Psicose

1 Capítulo 1


Notas iniciais
primeiro capitulo, espero que seja do agrado de vocês, nos vemos lá em baixo, bjs!!

Cinco anos antes

Reyna saiu correndo da casa de Aria, sua melhor amiga, com lagrimas nos olhos, dessa vez tinha certeza que a odiava, de todas as coisas que ela podia fazer para lhe atingir beijar Nick fora de longe a pior, ela nunca iria lhe perdoar... Aria devia morrer, ela pensou, se tivesse um dead note seu nome estaria na primeira folha, em negrito!

Estava de noite e o vento do inverno machucava lhe a face, carrapichos mordiscavam seus tornozelos mas ela continuou a correr, correu tão arduamente quanto suas articulações podiam aguentar e ainda assim não era o suficiente, temia estar perdida, ela e a “ex- amiga” moravam em um bairro afastado da cidade, perto da floresta temperada, lugar que servia como parque natural da região mas que era grande o suficiente para ser perigoso, as folhagens densas e suntuosas cobriam o céu como um véu cheio de rachaduras por onde entrava os raios lunares, galhos secos quebravam sob seus pés como ossinhos, causando-lhe calafrios.

Ela não queria pensar na amiga ou no irmão gêmeo, muito menos neles fazendo algo como beijar, não queria pensar neles e ponto. Seu irmão idiota... com densos cabelos loiros e olhos verdes assim como ela própria, ele é seu melhor amigo. Agora provavelmente será abandonada por ele e trocada pela Aria, coisa que ela até entendia, isso iria acontecer em algum momento, ela apenas teve o azar de não ter sido a primeira a se apaixonar, ainda mais que Aria era uma pessoa difícil de seu irmão boboca recusar, com longos cabelos pretos, olhos azuis escuros e misteriosos como o oceano a meia noite...

Ela devia ter aceitado o convite da representante do clube de Astronomia para visitar o planetário, assim talvez, pudesse conhecer novas pessoas e não ficar sozinha....

Reyna olhou em volta com o coração palpitando sobre o peito, estava completamente perdida, ocultada da realidade por um pesado manto de folhas, raízes e coisas da floresta. Ela limpou as lagrimas dos olhos freneticamente, a fim de enxergar melhor, podia sentir ciscos cintilantes a suas costas e suspirou de alivio ao perceber que eram apenas corujas inquietas, o frio agora aumentara e ela se xingou por ter resolvido usar aquela estupida saia jeans, culpa da própria Aria, que não queria ir para o shopping de saia sozinha, pois esta era muito curta e tinha vergonha, acabou implorando para que a amiga também usasse, se Reyna soubesse o que ela faria horas mais tarde teria enfiado o jeans pela garganta da traidora, mas não sabia, nunca suspeitaria.... Reyna resolveu sentar próxima a uma arvore e ligar para que seus pais viessem busca-la, não ia conseguir encontrar o caminho de casa tão cedo e sua barriga já começava a dar sinais de fome.

Tirou o casaco de lã e o colocou no chão para não se sentar sobre algo que pudesse machucar e puxou o celular do bolso... Raiva brotou dentro de si, o aparelho havia escolhido aquele momento para descarregar, ela estava tão furiosa que por um momento pensou em dormir ali e esperar que Jason a matasse com uma serra elétrica, suspirou pesadamente olhando para o telefone traidor, o luar refletia sob o visor e mostrava seus grandes e redondos olhos verdes, ainda cintilando como esmeraldas, pelas lagrimas recém extinguidas –as pessoas sempre diziam que Reyna parecia com uma personagem de anime por conta deles, eram sempre a primeira coisa que notavam quando a viam pela primeira vez, a própria Aria disse que eles eram como vitrais de uma catedral, era impossível passar por eles e não parar para admirar, ela queria que alguém parasse agora. —o espanto os dominava a cada ruído solto pelas trevas... Ela soltou o cabelo do rabo de cavalo e o deixou cair sob os ombros em pesados cachos prateados, em busca de algum escudo contra o frio, estava ficando cada vez mais assustada, deitou a cabeça nos joelhos e envolveu esses com os braços, fechando os olhos com força.

- Rainha...

Reyna sentiu o sangue gelar e levantou a cabeça, o coração batia tão avido dentro do corpo que seus ouvidos doíam. Ela havia escutado corretamente? Alguém estava ali, e falando... “Rainha?” Nervosa fechou os olhos novamente e tentou se acalmar, porem ouviu novamente a mesma voz segregada e ancestral deslizando a palavra... Rainha.

Reyna levantou e depressa começou a correr, não sabia para onde mas se manteve em movimento... Novamente ouviu a voz primitiva e vagarosa como uma sombra arrastada na calada da noite, ela dizia a mesma coisa Rainha... Dessa vez pedindo para que não fugisse.

