Pulsação

15 Wrecking Ball


Notas iniciais
Não pensem em Miley Cyrus com o nome do capítulo, hehe. Pensem na bola de destruição mesmo. Capítulo veio mais rapidinho e eu particularmente adorei ele! Espero que vocês gostem também e vamos ver quem fica com Helga.

A temporada de shows veio e Helga se animou um pouco, ignorou Arnold e fez de conta que nada tinha acontecido. Claro que isso funcionava apenas 10% do tempo. Torvald parecia dedicado a distraí-la, mas no fim ela bebia muito pra suportar o fato de que Arnold tinha sido dela e agora não era mais. O que mudou na vida de Helga foi a volta de Phoebe, elas voltaram a se falar e dessa vez sem segundas intenções de Helga. Faziam trabalho juntas na casa de Pheebs, assim ela passava mais tempo ocupada. Ou T. ou Pheebs o dia todo, chegava em casa exausta e ainda assim não conseguia dormir. Algumas noites enquanto estava bêbada, discava o número dele no celular, mas não deixava chamar. Ele não a procurou, não ligou, não mandou mensagem e nem olhava mais pra ela. Era ridículo, após duas semanas era pra estar mais fácil de lidar com sua ausência, mas a saudade só piorava tudo. Teve o loiro como seu por apenas alguns dias sem nem precisar pôr seu plano em ação, as coisas aconteceram naturalmente. Usaria Phoebe e Gerald para se aproximar, mas não foi necessário; planejou a foto deles se beijando para poder mandar pra Joy, mas alguém fez isso por ela, era como se o universo conspirasse a favor deles, exceto por uma coisa: o universo lhe dera Torvald antes. Talvez fosse melhor eles nunca terem ficado juntos, mas então ela não teria a confiança que tem hoje e talvez o fato de ela estar disponível deixasse-a menos atrativa para Arnold. Pensou em terminar com T. todos os dias, mas não conseguia.

Uma tarde Helga e Pheebs estavam assistindo TV na casa de Phoebe quando a campainha soou. Pheebs correu para atender e Helga curiosíssima foi atrás. Phoebe abriu só um pouco a porta para que Helga não pudesse ver e falava muito baixo. Helga muito impaciente abriu a porta toda.

–... que horas que ela vai... – Gerald não conseguiu terminar a frase, assustou-se com Helga e arregalou os olhos

–Eu sabia! – Helga gritou triunfante e sorriu

–Não é nada disso Helga, é só sobre um trabalho! – A japonesa começou a se desesperar

–Se é sobre um trabalho pode falar na minha frente

–Não precisa, ligo mais tarde pra você – Gerald falou apenas com Phoebe, ele parecia irritado e ainda assustado.

–Não estamos fazendo nada Gerald, você realmente deveria entrar – Helga deu espaço para que Gerald pudesse entrar na casa e assim o moreno fez.

Helga sentou na poltrona e deixou Phoebe e Gerald no sofá. Eles estavam nitidamente nervosos, ela remexendo as mãos no colo e ele constantemente passando as mãos pelos cabelos. Helga estava achando tudo divertidíssimo.

–Está mais do que óbvio que vocês dois estão juntos, desde a festa de Honda eu já tinha minhas dúvidas – Helga falou e eles se entreolharam.

–Não sei do que está falando – Phoebe quase gaguejou ao falar

–Sim Helga, você está certa. Eu e Pheebs estamos juntos desde aquele dia, por isso terminei com Alice. – Gerald falou de uma vez evitando mais acusações e perguntas de Helga.

–Porque estão escondendo? – Helga perguntou, sem conseguir esconder o sorriso e a cara de satisfação por ter arrancado a verdade.

–Eu não gosto de ninguém olhando pra mim, nem falando de mim Helga. E eu tenho medo de Alice – Phoebe admitiu envergonhada. – Eu só não te contei antes porque Gerald não confia em você

–Sei que não confia, mas eu juro que não conto pra ninguém. – Helga encarava Gerald. – Arnold sabe? – perguntou mansa

–Não. – Gerald respondeu. – Por isso me afastei dele e pelo visto você também se afastou. – Pheebs olhou-o com repreensão.

–Sim, duas semanas agora. É melhor assim.

–Ei! Vocês dois não estão brigando, isto é um milagre ou o que? – Phoebe interrompeu o assunto e falou empogada.

–É por você – Helga e Gerald responderam um uníssono

Com o tempo o casal se soltou na frente de Helga e assitiram TV abraçados. Helga ficou sinceramente feliz por Phoebe, mas olhar os dois a deixava triste. Tentava imaginar ela e Torvald assistindo TV abraçados, saindo em casais... Não, T. nunca faria essas coisas, a vida dele era outra. Helga gostava da vida agitada e diferente de T., mas ás vezes ela queria mais carinho, mais romance. Como conciliar os dois? Helga queria ser da vida agitada e do romance ao mesmo tempo. Ela estava com saudade de Arnold.

