Pulsação
13 Laços
Notas iniciais
Arnold se distanciou do casal deixando Helga e Torvald se encarando em silêncio. Helga respirou fundo, iria terminar qualquer que fosse a relação deles. Precisava fazer isso para que não se sentisse culpada com Arnold, aquele que ela sempre amou e que agora poderia sentir o mesmo por ela. Na última noite Arnold mostrou que se importava de verdade com ela, mostrou que era flexível o suficiente para estar ao lado dela, realmente a aceitava por quem ela era. Não precisava mais de mentiras, não precisava mudar as roupas nem a atitude para estar ao lado dele.
–Torvald ouça, – A voz da garota era firme. – preciso falar com você.
–Eu também preciso falar com você – O tom de T. não era nada agradável, talvez ele também estivesse pensando em terminar com a garota.
–Vou falar antes. – Ela se apressou. – As coisas não estão funcionando entre nós, eu acho que – ela desviou os olhos de Torvald, não conseguiria falar isso olhando-o nos olhos. Retomou forças – eu acho que – ele a interrompeu
–Desculpe. – Ele falou apressado e baixo
–O que?! – Ela se surpreendeu, voltou a encara-lo, mas ele fitava o chão.
–Desculpe Helga. Nós nunca estabelecemos nada. Eu e você, nunca teve definição, nunca foi exclusivo. É só que... – Era visível a dificuldade que ele estava tendo em falar. – É só que sabendo o que um dia você já sentiu por Arnold eu fiquei nervoso, fiquei com ciúme, me tornei possessivo por você. – Falou apressado, se atropelando e talvez alto demais. – Você sabe que é difícil de eu me humilhar desta maneira, é difícil que eu peça desculpas, mas Helga, por favor, me desculpe! – Realmente estava falando alto, as pessoas ao redor deles os encaravam. – Eu gosto de você, gosto mesmo, mas se você quiser ficar com ele tudo bem. – Ela não respondeu de imediato. Estava nervosa, muitas pessoas os encaravam, provavelmente Arnold também. Ela estava com o coração partido, ver Torvald ali fitando o chão, nervoso, triste... Como poderia terminar alguma coisa com ele?
–Não. – Ele ergueu a cabeça, preocupado. – Eu também gosto de você, gosto mesmo. – Sentiu seu coração apertar, estava matando seu “relacionamento” com Arnold, o ar faltou por um segundo.
–Você vai abrir mão dele?
–Não há nada entre nós. – Como doía dizer tais palavras, mas ela manteve sua postura de Helga. – Você vai abrir mão das outras?
–Vou Helga, já abri mão
–Então acho que estamos bem. – Ela continuava com o coração apertado, mas era Torvald. Por Torvald valeria a pena, não valeria?
–Que bom! – um sorriso brotava no rosto do moreno. – Essa coisa de DR e pedir perdão não é comigo
–A maneira como agiu foi compreensível. Babaca – ela abriu um sorriso
–Besta.
Continuaram sorrindo um para o outro. O público que havia se formado parecia aguardar um beijo ou coisa assim, ao perceber que nada iria rolar, começaram a se dissipar.
Pelos corredores as zoações continuavam, Helga precisava tirar o foco de cima deles, precisava armar alguma coisa. Agora até T. estava sendo zoado, ao andar de mãos dadas com ela estava assumindo o apelido de corno. Ele gostava mesmo dela para aturar esse tipo de humilhação. “Corno!” ouviram de um lado, “ogra!” ouviram de outro lado, mas continuavam firmes no centro do corredor sem nem olhar para os lados, não pelo menos até passar pelo armário de Arnold. Arnold os encarava, Helga não conseguia ler sua expressão, estava preocupada, não sabia direito o que deveria fazer, apenas continuou de mãos dadas com Torvald. Passou por Phoebe e a garota abriu um sorriso ao ver o casal passando pelo corredor sem se abalar, nada de Helga fugindo de ninguém, parecia que o dia anterior tinha ocorrido num tempo muito mais distante. A cabeça de Helga doía um pouco devido a bebedeira e ao pouco tempo de sono, mas não era nada que não estivesse acostumada. Evitou Arnold o dia todo, só entrou no banheiro em horário de aula quando não esbarraria com ninguém, no almoço manteve a cabeça erguida e sabia que ao lado de Torvald conseguiria ignorar os babacas da escola.
Chegou em casa e a mesma parecia abandonada, estava muito quieta sem nenhum ruído sequer da televisão ou gritaria de Big Bob. Helga procurou pela mãe e não achou. Já se passavam meses desde a última vez que a mãe da garota havia saído de casa, o que será que tinha acontecido? Na cozinha nada de comida, nem restos de pizza, mas milagrosamente parecia que Bob tinha pensado nela e ela achou 10 dólares na mesa da cozinha, não que desse para uma refeição, mas serviria. Entrou no quarto, trancou a porta, largou a bolsa em cima da cama e saiu pela janela rumo a casa de Arnold.
