Notas iniciais
''Death is her boyfriend She spits on summers and smiles to the night She collects crowns made of black roses But her heart is made of bubble gum Graveyard girl Dark rags and red stars She's the dirty witch of her high school She worships Satan like a father But dreams of a sister like Molly Ringwald "I'm gonna jump the walls and run I wonder if they'll miss me? I won't miss them The cemetery is my home I want to be a part of it Invisible even to the night Then I'll read poetry to the stones Maybe one day I could be one of them... Wise and silent Waiting for someone to love me Waiting for someone to kiss me I'm fifteen years old And I feel it's already too late to live Don't you?" I can't help my love For Graveyard Girl'' Graveyard Girl - M83

Vanessa Gold estava deitada próxima de uma pedra cinza entalada:


Mellanie Wilder
* 18 de setembro de 1950
+ 7 de junho de 1980
'' Que a estrela do amanhã a acompanha nessa jornada''

Essa era uma das lápides de habitantes falsos quando a maldição das trevas ainda estava em vigor. Pensar que todas aquelas pessoas não existiam era um sacrilégio. Apesar da mãe de Alex Mills ter feito um bom trabalho em fazer esse cemitério falso, onde mais para longe de tudo estava sua cripta. Por sua maioria, aquele cemitério era uma farsa completa, mas de acordo com o tempo, os habitantes da cidade que passavam dessa para melhor, ocupavam aquela terra.

Vanessa sempre havia se importado com as pessoas e tinha herdado várias características da mãe, Belle. Até mais do que a própria, a filha poderia ficar numa fase mais romântica e poética do que todos na cidade. Ás vezes, quando andava pela rua — como o de costume — filosofava como era construído aquela sociedade disfarçada. Como estavam em um mundo onde não tinham magia, vários habitantes da cidade viviam por máscaras, novas identidades, mas — o que realmente interessava Vanessa — eles nunca se esqueceram quem eles sempre foram. Nesse mundo ou em outros.

Ela se dedicara a dar um significado para uma boa parte daquele cemitério. A maioria das noites há quase um ano e meio atrás, Vanessa dedicava algumas de suas noites para passar na escuridão em qual várias pedras indicavam — sobre uma campina sombria — almas que transportavam por lá. Mesmo que naquele dia houvesse ataques inesperados e uma correira de seus habitantes. A garota Gold não havia aberto mão de seu calendário.

Como programado, ela passaria mais uma vez no cemitério.

Apoiava suas costas nas lápides e com sua caneta roxa, escrevia — numa espécie de diário — poemas, sonetos e algo bem parecido com lendas — baseado nas pessoas escrito nas pedras. Era gratificante — pelo menos para ela — e algo que a preenchia nos momentos mais escuros da guria.

Mas as escritas mais pessoais eram feitas exclusivamente para uma pessoa muito singular — Neal Cassidy.

Ele era o primogênito de seu pai, muito antes de conhecer Belle. Naquela época seu pai não era O Sombrio e não tinha uma sede de vingança quase intoxicante. Seus pais já tiveram problemas com isso, um pouco antes de Belle saber que estava grávida de Vanessa. A mãe o havia expulsado da cidade — literalmente, pois na época havia um feitiço que quando cruzava a linha da cidade, ninguém poderia ver ela novamente. Mas como Gold sabia — depois de várias semanas ou até meses, Vanessa não se lembrava muito desses detalhes, mas sabe que foi por um bom tempo -as artimanhas da magia, conseguiu eventualmente quebrar a maldição de uma Snow Queen.

Ela não tinha ideia e que horas eram quando havia acordado. Estava usando sua mochila como travesseiro, o cabelo ruivo laranjado liso estava tapando seu rosto. Colocando boa parte do cabelo para trás, a forte luz solar atingiu seu rosto com tanta força, que teve esticar a palma da mão na altura de sua face. O casaco grosso de couro preto como a escuridão havia feito um ótimo trabalho durante a madrugada e seu frio quase que congelante nessa altura do ano. Os olhos verdes azulados realçavam com o delineador bem forte, enquanto seus lábios estavam rachados e salgados.

Sua mente, mesmo acabando de acordar de um período de sono, estava formulando algo que Vanessa precisava anotar imediatamente.

