Psicopata de Seattle
8 For you, Cosmo Waters.
Passaram-se dois dias desde o enterro de Cosmo Waters e o baile de máscaras estava chegando, mas é claro que ir a esse baile não se passava pela cabeça de Abby. Ela estava muito estranha e ainda não havia voltado à escola.
Nesse dia, ela estava sozinha na casa de sua tia porque a mesma tinha ido fazer compras de algumas coisas que faltavam na casa.
A tia Zíbia, diferente de Abby, estava tendo uma vida relativamente normal em meio aquela notícia.
Abby a xingava mentalmente de como sua tia era fria e não se importava com as outras pessoas, e esse pensamento era verdadeira.
Toc, toc, toc.
A garota Waters ouviu as batidas na porta da sala, logo, foi abrir a porta e se deparou com uma pessoa que não esperava alí. Susan Jordan.
"Porqueessagarotavivemeperseguindo? Eugostodeficarsozinhaesóelanãopercebeuisso.", Abby resmungou mentalmente.
— Olá, Abby, descubri que era aqui que você está morando agora e decidi te fazer uma visita. — Ela falou com a voz rouca. — Posso entrar?
— Ah, sim, claro que pode.
Ela entrou e Abby fechou a porta da casa de sua tia. Susan logo se sentou no sofá velho e passou a encarar a Waters.
— Desculpe-me por ser mal educada, mas, você não deveria estar na escola? — Abby pergunta um pouco confusa.
— Tive alguns problemas... — Ela respondeu e Abby a olhou estranho. — Como você está?
— Ainda não me acostumei com a ausência do meu pai. Mas é sério, Susan, você está estranha. Aconteceu alguma coisa com você?
— Eu já disse que não aconteceu nada de mais comigo. A propósito, estou ótima, se quer saber. — Ela disse um pouco rude, assustando Abby.
Um silêncio constrangedor surgiu naquela sala. Susan encarava Abby a deixando um pouco encomodada olhando para o nada.
De fato, havia algo de errado com a Jordan. A mesmo estava com os olhos diferentes e Abby conhecia muito bem aquele tipo de olhar. Era algo como um pedido de socorro silencioso, mas não se podia falar nada. Como se estivesse sendo proibida de falar alguma coisa e estivesse pedindo socorro com o olhar.
— Abby, não vai mesmo ao baile desse sábado? Soube que os preparativos estão perfeitos. — Susan disse quebrando o silêncio.
— Eu não estou em condição de ir em bailes comuns de escola.
— Então, não tenho nada mais a falar, eu vou embora. — Susan se levantou e foi em direção a porta, com a mão na maçaneta. — Eu espero que mude de ideia e apareça por lá. Tente se distrair. — E foi embora, deixando Abby pensativa.
**
Abby estava ficando maluca. Perdendo completamente a cabeça. Pensamentos aleatórios... Pobre menina.
— Calma, Abby, não fique maluca. O que você tem de errado? Vamos lá! Você consegue! — A Waters incentivava a si mesma.
Ela estava se sentindo péssima e tão sozinha. Era tal ruim a sensação de não ter amigos ou uma família que se importe com você... Isso era o que Abby pensava.
"Oh, querida, estátãotriste... Medeixefazervocêesquecertodasessascoisasdeumavez.", as vozes tentaram na mente da menina.
— Argh! Por favor me deixem! — Abby disse com os olhos fechados e com as duas mãos tapando os ouvidos.
"Vocênãopresta! Porquecontinuarcomissotudo? Medeixeteajudaretudoissovaiacabar!"
— Eu não quero que as coisas terminem do jeito que vocês querem. Eu ainda posso ser feliz... Ou posso ter amigos que se importem comigo. — Ela disse com um pouco de esperança na voz.
"Você? Comamigos? Quemiriaquererserseuamigo?"
Foi aí que Abby começou a chorar desesperadamente. Ela queria poder parar com aquilo tudo de vez. Definitivamente, se você me entende. Além do mais, você e eu nascemos para morrer e Abby Waters também.
Já imaginou como é a morte? Já pensou para onde uma alma mortal vai após a morte? Abby já pensou muitas vezes e não eram bons pensamentos, acredite.
—Papai nunca se orgulharia de mim se eu desistisse de tudo. Ele sempre me incentivou a lutar pelo que eu quero e nunca deixar os outros me chamarem de fraca. — Ela falou com a voz fraca ainda se lembrando do que o pai lhe falava. — Sabe por quê? Porque ele acreditava em mim. E se ele acreditava em mim, é porque eu realmente posso conseguir o que quiser. — Ela ergueu a cabeça e se recompôs. — É tudo por você, papai.
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