Psicopata de Seattle

6 Father, back to me


Abby viu o horário das aulas, ainda desorientada com aquela manhã, e viu que tinha aula de história.

"Ótimo! Euadoroessaaulamaravilhosacomaquelaprofessoraquemeadora.", ela pensou sarcasticamente.

É verdade que a professora de história, Lucy McFallen, não gostava de Abby, por achar ela uma garota muito irresponsável e que fala demais. Mas, essas coisas não passam de uma mentira, apenas isso.

Abby era responsável e não falava nas aulas nem ao menos no intervalo, por ser muito fechada com outras pessoas.

Normalmente, nas aulas de história, Abby costumava dormir, o que a levava a tirar péssimas notas nessa matéria.

Mas o que ela poderia fazer? As aulas eram todas chatas e a professora parecia um museu de tanta velharia. Nada contra os velhos, é claro!

Abby entrou na sala onde a professora já estava.

— Chegou atrasada, Waters. Sente-se para que eu não coloque uma anotação de atraso na caderneta, por favor. — A sra. McFallen disse com mal humor na voz.

Obviamente, a sra. McFallen não era a única de mal humor naquela manhã. Com certeza, Abby já estava bufando enquanto ia se sentar em seu devido lugar.

— Abram os livros na página 102 até a 114. Quero que leiam tudo e façam um resumo de no mínimo 40 linhas.

Vários alunos resmungaram e xingaram a professora baixinho.

"Nãovoufazeresseresumoidiota. Tenhocoisasmaisimportantesparafazercomodormir, porexemplo.", Abby pensou.

— Psiu! Abby, você me empresta uma caneta? Esqueci as minhas canetas em cima da bancada em meu quarto. — Susan pediu baixinho a platinada, que emprestou a caneta a loira.

Susan viu Abby baixar a cabeça na banca, como se fosse dormir, e perguntou:

— Você não vai fazer o resumo que ela pediu?

— Olha, eu estou exausta, então, não me julgue. — A Waters resmungou e foi dormir, deixando Susan confusa.

**
"Ahh!"

Abby teve aquele mesmo pesadelo novamente, com uma loira misteriosa sendo morta.

Quando levantou a cabeça, viu que já havia outro professor na sala.

"Droga! Aprofessoradevetermeanotadonacadernetaporterdormidoenemterfeitoaqueleresumoidiota.", pensou a Waters.

— Hey, Susan. Você pode me dizer se a professora McFallen me viu dormindo? — A platinada sussurou perguntando a Susan.

— Não, ela saiu bem depressa da sala quando a aula dela acabou. Nem pediu os resumos da gente.

Abby suspirou aliviada.

— Acho melhor você tentarprestar atenção nas aulas, Abby. Você pode se dar mal. — Susan sussurrou para Abby e virou para prestar atenção na aula.

**

Finalmente! Mais um dia de aula acabado! Abby não via a hora de poder sair daquela escola, mas não queria ir para a casa da tia Zíbia.

O que ela podia fazer? Absolutamente nada! Tinha que passar mais 5 dias naquela casa, á espera do pai, Cosmo Waters.

Chegou na casa da tia e viu que um homem alto e com feições tristes falava com sua tia.

— Oh, Abby, o moço aqui tem uma notícia para te dar. Eu vou para a cozinha, fazer um chá para o senhor. — Tia Zíbia disse cabisbaixa indo em direção a cozinha.

— Senhorita Waters, peço que se sente nesse sofá antes que eu possa dar essa notícia.

Abby obedeceu ao homem, se sentando no velho sofá da tia.

— Primeiramente, quero dizer que sou Tiller Buck, e a noticia que eu tenho para lhe dar é um tanto quanto triste.

— Senhor Buck, o que está acontecendo? — Abby perguntou um pouco nervosa.

— É sobre o seu pai, querida, ele foi morto durante um tiroteio em um banco lá em Nova York. Sinto muito...

E isso foi suficiente para fazer o mundo de Abby cair. Como assim seu pai foi morto em um tiroteio? Aquilo só podia ser uma pegadinha, mas ela percebeu que era verdade quando o sr. Buck disse:

— Sinto muito pela sua perda. Sua tia disse que você gostava muito dele...

Abby não conseguia dizer nada. As lagrimas em seu rosto caiam como as águas de uma cachoeira.

Sem pensar, a garota correu até o quarto de hospedes, onde ela dormia, e trancou a porta.

— Desculpe, senhor Buck, ela é uma garota perturbada mesmo. — Tia Zíbia disse ao homem com aquela voz sínica dela.

Mesmo assim, foi ali no quarto, mesmo ouvindo a tia inventando mentiras, que ela desabou de tanto chorar. Estava com o corpo tão mole que nem conseguiu ficar de pé, se jogando na cama.

"Papaimorreu! AimeuDeus, papaimorreu!"

Ela ficou se lembrando de momentos com o pai. Como, por exemplo, no aniversário de 4 anos, que ela se lembrava muito bem, quando o pai lhe deu uma casa de boneca, que vinha com 3 bonecos, um pai, uma mãe e uma filha.

"Filha, essesbonecosrepresentameu, vocêeamamãe. Teamamosmuito, querida!"

De fato, em algumas madrugadas, Abby levantava para brincar em sua nova casa de boneca, mas sempre deixava a boneca que representava sua mão de lado da brincadeira, por motivos pessoais — Que já devem saber, de fato.

Mas, e agora? Com quem Abby iria ficar? Tudo o que a garota queria era sair logo da casa da tia, mas agora não iria poder mais, já que ela era a sua única parente viva.

— Pai, por que você tinha que partir? Você era a única coisa boa que eu tinha na vida e agora não tenho mais nada. Se eu pudesse, voltaria no tempo, e impediria você de ir para Nova York, ou teria te abraçado mais forte e também iria dizer: Eu te amo muito mesmo! Mas agora você me deixou sozinha nesse mundo estupido. — Abby lamentou aos prantos, como se o pai estivesse lhe ouvindo naquele exato momento.

"Porquevocêsempreseesquecequetemagenteparavocêconversar, querida?" , as vozes perguntaram e alguns risos ecoaram na cabeça dela.

— Por favor, me deixem em paz. Não estou muito bem no momento.

"Querida, agentequermelhorarascoisas... Oupiorar..."

Chega! Não vou continuar ouvindo vocês, vozes idiotas!

"Vocêfalacomosetivesseescolha. Quemeninaidiota."

Oras! Como se já não bastasse aquela trágica notícia, essas vozes começaram a irritar a cabeça da coitada!

— Pai, volta para mim. — garota pediu ao pai falecido e voltou a chorar.