Psicopata de Seattle

4 They Will a Long Days Without You, Dad


— Ali olhe!

— De cabelo cinza estranho!

— Que roupas mais esquisitas ela usa.

Isso eram as pessoas falando enquanto Abby caminha para casa.

Claro que ela percebeu isso, aliás, com todo esse tempo ouvindo os outros falando mal dela, ela aprendeu a perceber quando a estão olhando e falando dela.

Quando ela chegou em casa, ouviu a voz do pai cantarolando vindo da cozinha.

Ela riu baixinho e foi em direção a cozinha onde o pai estava.

— Qual é o motivo de tanta animação, pai?

— Recebi uma nova proposta de emprego, querida. – Ele respondeu animadamente.

— Sério? Onde? – Ela perguntou empolgada

— Em Nova York. – O sorriso da garota se desfez quando ele disse aquilo.

— Em Nova York? Mas, pai, quanto tempo? – Ela perguntou um pouco triste.

— Apenas 7 dias, filha – Ele alisou o cabelo da filha. – Você vai ficar bem. Já tem 16 anos.

— Tá certo, é porque eu to com um mal pressentimento sobre isso. – Ela disse um pouco desconfiada.

— Filha, são apenas 7 dias – O pai a assegurou. – Nada vai acontecer comigo.

Sem querer, por impulso Abby abraçou o pai com toda a sua força. Como se fosse a ultima vez deles juntos.

— Abby querida, você vai me matar desse jeito. – Ele brincou e ela o soltou sorrindo.

— Quando é que você vai?

— Hoje a noite, de 19 horas, se tudo der certo. – Ele falou enquanto ia em direção ao quarto.

— Eu vou poder ficar sozinha aqui em casa? – A garota perguntou esperançosa.

— Mas é claro que não. Vai ficar a sua tia Zíbia.

— Ah, pai, a tia Zíbia não – A garota gemeu se jogando no sofá. – Ela é chata e não gosta de mim, nem eu gosto dela.

— Mas nada, mocinha. Já combinei com ela. Pode ir arrumando suas coisas. – Ele ordenou.

Abby, mesmo não gostando, obedeceu ao pai e foi arrumar suas coisas. Além do mais, eram apenas 7 dias. Ela podia aguentar isso.

Guardou todas as suas roupas malucas e seus sapatos estilosos em uma mala não muito grande e pegou outra bolsa de costa para guardar as coisas mais essenciais.

**

Tic-Tac-Tic-Tac...

O ralógio de Abby batia enquanto a garota estava deitada na cama olhando para o teto.

No quarto, totalmente escuro graças às janelas fechadas e com cortinas, a garota pensava na vida que tinha. De todos os xingamentos que já ouviu, todas as ameaças das vozes. Ela não queria admitir, mas temia do que podia fazer com aquelas vozes na cabeça ou o que ela poderia fazer com a psicopatia.

— Por que é tudo tão complicado para mim? – A garota questionou como se tivesse alguém ali em seu quarto.

Uma lagrima escapou de seus olhos e então veio as lembranças de sua mãe a cabeça.

Sabe quando falam que mães cuidam de seus filhos como jóias preciosas? Esse com certeza não era o caso de Abby.

Marlee nunca gostou muito da filha, pois pensava que filhos atrapalhavam a vida das pessoas. Porém, isso não significa que ela a odiasse a garota. Apenas era um pequeno déjà vu da mãe.

— Minha filha, já são 17:38, vamos embora porque eu tenho que fazer o chek-in no aeroporto.

Abby não disse nada, apenas se recompôs e foi para a sala com suas coisas onde o pai já esperava.

**

Eles chegaram na frente da casa dos Winders, que era a casa de sua tia Zíbia.

Cosmo tocou a campainha e a tia Zíbia abriu a porta.

Ela era uma mulher alta e com um pescoço maior que o normal, cabelos pretos muito escuros, olhos negros e um sorriso um tanto quanto irritante no rosto.

Ela os olhou dos pés a cabeça.

— Ah, são vocês. – Ela falou com desgosto na voz.

— Zíbia querida, quanto tempo. – Eles deram um aperto de mãos, ainda do lado de fora da casa. – Fico feliz por aceitar a Abby em sua casa.

— Espero que ela se comporte, pois não gosto de garotas rebeldes e preguiçosas em minha casa. – Ela falou encarando Abby. – Se vai ficar aqui, vai ter que cooperar.

A garota Waters revirou os olhos com o comentário da tia.

— Pode ficar calma que ela vai se comportar. – Cosmo garantiu.

— Pois bem, até mais, Cosmo. – Zíbia se despediu dele e entrou, deixando os dois Waters na entrada da casa, completamente sozinhos.

— Pai, você viu aquilo? Eu não posso ficar aqui. – Abby bufou.

— Querida, são apenas 7 dias. Você vai aguentar.

Eles se abraçaram e o pai falou antes de fechar a porta:

— Fique bem, minha filha.

— Fique bem também, pai. – Abby disse baixinho enquanto via pela janela o pai ir embora de táxi.

— Garota, venha aqui. – Abby ouviu a voz sínica de sua tia Zíbia a chamar da cozinha.

— Oi, tia Zíbia, algum problema? – A garota perguntou gentilmente assim que entrou na cozinha e avistou a tia.

— Quero que você vá arrumar logo as suas coisas, porque não quero que a minha casa vire uma bagunça. – Ela ordenou.

— Mas, tia, eu...

— Sem mais nem menos, garota! Vá logo arrumar suas coisas no quarto de hóspedes.

Abby revirou os olhos, mas logo obedeceu a tia.

Subiu as escadas e avistou um quarto pequeno, com apenas uma cama, um guarda-roupa pequeno e um pequeno móvel ao lado da cama.

Ela se sentou na cama e ficou olhando ao redor daquele lugar.

— Vão ser dias longos, pai. Não sei se vou aguentar ficar muito tempo nessa casa. – Ela suspirou.