Ela sorria, e era claro que estava sendo irônica, pois a lua ainda brilhava adentro do quarto. Quarto?

Ele percebeu que estava em uma casa, seminu e acorrentado na cama que ameaçava cair aos pedaços. A casa estava em ruínas, era abandonada. Mary sabia o que estava fazendo: Uma casa abandonada, no meio de uma rua com alta criminalidade, repleta de desmanches e com vizinhos pouco se importando com o que acontece ou deixa de acontecer na vizinhança, um assassinato ali seria comum.

–O que é isso? Tire-me daqui. Tire-me daqui. – Ele se contorcia tentando se libertar, mas era inútil.

Mary estava sentada em uma poltrona velha com as molas aparecendo. Ela tinha algumas ferramentas em uma mesa ou seu lado, estava com luvas que vinham até o cotovelo.

–Hora de acordar, querido. – Ela nem ao menos piscava ao olhar para Adam. – Ou você quer perder toda a diversão? Olhe para fora. –Ela se levantou e foi até a janela. – A noite não está linda? As estrelas, a lua, tudo está perfeito.

Mary amava a lua, poderia ficar horas e horas apenas a observando, a admirando. Mas ela não tinha tempo para isso, teria que cometer um assassinato.

–Hm, com que brinquedinho eu começo? – Ela perguntava a si mesma passando a mão levemente por suas ferramentas, e agarrou um pequeno e afiado bisturi. – Então Adam, que tal um pequeno joguinho?

–J-Joguinho? – Ele estava com muito medo. Mas que vergonha, um homem que dizia tão imponente, tão forte com medo de uma pobre e pequena menininha que mal consegue carregar um corpo de 95kg escada acima?

–Sim meu amor, um joguinho. E está são as regras. – ela sorria e girava o bisturi na mão. – Se você gritar ou se debater sofrerá conseqüências muito, muito dolorosas.

–Por que está fazendo isso comigo? O que eu fiz a você?

–Não sei querido, mas se você foi um bom menino, não precisa ter medo. – Ela piscava os olhinhos como uma criança almejando um doce. – Mas você não foi um bom menino, ou foi?

Adam não teve nem tempo para aclamar por misericórdia, e mesmo se aclamasse, Mary não era – Nem de longe – misericordiosa. Ela colocou toda a sua força e afundou o bisturi em seu abdome definido.

Tudo ficou preto para Adam, o que lhe dava tempo para pensar por que estava ali e o que fizera para merecer isso. Você deve saber que, na maioria dos casos, as pessoas que fazem o mal acreditam que aquilo é um bom feito e que suas atitudes não são consideradas amorais ou chulas. E talvez isso não se aplique só à Adam.

Quando Adam abriu os olhos, com desespero e angustia. Percebeu estar enfaixado e seu rosto suavizou-se. Mary percebeu naquele instante que ele não tinha remorso ou mesmo vergonha do que um dia chegou a fazer, o que a deixou enraivecida.

–Você sabe que nosso jogo ainda não acabou, não sabe? – Disse com a voz determinada e impactante.

Adam balançou a cabeça suplicante.

–Não, não acabou. – Ela sorriu. – Mas eu gosto que minhas vitimas estejam acordadas durante o processo.

Mary foi até a mesa de ferramentas e pegou um maçarico.

Adam abriu a boca para gritar.

– A regra ainda está valendo, querido. Não sei se você sabe como é ter a pele queimada, uma experiência interessante devo admitir. Quando o fogo toca a sua pele, tudo o que você sente é gélido, não é doloroso nos primeiros milésimos de segundo, porém o fogo está te queimando, queimando toda a sua pele, levando às cinzas tudo de você. E então você sente o cheiro de carne passada e vê que sua pele, como um leproso, está destroçada. – Ela liga o maçarico. – Bom você vai saber do que eu estou falando.

E começou a queimar partes aleatórias de Adam.