–Helga? – Phoebe chamou, tirando-a de seus pensamentos. Helga olhou para o casal e ambos pareciam preocupados, só então percebeu que uma lágrima escorria em seu rosto.

–É... Vou deixar os pombinhos a sós, já ta na hora de ir pra casa! – Falou enquanto levantava da poltrona e saia rapidamente da casa da amiga.

Foi pra casa, Big Bob gritou um pouco quando ela chegou, perguntou as mesmas coisas de sempre e então ela foi pro quarto. Poucos minutos depois T. ligou e pediu para ela se arrumar para a festa de aniversário de Sid que aconteceria no casebre. Rapidamente tomou um banho, escolheu um short preto desfiado, uma regata comprida com estampa da capa do álbum de sua banda preferida, bota preta sem salto e deixou o cabelo bagunçado. Correu até a cozinha, pegou algo pra comer e aos berros falou a Big Bob que jantaria mais cedo pra dormir mais cedo. Trancou a porta do quarto e saiu pela janela. Mesmo estando acostumada com tudo isso, sempre vinha uma adrenalina gostosa. Torvald já estava esperando, quando saíram com a moto ela fez um barulho muito mais alto do que o normal, algo estava errado.

O casebre estava lotado, algumas pessoas de encontros de fãs, de bares... Mas ninguém que fosse do colégio. Era final de tarde, as pessoas começavam a se embebedar, o som já estava alto. Leo e Jake como sempre num canto meio escondidos, Sid e Kate passavam de mãos dadas de grupo em grupo e Torvald conversava com alguns amigos, mas não soltava Helga por nada.

Anoiteceu e mais pessoas chegavam, o som mudou para algo mais eletrônico com mixagens de musicas pop, o gramado já estava enchendo, dentro da casa já estava um caos. Helga deixou T. sozinho do lado de fora da casa e se aventurou pra dentro tentando achar algo pra beberem. Ao sair viu algo que não esperava: Harold, Stinky, Eugene, Gerald, LAILA e Arnold liderando o grupo. Porque eles estavam ali Helga não sabia, fazia anos que eles não eram mais amigos de Sid. Gerald olhava fixamente para Helga e parecia preocupado, Gerald preocupado? Helga sabia que a situação estava feia, porque Gerald nunca se preocupara com Helga. Ela voltou até onde T. estava e foi recebida com um longo e quente beijo. Assim que o beijo cessou Arnold e os meninos já não eram mais visíveis. T. a segurava pela cintura, ela segura uma garrafa que estava cheia de vodka com energético. Logo Helga já estava bêbada dançando no meio do gramado com Torvald. Assim que T. se afastou dela para conversar com Leo e Jake, Gerald se aproximou da garota.

–Phoebe está preocupada com você

–Pode dizer a ela que estou bem! — Helga já falava alto por conta da bebida

–Arnold está aqui – Gerald falava com cautela

–Eu sei, Torvald também – Helga não queria ouvir sobre Arnold

–Vai falar com ele?

–Não. O que aconteceu entre nós foi uma fraqueza momentânea, uma lembrança do que sentíamos na infância.

–Não quer falar com ele? – Gerald parecia ignorá-la

–Não Gerald!

–Desde quando são amigos? – A voz grossa de Torvald soava hostil

–Não somos! Gerald só veio me pedir um gole. – Helga falou, T. a abraçou e Gerald saiu.

...

A música e o falatório baixaram, a polícia não poderia ser chamada por causa do barulho, se a polícia aparecer no casebre, adeus casebre. Torvald estava sumido já há quase meia hora, quando um bêbado Arnold se aproximou de uma triste Helga sentada no gramado.

–Então essa é a sua casa? – Perguntou enquanto sentava

–Sim. Aqui você pode ver minha casa e minha família. – A garota respondeu sem olhar para ele

–Por que não está lá com eles?

–Estou cansada. Porque está falando comigo?

–Porque estou bêbado. – Helga estava nervosa e agora também triste. Não foi um “porque estou com saudade” ou um “porque me preocupo com você”.

–Ótimo. O que quer de mim? – perguntou hostil

–Nada, só estava entediado.

–Então pode levar seu tédio embora, antes que meu namorado o faça.

–Ah, agora são namorados?

–Vá embora cabeça de bigorna! – Ela elevou a voz e sentiu-se criança outra vez

–Não vou e ninguém vai me tirar daqui

–Torvald! – Helga gritava chamando-o – Torvald!

–Ele está ocupado Helga.

–Como você sabe?

–Seu namorado não te conta tudo

–Você é um babaca Arnold.

–Ele está somando os lucros com os vendedores

–Do que você está falando?

–Daquilo que todo mundo já sabe. Seu namorado é um traficante, seu casebre é ponto de venda. Eles estão sempre vendendo, em todas as festas.