- Quem está ai? — Ela gritou, o temor carregando o timbre de forma perceptível.

Ela pensou ouvir passos, seguidos de vultos e até mesmo risadas de escarnio, seu corpo estava à beira de estourar, nunca sentira tanto medo. Ela viu uma área semi aberta, talvez alguma área de lazer do parque e correu para lá, o sangue cimentando nas veias. Assim que chegou tomou um susto, ali nada mais havia além de escuridão e folhagens, por que então achou ter visto uma saída? Ela correu para longe e achou ver uma trilhas, mas novamente assim que chegou nada ali tinha além de vazio e assim continuou até que ela só ouvia as surdas risadas de deleite da sombra anônima que a perseguia.

-Quem está ai? Seja quem for pare com essa brincadeira, por favor...

Sua voz saiu ainda mais estrangulada e ela tonta de adrenalina parou de correr, não importava tentar fugir, se ele podia brincar assim com sua mente podia também pega-la se quisesse, permaneceu em pé, quieta e amedrontada, respirando como uma máquina térmica, os olhos fechados em busca de um refúgio... Então ela sentiu o toque da morte. As mãos do sombra tocavam sua face, estava tão perto que podia sentir a respiração. Reyna sentiu as lambiscadas ferozes do medo a levando, quase a deixando louca...

-Não precisa temer minha Rainha, não farei nada que não seja necessário, abra os olhos— A sombra sussurrou para ela.

Ela não queria os abrir mas sentiu a pressão dos dedos da sombra no seu rosto e achou melhor obedecer. Ele era doentio de uma forma quase lasciva, seus olhos eram vermelhos e duros, cheios de veneno e a despia de forma aquém da imoral, seus lábios eram finos e estavam sujos... O cabelo era ralo e mal distribuído pelo crânio pálido de linho, as mãos eram áridas, delineadas por enormes unhas translucidas, ela não acreditou no que viu, e continuou parada, diferente das pessoas normais Reyna não era capaz de reagir numa situação de risco, em vez disso seu corpo se marmoriza, imobilizando até seus pensamentos. Não pode deixar de notar sua corpulência insólita, era alto e magro demais, a pele do pescoço e dos braços formando sulcos e vales, a tez era tão clara e apodrecida que parecia folhas de papiro, como uma coisa assim poderia estar viva ela jamais saberia, mas estava bem viva, e o pior, bem à sua frente.

- A senhorita nem imagina a satisfação que é finalmente tê-la em meus braços, esperei meses pelo momento perfeito e agora que aqui estou... – Ele silenciou e se inclinou para perto dela, posicionando a cabeça na curva do seu pescoço – Tantos iguais lutaram por uma chance como esta, uma pena, me divertirei sozinho.

Sua voz ia ficando cada vez mais febril e sem que ela percebe-se a sombra ia cantarolando em alguma língua Europeia. Seus olhos tornaram se rubis, os dentes cheios de presas.... Ela estava cada vez mais em transe, cega da realidade, só queria ouvir a estranha canção e dormir profundamente, Ele inspirou pesadamente, como que deleitando de seu perfume

- Ma reine...— Ele sussurrou, subindo os lábios pelo seu maxilar e parando atrás da orelha.

Ela estava chorando, não sabia o porquê, sua mente havia virado uma sopa, não entendia o que estava fazendo, a única coisa que importava era a música... A sombra desceu as mãos do seu rosto e a segurou quase delicadamente, carregando-a até debaixo de uma arvore, pegou sua face nas mãos áridas e inclinou para a esquerda então finalmente fincou seus dentes na curva em forma de meia lua de seu pescoço.

¥

Reyna não enxergava mais, suas lagrimas haviam tomado a visão, se sentia nua, mesmo que ainda vivesse sob um transe sabia que havia algo errado, mas não conseguia desvendar o mistério, permaneceu presa nos braços do monstro, ele a puxava a medida que sua sede desmedida aumentava, pressionando seu corpo contra o dela—ela era muito menor do que ele fato que a fazia se sentir presa numa gaiola— Percebeu que sentia mais leve, sua consciência flutuava espiritualmente, podia voar sob a sombra... Tudo era tão cálido... A lua banhava o monstro, mas ele não parecia mais um ser grotesco, à medida que ia bebendo do “vinho” seu corpo ia se transformando, seus cabelos eram agora cheios e de um tom castanho avelã, seu torso era forte e trabalhado, mesmo sob as roupas sujas e consumidas, a face tinha traços bem desenhados e um maxilar prepotente, o monstro podia estar se curando mas ela não. Sentia -se cada vez mais fraca, a tontura a levando para as profundezas... Estava tão cansada, seria melhor se desistisse...a languidez era cada vez mais irresistível, via tudo borrado de lilás e seus dedos se fundiam com a outra dimensão, resistir era difícil demais... E foi assim que Reyna morreu, como um corpo vazio. Ela caiu dos braços do monstro e repousou no chão o palor cadavérico queimando dentro de si...

