O sol se afundava no horizonte, o céu se tornava rosa alaranjado e coloria as arvores ao longo das ruas. Para Mary esse era seu melhor momento, ela tinha tudo o que precisava, agora só bastava achar uma vitima. Era cuidadosa, não deixava rastros em seus tantos assassinatos, ela amava fazê-los, pois era como um bem há humanidade, ela se sentia como uma heroína dos quadrinhos, embora muitas vezes não parecesse.

Durante 4 anos, em algum lugar do mundo, Mary Leeds seqüestrava, torturava e matava pessoas friamente, estes inocentes, ou nem tanto. Ela nem ao menos sabia o porquê adorava a sensação de sentir o sangue jorrar do corpo da vitima, ou de seus gritos ensurdecedores, apenas tinha esse pressentimento de que estava fazendo a coisa certa.

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A noite cai e a praça da cidade está lotada com as todas presas de Mary, e ela está à espreita para dar seu bote. Seus longos cabelos ruivos estão encobertos por uma peruca de fios negros e seus lindos olhos verdes sob uma lente de contato cor violeta, ela era linda e encantava a todos que mesmo de relance olhassem para ela, homens e mulheres, perdidos em sua beleza artificial e perigosa. Nesse momento, um casal passou a poucos metros de Mary, que se sentava no banco ao lado a fonte do parque. O homem, atraente, era louro e com um tipo físico forte e atlético, ele olhava para Mary com desejo e seu sorriso era malicioso, apesar das inúmeras tentativas de sua mulher para chamar de volta a sua atenção, ele parecia em algum tipo de hipnose por Mary, e de supetão recebeu um forte tapa na cara. Toda a praça havia se calado, prestando atenção no casal, e sem vê-lo o homem fechou a mão e acertou em cheio o olho daquela mulher, ela caiu no chão, assim como os queixos que caiam sobre toda a praça. Ela o olhava perplexa, se levantou e foi embora. Voltando ao transe, o homem caminhou até Mary.

–Posso me sentar aqui? – Ele apontou com a cabeça para o lugar vazio ao seu lado.

–Sim, claro. – Mary sorriu. – A propósito, meu nome é Mary, Mary Leeds.

–Adam Hamman e é um prazer conhecê-la. – Ele beijou sua mão.

Mary era uma loba, cujo teve a sorte de encantar um cordeiro.

– Você quer tomar uma bebida, ou alguma coisa?

–Claro, por que não? – Ela sorriu toxicamente, o que fez os olhos de Adam brilhar.

Eles foram para um bar nos limites da cidade, o lugar era bem movimentado. Eles se sentaram e conversaram durante horas, ela o chamava para a morte e ele vinha.

–Preciso ir ao banheiro, pode me esperar? – Ela sorriu e afirmou. Com um rápido e leve movimento ela abriu a tampa de seu anel, cujo o conteúdo dentro era um forte sonífero e despejou-o no copo do rapaz. Ele voltou do banheiro e pegou em sua mão.

–Eu gostei muito de ter passado esse tempo com você.

–E quanto a sua noiva? – Ela olhava em seus olhos com sede, mal podendo se conter para ter o sangue dele em suas mãos.

–Eu não ligo para aquela vadia, nunca a amei de verdade, o importante é eu estar contigo, agora! – Ambos sorriram, e ela abaixou os olhos.

–Então, eu proponho um brinde à nós dois. – Eles levantaram seus copos e brindaram. – Saúde! – Ele bebeu todo o seu Uísque Bourbon mal sabendo que estava caminhando numa estrada sem volta, e ela apreciava, quase achando graça, com seu Dirty Martine.

–Adam?

–Sim. – Ele já sentia alguns efeitos de seu sonífero.

–O que você acha de irmos para minha casa? – Ela com certeza achava aquilo divertido.

–Acho... Perfeito. – Ele pagou a conta e ambos pegaram um taxi, tudo ficou escuro para Adam.

Oh, pobre garoto, se atraiu cegamente por uma arma letal, pronta para atirar. Bom, enquanto eles não chegam ao cenário do crime, vejamos como era a vida de Adam antes daquela noite.