Tudo parou por um momento. Por isso o medo da polícia, os dias de sumiço, o isolamento nas festas... Tudo fazia sentido, Arnold não estava mentindo. Helga estava assustada, preocupada e meio perdida.

–Você ainda acha que ele te conta tudo?

–Nunca achei, ele faz da vida dele o que quiser.

–Meu deus, você realmente o ama. Eu te conto isso e você não reage, você o ama muito.

Helga o ignorou, levantou e voltou a dançar. Arnold permaneceu sentado pensativo. Enquanto ela dançava alguém chegou correndo e a empurrou com tanta força que ela quase caiu no chão.

–Você o estragou! – Era Laila gritando histérica

–Você está louca? – Helga começou a gritar

–Arnold, era o cara perfeito até se envolver com você! – Laila estava dando de dedo na cara de Helga

–Laila, um beijo não é se envolver. E outra, ele passou anos longe, você nem sabe mais quem ele é! – Helga empurrou a mão de Laila

–Você é tão má que só de tê-lo beijado já o mudou. Arnold está mau! – Laila enfatizava a palavra mau.

–Mau? – Helga riu – Ele nunca será mau. Arnold é cavalheiro, simpático, gentil, carinhoso, nunca mau. Bom, não até hoje... – Arnold estava mau e ela tinha sim o estragado. Doía pensar nisso, Arnold estava estragado e ela estava com medo de Torvald.

–Porque Helga?! Porque você o estragou?!

–Cale a boca Laila, pare de encher o saco! – Laila já estava passando dos limites, Helga gritava irritada — Ninguém te quer sua chorona de merda!

Laila encheu os olhos de lágrimas e partiu pra cima de Helga. A loira era muito mais rápida, pegou os cabelos ruivos de Laila e a arremessou no chão. Ela caiu com o rosto na grama, Helga não a deu nem chance de levantar, foi só a ruiva virar o corpo pra cima e Helga sentou em sua barriga e socou sua cara com gosto. Um, dois, Laila tentou segurar as mãos de Helga, três socos e então alguém a tirou de cima de Laila. A loira se remexia enquanto T. a segurava no colo, a força dela era ridícula comparada à dele. Arnold veio correndo e Laila o agarrou e ficou chorando. Helga parou de se mexer e T. a soltou.

–Controle sua namorada Arnold! – gritava eufórica

–Olhe o que você fez Helga! – Arnold parecia realmente preocupado. Laila estava descabelada com o nariz escorrendo sangue. A roupa toda suja num misto de grama, terra e sangue.

–Deixe-a longe de mim Arnoldo! – Helga voltou a ser Helga

–Fique longe Arnold. – Torvald falou sorrindo

Helga e Torvald foram para um lado, Arnold e Laila foram até onde os meninos estavam e logo levaram Laila embora.

–Precisamos conversar – Helga falou assim que eles pararam num canto isolado

–Diga – Ele falou ainda rindo

–É sério – Ela falou com a cara fechada

–Desistiu de mim, vai rastejar de novo por Arnold... – Ele falou em tom de desdém e Helga ficou ao mesmo tempo chocada e irritada

–Eu não rastejo por ninguém! – gritou — E não, não tem nada de Arnold. É sobre você

–Eu?!

–Quando pretendia me contar sobre a venda de drogas? – ela perguntou sem mais delongas

–Não pretendia

–O que mais você não pretende me contar? – Helga estava num misto de tristeza e raiva.

–Nada Helga. E eu tenho meus motivos.- Ele parecia não se importar.

–Então fique com suas drogas, seus motivos, suas garotas, seus negócios! – os olhos encheram de lágrimas. – Você é um merda! – gritou com voz de choro e saiu correndo de perto dele.

Procurou por mais uma garrafa de qualquer coisa alcoólica e seguiu seu caminho pra casa bebendo e chorando. Chegou em casa, cambaleando subiu as escadas de incêndio, tentou abrir a janela de todos os jeitos, mas ela não abriu. O desespero tomou conta de Helga, ela olhou pela janela e viu que a porta do quarto estava aberta, continuou tentando abrir a janela, mas a mesma parecia trancada. Poderia ficar ali até amanhecer e esperar seu pai sair para trabalhar, entraria em casa sem ser notada. Estava prestes a sentar na escada quando seu pai apareceu ao pé da escada.

–Helga? – Chamou calmo. – Entre e vá para seu quarto.

Ela desceu as escadas, passou por Big Bob, ele a seguiu até ela entrar no quarto e então chaveou a porta. Ela estava trancada, nem no banheiro poderia ir. Seu pai tinha colocado pregos e parafusos na janela, não tinha como abrir. Ele não gritou, não falou nada, era pior do que se tivesse falado. Ela deitou na cama e fitou o teto. Queria ligar para alguém, mas Pheebs estava dormindo, Arnold era um babaca e Torvald era pior.

Notas finais
Eaí, eaí? gostaram?