'' Quando o sol bate na nossa face como manteiga derretendo na frigideira, parece que a fome — além de outros vários sentimentos — nos ataca, assim como a vontade de nos sentirmos satisfeitos consigo mesmos. Não consigo ver o seu rosto, nunca consegui. E se eu me esforçasse? Talvez poderia fazer algo para me ajudar, aliás, uma pessoa em mútuo comum; mais ou menos de suma importância para nós. Sei que não é nada, mas quando o vejo parece que sempre esteve carente. Ele sabe o que seu reencontro o fez, deu a ele um raio de esperança. Mas de que esperança? Para o bem ou para o mal? Poder ou virtude? Talvez se não tivesse batido as botas, nosso pai não ficaria flertando com o lado negro da força, Bae — Fire. O seu impacto me decepcionou, como pôde? Pensei que fosse algo essencial para ele? E mesmo assim, ele o perdeu, não conseguiu fazer nada de bom com isso. Sacrifícios fossem um meio e promessas de sangue sejam melhores. Desde quando meu coração começou a bater pude perceber a malícia infinita daquele homem. Ele nunca mudou. Se você realmente está entre as estrelas, por favor, me dê um sinal para que — depois de dezoito anos — possa finalmente ser igual a minha mãe.
Ver debaixo da máscara de uma pessoa.
Talvez com ele eu não consiga. Pensei que isso fosse algo sanguíneo. Mas não consigo.
Mesmo que ele esteja derretendo o sol como uma manteiga de um desjejum feito especialmente para mim.
Eu preciso de ajuda.
Ou não?
Me diga.
Anseie minhas dúvidas estrela estrelada, como posso mudar alguém que uma boa parte essencial não mude?''

Aquele era Neal #307. Era a única coisa que ela podia fazer para comunicar com ele. Rumple estava insuportável nessas últimas semanas. Estava implicando pelo modo de que Vanessa vivia sua vida e como ela conjurava magia. Ele estava a criticando em suas lições e nem a mãe de Alex havia passado por tanta pressão assim, em suas próprias palavras para Vanessa. E também — depois de analisar as qualidades mágicas da garota — ela disse que poderia ser uma das maiores feiticeiras de que já existiu.

O foco da filha de Gold era a magia da luz e não da escuridão. E quando ele tenta puxar a sardinha para o lado negro o poder.... Bem. As coisas não ficam muito agradáveis para ela. O cemitério, mesmo que esteja sozinha num ambiente escuro e sombrio, Vanessa sentia em paz de espírito. O que era algo bem contraditório para ela, mas depois da primeira noite, sentiu mais envolta com consigo mesma. Poderia ser o fato de estar sozinha, mas Vanessa poderia ser quem ela quiser. Algo mais do que a filha d'O Sombrio.

Assim como a mãe, ela amava ler. Era como fosse uma válvula de escape. Ser levada para lugares distantes de Storybrooke, mesmo ainda estando naquele lugar no mundo real. As pessoas — principalmente as mais linguarudas — falavam por suas costas e quando seu pai não estava por perto. Não sabia se era por causa de medo ou de escárnio, mas quando estava envolta no mundo da leitura, Vanessa poderia mandar todas essas pessoas tomarem no meio de seus rabos, enquanto ela estaria vivenciando aventuras.

Enfim, já estava na hora de cair fora daquele lugar.

+++

Vanessa havia estacionado sua moto em frente a biblioteca, onde mais provavelmente Belle estaria. Tirou se capacete e entrou no local. Sua mãe estava cuidadosamente terminado de tirar pó de uma fileira de livros infantis. A mulher avistou a filha, parada no balcão com o capacete em um braço e outro atrás de suas costas. Quando terminar sua tarefa, Belle foi até a filha, abraçando-a e a beijando no meio da testa.

– Oi filha — disse Belle, emaranhando os cabelos ruivos da filha. — Granny's?

– Granny's! — Respondeu Vanessa quase correndo ao local que ficava quase em frente ao prédio.

Na lanchonete, Vanessa e a mãe pediram um pedaço da famosa lasanha do local. Elas foram atendidas por Ruby que depois voltou com um copo de água tônica para Belle e uma grande quantidade de Milk Shake de baunilha que Vanessa já sugou uma boa parte do líquido. A menina havia se debruçado na mesa de metal. Estavam sentadas na janela e a garota Gold estava de frente para o vidro.

– Como a cidade vai indo, mãe? — Perguntou Vanessa.

– Bem o portal já foi contido e feitiço de proteção já está protegendo a cidade — respondeu Belle. — Realmente deu aquele susto em todo mundo.

– É verdade — concordou Vanessa. — Pelo visto a senhora não participou do conselho da cidade, não é, mãe?

– Não, mas eu queria te falar algo que aconteceu com o seu pai — disse ela, quase com certo receio. — Eu acho que o Rumple tem uma explicação toda para o que aconteceu na cidade ontem. Você precisa ouvir.

– Tudo bem, mãe. Do que se trata?



+++

Depois de terminar o almoço com a mãe, Vanessa correu para a moto, pois apesar de ter certos receios com Rumple, ela não iria deixar com que ele fizesse uma loucura daquelas.

O caminho era remoto o que fez com que Vanessa estravasse na velocidade da moto. O vento batia em seu rosto, fazendo com que seus cabelos seguisse com a corrente. O coração da garota Gold estava batendo descompassadamente e parecia que as veias dos braços iria estourar. Na estrada houveram vários curvas que quase a fizeram derrapar com a moto na pista.

