Psycho Killer
3 Um passado esquecido
No local tem muito sangue e um cheiro horrível de morte. Tinha uns números pouco acima do umbigo da vitima, uma jovem com roupa de líder de torcida.
– São coordenadas! — disse Mary
– E pra onde elas levam?
– Estou verificando agora mesmo...
No pescoço da vítima tinha um canivete fincado, mandei colherem as digitais. E aquele cheiro ficava cada vez mais insuportável.
– Willamatte River — diz Mary – É uma parte do Willamatte River!
– Mande alguns homens para o local. Quero que fiquem de olho o tempo inteiro! Se uma mosca passar por lá eu quero saber.
Andando alguns metros fazenda afora, tinha uma fogueira quase se apagando por causa da chuva forte. Mandei alguns homens olharem pra ver se tinha algo, mas não acharam nada.
Ele está brincando comigo. O que raios significa a frase que ele me disse no telefone?
Voltei pra delegacia e coloquei mais uma vitima em minha parede.
Todas ruivas de olhos azuis...
Espera! Ruivas de olhos azuis. Como não pensei nisso antes?
– Sargento Sung, quero uma lista de todas mulheres de olhos azuis e cabelo vermelho com idade entre vinte e trinta anos. Faça isso depressa!
– Sim senhor!
Como não pensei nisso antes? Qual a possibilidade de existir tantas ruivas em Portland?
O Sargento Sung entra na minha sala com uma lista de moças com o padrão do assassino. Existem três em Portland. Mas apenas uma fazia realmente o padrão dele: Ashley Young, trabalha em uma lanchonete perto do Willamatte River.
Mandei algumas viaturas até o local da casa da moça para ficarem vigiando, e fui informá-la do perigo. No começo ela ficou assustada e disse que não corria perigo. Mas depois eu a levei para a delegacia e mostrei tudo o que sabia até agora, e Ashley finalmente entendeu. Perguntei se tinha algum parente, e ela disse que os pais dela tinham morrido poucos meses atrás em um acidente de carro. Olhei nos seus olhos que estavam mais arregalados que o normal e ela começou a chorar. Disse que estava com medo e que não queria que o assassino colocasse as mãos nela. Perguntei se tinha idéia de quem poderia querer fazer algo a ela, mas a ficha dela é tão limpa que duvido que alguém teria motivos para matá-la. Prometi que não deixaria que nada acontecesse com ela, e mandei Sung e Mary levarem ela para casa e a mantivessem ela segura.
A chuva finalmente parou e o céu ficou aberto. A lua iluminava os becos escuros e sombrios de Portland. Pessoas caminhavam pelas ruas, soltando gargalhadas e conversando alto.
Começo a me lembrar de como era bom quando eu tinha uma família: mãe, pai, irmão e irmã. Sinto um aperto no peito por lembrar a morte trágica de minha irmã. Sinto falta de ar por lembrar do desaparecimento do meu irmão. Minha esposa, minha querida esposa. E meus pais... ah, meus pais...
Costumávamos ir ao parque andar de bicicleta ou comer algumas besteiras.
Meus pensamentos foram interrompidos por uma ligação
– Detetive, lembra daquele mapa encontrado no corpo da jovem? Ele leva até uma casa na Rua Knott St, numero 12.
Nesse momento, meu coração congelou por alguns segundos. Não podia ser! Como ele sabia de tantas coisas?
Peguei meu casaco e fui até a casa que nunca foi vendida, alugada ou reformada. Apenas abandonada, com todos moveis e roupas (Ou pelo menos o que sobrou depois do incêndio). Entrei e senti aquele fedor de coisas velhas. Pisei sem querer em um quadro que havia caído no chão. Levantei meu pé e peguei a foto que estava no quadro.
– Mamãe, papai!
Sinto algumas lagrimas escorrendo em meu rosto e começo a pensar quem poderia estar fazendo isso comigo e por qual motivo. Não consigo pensar em nada. Ouço um barulho no porão, pego minha .44 e desço para ver o que é. Me deparo com Joanna, que a muito tempo atrás cuidou de mim e de minha irmã enquanto meus pais... Joanna era muito jovem na época também, apenas alguns anos mais velha que eu. Ela estava amordaçada e amarrada. Sangrava muito. Tinha ferimento por todo o rosto e corpo. Senti o pulso dela e o coração estava batendo bem devagar. Ela parecia semimorta.
Peguei meu celular no bolso esquerdo e chamei uma ambulância para ir até o local.
Desamarro as cordas com muito cuidado para não machucá-la mais.
A ambulância chega e com cuidado a leva para o hospital St. Vincent.
Peço para me ligarem quando ela recuperar a consciência, e ir me dando noticias da pobre Joanna.
Entro no meu carro e aquele fedor de coisa velha impregnou em meu casaco. O cheiro ia se espalhando pelo carro e eu odiava tudo aquilo.
O tempo começa a se fechar e a chuva começa a cair sobre o parabrisa do carro. A janela está aberta e sinto alguns pingos caírem sobre meu rosto. São gelados e parecem perfurar minha pele como agulhas. Dirijo até minha casa. O caminho entre a calçada, jardim e a porta da minha sala, já é o suficiente para me deixar encharcado por causa da chuva. Tomei um banho quente e tentei associar tudo aquilo que estava acontecendo. Tenho algumas idéias em mente, algumas fazem muito sentido, outras nem tanto.
Depois do banho, peguei o diário de minha esposa e anotei tudo lá. Cada palavra que eu escrevia parecia um peso a menos em minhas costas. Meus olhos começaram a pesar, mas antes de dormir eu escrevi mais uma frase:
Me desculpe, meu amor. Eu vou pegar o desgraçado que fez isso com você, nem que seja a ultima coisa que eu faça nessa vida. Eu te amo, eu te amo.
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