Puros Sangue
2 Capitulo 1
Port Clyde, Maine — Dias atuais
Era noite, uma fria noite. O vento forte batia na costa, mexendo as ondas nos rochedos, o vento lambia seu cabelo para trás, mas ele não estava com frio, mesmo vestindo somente calça jeans.
Seus pés descalços pisava nos rochedos, ele olhava no horizonte. A imagem da irmã surgiu a sua frente pedindo ajuda, ele esticou os braços para alcançá-la, mas ela já estava longe.
" Não temas, estou aqui!" — Uma voz feminina falou. Ele virou para observa-la, mas não viu nada além de olhos cinzas, como o céu em dia de tempestade.
" Quem é você?" — Conseguiu perguntar.
" Vou te levar até ela." — A garota de olhos cinzas dissera. Ele não conseguira visualizar sua face, somente os olhos e a camisola branca que usava. Ele caminhou, seguindo-a. Ela desceu a montanha, enquanto ele ia atrás dela. — " Ela está em perigo!"
Em seguida, vozes esbravejando soaram atrás dele. Toda a população corria com tochas e machados em mãos. Mas pareciam ter vindo de outra época.
Ele logo avistou a irmã no chão, coberta de sangue e terra. Ele ajoelhou sob ela, colocando-a em seu colo. Mas ela não respirava mais. Ele sentiu o ódio fervilhar junto com seu sangue.
" Queimem-nos! Os bruxos devem queimar." — O padre Tom gritava, esbravejando. Ele fitou-o.
" Você a matou! Vocês todos a mataram!" — Ele gritou, em seguida, o céu nublou-se, jogando raios no mar. Grandes nuvens de tempestades se formaram no céu, em seguida, grandes nebulosas de furacões formaram-se.
A garota de olhos cinzas não estava mais lá, ela estava agora no meio da multidão. Ele a viu, e ela esboçou um sorriso maléfico nos lábios.
" Matem-nos!" — Ela murmurou, mas ele podia ouvi-la como se gritasse em seu ouvido. Então, todos os raios chocaram-se contra a população, e então todos caíram no chão. O cheiro de carne queimada embrulhou seu estomago, fazendo encurvar-se e vomitar.
" Damian, Damian acorda!" — As mãos da irmã o despertaram. Ele abriu os olhos assustado com o sonho realista. Os olhos cristal da irmã iluminaram-se, vendo que o irmão estava bem. Ele abraçou-a com força. — " O que houve? Está tudo bem?" — Ela perguntava, ainda aflita.
" Querido, tudo bem?" — Sua tia Luna apareceu na porta do seu quarto, vestia camisola e segurava uma caneca nas mãos. Ela adentrou o quarto, passava a caneca para o sobrinho, em seguida sorriu. — " É só chá." — Ele bebericou, temia por tia Luna na cozinha. Ela era uma lastima cozinhando. — " O que foi?"
" Só um pesadelo." — Conseguiu dizer por entre um beberico do chá e outro.
" Eles estão ficando mais frequentes." — Willa fitou a tia, que desviou o olhar.
" Amanhã de manhã eu ligo para o Dr. Brown. Mas agora preciso que durmam. Boa noite crianças." — Luna saiu do quarto do sobrinho massageando as têmporas. Estava chegando. Ela os enganou por quase trezentos anos, e agora chegava a hora. Ela pode conjurar um feitiço de memória nos sobrinhos, mas com eles tão velhos e com os poderes aflorando desse modo, seria quase impossível esconder a verdade deles agora.
Mas ela o faria. Esconderia o quanto pudesse.
Prometeu a irmã.
" Odeio quando ela fica esquiva." — Willa dissera ainda passando a mão na testa do irmão para ver se havia vestígio de febre.
" Willa, está tudo bem!" — Damian tirou a mão da irmã de seu rosto.
" Estou tentando cuidar de você." — Willa dissera.
" Eu disse que foi só um pesadelo." — Damian retrucou irritado.
" Como foi?" — A irmã perguntou. Willa odiava os pesadelos, odiava o modo como eles a assustava, e como pareciam reais.
