapato meu e pronto, tentei dar um jeito no cabelo mas eu sou uma negação com essas coisas, resolvi deixar para as meninas quando chegassem, comecei a me maquiar, passei apenas um lápis, rímel, quando estava dando o último toque com um gloss básico, a Thaty me mandou uma mensagem dizendo que ela e a Sam estavam esperando lá embaixo, respondi
"Ok… Subam, preciso de ajuda…"
– Espero que você já esteja quase pronta… Eu te mato se… — falou entrando — Uau… Adorei…! — deu um pulinho batendo palmas
– Obrigada… Mas, por favor, me ajudem com o cabelo, eu tentei mas não deu em nada… — falei me afastando do espelho
– Ok, senta aí — me sentei na borda da cama entreguei o pente e a escova a elas, a Thaty começou a mexer no meu cabelo e a Sam entregava as coisas que ela pedia, foi até minha penteadeira e pegou alguns elásticos, dado alguns minutos…
– Pronto — informou ela — Perfeita pra arrasar! — riu e piscou, fui até o espelho. Para falar a verdade a obra dela estava linda. As meninas retocaram os gloss, eu dei um último toque, peguei uma corrente da minha caixinha de jóias e pus.
Então estávamos prontas, eu com a minha blusinha verde amarrada, uma saia escura e sapato preto, a Sam com blusa florida, saia clara, sapato verde e uma linda corrente de floco de neve, e a Thaty estava usando um vestido azul, rosa e roxo, um colar de boca e um sapato rosa estilo boneca.
Descemos as escadas e a minha mãe estava na base dela, sentada no sofá do cantinho de leitura
– Nossa… Como vocês estão lindas…
– Obrigada, mãe — sorri para ela
– É… Obrigada, Sra. Black — falou a Sam tímida
– Bom, tia… Então, já vamos indo que já estamos atrasadas… — falou a Thaty nos empurrando para a porta
– Tchau, mãe… — falei
– Tchau, queridas, se divirtam… Ah, Jessie, não chegue muito tarde… — gritou quando passávamos pela porta
– Tá bom… — respondi, a Thaty a fechou e entramos no carro
Quando chegamos, antes de sairmos do carro já dava para ouvir o som, entramos, as luzes estavam lindas, a música alta e animada, muitas pessoas dançavam alegres, mas quando olhei para o bar, vi, lá longe, o Fred sentado numa banco e a Swift entre as pernas dele, o beijando.
– Ok… Vou indo… — falei tentando dar meia volta
– Não, não, não, não… — as meninas seguraram meus braços
– Você não vai deixar essa vadia e esse idiota estragarem sua noite, não é? — perguntou a Thaty me encarando
– Claro que não, você está certa, não vou deixar NINGUÉM estragar a minha noite, nem eles…
– Muito bem… Agora vamos nos divertir… — sorriu marota
– É hora da FESTA — animou-se a Sam
Ao darmos alguns passos, vimos o Teddy do outro lado se agarrando com a Moore. Percebi que ao ver a cena a Thaty ficou meio mexida, mas achei melhor não comentar, eu e a Sam apenas trocamos olhares, sentamos no bar o mais afastado possível do Fred e da namoradinha dele.
– Vou quer um Ice! — disse a Thaty para o cara do bar
– O mesmo! E você, Jessie? — falou a Sam
– Não sei, não, gente. Amanhã temos aula, não acho uma boa ideia tomarmos bebidas alcoólicas… — falei
– Jessie, lembre-se: aprenda a se divertir sem preocupações! — disse Thaty
– Sabia que é assim que as meninas de hoje em dia engravidam?! — retruquei
– Ok… Um refrigerante, por favor, para a caretinha aqui… — pediu a Thaty para o bar-man
O cara trouxe os nossos pedidos e ficamos ali sentadas conversando…
– Oi, gatinha… Quer dançar? — um garoto lindo se aproximou e se dirigiu a Thaty, estendendo a mão
– Claro, será um prazer — aceitou a mão dele e saíram de mãos dadas, quando deram dois passos ela se virou para nós e piscou um olho, caímos na gargalhada. Eles foram para pista de dança e acredite ou não ele fica ainda mais gato dançando.
– Ele é mesmo lindo, não é? — perguntou a Sam
– Com certeza — respondi com um sorriso tarado
– É, ele…
– Com licença, linda, mas gostaria de dançar? — perguntou outro rapaz para a Sam, estendendo a mão
– Adoraria… — pegou a mão dele e se levantou, sorriu para mim e foi dançar também
Me virei, a música Counting Stars começou a tocar, bebi um gole do meu refrigerante e encarei a estante cheia de bebidas atrás da bancada. Nossa! Como podem beber todo esse álcool?!
Um minuto depois, voltei meu olhar para a pista de dança e minhas amigas realmente não perdem tempo, as duas já estavam beijando seus gatos…
– Oi, Jessie! — ouço uma voz masculina a minha direita, me viro
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