Vovô Phil foi quem abriu a porta para Helga, mas sem gracinhas dessa vez, apenas deu espaço para a menina passar.
–Arnold... – ela começou mansa, o estômago embrulhando
–Sente-se Helga. – Ela estava novamente no quarto do loiro sentando-se no sofá. Ao olhar para o quarto pensou nos beijos de Arnold, pensou na sensação de estar nos braços dele, lembrou da diversão que tiveram e sentiu vontade de chorar. – O que aconteceu Helga?
–Ele me pediu desculpa, falou que nunca tínhamos prometido exclusividade, se humilhou na minha frente e eu não podia recusá-lo – Ela falava nervosa e muito rapidamente. – Eu não poderia dizer não, ele esteve do meu lado por muito tempo Arnold, ele gosta de mim de verdade e eu gosto dele também, já estamos juntos a tanto tempo... – Ela fitava o chão e remexia as mãos no colo
–Eu entendo Helga, mas esse lance de não ser exclusivo? – ele a encarava curioso
–Ele disse que não estava com mais ninguém, que ficaria só comigo.
–E você?
–Eu disse que também estava só com ele
–Oh... Entendo. – Arnold disse seco e fitou o chão.
–Desculpe – ela começou, mas ele não a deixou terminar
–Não tem porque se desculpar. Você está bem, digo, está feliz com isso?
–Eu acho que sim. – a garota admitiu com o coração apertado. Tentou pensar nos planos de vingança de fazer Arnold sofrer o que ela sofreu, fazê-lo sentir-se rejeitado e sozinho, mas ela não queria realmente isso pra ele... Nem pra ela mesma. – Eu preciso ir Arnold, meus pais não sabem que saí.
–Isso não é novidade não é mesmo Helga?
–Não. – A garota admitiu derrotada. – Arnold eu.. – ela não sabia bem o que queria dizer, o que queria fazer
–Me dê mais uma chance Helga, você sabe que eu posso te fazer feliz
–Ele também. Se eu pudesse ficar com os dois, mas eu não posso. – Ela mexia as mãos nervosa e fitava o chão
–Helga, pense mais um pouco. Me deixe tentar de novo – Ele segurou as mãos dela.
Ela queria abraçá-lo e dizer que ficaria com ele para sempre, mas não viveria em paz sem Torvald. Quando Arnold foi embora, foi ele que a ajudou, ele que a manteve na linha sem ela nunca sequer ter pedido nada. Ele a entendia com meias palavras, querendo ou não já existia uma sintonia. Ela sabia de tudo isso, mas não tinha como negar o que sentia por Arnold, ele estava ali querendo ajudá-la, querendo amá-la. Como ela conseguiria recusar?
–Você não precisa tentar Arnold – Helga decidiu ser sincera, olhou o loiro nos olhos – você já me reconquistou Arnold, mas preciso me decidir, não posso continuar com você e com ele.
–Então fique comigo.
–Não dá Arnold. – ela se levantou do sofá e caminhou para perto da porta. – Ele é meu porto seguro e sempre foi. Não é assim que as coisas funcionam. Você está sofrendo, está sozinho, a Joy terminou com você e seus amigos estão vivendo suas vidas. – Ele pareceu assustado. – Quando as coisas melhorarem pra você não vai mais querer saber de mim. – ele a encarou em silêncio. – Me diga que estou errada, me diga que não vai me abandonar se ela quiser voltar com você. Me diga que ainda estará aqui por mim quando Gerald parar de treinar tanto, quando seus amigos caírem na real que você está de volta e te colocarem na vida deles. – Helga estava exaltada, começando a gritar.
–Helga... – Ele a chamou num sussurro.
–Não dá Arnold, com você é tudo incerto. Já me magoou uma vez contando de minha obsessão para o colégio todo, eu entendo que era algo bizarro, mas não quero passar por isso de novo.
Ela deixou Arnold sozinho no quarto fitando o chão e saiu da pensão o mais rápido que pode, sentiu lágrimas enchendo os olhos, o peito apertando e se segurou. Não queria chorar, não por Arnold, nem por ela.
Ao chegar em casa ouviu uma gritaria, era Bob e parecia estar no telefone com alguém. Helga abriu um pouco a porta para ouvir o que acontecia no andar de baixo. Pelo pouco que ouviu entendeu onde seus pais estiveram. Big Bob tentou internar Miriam numa clínica, apresentou o quadro dela para os médicos e pediu que fossem razoáveis com o preço, pois ela precisava de ajuda e eles não tinham o dinheiro, mas parece que Big Bob não convencia. Falaram que só a tratariam com o dinheiro todo e Bob não o tinha, disso Helga sabia. Era com Olga que ele estava falando, o que será que ela estava fazendo? Olga não podia ajudar? Helga derrubou algumas lágrimas, trancou novamente a porta do quarto e ficou deitada no chão do quarto.
