Psychosocial
17 Capítulo 16
Notas iniciais
- Psychosocial conseguiu chegar a 100 reviews;
Agradecendooooo muitissímo, e até mesmo sem palavras a todas vocês que escrevem naquela caixinha de texto lá em baixo. Isso é muito gratificante para mim, e vocês nem imaginam o quanto me empolga. Muitoo obrigada. *-*
E como presente para todas vocês, cap. mais cedo.
Façam uma boa leitura!
xx
Capítulo 16
– Você vai me atrasar, Emily. — Corey falou aparecendo na sacada da escada enquanto ajeitava os botões de sua camisa preta. Não respondi nada, no entanto, não estava acostumada receber ordens. Eu só queria ir ajudá-lo com aquela camisa, enrolá-la em seu pescoço com todas as minhas forças até que o ar não lhe sobrasse mais. Chacoalhei minha cabeça para tentar afastar todo aquele instinto assassino que de uns dias pra cá haviam se instalado exageradamente em minha cabeça — mais que o normal.
– Corey eu não vou. — respondi, vendo-o parar o que estava fazendo para me encarar.
– Como assim não vai? Ela é minha amiga, Emily.
– Sua... não minha.- acendi um cigarro escutando seus passos apressados descerem a escada. Uma de suas mãos arrancou o cigarro de minha boca e o jogou longe. Logo após, procurou pela carteira do mesmo pela enorme mesa de centro a minha frente, e quando a achou destroçou todos os rolos de papel com as próprias mãos, violentamente.
– Te dou cinco minutos para se arrumar. — me ameaçou. Levantei-me e me aproximei de seu rosto, deixando minha boca a milímetros de distancia da sua.
– Me faça. — desafiei inconseqüente.
Ele agarrou um de meus braços, e sem fazer muita questão de medir suas forças saiu me arrastando pela sala, me fazendo tropeçar pelos degraus que eu não conseguia perfeita concentração para subi-los decentemente.
– Se você está pensando que pode me desafiar, Emily, eu acho muito bom que comece a engolir esse seu veneninho que comigo não funciona. Já falei e repito: Cinco minutos para se arrumar, e espero que faça isso direito.
Ele me jogou para dentro do quarto, e sem esperar que ele terminasse aquela merda de discurso bati a porta em sua cara, escutando seus gritos estressados infectarem meus ouvidos.
Uma mancha esverdeada estava aparente em meu braço, conseqüente de sua força aplicada. Qual eu nunca vira com intensidade sobre mim.
°°°
– Pode entrar. — falei ao escutar três batidas na porta do quarto em que eu tinha me instalado. Ficava de frente para a piscina do quintal muito bem distribuído ao terreno sóbrio da parte de trás da mansão. As janelas grandes e antigas eram cobertas por persianas beges. As paredes roxas dava uma iluminação exótica no lugar, o que na verdade era muito bom de se ver pela manhã.
– Trouxe sua roupa, senhorita Divisio. — escutei uma das empregadas de Corey dizer, estendendo-me um tecido preto.
– Minha roupa? — franzi o cenho, tomando de seus braços a peça. Era um vestido curto preto, tomara que caia. Prada. Corey. — Ah sim. Muito bem. Obrigada...?
– Katheleen.
– Obrigada Katheleen. Agora pode ir. — a moça assentiu e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Encarei o relógio em cima da cabeceira de minha cama, faltavam poucos minutos para o jantar com Lindsey Marie Smith, segundo o próprio, uma grande amiga de Corey. Estava disposta a me ajudar com os preparativos do casamento, qual eu não estava nem um pouco interessada em tomar conta, aliás.
Analisei o vestido sobre a poltrona existente. Corey e suas manias ridículas de querer me vestir. Abri uma mala por ali mesmo — qual eu ainda não tinha desfeito — e procurei por qualquer peça que não fosse a que ele tinha escolhido. Um vestido azul celestial curto, com mangas de três quartos iria ser perfeito — além de esconder o hematoma causado em meu braço.
Entrei em um banho calmo, deixando que a água caísse sobre o meu corpo lentamente, amortecendo todos os meus músculos — quais pareciam cantar glória embaixo do banho morno.
– O que pensa que está fazendo, Emily?- escutei a voz alterada de Corey do outro lado da porta, que também era esmurrada por suas mãos.
– Estou tomando banho... Isto que estou fazendo.
– Mas ela já chegou!
– Então não deixe nossa convidada sozinha, querido. — provoquei irônica.
