Péssima Escolha
7 Capítulo 7
Notas iniciais
– Oi, Jessie! — ouço uma voz masculina a minha direita, me viro...
Era o Luke
– E aí, Luke?
– Curtindo a festa? — senta-se ao lado
– É, minhas amigas me obrigaram a vir, mas acho que no momento elas estão um pouquinho ocupadas…
– Eu to vendo! — olha para a Sam que beijava o garoto lindo — E então, que tal tomarmos uma bebida de verdade?
– Eu não bebo…
– Vai, Jass, deixa de ser careta! Só uma!
– Não sei, não…
– Por favor! Só para eu não ter que beber sozinho! Peço um Ice para você, são tão fracos que você nem vai sentir… — pensei um pouco, talvez beber uma vez só na vida, não vá fazer tão mal assim…
– Tudo bem…! Mas só um pouquinho, viu?
– Ótimo! Amigo, um Ice e uma caipirinha, por favor! — dirigiu ao bar-man
O cara trouxe nossas bebidas
– Bom… Saúde…! — brindamos e eu bebi um gole, era gostoso.
– Cara, aquele idiota, não para de te encarar! — olhava para algum lugar atrás de mim, me virei, um garoto muito lindo, mantinha o olhar em nossa direção, sorri
– Que nada! Ele nem tá olhando pra mim…
– Tá brincando?! Esse babaca tá te fitando desde que vocês entraram aqui…
– Você está me vigiando desde que eu entrei?! — ergui uma sobrancelha e ele revirou os olhos, ri da cara de emburrado que ele fez.
Começamos a conversar, não sei onde achamos assuntos em comum, mas não foi tanto problema assim. Ele contou piadas e eu fui falando de historias engraçadas que já rolaram comigo, ele me contou algumas também, coisas em que ele, meu irmão e o Johnson já aprontaram juntos, eu confesso que nem me recordava desse lado tão travesso do Teddy, lembramos de loucuras que já fizemos todos juntos… Quando notei, eu já tinha bebido umas cinco garrafas e o Luke ainda mais, me assustei, eu nunca tinha bebido, ainda mais tanto. Percebi que estava meio tonta e o Luke parecia estar no mesmo estado.
– Luke… — o chamei
– Que?! — pousou a taça na bancada e virou para mim
– Acho que bebemos um pouco demais…
– Que nada! Isso não é nada! Normalmente bebo muito mais… — pega de novo o copo e toma mais um gole
– Ok… Mas hoje você está comigo e se você beber demais, eu vou ter que te levar para casa… Então, já tá na hora de parar… — tentei pegar a taça de sua mão, mas ele se esquivou
– Me dê essa taça, agora! — falei lentamente o lançando um olhar mortal
– Vai, Jass! Eu não fico bêbado tão fácil assim, não… — fez cara de cachorro pidão
– Não, senhor! Eu não vou arriscar… Agora seja um bom garoto e solte essa taça… — desci do banco, o encarando autoritária e ele revirou os olhos, logo levantando também — Me dá… — estiquei a mão
– Não… — provocou
– Agora…
– Não — insistiu
Fui para pegá-la, mas ele desviou, eu tropecei na base que apoia o banco, despenquei em sua direção e num ato agil ele me seguro
– Te peguei… — falou estreitando os olhos e com uma voz rouca
– Obrigada… Esse banco idiota… — riu por eu está culpando um objeto imóvel
Depois ficou me encarando e eu o olhei de um jeito que queria dizer: "E aí… Você não vai me soltar?"