Crânio se partindo, foi esse o som que a cabeça da Sombra fez ao colidir com o tronco de uma rustica árvore, Reyna não enxergava mais, quem o fazia era outro ser, talvez sua eu morta, seu espirito, ela não sabia, não ocupava um corpo, estava sobre ele, flutuando acima da existência humana, assistindo de longe o último espetáculo. Um homem tão alto como a sombra surgiu e o jogou para longe.

-Você ficará bem –Ele disse, assim que a viu jogada no chão, parecia perigosamente bravo.

E então voou na direção da sombra e começou a bate-lo como a uma massa de pizza. A sombra tentou reagir mas o Homem era mais rápido e torceu- lhe os braços. Frustrado o monstro abriu a boca e enrolou o corpo do homem com a língua, de alguma forma sua língua esticava, como uma serpente ela apertava o seu oponente e o deixava sem ar, mas o Homem parecia ser mais poderoso, congelou a língua da sombra e este o soltou.

-Piedade meu Lorde- A sombra implorava, sua voz havia mudado também, estava humana e juvenil, ela não pode evitar olhar seus lábios, pintados com sangue... seu sangue.

-Não deveria ter feito o que fez, sinto muito mas não me resta outra opção...- O homem cuspiu

A sombra furiosa sorriu com escarniu e falou como se soltasse veneno:

-Não importa, mesmo morto serei mais do que a maioria, serei aquele que provou da Rainha, algo que você jamais o fara, parte dela sempre pertencera a mim agora, a sua rainha não passa de uma entregue...

Antes que terminasse o Homem aparentemente furioso torceu o pescoço dele e puxou seu crânio, o comprimindo nas mãos, sangue explodiu. Da outra dimensão ela pensou estar jogando Resident Evil, nunca havia visto algo tão violento e assustador.

Ele por fim, coberto de sangue e terra, a olhou e ela pode finalmente ver a face do seu vingador. Ele tinha cabelos negros como ônix caindo sobre os olhos, e traços aristocratas, deveria ter no máximo 23 anos, os olhos eram de um castanho tão forte que parecia roxo ou talvez vinho, na verdade pareciam caleidoscópios mudando de cor e cintilavam de adrenalina, tinha braços e pernas longas e um torso forte, assim como a sombra era pálido em demasia, mas a pele não era papiro. Ele lhe sorriu e ela sentiu o mesmo conforto de estar na sala de estar com Nick e Aria tomando chocolate quente e vendo O Hobbit.

Correu até seu corpo vazio e se jogou no chão ficando próximo a ela, alisou suavemente sua face e então furou o próprio pulso com os dentes e forçou-o nos lábios de Reyna, a ansiedade brotava em sua testa mas ele se mantinha imóvel, alimentando-a. Finalmente após alguns longos minutos Reyna languida e confusa, abriu os olhos e respirou avidamente, a tontura era tanta que sentia as lambidas insistentes da inconsciência atraindo-a.

-Sinto muito não pretendia ser tão violento, como você está?

Ele tinha uma voz calma também, por enquanto ele era a única coisa que lhe dava direção... Sua boca queimava a ferrugem e ela sentia que ia vomitar, rapidamente se desvencilhou dos braços protetores dele e se virou para as arvores regurgitando nervosamente, quando acabou ela limpou a boca envergonhadamente e cambaleou para perto de um tronco grosso de Carvalho, lutando para não cair, ele a avaliava com cuidado e ela continuava surpresa com sua preocupação.

O coração de Reyna transbordava de gratidão, aquele estranho havia salvado sua vida, ela poderia ir para o Clube de Astronomia no próximo ano, ir para a faculdade, ter uma família.... Não iria morrer, a verdade era doce demais, sombra havia partido, tudo estava bem. Percebera que estava chorando novamente, dessa vez de alivio.

-Não precisa chorar, não vou machuca-la, só vim ajud...

Antes que ele pudesse terminar Reyna correu até ele e se jogou em seus braços, tremendo, se segurou nele como se sua vida dependesse disso e soluçou incansavelmente, as vezes a vida era muito ruim, mas as vezes também era muito boa. Ele inicialmente ficou surpreso mas por fim a envolveu em seus braços e finalmente ela se permitiu ser levada pela inconsciência. Reyna sonha com esse dia todas as noites, ela nunca mais foi a mesma, ficaria para sempre aquela cicatriz em sua alma, aquele seria o dia de sua morte, não fosse um estranho de olhos estranhos.

Notas finais
Terminado o inicio do novo vício de vcs! hahs o que acharam? comenta aqui,se estiver ruim pode tacar o pau hahsa até o prox cap pessoal, obrigado por lerem, bjs de prata!