– Vai pro inferno, Divisio! — escutei a porta do quarto ser fechada violentamente, então.
Vesti agilmente o vestido que deixava um decote comportado na frente. Como sempre, pintei meu corpo com um creme de frutas vermelhas. Sequei meu cabelo para que então eu pudesse fazer um coque mal feito depois.
Desci a escada sem pressa, sem me importar se estava ridiculamente atrasada ou não. Os encontrei na sala então, sentados, conversando e bebendo empolgados. Corey quando me viu descer os ultimos degraus, lançou um olhar um tanto significante demais — qual tinha sido apenas para ele, porque o meu maior trabalho foi apenas ignorar.
– Demorei muito? — perguntei irônica, encarando a mulher de cabelos loiros falsos sentada no sofá. Quando me viu, rapidamente se levantou, sorrindo abertamente.
– Você deve ser a Emily! Não demorou nada, querida. Não se preocupe. — me abraçou. Aproveitando a visão contrária da mulher, Corey sibilou um "eu te mato". Revirando os olhos, rapidamente sorri para a moça que voltou sua atenção a mim.
– Você é muito linda, Emily. Bem que Corey me disse.
– Ah, ele te disse? — perguntei sentando-me no sofá com ela. Corey como quem quisesse fugir daquele assunto, deu a desculpa que iria buscar uma taça para mim.
– É, ele disse e muito mais. Nossa! Qualquer mulher se derreteria ao ouvir tantos elogios vindos de um homem.
– Depois você me fala mais sobre isso então.
Ela piscou, fingindo sigilo enquanto ao assunto quando o mesmo voltara para a sala. Estendeu-me um taça cheia de champagne, lançando-me mais uma vez um daqueles olhares significativos.
– Então Lindsey, o quê você faz? — perguntei fingindo interesse.
– Eu sou promotora de eventos. Por isso me ofereci para ajudar com o casamento de vocês, além de ser uma honra preparar o casamento de um amigo meu, é claro! — disse lançando um olhar singelo para Corey, que retribuiu com um sorriso breve.
°°°
– Quais são suas preferências para flores, Emily? — a moça perguntou já no auge do assunto sobre o casamento. Já tinhamos jantado e voltado para a sala, onde pequenas xícaras de café estavam sendo servidas.
– Eu não gosto de flores. — Corey pigarreou forte, esperando minha pseudo-educação que ele conhecia muito bem. — Quer dizer, elas me dão alergias, por tanto não sei muito bem a respeito. — contornei gentilmente.
– Entendo... Então depois nós falamos sobre isso. Até mesmo se me disse qual a preferência para cores, posso fazer um bom trabalho. — assenti.
Quando vi já era quase meia-noite. Ela ainda tagalerava coisas como buffet e local de festas, mas a minha mente estava dispersa a qualquer palavra emitida por sua voz enjoativamente aguda. Corey se mantinha em silêncio, apenas obervando, ou até mesmo ignorando como eu. Uma de suas mãos — como costume quando estava se sentindo incomodado — foi sorteada para ser elevada as suas têmporas. Seu maxilar já sustentava suas musculaturas tensas, e seus lábios numa curva reta davam ênfaze a sua expressão de tédio.
– Vocês me dão licença, preciso ir ao banheiro. — ela anunciou, se levantando logo após. Quando sumiu pelos corredores, Corey deixou um suspiro alto lhe escapar.
– Estou morrendo de tédio! — confessou, revirando os olhos e se largando no sofá.
– Que isso, Corey. Ainda nem começamos a falar sobre o vestido, sua roupa, as comidas... Nossa, é claro, os padrinhos! — falei em tom irônico, o fazendo afundar o rosto no meio das mãos. Meus lábios se entortaram num sorriso satisfeito por seu arrependimento em relação aquele jantar. Corey cerrou os olhos em minha direção, e fez uma careta — quase que indiscreta — quando a voz de sua amiga voltou soar pela sala. Mas ao invés de nos afundarmos ao tédio mais uma vez, gritamos interiormente ao ouvir:
– Preciso ir. Está tarde. — ela explicou atenciosa. Levantei-me e a abracei amigavelmente. — Quando tiver um tempo melhor, Emi, peça para Corey me ligar e assim a gente conversa melhor sobre tudo.
– Pode deixar, querida.
Deixei que Corey fizesse a honra de acompanhar sua amiga até o carro.