O celular tocou uma, duas, três vezes até que Helga se irritou e atendeu. Era Arnold pedindo para vê-la, Helga relutou, mas o instruiu a entrar pela escada de incêndio. Abriu a janela e o loiro já estava no beco, ele tinha vindo mesmo sem saber se poderia entrar.
Ficaram sentados na cama dela ambos imóveis. A gritaria de Bob havia cessado e o único som agora era a televisão na sala. Helga estava nervosa com a presença de Arnold em seu quarto, a última memória deles ali não era boa.
–Helga, me desculpe não ter respondido de imediato, mas precisei de um momento pra pensar no que você disse e faz todo o sentido que você diga isso, mas não é verdade. Acho que quando eu era criança eu já gostava de você, só renovou o sentimento, reafirmou meu carinho por você. Sabe como?
–Você... – a garota procurou as palavras certas para dizer, foi pega desprevenida. — você gostava de mim? – Levantou da cama e ligou o rádio, não importando que música estivesse tocando, ela só estava com medo que seu pai ouvisse a voz de Arnold e estava meio que fugindo da conversa.
–Não tenho certeza Helga, para uma criança isso é uma coisa instável, não se sabe o que realmente é, apenas que é pura. Nunca guardei rancor de você, nunca tive sentimentos negativos. Você me irritou muito sim, mas era momentâneo. Eu gosto de você Helga, e quero vê-la feliz e quero que seja feliz ao meu lado. – A garota abriu um largo sorriso, isso era tudo o que sonhava quando era criança, mas porque parecia de certa forma errado?
–Arnold – ela chamou baixo, tirando o sorriso do rosto e permitindo que lágrimas rolassem. Ela não queria ficar longe dele. O loiro levantou e abraçou Helga, ela respirou fundo e tentou relaxar. Arnold tentou beijá-la e ela não impediu, agarrou o garoto pela nuca e puxou para cima dela enquanto deitava na cama.
*** 18 ANOS! ***
Helga estava quente e sentia o corpo de Arnold quente sobre o corpo dela. Borboletas no estômago, as mãos dele passando vagarosamente por todo seu corpo. Cintura, coxas, interior das coxas... Helga sentiu algo em sua intimidade só com a ideia de tê-lo tocando-a lá. Subiu a mão para os seios de Helga e entre beijos ela tirou a camisa dele, passando as mãos pelo peitoral vagarosamente, roçando as unhas. Sem aviso Arnold pressionou os dedos contra a intimidade de Helga que soltou um leve gemido em surpresa. Empurrou Arnold para o lado e tirou a própria camiseta, deitou em cima do garoto e ao sentir o contato da pele na pele um calafrio percorreu sua espinha, ela sorriu. Helga beijou-o na boca, pescoço, clavícula e foi descendo os beijos até a linha da calça, parou, abriu o zíper e puxou vagarosamente a calça dele deixando-o de cueca. Arnold manteve seus olhos fixos em Helga enquanto ela colocava a mão por dentro da cueca dele e começava a masturbá-lo. Arnold fechou os olhos e soltou um gemido baixo, Helga manteve os movimentos e voltou a beijá-lo. Logo ele parou a mão da garota, tirou os jeans dela e roçou sua intimidade na dela. Desajeitada ela tirou a calcinha e a cueca dele, então sentou no pau dele. Ele segurou-a firme com uma mão na nuca e outra na cintura enquanto ela cavalgava nele.Quando Arnold começou a intensificar as investidas Helga levantou. Correu para a mochila a procura de camisinha, mexeu e remexeu e não conseguia achar então ouviu o barulho do pacote se abrindo, Arnold tinha uma. A carteira dele aberta jogada no chão, o pacote de camisinha no chão, a garota deitou novamente enquanto ele vestia a camisinha. Arnold foi para cima dela, ela colocou as pernas em cima de seus ombros, a parte de trás dos joelhos nos ombros e ele a penetrou novamente. A cada estocada Helga gemia cada vez mais alto, a cama ia se arrastando e batendo na parede. Helga segurava o edredom da cama com força, mordia o lábio com força para segurar os gemidos altos.
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A música no rádio, a cama batendo na parede, os gemidos do casal e então um barulho de moto. O corpo de Helga que antes parecia em chamas agora era gelo. Agora o calafrio que percorria o corpo não era bom. Uma buzina. Helga empurrou Arnold para longe e esticou a cabeça para a janela, sim era Torvald. Arnold estava assustado, meio sem reação. Helga colocou a camiseta, juntou as roupas da Arnold e empurrou junto com ele para dentro do closet e trancou a porta. Ouviu Torvald subindo pela escada de incêndio. De uma maneira inacreditavelmente rápida Ela vestiu a calcinha e o jeans, fechou o botão do Jeans.
–Hey Helga!
Seu coração estava disparado.
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