Estava se dirigindo a mansão do autor que ficava numa parte isolada na cidade, onde seus pais transaram para conseguir tê-la, mesmo que a gravidez de Belle foi algo inesperado para eles — bem Vanessa achou melhor deixar essa história de lado enquanto para a moto na entrada do portão semi aberto de metal. Tirou o capacete e o jogou no meio do gramado do outro lado do portão. Correu para poder entrar e quando pisou na parte de dentro da mansão, pensou que estava prestes a se perder na sua imensidão. Mas o barulho de um portal aberto foi como uma bussola para ela, mesmo que seja uma bem óbvia.

Andando por mais alguns cômodos, viu o pai controlando um portal, bem que ficava dentro de uma porta, que se remexia nas ondas azuis. O barulho que estava fazendo era bem alto e uma corrente de ar quase fez Vanessa cair de costas no chão. Ela sabia o que o pai estava fazendo e tinha que dar um ponto final nisso.

– Pai! — Ela gritou. — Pare com essa loucura. Não sabemos se ele voltou.

Gold, que estava olhando para o portal quase que apaixonantemente esperançoso, se virou para a filha. O brilho azul do portal fazia com que a face dele pudesse brilhar azuladamente naquele ambiente escuro. Ele arqueou a sobrancelha esquerda, talvez por nunca ter pensado que Vanessa iria atrás dele, tentar impedi-lo de reencontrar o seu Bae.

– Eu sei que ele está em algum lugar e vou achá-lo e trazer ele para cá, Vanessa — Gold disse, quase rispidamente, mas ela não tinha culpa se a morte de Bae ainda era um fardo para Rumple. — Não tente impedir o seu pai aqui. Deixe-me aqui sozinho com as minhas esperanças e esforços.

– Mas portal é instável, ele trouxeram os cavaleiros negros para esse mundo, pai — alertou Vanessa.

– Mesmo trazendo com ou sem macacos voadores, sabe que seu pai já cuidou desse portal aqui — disse Rumple, quase rindo da cara da filha. Não por mera humilhação, mas porque ele se garantia.

– Macacos voadores? — Indagou Vanessa. — Eles também?

– Não se preocupe, acho que seu amigo Alexander já cuidou deles todos — informou Gold.

– Pode ter estabilizado, mas trazer alguém para dentro desse mundo, como aconteceu ontem, pode fazer com que o portal possa ser mais forte do que você e destabilizar novamente por muito mais tempo — argumentou Vanessa, enquanto parte o brilho azul chegava a irradiar seu rosto.

– Então eu posso estabilizá-lo mais uma vez, não é tão difícil quanto você imagina, daerie — disse Gold.

Antes que Vanessa pudesse formular um contra argumento, algo surgiu no portal. Toda aquela essência azul, se movimentando como água caindo e quicando dentro de um copo circular, estava começando a se ofuscada por um semblante. E de uma para outra a corrente começou a parar, mas quando o corpo atravessou a porta, era como se fosse uma onda forte de ar, atingindo Gold e a filha e caíram e deslizaram para trás no chão encerado.

A lateral do rosto de Vanessa colidiu com o chão, indo ao seu encontro. A sensação que ser jogada no ar por um chute de vento fora um golpe bem dado.

Mais o que aconteceu em seguida, já era uma pedrada ao seu orgulho.

Um garoto de mais ou menos catorze anos com roupas largas de camponês havia saído do portal. Poderia ter sido qualquer um, mas Vanessa conhecia pela foto no livro — o mesmo que Alex a amostrara anos atrás. Era parte da história da sua família.

– Bae! — A voz de Gold saiu da sua boca num misto de surpresa e de admiração. — Baelfire!

Vanessa ainda estava deitada, mas seus olhos arregalaram com a alegria do pai e a presença do meio irmão naquela mansão. O mais curioso era como Bae estava aqui como um adolescente se ele havia morrido como um adulto? Será que o pai sempre o vira, mesmo com o notável passar dos anos, como o mesmo menino que ele abandonou no portal há anos atrás, na floresta encantada? Essa eram as questões que remoinham a mente de Vanessa e embrulhava o seu estômago. Pena que ela nem terminara seu milk shake de baunilha.

Agora com essa teoria de resetar o passado e sua fusão com presente estava mais do que provada, com quem ela poderia escrever sobre o que sentia sobre a sua família se Neal/Bae estava vivo e na sua frente? Ela não tinha forças o suficiente para conseguir contar a ele tudo o que sentia pelo pai.

– Papa? — Bae disse confuso, enquanto Rumple o abraçava como nunca havia abraçado Vanessa. Com todas suas emoções expostas e a vista, sentindo-as como algo único, verdadeiro e precioso.

