Pulsação

14 Back to Black


Notas iniciais
Primeiro queria explicar para vocês o que aconteceu comigo pra demorar tanto. Primeiro que o último capítulo postado foi em dezembro, o mês mais agitado do ano, principalmente no meu emprego. Então veio janeiro e eu fui promovida, EBA!, mas vieram milhões de responsabilidades e problemas. Veio fevereiro e eu entrei de férias, gente fiquei viajando e curtindo, haha. Além de tudo isso estou sem meu notebook... Tudo parece conspirar contra mim, hahaha. Esse capítulo de hoje está talvez meio confuso, mas acho que é porque minha cabeça está confusa em relação à estória. Enfim, apesar de tudo por favor leiam e amem, hahaha

A garota mal conseguia respirar. Torvald estava sentado ao seu lado em sua cama e Arnold trancado dentro de seu closet. Estava torcendo para que Arnold não fizesse nenhum barulho até ela pensar em algum jeito de tirar Torvald dali. O moreno a puxou pela cintura e começou a beija-la, ela só conseguia lembrar de Arnold a beijando e a sensação era terrível. Estar com um pensando em outro. Ela se afastou dele e ficou de pé, pisou em algo no chão, olhou rapidamente, era a carteira de Arnold ainda aberta e o pacote de camisinha aberto.

–O que é Helga? Está estranha – A garota tentava ignorar o frio na espinha e chutou a carteira para debaixo da cama.

–Estou... Cansada – Era mentira, a adrenalina era tanta que ela não conseguia relaxar, muito menos se dar ao luxo de se sentir cansada. Ele puxou-a para o colo dele

–Quer dormir um pouco? – A pergunta seria gentil se não fosse o tom de malícia em sua voz

–Não. – falou como criança manhosa.

Ele gentilmente deitou a loira na cama e deitou-se sobre ela, beijou seu pescoço e então sua boca. Ela não conseguia se concentrar no beijo, precisava tirar T. dali, mas ele queria uma coisa e ela só conseguiria tirá-lo dali quando ele conseguisse o que queria. Mas Arnold estava ouvindo... Céus, Arnold estava ouvindo. Helga empurrou Torvald lentamente

–O que foi Helga? – Ele falou começando a se irritar

–Estou tonta... – falou com a voz arrastada – estou sem comer desde... desde – Helga não conseguia lembrar qual tinha sido sua última refeição, ela realmente deveria estar tonta.

–Quer que eu traga alguma coisa?

–Sim! – falou empolgada demais. – Estou realmente faminta. – Falou apertando o estômago que agora roncava, como se ter falado nisso tivesse relembrado que ele estava vazio.

–Helga ouvi uns barulhos aí em cima, o que está acontecendo! – A voz e Big Bob estava próxima demais para que qualquer coisa fosse feita

–Ai meu deus – foi tudo o que a loira disse antes que big bob abrisse a porta e desse de cara com Torvald. Torvald: a definição daquilo que todos os pais odeiam. Jeans rasgado, coturnos, jaqueta de couro, bandana na cabeça, atitude de Bad Boy e o pior de tudo, estava às escondidas no quarto de sua filha.

–HELGA GERALDINE PATAKI

–Big Bob! Pai... – Ela chamou com a voz fraca. Sentiu as pernas tremerem. Arnold estava dentro do Closet, Torvald estava deitado na cama dela.

–Saia da minha casa seu marginal, agora – Big Bob falou num tom de voz que raramente era usado, era raro Big Bob falar baixo.

Helga sentiu o corpo todo gelar e queria sair correndo junto com Torvald, qualquer coisa seria melhor o que ouvir o que o pai tinha a dizer. Torvald rapidamente se levantou da cama e quando ia se aproximando da janela a garota o pegou pelo braço e puxou para perto do porta do quarto. Torvald nunca tinha visto nada da casa de Helga fora o quarto dela. O garoto saiu do quarto e desceu correndo as escadas, assim que ouviram a porta da frente se fechar pai e filha se encararam por um segundo. Helga pensou que já tinha o visto furioso da última vez quando ele deu-lhe um tapa na cara, mas aquele dia não se comparava a expressão que ela via agora. Tudo aconteceu tão rápido que Helga nem teve tempo de desviar, Big Bob deu dois tapas em Helga, um em cada lado do rosto. Saiu do quarto gritando “como se não bastasse todos os problemas que eu tenho, preciso lidar com uma filha vagabunda.” A palavra vagabunda parecia uma facada, Helga caiu no chão derrotada, não conseguia chorar, não conseguia fazer nada. “Helga” sussurrava uma voz distante. Arnold! Helga trancou a porta do quarto e correu para tirar Arnold do Closet.