" Acho que sabe como foi. Você não os tem faz tempo?" — Perguntou Damian, fazia tempo que não acordava no meio da madrugada com os gritos agudos e assustados da irmã.
" Nunca mais os tive." — Mentiu. Willa não queria que as pessoas pensassem que ela era maluca, mesmo que essa pessoa fosse seu irmão que era tão maluco quanto. -" As pílulas do Dr. Brown me ajudaram muito." — Mentiu novamente. As pílulas do Dr. Brown não surtiam efeito nenhum, mas fazia parte da normalidade que ela queria ter que aqueles remédios a ajudavam em algo.
" Acho que nosso problema não envolve remédios." — Damian dissera. Sabia que a irmã estava mentindo, ela colocava os remédios na língua, depois cuspia-os na privada. Como ele fazia. Havia algo estranho com eles, Damian sabia. E tinha certeza que tia Luna sabia o que era. Mas não queria contar.
" E o que envolve?" — Willa piscou. Damian a fitou, conhecia Willa e não queria assusta-la com seus pensamentos de louco. Então ele apenas sorriu.
" Acho melhor ir deitar. Amanhã é dia de escola." — Ele dissera. — " Melhor descansar."
" Escola, aquilo é um sanatório." — Ela levantou da cama do irmão, caminhando para porta. — " Durma um pouco, ok?" Damian assentiu, mesmo sabendo que passaria o resto da noite em claro.
O sol subia no horizonte, estava fraco e sem vida, mas ainda assim, incomodava os olhos de Willa quando passava pelas persianas. Ela piscou algumas vezes para se acostumar com a luz, mas acabou levantando.
Ela caminhou até o banheiro, fitando seu reflexo no espelho. Ela abriu o armário do banheiro, capturando a escova de dentes e viu o frasco de comprimidos do Dr. Brown. Ela colocou dois na mão, mas desistiu de tomá-los e jogou-os na pia. Estava cansada dos remédios, e dos pesadelos, e de tudo que a acercava.
" Maldita louca!" — Falou ao reflexo e saiu do banheiro.
Lá embaixo, o irmão e a tia tomavam café. Ela suspirou e desceu as escadas.
" Bom dia." — A tia e o irmão disseram em uníssono.
"Pra quem está tendo um, sim, excelente dia." — Falou Willa, Luna sorriu depositando a caneca com café sob o balcão. — " Obrigada."
" Vamos? Estamos atrasados." — Damian falou, levantando-se. Willa e Damian caminharam porta afora, seguindo rumo para o colégio, que não era dez minutos andando.
Ambos odiavam aquela cidade, e toda a cidade os odiava. Talvez fosse por que sua tia Luna dormira com metade dos homens da cidade. Mas talvez não fosse só isso. Desde que chegaram aqui, a nove anos atrás, eles sentiam-se deslocados, como se não pertencessem aquele lugar, ou a lugar nenhum. Mesmo que nenhum dos dois lembra-se de nada em suas vidas antes de irem para Port Clyde. Os irmãos nunca haviam falado sobre isso, mas nenhum deles lembrava-se que envolvesse suas vidas antes de 2004, quando chegaram a cidadezinha. Não lembravam onde moravam, se tinham outros parentes que não fossem tia Luna, nada. Toda a vida dos irmãos era um borrão de tinta, que parecia revelar algumas coisas nos incessantes pesadelos.
Eles caminharam para dentro do colégio, seguidos por olhares de ódio e murmúrios e insultos. Eles fitavam o tanto de adolescentes fúteis que caminhavam de um lado para outro como cachorros adestrados que aprenderam somente a embolar baseado e transar em carros.
Os irmãos encostaram em seus armários, observando o fluxo de gente. Logo em seguida, Holly Summers, a garota que os irmãos O' Hare mais odiavam surgiam em seu campo de visão, vestindo uma mina saia de lidar de torcida, um top com o logo do time e pompons nas mãos, caminhando com sua trupe observando os irmãos O'Hare. Ela esboçou um sorriso maléfico no rosto, e caminhou até eles.
