O cheiro de carne queimada já inundava o terreno baldio, Mary nunca queimava seus equipamentos e roupas no mesmo lugar onde se encontrava o cadáver. Ela o assistiu virar cinzas, uma combinação bonita com as primeiras luzes da manha, e assim que o fogo se esvaeceu retirou os ossos que não queimaram. Guardou-os junto com as luvas, a peruca e as lentes numa mochila, trocou de roupa e foi caminhando para casa. Passou pela praça central, pelo centro comercial e adentrou no subúrbio, como se a cidade inteira já não fosse um. O Subúrbio acabava num penhasco para o oceano, e foi ali que Mary jogou os restos de Adam. Encontrou um barriu de metal velho e de aparecia não convidativa e queimou as luvas, suas roupas e a peruca, talvez ela usasse as lentes mais tarde.

Desceu a alameda e foi para casa, era um longo caminho, afinal Mary morava na parte nobre da cidade, as margens da praia, onde é muito bom de se morar, mas os imóveis são tão caros que podem te levar à falência.

Algum tempo depois chegou a sua casa, estava tudo quieto, ela ao menos esperava a TV alta demais para que seu pai ouvisse, ou os passos dos saltos de sua mãe. Mas não havia nada. Ela entrou em casa e, nada. Estava tudo como deveria estar sem tirar nem por. Não havia um único grão de poeira fora do lugar

–Mãe? – Disse Mary. – Pai?

Rodeou por toda a casa, mas não os achou, o carro ainda estava na garagem, as chaves na bancada da cozinha, assim como suas carteiras.

Seus pais nunca saiam, pelo menos não sem deixar um recado ou telefonar. Não era de sua natureza. Até que um pensamento chocou-se contra o peito de Mary e ela percebeu enfim.

Eles sumiram, desapareceram.