– Bem… Quer dançar? — perguntou do nada
– Claro… Se você me levantasse primeiro… — ironizei
– Ah, certo… — riu, finalmente me pondo de pé e pôs o copo no balcão
– Valeu, agora, sim, podemos dançar… — deixamos o dinheiro na bancada, segurei sua mão e fui o puxando até a pista
Quando chegamos no meio da multidão a música "Locked Ou The Heaven" começou a tocar
– Já vou avisando que eu não sei dançar…! — gritei para fazer ele me ouvir mesmo com a música alta
– Tudo bem… Eu também não… — respondeu com a voz alta
Logo que começamos a dançar eu notei que ele mentiu descaradamente, o cara era um dançarino incrível e a única coisa que eu sabia, era ficar me balançando no ritmo da música como se estivesse levando choques. O encarei com uma sobrancelha erguida, ele deu de ombros e riu, revirei os olhos sorrindo
– Não liga, não, eu te ensino — foi para trás de mim e segurou meus braços, logo começou a fazer movimentos para que pudesse acompanha-lo. Ele foi chegando mais perto do meu corpo… Que intimidade é essa?!
– Ok… Chega! Isso não tá dando certo…! — gritei, me afastei dele e dei um passo com a pretensão de sair daquela pista, mas fui segurada pelo braço e puxada. Com o ato cai em seus braços
– Mas você estava indo bem… — sussurrou de um jeito que só eu pudesse ouvi, revirei os olhos. Ele sorriu e foi se aproximando, chegava cada vez mais perto mas não tirando os olhos dos meus, até que nossos lábios se encontraram.
Não era por nada não, mas ele beijava muito bem, seu beijo era leve e seguro, até me fez esquecer o que eu estava fazendo. Quando ele finalmente se afastou e me levantou, abrimos os olhos, eu senti como se estivesse sendo vigiada, olhei para os lados e vi a Sam, a Thaty, o Fred e meu irmão, cada um de um canto nos fitando de bocas abertas, ri meio envergonhada
– Desculpe, não sei onde eu estava com a cabeça... — ele falou, o olhei, ri e balancei negativamente a cabeça, como se dissesse "Relaxa" — Mas tenho que falar… Você beija bem, hein! — sorriu safado e eu retribui tímida
– Se quiser… Pode beijar de novo — eu sei que estou sendo uma vadia, mas acabei de beber cindo Ice's mesmo não estando acostumada então me deem um crédito!
O seu sorriso maroto se alargou, ele pôs uma mão na minha nuca e a outra na minha cintura e me puxou para perto de si, recomeçando aquele beijo suave e com sabor de menta, entrelacei meus braços no seu pescoço e ficamos um tempinho alí, juntos, agarrados.
Quando me dei conta: isso não esta
certo, eu sei que ele gosta da Sam e ela também gosta dele, mesmo que os dois não saibam ou não queiram admitir… Ele estava bêbado, provavelmente, nem fazia ideia do que estava fazendo e eu estava nessa porque estava com raiva e queria me vingar do Fred, pois eu sabia que ele era ciumento comigo e odiava quando eu ficava com alguém. No momento em que essas ideias clarearam na minha mente me afastei dele
– O que aconteceu? — perguntou confuso
– Isso não esta certo…
– Como assim? — franziu o cenho
– Isso… Você está bêbado e eu também bebi um pouco, então, não somos nós fazendo isso são nossos inconscientes… Sóbrios nunca faríamos isso, somos só amigos… — sorri de canto e ele também, abaixando os olhos
– Sabe… Você não podia estar mais certa… Não acredito que fizemos isso… — olhou para mim com um sorrisinho
– Tudo bem… — tentei o tranquilizar — Ainda amigos? — perguntei sorrindo
– Claro que sim! — sorriu me puxando para um abraço, apertou minha cintura e eu enlacei seu pescoço
– Bom… — disse ao nos afastarmos — Acho que é hora de irmos embora… Você já bebeu o suficiente e eu já não aguento mais isso aqui, além do mais amanhã temos aula…
– Sim, senhora! Mas temos um problema! Eu vim de carona com seu irmão e pelo jeito ele não vai querer sair agora… — olhei em sua direção e ele estava num canto agarrando a Moore.
– Tudo bem… Damos um jeito… — peguei em sua mão e o puxei até onde a Sam e o peguete dela estavam conversando animados e bebendo.