Tirei os sapatos tendo a leve ilusão de ter escutados meus pés cantarem em agradecimento. Minhas costas foram pousadas sobre o estofado macio do sofá, e minha mente pode descansar por breves segundos — estes que foram curtos antes de escutar a porta de entrada ser fechada precisamente. Fechei meus olhos, ignorando os resmungos de Corey enquanto a sua dor de cabeça. Naquela altura a minha era mais atormentada que qualquer outra. Não só pelo fato de estar li novamente, morando em sua casa, mas também pelo principal fato de que eu passara horas falando sobre um casamento que eu não queria que acontecesse.
Levei um susto ao sentir um peso sobre meu corpo. Abri os olhos subitamente, me deparando com suas íris azuladas. Uma de suas mãos acaracíavam minha bochecha suavemente, como se elas fossem quebrar apenas com o contato. Seus olhos, como sempre fizeram, analisavam cada detalhe de minha face.
– Sai de cima de mim, Corey. — falei ríspida, com as mãos repreensivas espalmadas sobre seu peito forte, num gesto totalmente inútil de tentar empurrá-lo. Como fosse esperado que acontecesse, ele me ignorou e desceu sua mão até meu pescoço, o que sem sombras de dúvidas me fez ecoar imediatamente — mesmo sendo impossível. Eu estava totalmente imóvel com seu corpo por cima do meu naquele pequeno espaço que tínhamos.
Ele por sua vez, percebeu o ato e franziu o cenho.
– Corey... Para. — pedi com a voz falha ao sentir seus lábios em contato com meu pescoço. Desta vez beijando-o com mais suavizes, diferente das vezes que o buscava tomado pelo prazer.
– Eu te machuquei, não foi? — ele perguntou com a voz ainda meio abafada ali. Preferi o ignorar, assim como eu tentava ao máximo fazer também com aquelas cargas elétricas que seus lábios causavam pelo contato direto com a pele sensível de meu pescoço. Ainda relutante, pedi com a voz inaudível que ele paresse imediatamente o que estava fazendo, sentindo o mais novo bolo em meu estômago.
– Corey... Eu não estou me sentindo muito bem. ME DEIXA! — gritei dessa vez, o fazendo me encarar com os olhos assustados. E como se aquele bolo em meu estômago tivesse sido transferido para ele, como uma doença contagiosa, ele rapidamente saiu de cima de mim, contorcendo o rosto em descontentação.
– Você é uma vadia, Emily! Me usou,e agora toda vez que eu me aproximo se sente mal! — ele gritou ainda mais potente que minha voz anteriormente.
No auge das escadas me virei, o encarando logo no começo, com os punhos fechados.
– Corey, você fez as suas escolhas. Não era pra ser assim... Não era pra ser nada assim, entende? Eu sei quem você é, e você sabe muito bem quem eu sou! Porque está fazendo isso?
– Por causa de você, Emily! — sua voz se alterou mais uma vez. Ele praticamente se jogou no ultimo degrau, sentando e segurando seus cabelos, nervoso. Ele estava mais uma vez descontrolado, e antes que qualquer surto o fizesse agarrar meu pescoço maniacamente mais uma vez, me dirigi ao meu quarto, trancando a porta atrás de mim.
Minhas pernas vacilaram — gesto que haviam tomado costume. As minhas mãos eram tomadas por uma tremedeira desconhecida por mim até então. O vestido que eu usava havia encontrado jeito em qualquer espaço daquele chão mórbido. Meu corpo havia se conectado com o frio daquele pedaço de piso tão perfeitamente, que por um segundo foi possível imaginar que minhas pulsações não existissem. Estava se tornando tudo tão doentio... Sua obsessão estava me sufocando, e eu não tinha saída ao não ser aceitar sua doença — antes prazerosamente igual a minha. Não éramos mais os mesmos. Nossa sintônia havia sido assassinada tão tragicamente quanto nossas vítimas. Não existia mais química entre eu e ele, mas mesmo assim insistíamos em mentir para nós mesmos para manter o controle. Eu pensava que meu coração era escuro demais pra se importar, mas agora que eu tinha toda a obsessão de uma pessoa que tinha sido um tanto duradoura demais do que todas as outras que passaram por minha vida, eu me sentia responsável por todo o desastre que havia acontecido desde o momento em que eu aceitara um convite. Eu o tinha deixado dar seu afeto... Eu não precisava, mas deixei. E agora estava tendo que arcar com as conseqüências. E eu não tinha experiência nesse ramo da vida.
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