Puppies
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Lucius Malfoy estava sentado em seu escritório, observando os papéis em cima da mesa. Dali a oito semanas seriam as eleições, e as pesquisas de expectativas de voto da população não eram exatamente favoráveis para o seu lado. Vários dos seus companheiros de partido tinham lhe dito que, se ele não tivesse alguma ideia logo, o ideal seria abrir mão do cargo. Dar alguma explicação idiota, como, por exemplo, que ele precisava tirar um tempo para passar com a família, ou algo do tipo.
Mas o que Lucius menos queria era realizar uma atitude de covarde, de deixar suas fraquezas óbvias para todos. Mas, se as coisas continuassem do jeito que estavam, o ideal seria reconhecer sua derrota. Afinal, não haveria mais nada a se fazer.
— Pai! — exclama Draco, enquanto abre a porta do escritório. — A mamãe está-
— Draco! — os olhos de Lucius brilham, enquanto este procura algo no meio da papelada em sua mesa. — Draco! Como eu não tinha pensado nisso?! — Lucius sorri para si mesmo enquanto continua a procurar algo na mesa.
— Pai, o que está acontecendo?
— Draco, se você tiver algum compromisso nessa quarta, desmarque. — diz Lucius, finalmente encontrando o papel que procurava. Era do tamanho de uma folha de ofício, porém um tipo de papel mais vagabundo. Deveria ser alguma coisa importante, pois dificilmente algo de material vagabundo estaria em cima da mesa de Lucius Malfoy, um dos homens mais ricos do país, se é que ainda não estava em primeiro lugar.
— Eu não tenho nada marcado para quarta, mas... Por quê?
— Você vai para uma campanha de adoção de filhotes. — diz Lucius. Ao ver o filho erguer as sobrancelhas, ele suspira. — Eu sei que é bobo, mas é para a minha imagem pública. Se a nossa família não fizer coisas assim... Existe o risco de eu não ser reeleito. Veja. — Lucius faz um sinal para que Draco se aproxime, e este obedece. — Acabaram de sair os resultados das pesquisas de intenção de voto, e se as coisas continuarem do jeito que estão, com essas porcentagens... Nem temos chance.
Draco encara a folha de papel por um tempo antes de assentir.
— Tudo bem. — ele diz. — Pode me dar um papel com endereço, horário, e coisas que eu preciso falar ou fazer nessa feira de adoção na quarta? Preciso saber de coisas assim para-
— Ah, sim, é claro! — Lucius escreve rapidamente as informações pedidas pelo filho em um rascunho. — Isso é para o bem da nossa família, Draco.
Draco assente.
— Sim, eu sei. — antes de sair do escritório, ele se volta para o pai. — A propósito, a mamãe está te chamando na sala de música.
[...]
Draco caminhava pela rua e, ao ver um grande grupo de pessoas reunido, deduziu que aquele era, de fato, o endereço certo da feira. Não demorou muito para que fotógrafos e jornalistas aparecessem. Afinal, eles já sabiam que Draco estaria presente no evento, provavelmente já estavam à espera deste.
O segurança parado na frente da porta do evento logo o deixou passar. Mas isso era óbvio, quem barraria a entrada do filho do atual prefeito da cidade? Ninguém, pelo menos, não em sã consciência.
Ao entrar, Draco percebeu que não havia mais a presença de fotógrafos oficiais e jornalistas, o que deu uma sensação de alívio ao loiro. Mas antes ele não sentia a confusão que estava sentindo naquele momento. O que ele estava fazendo ali? Para onde iria? Será que deveria ter ataques de fofura e dizer vários "own", como a maioria das pessoas ali fazia? Provavelmente Draco estava deixando sua confusão óbvia demais. Pelo menos, se não estivesse deixando, um cara moreno, mais ou menos da sua altura, não o teria cutucado perguntando se ele estava perdido.
E, se Draco não estivesse tão perdido à ponto de beirar ao desespero, ele não teria aceitado a ajuda do outro. E Draco não sabia dizer se isso era algo positivo ou negativo.