– Sam… — chamei ao chegar perto, ela se virou para mim
– Ah, oi, Jessie. Oi, Luke… esse é o Benjamin.
– Oi… — comprimentou
– Oi — respondi com um sorriso
– Oi — disse o Luke lançando o olhar mortal ao garoto, decidi ignorar
– Bom… Sam, estamos indo, mas o Luke veio com meu irmão e ele não vai querer ir agora…
– Tudo bem… O Ben falou que me leva para casa, mesmo…
– Ah ótimo, então ate amanha… — falei
– Foi um prazer, Jessie — disse o acompanhante de Sam
– Meu também! — sorri
Saímos e fomos, eu e Luke, em direção a Thaty
– Como ela pôde ficar com esse babaca?! — falou ele no caminho
– Ciúmes? — perguntei
– Deles? Imagina… — tentou disfarçar, eu ri
– Thaty… — chamei quando já estávamos próximos dela e do garoto que ela ficou, eles também conversavam e bebiam
– Oi, Jessie… Luke… — sorriu para nós
– Oi, gente — disse o cara
– Esse é o Ethan
– Oi — falamos eu e o Luke juntos
– Thaty, nós já queríamos…
– Você... — corrigiu o Luke
– NÓS já queríamos ir embora…
– Ela me obrigou — falou baixinho causando riso nos dois
– Mas… — continuei o ignorando — o problema é que ele veio com meu irmão e ele está um pouco ocupado…
– Eu tô vendo — olhou desaprovara em direção a ele que ainda beijava a Stefanny
– Então eu estava pensando se não já podíamos ir indo…?
– Ah, Jessie! Agora?! — disse arrastado
– Eu estava pensando: ele não pode te levar, não? — olhei para o Ethan
– Na verdade, posso… — respondeu
– Então, tudo bem… Pode levar o carro.
– Te devolvo amanhã cedo para irmos ao colégio juntas, então. Ok?
– Ótimo, nos vemos amanhã então… — me entregou a chave
– Ok… Se comportem, viu? — falei enquanto saiamos, o Ethan sorriu maroto e a Thaty corou, eu e o Luke rimos com a sua cara — Tchau! — falei
– Tchau — falaram
Agora só tínhamos que avisar ao meu irmão.
Chegamos lá e eles nem notaram nossa presença, continuaram se beijando, o Luke pigarrou e finalmente eles se desgrudaram e ambos olharam para nós com os rostos todo vermelho
– Oi, Luke. Oi, Jass — Jass?! Quem essa vadia pensa que é?!
– Oi — falei com um sorriso completamente sem graça e um olhar mortal — Teddy, eu vou levar o Luke para casa, viu?
– Ok… Mas depois eu quero saber direitinho por que foi que vocês estavam se agarrando a dois minutos…
– Olha só quem fala… — eu provoquei, ele virou para a Moore depois voltou a nos encarar
– Escuta aqui, Morgan, não se atreva a fazer NADA com a minha irmãzinha! — ameaçou o Luke
– Está bem… — concordou meio assustado
– Ok… Nos vemos depois… Tchau… — puxei o Luke e fomos nos afastando
– Cara, as vezes seu irmão me dá medo! — sussurrou para mim, eu ri da cara que ele fez, fica emburrado, que se transforma num sorriso maroto — Mas eu enfrento dragões por você! Por que não enfrentaria ele…? — faz cara de valente e me abraça de lado me puxando pela cintura, caímos na gargalhada. Quando já estávamos a uns dez passos da porta:
– Espera! — parei bruscamente
– O que foi?! — olhou para mim
– Nós dois bebemos. Quem vai dirigir?
– Ah, que besteira! Tanto faz!
– Não, senhor! Se batermos o carro e morrermos eu vou ser a culpada! — cruzei os braços
– Vai, Jass! Então fazemos assim, eu dirijo, portanto se batermos a culpa vai ser minha… — me puxou pela cintura me fazendo voltar a andar
– NÃO! — parei novamente — De nós dois, você foi o que mais bebeu e não tô muito a fim de morrer hoje…
– Então, você dirige — girou os olhos
– Mas eu também bebi!