E ela nem tinha forças suficientes para aguentar ver aquela cena.

+++

– Sabe que não é uma boa, invadir a cripta das outras pessoas — alertou Vanessa enquanto ela adentrava na cripta de Regina.

Alex se virou para ela, antes ele estava procurando por algo em um baú que estava quase todo revirado. Seu sorriso estava á mostra, apesar de que segundos atrás estava parecendo um desesperado.

– Não é uma invasão se consigo desfazer a proteção á base de feitiço de sangue — disse Alex, andando em sua direção. — Como achou que eu estaria aqui?

– Falaram-me da teoria do reset, Alex — respondeu Vanessa, colocando as mãos nos bolsos do jeans. — Aliás foi mal por... Sabe, a maldição da Malevóla. Se ainda for resetada, acho que até agora não pode acontecer nada. Pode demorar mais um tempo para voltar.

– Só está dizendo isso para me reconfortar? — Indagou Mills.

– Mais ou menos — exclamou ela. — Não sei ao certo. Mas, mesmo assim, ainda está preocupado com eles, Regina e Robin?

– Com toda essa história, pode ser que estejam correndo um grave perigo — disse Alex. — Mas temos que nos preparar se quisermos salvar todos eles.

– Você primeira do plural, e sabe que não poderia ir por causa do meu pai, sabe?

– Temos mais alguém na cidade hoje, é um cara legal que eu salvei em Portland e, ele apesar de não nos conhecer em nem ter ouvido falado nessa cidade, é um filho de uma pessoa conhecida por aqui.

Vanessa arregalou os olhos e arqueou ambas as sobrancelhas.

– O filho do Hook?

– Ele próprio — respondeu Alex.

– Sabe que sem Killian por perto, meu pai pode fazer alguma coisa com ele, já que ele foi proibido, pela lei que sua mãe ajudou a criar, de machucar o homem com quem sua antiga mulher o trocou — disse Vanessa.

– Ele está na minha casa e seguro e garanto que somente vou levar ele para sair de lá por um lugar onde seu pai não pisaria no mesmo dia, aliás, seus pais vão ao Granny's hoje a noite?

– Não sei, talvez não — respondeu Vanessa.

– Ótimo, eu não quero cozinhar hoje a noite — disse ele saindo da cripta.

Vanessa acompanhou os passos dele. Alex — com um movimento de mão — fechou a portal principal da cripta e andou diretamente para o seu carro.

– Alex, eu tenho que contar uma coisa, antes de você ir — disse ela.

– Então me conte — Alex falou encostado na porta do carro.

– Meu pai fez algo muito perigoso, mas ele teve sucesso em sua ambição. Ele conseguiu trazer o Neal de volta para esse mundo, Alex. E me sinto mal por isso... Talvez seja que gostava que conservar com o espirito dele aqui, nesse cemitério, e desabafar assuntos tão pessoais quanto minha própria vida e não sei o que fazer agora? Será que continuo contar o que eu sinto para ele, ou deixo que o ódio sobre a predileção do meu pai a ele me afetar. Não sei qual vai ser, mas eu , simplesmente, não tenho forças suficientes para me decidir. Tudo parece ser confuso e complicado na minha vida que pareço que estou numa maldita montanha russa sem parar e prestes a passar mal a cada looping o que o carrinho da minha vida dá...

– Você precisa de um tempo, Vanessa — disse Alex. — Um dia você vai ter força suficiente para confiar no Neal vivo. Mas seria bom que você se desligasse dos Gold e viver a sua vida ao seu gosto e aproveitá-la. Eu sugiro que venha conosco ao Granny's hoje.

– Será que eu poderia dar um tempo dos Gold na sua casa, por enquanto? — Sugeriu Vanessa.

– Eu até ia fazer isso, mas pensei que você ia me chamar de filho da puta ou de tarado — disse Alex, entre sorrisos. — Mas, não se preocupe Vanessa, nós temos muito o que fazer em relação ao pessoal do outro lado do portal. Ninguém sabe onde é que eles estão.

– Alex, talvez se pedirmos ao Sidney, ele possa nos amostrar como é que está indo a jornada deles — sugeriu Vanessa, novamente, mas com mais ânimo.

Ele deve estar fora da cidade, para ele chegar deve demorar um tempinho, mas devemos nos preparar enquanto ele não vem ao nosso encontro — disse Alex, entrando no carro.

– Como assim? — Vanessa perguntou.

Mas, Alex não a escutou e deu partida no carro e Vanessa se ajeitou em sua moto antes de começar a seguir o automóvel do amigo. Será que ele estava se referindo a Theodore? Pensou ela.

Bem provável.

Notas finais
Oi! O que acharam sobre a Vanessa? E também do capítulo? Me contem tudo nos comentários! Até mais!