Pura magia
4 Espie bastante, Senhorita...
Hermione acompanhava fascinada os movimentos habilidosos que seu professor fazia enquanto cortava alguns raminhos de erva. Os olhos dele vagaram disfarçadamente de sua atividade para ela. "Está prestando atenção?". A menina pareceu ouvir a voz dele de longe tão concentrada que estava em observá-lo. "Senhorita, se não está acompanhando nosso trabalho aqui será inútil!". Com este último chamado a garota se virou para olhar os olhos negros do Mestre. "Sim, eu estou acompanhando".
"Bom! Então vá até o armário da esquerda e busque mais um punhado de Criatinina".
Ela fez o que lhe foi mandado e procurou em meio aos variados frascos aquele que ele queria. Enquanto corria o olhar na estante, notou uma porta que até então não havia notado. Pensou que atrás dela só poderia ser os aposentos particulares de Snape. Uma curiosidade enorme tomou conta dela. Era comum fazer brincadeiras com os amigos a respeito dos jeitos estranhos do professor e isso incluia, é claro, especulações sobre seus aposentos. Será que realmente condiziam com aquele famigerado apelido?
Movida pelo instinto corajoso típico da Grifinória, Hermione moveu-se com cuidado segurando o frasco apertado nas mãos. Relanceou uma olhadela para onde ele estava, apenas para se certificar que não estava sendo observada, e então caminhou com cuidado, tentando pisar devagar para minimizar os ruidos de seu salto sob o piso de madeira. Tocou a maçaneta fria e girou. Antes que a porta pudesse se abrir e revelar seu interior, a aluna temerosa sentiu uma presença logo atrás de si e um braço envolto em mangas negras impedir seu avanço. "O que pensa que está fazendo e onde pensa que vai?".
Ela soltou o ar que nem sabia que vinha segurando e voltou-se para a figura imponente do Snape há apenas alguns centímetros de sua propria face.
Ela não tinha desculpa, estava mesmo dando uma de bisbilhoteira e invadindo o que ela julgava ser o quarto de seu professor. Sem razão, ela apenas abaixou a cabeça e esperou pela bronca que certamente viria. "De onde vem essa curiosidade toda menina?". Ao dizer aquilo, Snape passou a reparar — realmente reparar — na aluna.
A viu criança, uma criança visivelmente mais inteligente que as demais, porém sem qualquer atributo físico... Ora! E que atributos ele deveria procurar numa menina?
Mas o que ele via agora passava longe de ser as feições e contornos de uma criança. Ela era uma mulher. 'Por Merlin! Onde eu estava que não a vi mudar?!'.
Num gesto decidido, ele agarrou o punho de Granger e tomou-lhe o vidro de sua mão. "Eu só pretendia espiar, não ia mexer em nada", ela conseguiu dizer num fio de voz.
"Claro... Por que você julga que 'espiar' não configure nenhuma grande invasão de privacidade...", ele disse sarcástico.
Antes que ela pudesse articular qualquer coisa em sua defesa, ele a surpreendeu passando por ela e abrindo a porta. "Vá em frente, olhe o quanto quiser". Ainda chocada com aquela atitude inesperada, Hermione foi gradativamente imbuída a entrar no quarto. Em questões de segundos, ela se viu parada dentro daquele enorme e escuro aposento... sozinha... trancada... sem saída.
Ouviu um "clic" e novamente o silêncio.
Com apenas alguns passos na escuridão ela alcançou novamente a porta, agora fechada. "Professor, professor Snape, me deixe sair!", gritou apavorada.
"Espie bastante Senhorita Intrometida Granger... Espero que aproveite a estadia"
Ela se deixou cair ao chão junto à porta segurando as lágrimas e o nervosismo.
(...)
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