– Então, o que você quer fazer…? Passar a noite toda aqui…? Eu faço isso de boa, mas… — se virou e deu um passo em direção ao centro da festa
– Espera — coloquei minha mão na sua frente e meu braço bateu no seu tanquinho, não era tão visível sob a camisa mas os gominhos dele eram super definidos. Ele me olhou — Tenho uma ideia, vamos tomar um café…
– Serio?! Eu não gosto de café! — falou emburrado, esse cara parece uma criança… — Eu acho que não precisa, minha casa é só a uns dez quilômetros daqui!
– Mas a minha é a quinze!
– Eu não preciso tomar café também, não, né?! — arrastou a voz
– Claro que sim! Eu também não gosto e vou tomar para não morrermos, então você vai sofrer junto comigo…
– Jass… Por favor… — fez carinha de cachorro abandonado
– Nem vem com essa que eu não caio… — peguei seu pulso — Agora, vem logo e para de reclamar… — o puxei, ele resmungou, mas me seguiu de bom grado…
Sentamos nos bancos diante do bar
– Não sei por que eu tenho que beber também… — disse emburrado
– Quer que eu explique de novo…?
– Não precisa…! — tratou de falar — Amigo, por favor…! — levantou a mão e falou para o cara do bar
– Dois cafezinhos fortes, por favor… — pedi
– Pra já! — pegou duas xícaras e se encaminhou até a maquina de café, enchendo-as — Prontinho. — pousou elas no balcão e metendo a mão embaixo dele tirou de lá um potinho de açúcar
– Obrigada — sorri gentil, pagamos logo, já que não iríamos pedir mais nada depois, com um aceno de cabeça, ele se retirou
Peguei uma colhezinha de açúcar e pus, mexi, o Luke pôs uma também, tomei um gole e "Blerg", esse negócio é ruim mesmo… quando eu estava afastando a xícara da boca, ele colocou mais uma colher, outra, mais uma, de novo, um pouco mais… Eu comecei a arregalar os olhos, pôs outra…
– Se você quer morrer, se joga de um penhasco, não precisa se matar de diabetes… — disse irônica, mas ele botou mais uma colher
– É pra ver se melhora esse gosto… — fez careta, ele é mesmo uma criança…
– Você é maluco! Com esse tanto do açúcar vai é ficar pior e ainda por cima você vai entrar em coma, por causa da quantidade.
– Que nada… — pôs mais uma
– Ok… Agora chega né?! Se não vai transbordar, eu não quero ter que te levar ao hospital e passar a noite toda lá… — parou e começou a mexer, teve que fazer isso bem divagar, pois caso contrario melaria o balcão todo
– Nossa! Você ficaria tão preocupada assim? — sorriu safado
– Não enche! Cala a boca e bebe logo! — mandei, deu um sorrizinho de canto e tomou um gole, assim como eu, ele pôs a língua para fora da boca e fez uma careta, quase me engasguei com o café por senti vontade de rir…
– Bleerrg! — resmungou, sorri, tomei o resto num gole
– Vamos? — perguntei
– Já posso parar de tomar isso? — fez cara de esperançoso e apontou para a xícara
– Pode. Vou parar com a tortura…
– Obrigado — as pousamos na bancada, levantamos e fomos andando, ele ainda fazia as caretas com a língua para fora e eu ria balançando negativamente a cabeça.
Entramos no carro, eu no motorista é claro...
– Se sofrermos um acidente ou formos parados pela policia eu te mato… — ameacei e ele ergueu as mãos em sinal de rendição
– Espera — falou quando dei a partida no carro, olhei para ele — Você sabe dirigir, não sabe? — perguntou com uma expressão assustada, fiz cara de tédio e ignorei a pergunta
Começamos a andar e ele ligou o som, somos ouvindo alguns rock's e algumas musicas eletrônicas, depois de uns 10 minutos chegamos em frente a casa dele… Diminui o volume
– Bom… Então, boa noite… — falei e sorri para ele
– boa noite, Jass — se aproximou e deu um beijo na minha bochecha, se afastou, sorriu, abriu a porta e saiu do carro, bateu a porta, abaixou e deu um tchauzinho sorrindo, retribui e voltei a andar.