— Hum... Você é o filho do prefeito, não é? — pergunta o moreno.
— Bem, eu prefiro ser chamado de Draco. — o outro ri. — E você? Gosta de ser chamado de outra coisa ou eu continuo pensando em você como "o moreno da feira de adoção de filhotes"?
— Quer dizer que você já pensa em mim? Você é bem rápido, Draco! — o moreno ri ao ver o rosto de Draco ficar vermelho imediatamente. — Meu nome é Harry. — Draco sorri e assente. — Você quer segurar um filhote? — Draco se assusta com a pergunta, e fica encarando o vira-lata nas mãos de Harry, pronto para recusar, quando este completa, em um tom mais baixo: — Acho que isso faria a foto que aquela mulher ali está tirando ficar mais interessante, se ela enviar para algum jornal ou revista de fofocas.
Draco olha para a direção que Harry tinha olhado segundos antes, e ergue um pouco as sobrancelhas antes de assentir.
— Sim. — Draco se pergunta o motivo de estar confiando no quase-completo-estranho Harry, mas resolve ignorar aquilo. Ele já tinha confiado, se tinha feito merda, não havia mais nada a fazer. Além disso... Confiar naquele moreno com jeans apertados e camiseta branca que marcava os músculos definitivamente não poderia ser uma opção tão ruim assim. — Boa ideia.
Harry coloca o filhote nas mãos de Draco, que parecia estar segurando um recém-nascido, tamanho o terror em sua expressão. Isso faz Harry rir, e Draco o encara. Não havia nada engraçado naquela situação! Por que ele estava rindo?!
— Hum, Draco? É só um vira-lata. Não precisa ficar assim aterrorizado! O cachorro não vai vender sua alma pro diabo, ou algo assim.
Isso faz com que Draco ria.
— Bom, eu realmente espero que o cachorro não faça isso!
Harry revira os olhos.
— Vem sempre aqui, Malfoy? — a expressão de Harry estava repleta de sarcasmo.
— Claro! Ficar segurando filhotes de cachorro é o meu hobby, você não percebeu a minha prática?
Harry gargalha alto, o que faz com que este chame a atenção de todos no local, o que, surpreendentemente, não deixa o moreno nem um pouco constrangido.
— Hã, Malfoy? — chama Harry. — Depois da feira acabar, você quer passar no meu apartamento para, sabe, comer uma pizza, ou algo assim? Ou o seu pai não te deixa entrar em imóveis cujo preço seja menor que três bilhões?
Draco ri.
— Meu pai não se importa. —Draco pára para pensar um pouco. — Bom, contanto que eu compareça a todos os eventos sociais que são importantes pra ele, e que eu dê sinal de vida até o dia seguinte, ele não se importa.
Harry ri com o comentário de Draco, e assente com a cabeça.
— Então, você está oficialmente convidado para comer pizza barata e refrigerante no meu humilde apartamento que deve ser do tamanho do seu banheiro.
— Parece um bom plano. — Draco diz, e Harry faz uma careta de espanto. — O que foi? Não é porque eu sou filho de político que eu não posso gostar de pizza barata! — Draco para de falar por alguns segundos. — Você não acha que os outros clientes também vão querer falar com você e... Saber coisas sobre os filhotes?
Draco sorri para Harry.
— Eu prefiro ficar aqui do que prestar atenção em clientes chatos e filhotes. — Harry faz um movimento com os ombros, como se dissesse que não podia fazer nada quanto a isso. — E você? Prefere que eu...
— Por mim, você pode ficar aqui. — Draco interrompe, mas completa rapidamente. — Afinal, devem ter outras pessoas para atender, não é? Porque...
— Não precisa se explicar. — responde Harry, com um sorriso em seu rosto. — Afinal... Por mim, eu também posso ficar aqui.
E os dois ficaram ali, trocando olhares, sorrisos e flertes. E, depois do fim da feira, passaram a trocar também carícias, apenas deixando a noite regada a pedaços de pizza, latas de cerveja e roupas jogadas pelo chão levá-los.
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