Psicopata de Seattle

7 Oh, I'm sorry, Abby


Mais 5 diassepassaramdesdeaquela notícia...

Abby estava fraca e mais estranha do que o normal.

Do que eram roupas animadas, coloridas e cheias de desenhos variados passou a ser calças jeans pretas, tênis preto e moletom preto.

Deixou o cabelo metade preto e metade cinza – Igual ao cabelo da Melanie Martinez, na qual ela adorava – e sempre deixava ele solto, cobrindo o olho direito.

Entre esses 5 dias, ela ficou sem ir para escola, porque não aguentava nem sair de dentro do quarto de hospedes de sua tia Zíbia.

— Abby, você precisa vir aqui. O senhor Buck quer falar com você, para falar sobre o enterro de seu pai e um tal testamento. – Zíbia Winders falou por trás da porta do quarto onde Abby estava.

— Já vou, tia. – Abby disse com uma voz manhosa e arrastada.

Ela desceu as escadas e viu o senhor Buck sentado no sofá.

— Olá, senhorita Waters, como está?

— Péssima. – A garota confessou.

Ela viu o olhar repreensível de sua tia Zíbia, e então perguntou ao senhor Buck:

— Então, senhor Buck, por que está aqui?

— Vim aqui lhe mostrar o testamento de seu pai. Bem, pelo que sei, a senhorita não tem mais outro parente sem ser a sua tia, a senhora Winders, então, terá que morar com ela até que se torne maior de idade. – Abby bufou quando ele disse isso. – Seu pai lhe deixou poucas coisas, como aquela pequena casa na qual você morava com ele e uma pequena quantia em dinheiro no banco, na conta dele. Aqui está a senha da conta de seu falecido pai. – Entregou um cartão com o nome da conta e a senha do pai dela. – E, por fim, uma carta simples, mas que nunca foi lida.

Uma carta? Mas o que teria de mais nessa carta? Pelo que se lembre, o pai de Abby nunca havia lhe falado sobre a existência daquela pequena carta.

— Pode ler ela para mim? – Abby perguntou educadamente.

— Claro que posso. – Ele abriu o envelope e tirou de dentro um papel velho e um pouco amarelado.

Começou a ler:

"QueridaAbby,

Seestávendoessacarta, talvezsejaporqueeuestoumorto. Enfim, queroquesaibaqueeuteameiportodaaminhavidaassimquepusmeusolhosemvocê.

Nodiaemquevocênasceu, pudevernosolhosdasuamãeodesgostoporvocê, maspoucomeimportavacomaquilo. Vocêsabemuitobemdosproblemasdasuamãe, mesmoeutentandoesconderelesdevocêportodaaminhavida.

Sejaforte, minhafilha. Vocêestápassandoporcoisasmuitoscomplicadasesesentetãosozinha... Nãodeixeomedosermaiordoquevocê, meubem.

Eute amo muito, AbbyAllisonWaters.

Comamor, Papai.

Para alguns, aquela carta poderia ser uma besteira, mas para Abby, aquela carta era a maior demonstração de amor que ela já recebeu.

As lágrimas já caiam desesperadamente no rosto, mas, diferente do que pensam, um pequeno sorriso havia se formado no rosto da garota. Estranho. Para alguém que chorou por 5 dias sem parar, um sorriso era como uma nova experiência na vida.

— Senhorita Waters, como deseja que seja a cerimônia do enterro do seu pai? Você tem esse direito de escolha.

— Não quero cerimônia de enterro! Meu pai não tinha amigos verdadeiros para amar ele de verdade. Todos os julgavam e o achavam louco. Todos eles são falsos. – Ela disse rapidamente. – Apenas quero que enterrem ele da melhor forma possível.

— Seu desejo é uma ordem, senhorita. O enterro será hoje ás 17:00 horas. Mas tem certeza que não quer mesmo cerimônias?

— Não, já fiz minha escolha. Mas quero ver ele ser enterrado. – Ela disse o encarando.

— Pois bem, um carro da funerária virá aqui às 16:45 horas. Esteja pronta. Agora eu tenho que ir...

— Pode me dar essa carta? – Ela o interrompeu.