–Desculpe Arnold!

–Oh Helga – O olhar de pena era pior, saber que ele ouviu tudo era terrível

–Por favor, não tenha pena. Eu devia estar acostumada com isso já – Ela se distanciou dele e sentou na cama

–Não Helga, ninguém tem que se acostumar com isso! – Arnold sentou ao lado dela

–Arnold por favor, eu lido com isso desde que eu nasci. A diferença é o motivo, antes era a comparação com a minha irmã perfeita a Olga, agora é a comparação com uma vagabunda. – A voz dela não soava nada triste, apenas cansada. – Está na hora de você ir Arnold

–Não acho que você deva ficar sozinha agora Helga

– Sério Arnold, já tive problemas com um cara na minha casa não preciso de dois. Meu pai não precisa saber do meu problema com dois caras. – Ela não sabia se era errado falar isso ou não.

–Você trancou a porta, qualquer coisa eu volto para o closet – Arnold falou brincando, mas parecia que Arnold estava pedindo para voltar pra lá, assim que o garoto falou ouviram a buzina da moto de Torvald.

–Esse dia nunca mais vai acabar! – Helga se esticou para olhar pela janela, T. já estava subindo as escadas, olhou para trás para mandar Arnold pro closet e não o viu, ele já tinha entrado lá.

–Ele foi muito duro com você? – Torvald perguntou falando baixo assim que entrou no quarto

–Não, reagiu como o planejado. Mas acho que seria bom você ir embora, não precisamos de mais problemas por hoje

–Mas nós adoramos problemas Helga, luv. – Ele a segurou forte na cintura e puxou-a para perto, estava com sua cara de garanhão safado.

–Não T. – Ela desviou o rosto

–Vamos Helga luv, vamos aproveitar o momento – Ele apalpou a garota – Estou com saudade

–Não...

–O que aconteceu? Você não disse que estava comigo? Cadê a Helga do casebre? Ou é o lugar que te deixou com todo aquele fogo? – Ela sentia que seu rosto estava vermelho, sentiu vergonha ainda mais por saber que Arnold estava ouvindo

–Nada aconteceu – Ela se aproximou para dar um selinho nele, mas ele transformou num beijo intenso. Helga não podia parecer indiferente a ele, tinha acabado de lhe dizer que gostava dele e queria ficar só com ele, mas Arnold... Arnold estava ali esperando por ela, pacientemente esperando por ela. Não Helga! A decisão inicial era terminar com Arnold e ficar com Torvald! Helga passou os dedos por entre os cabelos castanhos de Torvald e deu um puxão. Mordeu o lábio dele tentando deixar as coisas mais quentes, mas então pensou em Arnold esperando por ela e amoleceu, soltou Torvald. – Desculpe T. ainda estou com muita fome, não consigo me concentrar.

–Pegue algo pra comer, eu espero – Ele continuava com cara de tarado. Helga precisava tirar ele dali e precisava comer.

–Me trás alguma coisa, não tem nada aqui!

–Não Helga... Acabei de voltar. Deve ter alguma coisa em casa – Ele sentou na cama

–Não tem nada Torvald, por favor... Quando você voltar continuaremos – ela pediu e tentou fazer uma cara sexy que pareceu funcionar, pois ele levantou da cama

–O que quer Helga? – Ponto pra mim, Helga pensou

–Qualquer coisa! Estou faminta! O que tiver aqui por perto pra você não demorar, luv – Helga tentou imitar as expressões e apelidos que ele tinha usado

–Ok Helga, volto logo. – Ele a beijou rápido e deu um apertão no bumbum. Poucos segundos depois a porta do closet se abre vagarosamente

–Pode sair Arnold, vá logo antes que acabe dormindo neste closet – Helga estava cansada de ficar nervosa o tempo todo.

–Você realmente o escolheu Helga... Eu estou aqui, esperando por você, me escondendo e ele é quem dorme com você. – Arnold também estava cansado e irritadíssimo. — Helga do casebre! Cheia de fogo! Helga luv, só vou buscar algo pra você comer se eu puder te comer depois! – Falou tentando imitar a voz de Torvald.

