Pura magia
10 Porque me trata assim?
O clima era de despedida entre os alunos de Hogwarts. Hermione observava pela janela do quarto Harry e Rony bastante empolgados com a promessa de um final de semana cheio de aventuras e garotas. Gina abriu a porta do quarto com uma mochila nas costas. “Mione, vim me despedir”, disse enquanto abraçava a amiga.
“Divirta-se Gina!”
“Sinto tanto você não poder ir... Mas sei que irá se divertir do seu modo”, ela deu uma piscadinha à amiga.
“Tentarei”
“Cuide-se”.
E outra vez ela foi deixada sozinha.
Todos haviam ido. Os poucos remanescentes na escola dirigiam-se à sala principal para o jantar. Hermione estava tranquila. Na escrivaninha do quarto ela terminava os últimos detalhes do relatório no qual veio trabalhando a tarde inteira. A comodidade de ter o quarto só para si, o silêncio que reinava e sua concentração natural, tornau tudo mais fácil para ela. Agora, depois de guardar seu material e de ter tomado um bom banho, ela preparava-se para descer e encontrar os demais ao jantar.
Ao entrar na sala, seu olhar cruzou direto para a mesa dos professores. Severus Snape suspendia o olhar do prato de sopa no mesmo instante que seus olhos amendoados fixavam nele. Um segundo que o tempo pareceu parar.
Obrigando-se a mover os pés, ela tomou seu lugar à mesa e comeu sem desviar os olhos tantas vezes do prato. Antes de sair porém, ela se permitiu uma ultima olhada para Snape, que sem reservas fazia um sinal de ‘me encontre mais tarde’. Sim, ela sabia que teria um encontro com ele mais tarde... Entregaria o trabalho, e aproveitaria para tê-lo perto mais uma vez.
Depois de uma ultima olhada no espelho, Hermione fez o caminho pelos corredores vazios até as masmorras.
TOC TOC
“Está aberta”.
“Eu trouxe o relatório”, a menina andou devagar até o professor que aquecia-se no sofá em frente a lareira. “Venha até aqui”. Ela andou devagar até lá e então seus olhos se encontraram. “Sente-se... Vamos ver o que me trouxe”. Ele estendeu a mão e pegou o pergaminho. Por um breve momento, seus dedos se tocaram, apenas um instante, mas o suficiente para fazê-la abaixar as vistas, como se aquilo fosse dificil demais de aguentar.
“Parece apropriado...”
Ela se surpreendeu olhando para ele. Aquilo era quase um elogio e ela podia jurar ter visto um sorriso de canto surgir no rosto dele. “Parece?”
“Você não me ouviu dizer? Porque tem que ficar repetindo tudo? Perguntando tudo? Intrometendo-se em todas as aulas”. Ele dizia tudo de uma só vez, bradando num sussurro rouco sua indignação. Ele não podia aceitar sentir o que estava sentindo ali, tão perto dela.
“Porque você me trata assim?”
“O que? Porque? Sou seu professor. Não me questione, não questione meus métodos”.
“Isso não lhe dá o direito! Você fere meus sentimentos sem se importar!”
As lágrimas ameaçavam rolar por sua face, ela já não podia suportar o jeito dele... sempre tão frio com ela. Snape, por outro lado, começava a perder seu próprio controle. Estava combatendo seus verdadeiros sentimentos da única forma que ele sabia — negando-os.
“Que sentimentos, Senhorita?”, a armadura que ele construiu para si mesmo não podia suportar por muito tempo ante aqueles olhos castanhos marejados de lágrimas...
“Eu...eu...”
Ele estreitou a distancia entre eles. Suas mãos grandes e frias foram descansar nas laterais dos braços dela. Finos e delicados. Seu jeito de menina tão evidente agora. “Diga”. Não havia maldade e autoridade em sua voz. O que havia ali era um homem, que tão poucas vezes mostrou-se frágil. “Diga! Diga!”
“Porque me trata mal?”, ela disse por fim num soluço, fugindo de uma resposta que ela não tinha certeza se queria dar.
“Porque te quero bem”.
Ele a soltou e virou-se de costas rapidamente. Severus estava imóvel, não queria olhar para ela, tinha medo de acabar dizendo mais do que podia. “Me...quer...bem...?”. Ele sentiu a mão dela tocar-lhe o ombro e virou-se. Havia nele uma expressão no rosto que Hermione nunca vira.
“Você não vê...”, ele segurou o rosto dela entre as mãos. “...Não percebe o tanto...”, curvou-se para alcançar a altura dela. “...que eu luto...”, suas bocas estavam perto demais. Ele podia sentir a respiração dela acelerada. “...contra isso, todos os dias”. Os lábios se tocaram num contato breve.
O leve roçar durou apenas um segundo. A porta abrindo interrompeu a conexão entre aluna e professor. Madame Rosmerta tentava assimilar a cena que acabara de presenciar. Hermione observou Snape e a bonita mulher que acabara de chegar. Sua única reação foi correr... correr sem parar porta afora, para longe dali.
(...)
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