Pânico no Além
2 Dois
Notas iniciais
Dois Dias Depois...
Ana penteava seus cabelos enquanto sorria para o próprio reflexo. A jovem de cabelos e olhos pretos, terminava de se arrumar para a viagem que iria fazer com os amigos.
Largou o pente numa estante e pegou sua bolsa de roupas sobre sua cama. Abriu a porta do quarto e desceu calmamente.
Era madrugada. Ana estava indo para um deserto a 200 quilômetros dali, e com rebeldia, pretendia chegar lá sem avisar sua mãe.
Quando descia as escadas seu telefone tocou. O barulho não era dos mais altos, mas ela atendeu logo pra não acordar a mãe que dormia em seu quarto.
– O que foi? — Cochichou.
– Ana, é a Bree. — Disse a loira gritante do outro lado. — Estou ligando pra dizer que já vamos passar aí. Está pronta?
– Sim. Já estão todos no carro?
– Eu, Matt e o Nolan. Ligue para o seu "Romeu" e mande ele nos esperar do lado de fora.
– Pode deixar... Tchau.
Ana desligou o telefone. Já estava no primeiro piso. Caminhou até a casa do seu gato de estimação e o pegou no colo. Pegou suas chaves da casa e saiu da mesma. Logo depois de trancar a porta, se virou e quase enfartou.
– Midney! — Gritou assustada. — Você é maluco? Quase tive um ataque!
– Calma, não queria te matar.
O rapaz se aproximou meigamente e os dois se beijaram. O gato de Ana não gostou daquela cena e arranhou a camisa de Midney.
– Ai! — Ele se afastou. — Amor, seu gato tá me devendo 20 dólares!
– Isso que dar assustar alguém! — Ana sorriu. — A Bree ligou, eles já estão passando aqui pra nos...
"Peeepep!". Um carro buzinou altamente na rua e quase matou de susto o casal.
– Venham! — Gritava Bree da janela do passageiro, no banco da frente.
Ana e Midney seguiram até o automóvel e sentaram ao lado de Matt, o namorado da loira e o típico atleta "loirão" da escola.
Midney e Matt deram um toque de mãos, enquanto Nolan ligou o som bem "estrondoso".
– Abaixa essa coisa e vamos logo! — Ana gruiu. — Se isso acordar a minha mãe, eu corto a sua orelha, Nolan!
– Tá legal...
O negro dono do carro abaixou o volume da rádio e deu partida no carro. Lá partiram eles, sorridentes e felizes, rumo ao pior dia das suas vidas.
***
Já se faziam algumas horas de viagem. O dia tinha amanhecido, mas ainda era bem cedo.
Matt e Midney dormiam. Nolan dirigia focado na estrada, Bree mexia em seu celular e Ana acordara a pouco.
– Que droga! — Reclamou a garota loira.
– O que houve? — Ana levou um susto.
– O sinal da internet está caindo...
– Vai piorar muito mais. — Advertiu o negro. — Daqui a pouco estaremos passando numa área desértica apenas com montanhas e cactos... Duvido que lá tenha rede...
Nolan deu um longo bocejo que preocupou a morena, e Bree guardou seu celular.
– Está com sono?
– Um pouco, Ana... Nada de mais...
– Nem pense em fechar os olhos, seu retardado... Ou todos nós morremos! — Bree entrou na conversa.
– Relaxem, já passei por isso várias vezes... E só bati em um gambá até hoje!
– Não sei se isso me conforta ou me dá pena do gambá. — Ana falou irônica e os amigos riram.
A moça se virou para o namorado, que dormia como um anjo encostado no banco, e passou as mãos alisando o rosto dele. Bree observou.
– Como vocês estão? — A loira era curiosa.
– Bem... — Ela tentou esconder algo, mas a amiga percebeu e arqueou a sobrancelha. — Ele me chamou pra morar com ele!
– Isso é perfeito! — O grito de Bree quase deixou Nolan surdo. — E você disse sim, não é?
Ana parou pra pensar e a amiga entendeu, fazendo cara de lástima.
– Não estou pronta ainda...
– Bem que eu queria que o Matt fizesse o mesmo... — Disse a loira num tom de tristeza. — Mas tenho medo do que vou encontrar na nossa cama quando a gente acordar...
Nolan deu outro bocejo, roçou os olhos e interrompeu a conversa das meninas:
– Eu adoraria ouvir a baboseira romântica de vocês, porém isto está me dando muito, muito sono!
– Como você é chato, Nolan!
– Bree, vai dormir um pouco!
Ana deu algumas risadas daquela discussão. Em seguida, se aconchegou em Midney e ficou o olhando dormir. Ela queria muito morar com ele, mas ainda não se sentia preparada para aquilo...
O carro parou num chiante, no acostamento de um restaurante. Ana tomou um susto.
– Por que paramos? — Perguntou.
– Vamos tomar um café, preciso "acordar"! — Nolan explicou, abrindo sua porta e saindo do carro. — Acordem as belas adormecidas de vocês.
Matt abriu vagamente os olhos e se levantou.
– Já chegamos na festa?
– Na festa do pão com leite. — Bree assentiu, descendo do carro. — Vamos tomar café aqui... Vem logo, branca de neve!
– Tô indo...
Matt se espreguiçou e saltou na estrada. Ana abriu sua porta e também saiu, dando puxões em Midney, que continuava dormindo.
– Ele é tão fofo dormindo...
– Deixa ele aí. — O loiro usou sarcasmo e logo entrou no restaurante.
– Vamos Midney, acorde!
Ele finalmente abriu os olhos azuis, no entanto não queria dizer que estava acordado.
– Midney, reviva! Levanta dai!
Ana se recordou do ponto fraco do namorado (outro, táh). Começou a fazer cócegas em sua barriga, ele acordou de vez, rindo.
– Isso é jogo sujo!
– Levanta logo! Temos que ir tomar café!
Depois de sair do carro, Midney abraçou Ana por trás e foi a seguindo até o restaurante.
– Sabia que eu adoraria ser acordado assim todo dia?
– Midney... Sobre aquela coisa de irmos morar juntos, eu não sei... Preciso de tempo!
– E você tem todo tempo que quiser... Só não pode demorar muito, tipo uns 80 anos... Eu vou tá velho e ranzinza demais...
– Seu bobo. — Ana riu.
E eles entraram no restaurante...
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