Pânico no Além
1 Um
Notas iniciais
Deserto Stumble
O dia ainda estava claro. Naquela região desértica, o calor ultrapassava com facilidade os 45 graus.
Dentro duma pequena Pick-up azulada que cortava a rodovia, Garry dirigia com uma mão enquanto aumentava o ar-condicionado com a outra. Mesmo com o vento gelado, o rapaz não parava de suar. Parecia estar literalmente derretendo.
– Mas que calor sufocante! — Reclamou, quebrando a trava de ar do painel. — Droga!
No banco do passageiro, sua namorada Kate dava um longo bocejo enquanto arqueava os braços.
– Como você consegue dormir nesse fogão?
Kate limpou os olhos antes de responder.
– É fácil dormir com o calor. Difícil é pegar no sono com essa caminhonete que parece um balanço de parque!
Ela observou que o ar saia sem parar e viu a trava quebrada. Olhou para as mãos de Garry e encontrou o outro pedaço.
– Quebrou a trava de novo?
– Me desculpe se não consigo viver no inferno...
Ele jogou a trava sobre o painel e Kate começou a olhar para a estrada. Estavam passando por uma região plana e reta, e uma placa de "km 53" ficava para trás.
– Já estamos chegando?
– Não sei, nunca passei por aqui antes! Mas tem um mapa no porta-luvas.
Kate o pegou no mesmo instante e abriu-o. Com a ponta do dedo, foi passando numa listra até chegar ao "km 53". Deu um murmuro de alivio.
– Estamos perto? — Perguntou o namorado.
– Mais do que imagina. Diz aqui que a área de festa fica logo após aquela montanha!
Um forte vento entrou no carro de repente. O mapa voou das mãos da moça e cobriu o painel frontal do carro. Garry não conseguia ver nada na estrada e entrou em pânico.
– Tira isso dai!
Kate rapidamente alcançou o papel quadriculado e puxou-o. Garry voltou a ver a estrada, e arregalou os olhos quando percebeu um veado no meio da pista.
– Se segure! — Gritou.
Ele tentou frear o veículo, que deu um grande chiado e um enorme barulho. Mesmo assim, ainda atingiu e destroçou o animal. Todo o para-brisas se borrou de sangue.
Enfim a pick-up parou.
– Meu pai... O que foi isso? — Kate gruiu um pouco trêmula.
– Você está bem?
– Sim, mas vou ficar melhor depois que alguém limpar esse sangue!
– Pode deixar, eu limpo.
Garry abriu o porta-luvas, pegou um pano amarelado e saiu do carro. Limpou parcialmente o vidro e empurrou alguns pedaços de membros do animal para o chão, então foi até a carcaça do bicho, a pegou com pano e arrastou-a para o canto da rodovia.
– Onde vai?
– Jogar isso fora e fazer as necessidades! — Respondeu, entrando num amontoado de folhas secas.
Kate deu um longo suspiro e se voltou para as montanhas distantes da estrada. O cenário era, ao mesmo tempo, bonito e estranho... Parecia muito isolado.
Minutos se passaram. Ela estava começando a ficar preocupada com a demora de Garry. Tentou vê-lo pelos retrovisores, mas nada.
– Amor, tá tudo bem aí?
O silêncio foi sua resposta.
Kate abriu a sua porta e saiu do carro. Deu alguns passos até a moita mais próxima de onde o viu entrar. Ao se aproximar, Garry saltou de repente na sua direção.
– Que susto! — Kate disse com a mão no peito. — Quer me matar de... medo?
Interrompendo as próprias palavras, acompanhou em choque que a cabeça do namorado estava com um grande corte. Sangue escorria do seu rosto para as suas roupas, enquanto ele tentava dizer algo com dificuldade.
– Garry? O que aconteceu? — Kate perguntou arrepiada.
– Fuja... Fuja... Fuja!
O corpo de Garry caiu de uma vez no chão, sem sequer demonstrar reação de vida. Em poucos segundos se formou uma poça de sangue próximo dele. A moça se afastou com as mãos na boca, desesperada.
Os matos atrás do corpo do rapaz se mexeram. Kate arregalou os olhos quando viu o que de lá saiu. Deu um longo grito de pânico, o último da sua vida.
"Pânico no Além"
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