Holly odiava tanto os irmãos, quanto eles a odiavam. Ela fazia de tudo para provocá-los, desde que chegaram na cidade a quase dez anos atrás. Ela odiava tudo neles. Como andavam, como se vestiam, como sorriam um para o outro, como um sabia o que o outro pensava. Tudo. Absolutamente tudo.
" Olha só, se não são os estranhos." — Holly aproximou-se deles. Willa revirou os olhos. — " Como foram de férias?" — Perguntou.
"Nos deixe em paz Holly." — Damian falou.
"Olha só, parece que o macaquinho ruivo aprendeu a falar nessas férias." — Holly retrucou. Willa encarava Holly com ódio, ela não sabia que era possível existir tal sentimento dentro dela. Mas ela com todas as forças que existiam nela odiava Holly Summers, e queria que ela morresse engasgada com o próprio sangue.
Nos segundos que se passaram, Holly passou a tossir, enquanto Damian encarava a irmã que ainda fuzilava Holly que tossia pregos cobertos de sangue.
Willa ainda encarava Holly, que caiu no chão, ainda cuspindo pregos — agora enferrujados — cobertos com sangue e algo negro, metálico e cintilante.
Damian abraçou a irmã, fazendo-a despertar, como se estivesse em um transe.
" Ah meu Deus." — Tracy, uma das amigas de Holly falou olhando para os pregos ensanguentados. — " O que é isso?" — Perguntou. Então Bryan King apareceu. O namorado de Holly e capitão do time. Uma vertigem percorreu o estomago de Willa quando ele a encarou com os olhos repletos de duvidas, ele tirou Holly do chão, guiando-a pelo corredor.
" Pelo amor de Deus, o que foi aquilo?" — Damian perguntou.
" Do que está falando?" — Willa perguntou sem entender.
" Do que houve aqui agora? Ou vai me dizer que não viu Holly Summers cuspir pregos enferrujados. E ainda tem aquilo..." — Damian apontou para onde Holly havia cuspido os pregos, o sangue e aquelas coisas negras reluzentes. Então, havia sumido.
Tudo havia sumido. As manchas de sangue, os pregos, tudo.
"Você... Você viu! Não viu?" — Damian perguntou a irmã, que estava pálida. Tão aflita, confusa e assustada quanto ele.
" Você está surtando Damian." — Ela abraçou-se e seguiu pelo corredor.
Willa estava louca, devia estar, pensou consigo. Não era possível, nada daquilo era possível! Mas, no momento que desejou que Holly engasgasse, e assim que ela a viu daquele modo, desejava mais e mais vê-la sufocar até a morte. Era como se sua mente fosse uma espécie de martelo que estava sendo controlado por uma parte dela, que ela nem sabia que existira. Mas que temia. Não, não é possível — pensou sozinha — ela não seria capaz de fazer aquilo. Estava louca! Como o irmão. Nenhuma pessoa poderia fazer aquilo. Possibilidade era sua palavra agora. E pensou consigo qual a real possibilidade de ter feito Holly Summers — a vadia da Holly Summers — engasgar com pregos.
Holly estava sentada na enfermaria, Bryan estava ao seu lado olhando pela janela, enquanto ela ainda lamentava o acontecido. Meu Deus, ninguém estava surtando? Ela vomitou pregos com sangue, e ainda tinha aquela coisa preta gosmenta. Será que ninguém havia notado que Willa O'Hare fizera aquilo? Ela não sabia como, mas fora ela. Ela tinha certeza.
"Você não está entendendo Bryan. Foi ela. Willa O'Hare fez aquilo." — Holly repetiu. Bryan fitava o céu azul, Holly falava e falava sobre o que havia acontecido. Ela vira aquilo, vira tudo aquilo, e tentava achar uma explicação lógica para o que havia visto. Mas não conseguia lembrar de nada além da face de Willa O'Hare ao fuzilar Holly. Era como um ódio mortal. Algo que ela projetara dentro dela por anos. Mas não conseguia imaginar a ruivinha sardenta fazer aquilo.
Na verdade, não conseguia vê-la fazer nada de ruim para ninguém, nem mesmo para Holly.
