Pura magia

5 Não é só curiosidade.


Gradativamente ela tentou se acalmar. Estava trancada no quarto do seu temido professor de Poções, mas tirando a escuridão que se encontrava agora, não podia ser tão assustador assim. O que ela estava pensando? Que o bicho papão morava de baixo da cama dele? Temerosa, ela tentou enxergar além do seu nariz.

Não via nada.

Pegou sua varinha e conseguiu conjurar um pouco de luz. Como ela pôde ver, não era tão ruim assim. Na verdade, o quarto parecia até bastante aconchegante. Uma cama enorme chamava a atenção no centro do aposento. Ela era adornada com cortinas brancas quase transparentes em contraste com os lençóis pretos. Duas grandes poltronas juntamente com uma mesinha de centro ocupavam espaço ao lado direito. Ela se permitiu pensar se ele recebia visitas ali. No outro canto, era possível ver um armário e outra porta, que ela suponha conduzir ao banheiro.

Caminhando lentamente, Hermione procurou explorar melhor o ambiente. Foi até o armário e abriu. Correu a ponta dos dedos pelos casacos e camisas dele. Ela tinha que admitir que a variação de cores não era muito vasta – sempre tons escuros – mas o tecido era fino e bem cortado. Puxou uma camisa branca e deixou-se afundar no cheiro que encontrou ali... Algo que o lembrava em todos os aspectos. Um cheiro de ervas raras, levemente amadeirado e com uma particularidade que ela não conseguiu identificar... Certamente o cheiro do corpo dele.

Uma sensação agradável tomou conta dela e pôde ser sentida um pouco abaixo do estômago. Ela nunca imaginou que um dia estaria trancada no quarto do professor Severus Snape, cheirando suas roupas... E adorando!

Ela fechou a porta do armário e foi investigar o banheiro. Já que ele a deixou presa ali pra isso, iria executar o ‘trabalho’ direito.

Era um banheiro normal. Ele tinha uma banheira e até um espelho. Interessante. Nem o shampoo ante-oleosidade passou desapercebido por ela.

Voltando para o quarto, Hermione se deixou cair no colchão macio. Estava na cama dele! Nunca em seus mais loucos sonhos ela imaginou-se realmente lá. Entretanto, o que mais ela poderia fazer? Estava trancada... estava cansada de um dia inteiro de aulas... e provavelmente já havia arruinado todo seu projeto. Deitou na cama e sentiu a maciez do tecido em sua pele. Chutou os sapatos de lado e se fez mais confortável. Decidiu que podia apagar a varinha, não havia nada ameaçador ali.

Pouco a pouco, deixou-se levar pelo sono.

Foi exatamente assim que, mais tarde, Snape a encontrou. Deitada em sua cama, parcialmente enrolada em seus lençóis. O corpo curvado, joelhos levemente flexionados, os olhos fechados e uma expressão tranqüila no rosto. Seus cabelos desgrenhados formavam uma cortina cobrindo parte de sua bela face.

Ele abaixou-se até ela e observou. Ele tinha que admitir, estava gostando daquilo. Teve que rir... Qual foi a última vez que uma mulher como ela estivera deitada em sua cama? Reformulando a pergunta – quando foi que qualquer mulher esteve deitada ali?

É lógico que ele não era nenhum ingênuo, muito ao contrário... Experiência não lhe faltava; mas todo seu conhecimento era físico e na maioria das vezes a coisa aconteceu de maneira tão forçada, tão traumática que ele nem se permitia gozar o momento. Em matéria de amor e carinho ele era um principiante. Hermione Granger, sua aluna há anos, a mais esperta de todas, aquela que sempre o desafiava com sua sapiência estava à sua frente, ao alcance de suas mãos.

Ele a tocou... Muito levemente, retirando uma mecha de cabelo do rosto dela e enrolando um dos cachos entre seus longos dedos. Ela moveu-se com um gemido inconsciente e despertou completamente quando ele, sem querer, atrapalhou-se no túnel dourado de seu cabelo.

A garota abafou um grito. Na escuridão ela conseguia distinguir as formas do professor. Seu cabelo e suas vestes negras contrastando com sua pele alva... Seus olhos pareciam brilhar. “Saciou sua curiosidade?”.

“Sim professor. Eu aprendi a lição... Se o senhor me permitir continuar no projeto eu juro que nunca mais entro em seus aposentos”.

Ele se afastou e ficou de pé ao lado da cama, gesticulando para que ela levantasse e calçasse seus sapatos. Ela obedeceu e logo estava deixando as masmorras sob o aviso de “Feche a porta ao sair e volte amanhã, sem atrasos”.

Snape tentou dormir àquela noite, mas em vão. Aquele cheiro doce de Pêssego estava em todo o canto. Impregnado em seus travesseiros, nos lençóis, Merlin! Estava no quarto inteiro. Ele podia dizer que estava ficando tonto com aquilo... Mas longe de ser uma sensação desagradável, aquilo o estava levando ao limite do prazer. Quando ele se permitiu um alivio... sozinho, respirando pesadamente, seus olhos fechados com força e a testa contorcida numa expressão torturante, ainda podia senti-la lá, ocupando sua mente, seus pensamentos e, ainda que ele não soubesse disso, uma parte do seu coração. Ardentemente ele desejou que ela lhe desobedecesse e continuasse invadindo seus aposentos no tardar da noite.

(...)