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Adam era um jovem de 25 anos, cujo passou toda a sua vida vivendo de mulheres e jogos de poker um tanto suspeitos. Sua mãe era uma prostituta pouco famosa pelo mundo, e foi em sua viagem à França que conseguiu sua pequena fortuna, se aposentou e criou o filho de “Sabe-se lá quem é o pai.” – como ela mesma costumava dizer -.Sua mãe não se preocupava em esconder dele quem ela era, mas se preocupava com sua reputação na cidade, cuidando para que ninguém descobrisse seu grande segredo.

Adam finalmente arranjou sua primeira namorada séria quando tinha 20 anos, e três anos depois noivou. Adam traia sua noiva com várias mulheres, a cada semana uma nova mulher estava nua em seu carro, casa, ou seu quarto de hotel. Loiras, morenas, ruivas, ou orientais. Na verdade não só Adam traia, como abusava de mulheres conscientemente. Adam tinha tanto poder de sedução quanto Mary tinha para atrair suas presas. Sua mulher nunca descobriu o que ele fazia todas as noites cujo a desculpa era: “Tenho muito trabalho meu amor, nos vemos amanha? Te amo.”, Adam nunca trabalhou, viveu do jogo, do ópio e da herança de sua mãe. Já fora preso por agressão a mulher duas vezes – estas de quando ele “namorou”, que não duraram nem 1 mês – e logo depois pagou sua fiança e foi liberado. Talvez se Adam não estivesse no lugar errado e na hora errada, seu futuro poderia ser promissor, ou nem tanto. Ele poderia casar e ter filhos e ainda assim continuar traindo sua esposa, ou rompendo com ela e virar um famoso cafetão, convenhamos que a segunda opção seria mais provável, e ele seria “O Orgulho da Mamãe”.

Mas nem tudo é como desejamos, as vezes o destino nos dá um final bastante trágico e precoce, como o de Adam.

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–Detetive Oliver? – Perguntou o delegado Connor segurando seu copo de café.

–Sim, Delegado.

–Alguma novidade sobre o caso dos desaparecidos?

–Sim senhor, conseguimos recuperar a arcaria dentaria de seis dentre os cinqüenta e sete senhor.

–Apenas seis? – O delegado estava incrédulo, nenhum crime poderia ser tão perfeito a ponto de conseguir esconder cinqüenta e um corpos e não serem achados.

–Sim, e tudo aparenta que foram usados o mesmo método na morte dessas pessoas. Está comprovado que foi um assassinato em serie. Os corpos foram queimados, mas entre as cinzas conseguimos identificar alvejante, usado para retirar as digitais dos corpos e das armas.

–A pericia acha que os corpos foram estripados antes de serem queimados? – Perguntou o delegado, ele tinha suas duvidas.

–Não senhor. – E elas acabavam de ir por água abaixo. O verdadeiro fato é que não se tinha nenhuma pista ou suspeito de quem teria feito isso, era um caso sem solução.

–Eu quero ver o delegado. – Uma moça fazia escândalo no saguão da delegacia. Os policiais a acompanharam até a sala do delegado assim que o Detetive Oliver saiu.

– Eu gostaria de fazer uma queixa. Ela estava com um dos olhos roxo e inchado.

–Tudo bem, se acalme, mantenha a calma. – A moça de cabelos castanhos e olhos cinzentos. – Qual o seu nome, senhora?

– Janice Jones, e quero fazer uma queixa contra o meu noivo. – Ela soluçava e as lágrimas escorriam. – Ele me agrediu, em praça publica.

O queixo do delegado caiu, isso não era normal. Nem em uma casa fechada e muito menos em plena praça publica.

– E qual o nome dele senhora? -Adam Hamman. – Eles imediatamente puxaram a ficha criminal dele. -Ah, claro. Eu me lembro muito bem deste homem, fora preso duas vezes por agressão a mulheres, e logo depois pagou a fiança e foi solto. Malditas leis que permitem que esses delinqüentes fiquem soltos as ruas. – Ele fez um sinal para o agente, que em seguida conseguiu um mandado de prisão para Adam Hamman. – Agora mantenha a calma senhora Jones, tudo ficará bem.

Ela assentiu e foi embora.

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Adam abriu os olhos com dificuldade, a sensação era de que um elefante havia atropelado ele.

–Bom dia anjinho, dormiu bem?