"... Pacto com diabo. Está me ouvindo Bryan?" — Ele ouviu a voz de Holly chama-lo, em seguida, sentiu a mão dela em seu ombro.
" Anh? O que?" — Perguntou.
"Você ouviu o que eu disse?" — Perguntou. Ele apenas voltou a fitar o céu azul. — " Onde está com a cabeça? Estou quase surtando, eu quase morri por que aquela vadia da Willa O'Hare me fez engasgar com pregos."
" Está maluca! Como ela poderia fazer aquilo?" — Bryan perguntou.
"Não sei, mas vamos descobrir." — Holly coçou o queixo.
" Vamos?" — Perguntou Bryan arqueando a sobrancelha.
"Vamos sim. Ela quase matou sua namorada, amor." — Ela beijou o pescoço do namorado, que esquivou-se.
"Holly, olha... Acho que nós devemos conversar sobre isso..." — Bryan levantou-se.
"Isso o que?" — Holly perguntou.
"Isso... Nós." — Bryan falou, então a enfermeira entrou na sala.
" Nós vimos tudo Holly, está tudo normal com você." — A Dra. Wolf segurava uma plaqueta em mãos.
"Como assim, tudo normal?" — Holly levantou. — " Eu cuspi pregos enferrujados. Não pode estar nada normal comigo."
" Pedimos para alguém ir até lá, e não havia nada Holly. Nenhuma mancha de sangue, nenhum prego, nada..." — Holly precisou apoiar-se no namorado. Não era possível. Ela havia limpado tudo, a cena do crime inteira. — " Nós achamos que pode ser os suplementos que toma Holly."
" Suplementos não faz a gente cuspir pregos, doutora." — Holly encarou-a. A dra. Wolf tossiu sem jeito.
" Então pode ser que tenha tomado... hm... outra coisa." — Ela coçou a cabeça sem jeito. Holly apertou os olhos.
" Está sugerindo que usei drogas?" — Holly aumentou o tom de voz. -" É isso que está sugerindo?"
" Holly, eu..."
" Eu sou uma atleta, sua vaca! Eu não uso drogas. Meu Deus, e eu não alucinei sobre aquilo. Eu vi tudo, e Bryan também viu. Não foi?" — Holly encarou-o, que apenas suspirou.
" Talvez tenha visto mais do que deveria Holly." — Ele apenas assentiu.
" O que?" — Perguntou frustrada, irritada e aflita. — " Eu não estou louca! Willa O'Hare quis me matar, e eu vou provar!" — Ela saiu da sala de enfermaria irritada, caminhando pelo corredor.
" Sinto muito..." — Bryan dissera.
" Tudo bem, mas acho melhor ir atrás dela." — A Dra. Wolf sorriu sem jeito, Bryan fez o mesmo e saiu da sala.
Ele mentiu sobre o que vira. Ele vira sim, Holly cuspir pregos. Vira também Willa fitara com ódio. Mas não temia por Holly, temia por Willa. Não queria vê-la prejudicada por Holly, pois ele sabia do que a loira era capaz.
Mas não tinha noção do que Willa era capaz.
E provavelmente nem queria saber.
Já era tarde, e Damian ainda procurava por qualquer site na internet que explicasse o acontecido de hoje. Ele não contara a tia Luna o que Willa havia feito. Talvez por que não havia como explicar o que ela havia feito. Nem mesmo se ela havia feito.
Estava tudo confuso em sua cabeça, desde o sonho da noite passada ele não conseguia tirar a garota de olhos cinzentos da cabeça. Ela dominava seus pensamentos, o que era muito ruim.
Ele sonhara logo com uma garota ficcional.
Ele continuava na busca por qualquer site que o ajudasse a explicar o que viu hoje cedo. Mas nada. Absolutamente nada. Talvez porque ele pode não ter visto o que acha que viu — pensou consigo — não, eu vi sim!
" Damian?" — A voz da irmã ecoou atrás dele. Ele fechou o notebook em seguida. -" Está ocupado?"
"Ahn, não..." — Ele sorriu sem jeito, como uma criança que acaba de ser pega fazendo algo que não pode.
"Posso falar com você um instante?" — Perguntou, sentando-se ao lado dele no sofá.
