Psycho Killer

2 Uma mente brilhante


A paranóia muitas vezes tem um gosto horrível. Não me orgulho do que faço, não acho bonito, mas eu gosto. Ouvi-las gritando, implorando pra não fazer o que estaria prestes a fazer e depois deixá-las lá, para alguém ligar para a policia, ou eles mesmos acharem e informarem o detetive Galle sobre mais uma vítima assassinada brutalmente por... mim.

Podem me chamar de louco, psicopata, paranóico ou qualquer coisa. Mas tenho meus motivos e acredito que se eu os revelasse ninguém entenderia.

Não posso pensar muito nisso agora. Preciso que a policia entenda logo onde chega aquele mapa que fiz rasgando a pele daquela garota.

Peguei meu casaco de couro velho, calcei minha bota e fui em direção ao meu Impala 67 que tinha mais um cadáver no porta-malas. Uma jovem universitária que ficou por dias no cativeiro, sendo torturada.

Nunca mato minhas vítimas logo que as pego. Demora em torno de dois ou três dias para que eu fique totalmente satisfeito com o serviço e para que eu limpe o local pra não ser pego ou deixar pistas das quais não desejo deixar.

Não sei se os detetives de Portland são muito idiotas ou minha mente é muito brilhante.

O dia hoje está muito claro, o céu muito limpo, meus olhos chegam a arder.

– Detetive?

– Você de novo? Me diga logo o que quer de mim! — da pra ouvir em sua voz que o detetive está em total desespero.

– Já descobriram sobre minha pista?

– COMO É SEU NOME? EU JURO QUE VOU TE PEGAR.

Desliguei a ligação. Já era de se esperar que eu iria fazer isso.

Bom, hora de deixar mais uma pista no cadáver em meu porta-malas.

Abro o porta-malas e aquele fedor sobe e arde minhas narinas. Levanto a blusa dela, e pego meu canivete. Deixo escrito 45.533423, -122.674155, logo acima de seu umbigo.

Dessa vez, deixo mais uma coisa além de um cadáver de uma jovem ruiva de 25 anos de idade e uma pista: meu canivete, fincado bem no meio do seu pescoço.

Fecho o porta-malas, abro a porta que faz um barulho de enferrujada, entro no Impala, ligo e ouço o lindo barulho de seu motor.

Sigo em direção a uma fazenda abandonada ao sul de Portland. Não deixarei na beira de um rio, as seis anteriores. Comecei a deixar pistas a partir da sétima, e ela não estava mais a beira de um rio.

Passo pela estrada de terra cheia de buracos e finalmente avisto a fazenda de longe. Paro o carro, desço e abro o porta-malas Retiro o cadáver da jovem e bela universitária, que ainda estava com seu uniforme de líder de torcida. Coloco-a pendurada por cordas pelas mãos em uma das madeiras fortes e resistentes que tinham dentro do celeiro.

Pego um de meus telefones descartáveis em um dos bolsos e no outro retiro um modificador de voz.

– Seu desgraçado! — parece que o detetive já sabia que seria eu.

– Uma vez eu ouvi uma frase: Lobo em pele de cordeiro. Mascarás. Teatro. Falsidade, atualmente essa é a nossa realidade.

Nesse momento não se ouve nada do outro lado da linha.

– Corre, detetive, se não o corpo vai cheirar pior do que está. Fazenda abandonada ao sul do Rose City Park. Você sabe onde é, já passou grande parte da sua vida por lá, não é mesmo?

Desliguei, coloquei fogo em umas madeiras e joguei dentro da fogueira o celular descartável junto com as luvas.

Segui em direção ao meu carro, entrei e fui dirigindo. Alguns carros da policia de Portland passam na pista ao lado, em direção a fazenda. Em um dos carros, vejo o detetive Galle.

Começa a escurecer e chover muito forte. Não consigo ver a estrada na minha frente muito bem. O som da chuva batendo no capô do Impala me agrada.

Estaciono o carro em frente a uma lanchonete. Entro. Sento. Uma linda garçonete, com seus olhos grandes e azuis e seus cabelos ruivos me pergunta se aceito uma xícara de café. Olho nos olhos dela e digo que sim. Observo-a indo a cozinha.

Eu não escolho as vítimas. Elas me escolhem.