Aumentei de novo o volume do som, depois de uns 4 minutos cheguei em casa. Subi as escadas, entrei no meu quarto, me desarrumei, desprendi o cabelo, tirei a maquiagem e tomei um banho bem quente. Quando já estava de pijama notei que já eram 11 horas. Provavelmente a Thaty e a Sam não saíram da festa ainda, decidi mandar uma mensagem para elas…
"Meninas, se você ainda estiverem na festa, vou logo avisando… Não fiquem até tarde aí não, viu? Lembrem-se de que amanhã temos aula"
Logo, a Thaty respondeu
"Sim, mamãe…! Daqui a pouco já estaremos saindo"
Em seguida a Sam mandou
"Sim, senhora…! Já já vamos embora, vossa senhoria…"
Revirei os olhos. Eu mereço…!
"Então, ótimo fim de noite para vocês" — respondi
Coloquei meu celular em cima da mesa, notei que estava completamente sem sono, muito provável que seja culpa daquele café infernal…! Por isso, peguei um livro, deitei e comecei a lê-lo, acabei pegando no sono enquanto lia e essa foi a minha noite…
Acordei com o som do meu despertador, coloquei no "adiar" e fui dormir de novo, cinco minutos depois ele volta a tocar, aperto "adiar", novamente, mas ele insiste em me acordar. Olho o horário, 6:50, lembro que tem aula, descido levantar, vou sonolenta até o banheiro, tomo um banho demorado, ao sair enrolada na toalha, penso que provavelmente, a Thaty não deve ter acordado, e me lembrei que eu iria pegar ela, então, decidi ligar e acorda-la
Chamou, chamou… até que finalmente…
– oi — atende com voz de sono
– Acorda! Eu vou até aí, lembra…?
– Mas ainda são sete da manhã… — resmungou
– Só que eu não lembrava que hoje eu tô com seu carro, então, como meu irmão gosta de chegar cedo, acordei no horário normal e estou um pouco adiantada… Porém, como não estou a fim de ficar te esperando… você também vai se arrumar mais cedo e vamos antes para o colégio… — o outro lado estava mudo, estranhei, até que eu me toquei, ela deve ter cochilado — Thaty… Thaty… ACORDA!
– Ai! Não grita, tô com dor de cabeça…
– Não devia ter bebido tanto ontem. E se você não quiser que eu grite, levanta logo dessa cama e vai se arrumar… VAI LOGO!
– Pronto… Pronto… Tô de pé. Posso desligar agora?
– Eu só vou desligar depois que eu ouvi o barulho do chuveiro… Vamos, um, dois…
– Ta bom, to indo… — enquanto ela estava tirando a roupa e se preparando para tomar banho eu tava segurando o telefone e revirando o meu armário a procura de uma roupa… O barulho de água caindo soou do outro lado da linha — Pronto, agora me deixa tomar banho! Tchau — falou, desliguei o telefone e finalmente achei a roupa perfeita, vesti, arrumei meu cabelo e botei meu perfume, decidi não tomar o café da manhã hoje, estava meio enjoada, provavelmente por causa da bebida, me maquiei, peguei minhas coisas e estava pronta…
No corredor, me deparei com o Teddy
– Já está pronta? Que milagre, iria daqui a pouco te chamar para irmos… — falou
– Eu não vou com você hoje, não, lembra? Tô com o carro da Thaty, tenho que ir buscar ela…
– Ah, claro, eu tinha me esquecido…
– Eu já vou indo, então…
– Ah, ok… Eu também, daqui a pouco, já vou saindo… — anunciou
– Ok, tchau — me despedi
– Tchau
Desci as escadas, fui até a cozinha me despedi dos meus pais, eles estavam tomando café
– Tchau, mãe. Tchau, pai. Já vou indo…
– Já vai? Não vai comer, não? — perguntou minha mãe
– Não, eu tô sem nenhuma fome — respondi
– Olha… Não vai desmaiar de novo! — advertiu ela
– Tudo bem, eu tomo café lá na casa da Thaty… Ok? — menti, não seria muito legal dizer, "Mãe, eu não vou comer hoje porque estou enjoada por ter bebido muito ontem…"
– Você não vai com seu irmão, não? — meu pai se pronunciou — Ele acabou de subir.