" Sim, claro!" — Ele dissera.
" Eu... Eu acho que estou ficando maluca, Damian." — As lágrimas da irmã escorreram por suas bochechas rosadas e sardentas. Ele ficou surpreso com a reação de Willa, e abraçou-a.
" Não, você não está!" — Ele continuou a abraçá-la.
"Então, qual o problema comigo?" — Perguntou.
"Nenhum, você é perfeita!" — Ele dissera.
" Eu... Eu fiz aquilo Damian. Eu fiz!" — Ele dissera, apertando os dedos indicadores, como fazia quando estava assustada.
" Não Willa, não é possível!" — Ele queria acreditar no que dizia. Mas mesmo que fosse loucura, ele não era cético o bastante, e sabia que Willa havia feito aquilo, e iria descobrir como.
" Você sabe que eu fiz! Você viu." — Ela continuava a chorar descompassadamente.
" O que eu vi foi uma piranha ter o que merece!" — Ele sorriu, e a irmã fez o mesmo.
" Não brinca com isso, Damian!" — Ela dissera, agora séria.
" Sério Willa. Você, cética como é, acredita mesmo que fez Holly Summers engasgar com pregos?" — Ele perguntou.
" Eu desejei aquilo, Damian. Não com os pregos. Mas desejei que ela se engasgasse com seu próprio sangue, e a cada segundo que se passava que eu via ela cuspir todos aqueles pregos, eu desejava mais." — Ela dissera, e as lágrimas voltaram a cair de seus olhos de cristal. Damian surpreendeu-se com o que a irmã dissera. Agora fazia sentido. Ela como se Willa pudesse conseguir algo que desejasse.
Então ele lembrou de uma vez, eles deviam ter dez ou onze anos. Eles brincavam de corda na garagem, então, uma porção de crianças — dentre elas Holly, Bryan e Tracy — passaram na frente da casa e começaram a dizer coisas horríveis para eles, ele lembrou da irmã dizendo:" queria que um carro passasse por cima deles", então, um caminhão de mudança atropelou as crianças, ele lembrou que Tracy quebrou um braço, Bryan uma perna e Holly teve traumatismos cranianos, entortou a clavícula e uma porção de coisas perigosas. Então ele pode conciliar, mesmo que parecesse loucura, aquilo já havia acontecido.
" Willa, isso é loucura. Não surta, ok? Nós vamos achar uma explicação lógica e cientifica para o que houve lá, do jeito que você gosta." — Ele sorriu. Ela fitou-o. Os olhos cristalinos do irmão lhe reluziram, e ela sentiu dentro dela o quanto o amava, e o quanto precisava dele. Então o abraçou. Forte e intensamente. Damian era seu porto seguro, sua morada seu lar. E não sabia do que era capaz de fazer caso alguém fizesse mal a ele. -" Bom, acho melhor irmos dormir. Amanhã ainda temos que comparecer ao hospício." — Ele sorriu levantando-se do sofá, ela fez o mesmo.
Luna surgiu na sala depois que os sobrinhos subiram as escadas, e sentou no sofá abrindo o notebook e vendo a ultima pesquisa de Damian " poderes psíquicos", ela sorriu, mas no fundo estava triste. Temia por eles, e sabia que logo mais logo menos, eles saberiam da verdade, e não queria imaginar como a tratariam quando soubesse o que fez, e como mentiu por todos esses anos... Ela os amava, como nunca imaginou amá-los. Assim que colocou os olhos neles naquele dia, ela os amou.
Talvez não fosse a mãe que Lena queria que ela fosse, mas ela se virava, e por todos esses anos deu a eles o melhor que pôde.
Ela fechou os olhos lembrando-se da voz da irmã em sua cabeça:" Preciso que cuide dos meus filhos!" Ela deixou uma lágrima escapar.
" Eu sinto sua falta." — Ela murmurou para si. -" Queria que tivesse sido diferente." — Uma lágrima caiu de seus olhos. — " Mas eu cuidarei das crianças. E não deixarei nada acontecer á eles. Mesmo que isso custe a confiança que depositam em mim."
Fale com o autor