–Arnold... – Helga estava envergonhada e ao mesmo tempo com o coração apertado, ver Arnold naquele nível de irritação era raridade

–Não Helga! Você comigo é frágil, é meiga, doce! Com ele é cheia de fogo, cheia de fazer chantagem. “Nós gostamos de problemas” – ele repetiu. – Eu não sei quem você é!

–Arnold! – Ele a tinha irritado. – Você não pode me julgar! Eu sou com ele do jeito que eu quiser ser!

–Faça o que quiser. Você que sabe Helga – foi a última coisa que ele disse antes e sair pela janela.

Arnold estava irritado, Helga estava cansada, irritada e com fome e ainda teria que dar a Torvald o que ele queria. O dia tinha sido tão agitado que Helga não tinha nem tido tempo para sentir fome, nem sequer refletir no que tinha acontecido. Primeiro prometeu a Torvald que ficaria só com ele, depois foi até Arnold para lhe contar a decisão, Arnold correu atrás dela pra dizer que gostava dela desde criança, Helga amoleceu, Torvald apareceu e quase pegou Helga com Arnold depois de prometer exclusividade. Helga sentou na cama e suspirou cansada. O que ela sentia por Arnold era forte demais para ser ignorado e deixado de lado, mas não conseguia ficar longe de Torvald também. Mais rápido do que um jato T. já estava de volta. Trouxe para Helga um cachorro quente, ela comeu tão rápido que até Torvald se assustou.

Helga deu a Torvald o que ele queria, mas desta vez ela não parecia querer tanto. Estava meio distraída, talvez fosse o estresse. Dormiu com T. a abraçando, mas a última imagem em sua cabeça antes de dormir era o rosto de Arnold.

Pela manhã quando terminou de se arrumar foi pegar os tênis embaixo da cama e sentiu algo mais lá, a carteira de Arnold e dois pacotes vazios de camisinha. Como foi que ela chegou nisso? Dois garotos numa só noite! Jamais imaginou que isso aconteceria em sua vida, jamais imaginou que fosse ficar tão dividida. Ouviu a buzina de T. soar, jogou tudo dentro da bolsa e foi para o colégio com Torvald.

Entraram no colégio dominantes e de mãos dadas, toda sua confiança parecia restaurada de um dia para o outro. Ainda haviam olhares em direção a eles, incluindo Arnold. A garota tentou olhá-lo, ver sua reação, mas Torvald não deixou e a puxou para longe dele. Ela ignorou a grosseria de Torvald e continuou andando para seu armário, ela se sentia ainda culpada e não brigaria com T. Ele a seguiu entre as aulas, como se estivesse querendo ter certeza de que Arnold e Helga não se falassem, mas era inevitável.

Na última aula do dia eles estariam na mesma sala e Helga correu até ele assim que o viu. Remexeu a bolsa para pegar a carteira do loiro, se atrapalhou toda e ao tirar a carteira de dentro da bolsa um dos pacotes de camisinha caiu no chão. Helga soltou a bolsa no chão para que caísse em cima do pacote, Arnold guardou a carteira e correu para sentar-se no fundo, Gerald e outros garotos se juntaram ao redor dele. Ela sabia que alguém havia testemunhado a cena, mas estava torcendo para que não abrissem a boca.

Ao final da aula Helga se apressou para tentar falar com Arnold, precisava fazê-lo antes que ele saísse da sala.

–Arnold! – Ele estava quase saindo

–Sim? – Ele se virou para ela

–O que há contigo?

–Nada, eu apenas sei quando perdi – ele falava sem emoção nenhuma na voz

–Perdeu? Você não perdeu nada!

–Como não? Quem está lá fora te esperando?

–Torvald – ela respondeu baixo

–Quem dorme com você? Quem você ama? – Ela não conseguiu responder e ele não esperou resposta, apenas saiu da sala

–Arnold – ela chamou novamente, o seguiu para fora da sala e viu que T. estava à sua espera.

–Eu já entendi, as coisas serão como antes quando nem amigos éramos. – Arnold se foi, Torvald sorriu e Helga ficou ali parada como um poste.

Como se nada tivesse acontecido ela foi para o casebre depois da aula. Sid, Kate, Jake, Leo, Torvald e Helga bebendo e falando sobre shows. A temporada de shows começaria no próximo final de semana, estavam todos muito empolgados planejando os encontros de fãs, como sempre fora, a diferença era que Helga não estava tão empolgada. Ela estava no casebre, Arnold com os amigos, como se os últimos dias tivessem sido apenas um sonho.

Notas finais
Comentem e me avisem os erros de ortografia e/ou de coesão.