Armoy, Irlanda — 1732

O vento frio chacoalhava as arvores, e uma fraca garoa caia do céu.

Luna ainda corria, seus pés descalços firmavam no chão de terra molhada, misturando a lama com sangue que manchara sua camisola branca.

Ela não pensava em outra coisa, além de chegar logo na cabana. Ela avistou a luz do lampião brilhar a frente, e conseguiu esboçar um meio sorriso.

As vozes, ainda raivosas gritavam atrás dela, enquanto ela ainda corria, quase sem folego.

Ela fechou a porta atrás de si quando pôs o corpo para dentro.

Os olhos de Orion encontraram os dela, um remorso consumiu-a. Era tudo culpa dela, tudo aquilo. Sua inveja da irmã a cegou.

Lena estava deitada sob lençóis brancos ensanguentados, ela conseguiu sorrir quando viu a irmã. Luna aproximou-se, ajoelhando-se ao lado da irmã, apertando suas mãos suadas.

"Pensei que não conseguiria chegar..." — Lena dissera, Luna sentia as lagrimas queimarem em seus olhos.

"Minha irmã, eu sinto tanto..." — Luna dissera, sentindo todo o peso de suas decisões tornarem-se lagrimas que ela derramava. Lena passou a mão pelo rosto da irmã.

"Não chore minha irmã. Eu a amo, e isso que importa. Mas agora eu preciso da sua ajuda." — Lena dissera. — " Preciso que cuide dos meus filhos."

"Não, não posso fazer isso." — Luna dissera.

"Não sobreviverei Luna. Precisa fazer isso por mim" — Ela continuou.

" Não, não. Por favor..." — Luna caiu sob a irmã, ainda chorando.

"Eu a amo. E a perdoo." — Lena murmurou no ouvido da irmã.

" Eles estão aqui!" — Orion dissera.

"Anda, saia daqui." — Lena entregou um cesto a irmã. Luna não atreve-se a olhar no cesto, dentro dele estava o resultado do seu ódio, sua inveja e cobiça da irmã. -" Eles se chamam Willa e Damian. Precisa cuidar deles. Precisa afastá-los de todo mal."

"Eu não consigo. Não sem você..." — Luna repetiu.

"Você consegue!" — Lena sorriu. -" Eu a amo!" — Luna pegou o cesto em mãos, saindo da cabana da irmã e correndo pela floresta, ouvindo o estrondo da porta sendo arrombada atrás de si. Ela atreve-se a olhar para trás, vendo Orion e sua irmã serem arrastados por dezenas de cruzados, enquanto o padre Dominic guiava os cruzados gritando e rugindo ' a bruxa deve queimar!'

Luna deixou a ultima lagrima escapar, e decidiu olhar dentro do cesto. Os olhos de cristal das crianças encantou-a no primeiro olhar. Os cabelos rubros, a pele clara e as sardas que dominavam suas bochechas rosadas fizera a dura Luna sorrir.

" Eu cuidarei de vocês." — Ela dissera, e sumira pela floresta.