Pura magia
6 Saia do meu pensamento.
Hermione chegou ao quarto perdendo o fôlego. Sentia como se houvesse feito algo de muito errado... Aquela que deveria ser uma aula apenas, transformare-se em uma noite de descobertas. Ela agora estava ciente de sentimentos que iam além do medo por seu estranho professor.
Trocou de roupas e enfiou-se debaixo dos lençóis. O sono não vinha, ela só conseguia encarar o teto em busca de pensamentos que iam e vinham de sua cabeça. Olhou para o lado e encontrou os olhos de Gina analisando. “Acordei você?”
“Não se preocupe...” – sorriu a ruivinha simpática – “Você parece agitada... Como foi a aula com Snape?”
“Normal”. Ela nem sabia porque havia respondido isso... normal era o último adjetivo que ela usaria pra descrever aquilo, mas de uma forma ou de outra, ela sentia que aquela ainda não era a hora de revelar seus mais profundos sentimentos.
“Boa noite, Gina”. E virou de lado fechando os olhos... O sono ainda demorou pra chegar e ele não lhe deixou em paz nem em sonhos.
A semana passou depressa. Na quinta ela havia tido aula de poções e, ao contrário do que ela imaginou, ele lhe tratou com total indiferença. Nada parecia ter mudado pra ele. De alguma forma, isso a entristeceu. Ela sentia-se tola por ter acredito que ele seria mais gentil só porque agora estavam passando um tempo extra juntos.
Snape havia usado de toda sua capacidade de disimulação para ocultar os estranhos sentimentos que vinham invidindo seu peito desde o ultimo encontro com Hermione. Ele havia decidido que a melhor maneira para isso seria a total e cruel indiferença... Talvez até uma pitada de maldade... alguns pontos a menos da casa dela, uma chamada de atenção em classe, qualquer coisa que deixasse trancado a sete chaves o segredo que ele agora levava consigo.
Sexta feira. Dois dias seguidos com o professor Snape. Ela já esperava o mesmo tratamento tido em aula, quiçá pior, mas desta vez estaria preparada para não mostrar nada além de indiferença, a total e cruel indiferença. Foi com esse pensamento que ela entrou nos aposentos dele nas masmorras.
Ele estava de costas, mexendo nos livros na estante. “Professor?”, ela chamou. Snape tremeu levemente ao som da voz dela, mas sem deixar transparecer, puxou um livro de capa grossa e virou-se para ela. “Sente-se”. Ela caminhou com ele até a mesa, onde ele entregou o livro em suas mãos, explicando. “Aqui você vai encontrar o que precisa sobre um dos principais ingredientes da sua porção... Você pode sentar aqui e ler à vontade sobre isso enquanto eu termino de corrigir algumas provas do segundo ano”.
Ela concordou com a cabeça e permaneceu ali, lendo bastante concentrada. No entanto, Snape, sentado no outro extremo da mesa, não conseguia manter seu rítmo. Por duas vezes errou na contagem da nota e isso não era coisa usual. Ele era sempre categórico quando usava a caneta vermelha. Seus olhos vagavam lentamente do papel para o rosto angelical de Hermione. Ele observava com atenção os olhos dela se abrirem, dilatando as pupilas a cada pagina virada... Sua boca fazendo leves movimentos silenciosos com as palavras que ela deixava correrem soltas em sua cabeça enquanto lia... assimilando tudo, memorizando... Seus cachos de vez em quando caiam-lhe sobre o rosto, obstruindo sua visão, mas eram logo rechassados para tras da orelha. Ele se controlou para não fazer isso ele mesmo.
Queria tocá-la. Queria tirar dela toda sua inocencia... E, mais do que tudo, queria ensiná-la coisas que ele não tinha coragem de mencionar.
Ele não podia mais aguentar, sentia que se não fizesse algo pra impedir, cometeria um ato completamente impensado, imprudente. De um salto levantou, largando a pena de qualquer jeito sob a mesa. Hermione assustou-se com o movimento repentino e curiosa e assustada encarou o professor. “Continue com o que estava fazendo, não deixe que eu a distraia”.
Ele era o distraido nessa história.
Mais tarde naquela noite, depois que Hermione se despediu e o deixou novamente na solidão, ele tomou uma decisão: deixaria as masmorras àquela noite; sairia em busca de distração, qualquer coisa que o fizesse desviar o pensamento daquela garota.
(...)
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