– Eu sei, eu não vou com ele, não… Eu tô com o carro da Thaty, tenho que devolver e vamos juntas…
– Ah, então, bom dia, filha — ele concluiu
– Tchau, meu amor — falou minha mãe me dando um beijo na bochecha, meu pai me deu um na testa
– Tchau — falei saindo…
Entrei no carro, liguei o som, procurei uma música bem levinha, estava com um pouquinho de dor de cabeça, também… Depois de uns cinco minutos, cheguei na frente da casa dela, eram 7:49. Peguei meu celular e liguei
– Oi — falou
– Estou aqui na frente…
– Já?! Ok… Entra, já estou quase pronta.
– Ta bom… — desliguei
Saí do carro, quando estava subindo na varanda, a porta se abre
– Oi — cumprimentou com a boca cheia e segurava uma espécie de croissant — Entra…
– Ok… — entrei e fechei a porta — Bom dia, tia. Bom dia, tio — falei com os pais dela, enquanto ela subia a escada, logo a segui
Quando cheguei no quarto da Thaty, ela estava escovando os dentes, botei minha bolsa na poltrona e deitei na cama dela
– Que folgada… — falou saindo do banheiro
– Ah, qual é?! Eu já sou de casa… — pisquei e ela riu
Começou a se maquiar, quando ela estava passando o lápis, me levantei, vi que o meu batom já tinha quase saído, peguei ele na bolsa e retoquei. Quando ela terminou, descemos, nos despedimos dos pais dela e saímos…
Fomos escutando uma música bem calma e baixinha, depois de uns dez minutos chegamos, olhei no relógio, 8:08
– Viu? Até que não chegamos tão cedo assim… — já tinha bastante gente
– É! Mas pra mim é cedo…
– Para de resmungar… — saímos do carro, ao entrarmos, fomos caminhando até a sala da primeira aula.
– E então, como foi a noite de ontem, hein? — puxei assunto
– Ótima, o Ethan é incrível… E beija de um jeito… — falou com um olhar sonhador e um sorriso tarado, eu ri
– Parecia mesmo…
– Mas e a sua?
– O que tem a minha?
– Você e o Luke, hein?
– Eu e o Luke nada, somos apenas amigos…
– Eu vi essa amizade ontem… — falou com um sorriso provocador
– Aquilo foi besteira e nunca mais vai se repetir… Ele bebeu um pouco, eu também…
– Nossa, a santinha bebendo?! — zoou
– Ah… Fica quieta! — eu disse ficando emburrada, logo ela caiu na gargalhada e eu a acompanhei
Até que do nada começou uma confusão, com monte de gente correndo e no meio dos murmúrios ouviam-se uns "Briga! Briga! Briga! Vamos! Vamos lá!", muitos começaram a correr para ver a confusão
– Briga? Essa hora da manhã? — resmungou Thaty
– Acho melhor irmos ver o que é… — falei
– Sério?!
– E se for com alguém que conhecemos? E se alguém se machucar? Do jeito que esse povo é eles querem é botar fogo, não apartar… Alguma coisa me diz que não é coisa boa! — ela só me encarava — Vem logo…! — a puxei para corremos
Ao chegarmos lá tinha uma roda de um amontoado de gente perto justamente do MEU armário, isso não me cheirava bem… Fui empurrando o pessoal, para abri caminho para passarmos, quando cheguei no centro, entrei em choque.
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