Ele olhou estranho para ela e falou:

— Entendo o motivo que você queira essa carta. Me desculpe, senhorita, sei que não tenho intimidade nenhuma com você, mas posso sentir que você não teve muito amor de outras pessoas na vida.

— Sem problemas, senhor Buck, porque você só disse verdades... Vai me dar a carta?

— Tome, aqui está a carta. – Ele a entregou. – Até mais tarde. – Ele foi embora.

Abby encarou aquele envelope, secou as lagrimas do rosto e correu para o quarto de hospedes.

**
Finalmente, chegou a não tão esperada hora. 16:45 e Abby já estava entrando dentro do carro da funerária.

Foi estranho, pode se dizer. Imagine você dentro do carro de uma funerária, com um motorista bem sinistro e com um péssimo temporal. Então, foi por isso mesmo que Abby passou naquela tarde.

— Demora muito para chegarmos? – Abby perguntou ao motorista.

— Chegamos lá em 15 minutos, senhorita. Tenha um pouco de calma, por favor. – Ele disse com uma voz fria e seca.

Abby se encolheu no banco de trás do carro e não via a hora de poder sair de lá.

Ela ficou olhando as gotas de chuva caírem do lado de fora do carro, com a cabeça encostada no vidro.

Por um momento, sentiu a mão áspera de seu pai alisar seu cabelo, como sempre fazia, mas quando ela olhou para o lado, não havia ninguém.

Apenas puras ilusões.

**

Abby desceu do carro, com o guarda-chuva preto aberto, por causa da chuva.

Ela viu o pai ser enterrado, sem cerimônias e sem ninguém para ajuda-la naquele momento tão difícil.

Ver o pai ser enterrado lhe doeu muito, como se alguém tivesse dado uma facada no seu coração e depois esmagasse ele da forma mais bruta possível.

Estava feito. Cosmo foi enterrado e apenas Abby estava ali, vendo a lápide de seu falecido pai.

"AquijazCosmoWaters.
1989-2016
Umbomhomemeumótimopai".

Ah, papai, tudo o que você me deixou foi saudades. – Ela disse cabisbaixa enquanto colocava umas flores no túmulo.

Abby sentiu uma mão tocar em seu ombro.

Ela fechou os olhos e pensou:

"Nãoacreditoqueissoémaisumailusãoqueestoutendo."

Abby? O que faz aqui? – Aquela voz era de Susan Jordan.

Abby abriu os olhos e se espantou. Mas o que Susan estaria fazendo ali naquele cemitério?

— Susan? Eu que pergunto, o que você está fazendo aqui? – Perguntou ela.

— Eu vim aqui deixar flores para a minha mãe. – Ela disse. – Mas, e você? O que faz aqui? – Perguntou e viu Abby abaixar a cabeça.

Só então, Susan percebeu o que estava escrito na lápide que Abby estava vendo antes.

— Oh meu Deus, Abby. Sinto muito pela sua perda. – Susan logo lamentou.

— Obrigada, Susan. Ele era muito importante para mim.

— Bom, creio que com esse acontecimento, você não vá mais para o baile de máscaras da escola neste sábado. – Ela disse e Abby a olhou confusa. – Minha nossa! Esqueci que você não estava indo para a escola, me perdoe.

— Não tem problema, acho que não vou mesmo para esse baile idiota. – Waters resmungou. – Susan, é melhor eu ir embora.

— Tá certo. Eu também já vou indo. – Falou a Jordan. – Até mais, Abby. – Se despediu e sumiu da vista de Abby.

De repente, Abby sentiu uma tontura e ouviu aquele maldito grito de seu pesadelo e uma voz dizendo: "Elesmechamadeinútilequenãotenhoimportância. Nãoaguentomaisessavida".

Abby se recuperou e olhou para o túmulo do pai.

— Pai, o que essa Susan tem que me faz ouvir esse grito e a voz de uma garota do meu pesadelo sempre que a vejo? – Ela perguntou como se o pai estivesse lhe ouvindo.

Ela bufou e disse em seguida:

— Sabe o que é interessante, pai? Você disse que voltaria em 7 dias. Esses dias já passaram e você não voltou como me prometeu...