Psychosocial
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Sorry pela demora mais uma vez.
Ameei os reviews do cap. anterior, sério. Obrigado por eles.
♥
xx
Capítulo 15
A fachada daquela casa era incômoda depois de muito tempo sem visitá-la. Sem precisar pedir permissão, o porteiro abriu o grande portão automaticamente, com um sorriso de lado — provavelmente já estava esperando minha vinda.
A cada metro que aquele pneu ia se aproximando do meu futuro lar, mas aquela sensação de enjoô ia aumentando. Eu ainda tinha que descobrir com aquela infernal mania de sentir enjôos tinha se instalado no meu estômago toda vez que eu me aproximava de qualquer coisa que fosse, ou até mesmo do próprio Corey Taylor. E como tinha sido avisado por Andy, lá estava ele com os braços cruzados na altura do peito, me esperando na porta de entrada da sua mansão.
Respirei fundo, colocando meus óculos escuros. Não queria que visse a insatisfação tão indiscreta em meus olhos.
- Eu esperava enxergar uma mulher com muitas malas, ao invés dessa bolsa. — ele apontou para uma pequena daquela que eu carregava. Arqueei minhas sobrancelhas, deixando um riso debochado se esvair.
- Se você acha que eu vou me dar ao trabalho de tirar aquelas malas do carro sozinha, pode esquecer. Aliás, onde estão os empregados? Isto não é uma das finalidades muito bem dedicadas de um noivo rico? — passei por ele indiferente, sem analisar sua face com certeza incrédula.
- Acho que posso me acostumar de novo com sua bipolaridade. — disse por fim, se sentando no sofá a minha frente.
- Se eu terei que me acostumar a olhar sua cara todos os dias de novo... É o mínimo que pode fazer.
- Mas, talvez você pudesse remediar nas patadas.
- Não espere isso de mim.
- Eu sei que não... É só um pedido.
- O que deve ter consciência de que não será atendido.
- Bom, acho que podemos sim fazer alguns pedidos, não é mesmo? Temos que reaprender a conviver juntos, e já que você — extremamente ao contrário de mim — não está nem um pouco interessada em saber, ou até mesmo analisar como será nossas vidas de agora em diante... Que tal deixarmos algumas coisas claras?
- Claro, pode começar.
- Você podia usar a aliança? — ele apontou para as minhas mãos. — Eu só acho que me daria uma sensação melhornse a visse usando-a.
- Vou pensar. — sorri torto, o escutando bufar. — Minha vez. — ele fez sinal positivo para que eu continuasse, o que eu não pude fazer menção de demonstrar insegurança. — Quero um quarto só pra mim. — ele franziu o cenho, deixando um riso alto lhe escapar em seguida.
- Você é a minha noiva. Nunca!
- Eu sou sua noiva dentro dos seus conceitos rídiculos! Teve que chantagear uma mulher para aceitar sem pedido de casamento, o que na verdade eu não aceitei, mas já que eu prefiro comer e dormir em um lugar mais agradável do que uma cela de penitensiaria feminina, eu decidi me mudar pra cá. Então no todo de toda essa situação, tecnicamente, eu não sou sua noiva de verdade... E se realmente quer que eu more com você, um quarto particular, e muito bem arrumado de preferência.
- Você acha mesmo que eu vou ceder aos seus pedidos, Divisio? Você está se esquecendo da nossa conversinha, hum? — ameaçou — Como um cachorrinho terá que obedecer as minhas vontades, independente se concorda com elas ou não.
Engoli um seco, mas imediatamente reuni toda minha coragem de volta, esboçando um sorriso sacana de lado. Ele queria estar no controle, mas eu nunca, nem de longe deixaria ser colocada a nível mais baixo com o qual eu nunca estive. Se ele queria ganhar as coisas do jeito mais fútil, eu também iria ganhar as minhas do mesmo modo. Apesar de ainda ter inseguranças visíveis enquanto aquele rapaz que tentara me enforcar dentro da minha própria casa, eu não iria deixar meu interior ser banido por suas ameaças. Eu precisava além de tudo me manter firme, porque se eu vacilasse as coisas só se tornariam piores, bem piores do que já estão conseqüentemente.
- Bom, Corey... Taylor. — enfatizei seu sobrenome, retirando meus óculos com um sorriso brincando inconseqüente nos lábios. — Então acho que terei que aproveitar uma estadia de longo prazo na prisão.
Ele imediatamente arregalou os olhos, deixando seu queixo cair lentamente. Assim como eu mesma estava incrédula diante daquelas palavras que saíram no automático de minhas cordas vocais. Levantei-me recolocando as alças de minha bolsa nos meus braços, assim como as lentes escuras.
- Terá um quarto só pra você. — disse, controlando seu tom de insatisfeito e derrotado.
- Ótimo.
Voltei a me sentar no sofá, acendendo um cigarro dessa vez e vendo-o segurar a raiva num punho fechado. Ele tinha suas estratégias, e eu tinha criado as minhas. O jogo de chantagem não era só dele, pelo menos até agora. É claro que só de pensar em uma cela, um calafrio de extrema repugnância percorria toda minha espinha, mas — apesar de ser rídiculo imaginar o quão doentio aquilo estava se tornando — era o que precisávamos para ter o que queríamos. Ele me tinha em sua casa e com um anel de noivado no dedo. Eu tinha minha liberdade longe dele — mesmo que fosse a pequenos metros de distancia, eu não teria que sentir seu corpo ao meu lado durante a noite.
Ele se retirou da sala, analisando o chão impecavelmente encerado.
- Suas malas, senhorita Divisio. Já posso as levar para o quarto do Sr. Taylor? — um dos empregados perguntou enquanto arrastava as duas enormes malas de rodinhas que pertenciam a mim.
- Não, em outro. Mas que seja o melhor! — falei com uma alegria, particularmente, falsa. O rapaz arqueou as sobrancelhas e quando fez movimentos nos lábios para me responder, Corey reapareceu.
- Pode fazer o que ela pediu, Arthur.
O rapaz assentiu ainda com o semblante confuso. Corey me encarou com raiva — o que era esperado que fizesse por um bom tempo.
- Uma amiga minha virá jantar conosco. Ela está empolagada para conversar com você sobre o casamento. Espero que seja educada, querida. — ironizou.
- É claro que eu vou ser. Aliás, como sua noiva agora, eu estive pensando... Preciso de compras, entende? Coisas de mulheres. Seria ótimo se você me desse como presente de noivado um dia só de compras. — provoquei, vendo-o cerrar os olhos.
Eu só queria acabar com sua paciência. Eu precisava de algum modo para descontar todo aquele incômodo que sua presença agora me dava. Eu não sabia por quanto tempo iria durar, ou se iria passar alguma hora, mas aquelas paredes haviam se tornado minha gaiola por conseqüências — quais eu querendo ou não, eram por minha culpa — e ainda não estava pronta para perder a minha liberdade, por mais que eu tentasse manter tudo sobre controle.
Vozes gritavam por socorro dentro de mim, era como se minha alma estivesse dilacerando meu corpo inteiro, arrebentando minhas entranhas enquanto meu rosto impalidecido era oco de emoções. Eu só iria deixar que aquela face de perdedora aparacesse dentro de quatro paredes, e foi exatamente isso que aconteceu quando adentrei aquele quarto lilás. Deixei-me cair ao chão, analisando as paredes ao meu redor. Eu só queria que elas caíssem finalmente, e que aquela pessoa simplesmente sumisse, como se nunca tivesse existido.
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