Ps:Te Odeio
7 Será que colou?
Notas iniciais
Estou dentro do meu carro, em frente à casa do papai esperando o energúmeno do João chegar. Ele está atrasado pelo menos uns dez minutos.
Olho no relógio pela milésima vez
–- Só falta ele não vir. – digo cruzando os braços
Não demora muito para eu ver um carro se aproximando.
–- Chegou. – digo respirando fundo e saindo do meu carro
Ele estaciona, desce e vem na minha direção.
–-Meu Deus! Que demora em? – digo – Achei que você não viesse mais.
–-Eu também. – ele diz colocando as mãos no bolso – Maria eu acho melhor nós desistimos dessa mentira. Seu pai não vai acreditar.
–-Claro que não. João nós vamos tocar aquela campainha, entrar naquela casa e dizer para o papai que vamos nos casar.
–-Isso não vai dar certo. Quem me garante que seu pai vai acreditar na sua mentira? – ele diz – E eu não sei mentir, seu pai sabe disso. – ele continua – Veja eu já estou nervoso— diz ele me mostrando as mãos tremulas
Coloco umas das mãos na cabeça e respiro fundo
–-Garoto se você não quiser morrer agora, é melhor você se acalmar sorrir e entrar naquela casa.
–-Isso não vai dar certo Maria.
–-Se você continuar falando isso, não vai dar mesmo. – digo – Confia em mim que vai dar tudo certo. – digo indo até a porta
–-Confiar em você? – ele repete – Disso que eu tenho medo.
Aperto a campainha da casa do papai. Não demora muito pra ele vir atender
–- Ola?! – ele diz com uma cara um tanto confusa. Talvez seja por me ver ao lado do João.
Dou meu melhor sorriso
–-Oi pai. – digo dando um beijo em seu rosto e entrando
–-Você vai ficar parado na porta João? – diz meu pai
Olho para trás e o João parece estar congelado na porta
Era só o que me faltava. A mula empacou.
Respiro fundo, volto e o puxo pela mão.
–-Relaxa João. – cochicho pra ele, enquanto meu pai fecha a porta.
–-O que devo a honra dessa visita, tão... Como eu posso dizer... – pai diz nos olhando
–-Ilustre? – completo sorrindo, enquanto observo meu pai sentar no sofá.
–-Eu iria dizer Excêntrico. – ele diz
Sento-me, mas o João continua de pé.
–-Por que excêntrico papai? – pergunto fingindo não entender
–-Não quer se sentar João? – ele se refere à nova estatua da sala
O puxo pelo braço novamente para ele sentar
–-Porque é muito estranho ter vocês dois aqui, juntos – ele enfatiza a última palavra.
–-É porque o assunto que temos a tratar é muito serio. – digo colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha
–-Nossa, pelo tom deve ser mesmo. – papai diz cruzando as penas – Prossiga.
–-Papai o que eu... O que nos – digo colocando uma das mãos no obro do João – Temos a dizer, talvez o senhor não acredite ou fique muito assustado, mas é a mais pura verdade.
–-Diz logo Maria. – ele me apressa
–-Eu e o João, estamos completamente apaixonados um pelo outro. – digo e os dois me encaram – E nos decidimos nos casar.
Papai sorri incrédulo
–-Você esta brincando comigo né Maria? – papai diz levantando – Vocês dois se odeiam, nunca que estariam apaixonados da noite para o dia.
–-Eu disse que ele não iria acreditar Maria. – diz João colocando uma das mãos na testa
–- Não ajuda, mas também não atrapalha. – cochicho – Pai, o João bem disse que o senhor não iria acreditar, mas essa paixão não é de agora pai.
–-Não? – diz os dois em coro
Encaro o João
–-Não, não é de agora. – ele diz gaguejando
–-O João gagueja quando esta mentindo. – diz meu pai
–-Não, ele gagueja quando está nervoso. E é isso, ele esta nervoso. Não é fácil ter uma conversa dessas com o sogro. Ainda mais pai/sogro. – digo
–-Maria eu sei que você quer realizar meu sonho, que não quer que meus patrimônios que eu lutei tanto, vá para o governo. Mas eu fui claro quando eu disse que o casamento só valia se existisse sentimento. – papai diz colocando as mãos no bolso
–-Mas o nosso casamento vai ter muito sentimento né João? – digo olhando pra ele
Dessa vez não estou mentindo, ódio é um sentimento.
–-Ah, isso é verdade seu Carlos. – João diz levantando – Vai ter muito sentimento esse casamento. – ele diz sem gaguejar. Talvez seja porque ele não esta mentindo
–-Já que vocês se amam, por que não falaram antes isso? E ficaram procurando noivos por ai? – papai pergunta se sentando novamente
Pusts! Não pensei nessa porcaria de resposta.
–-Por que? – João refaz a pergunta me olhando
–-Por que né? – retribuo o olhar – Porque. Oras! Porque... – digo voltando a olhar para o papai -- Porque nós tínhamos medo.
–-Isso! – João diz olhando para o papai
–-Medo? – papai diz – Mas medo de que?
Eita pai. O senhor não acha que quer saber demais não?
–- Medo de que o senhor não aprove. – digo – É até porque o senhor sempre nos tratou como se fossemos irmãos. E irmãos não casam com irmãos, então pensamos que o senhor não iria aceitar. – digo estão os dois me encarando – Por isso tivemos que nos separar, com muita dor no coração é claro. – digo atuando perfeitamente bem
Não é a toa que trabalho com isso
–- Mas nós somos tão apaixonados, que resolvemos arriscar. Não achamos nenhum par perfeito, porque nós nos completamos. – digo abraçando o João
–-Isso seu Carlos. – diz João parecendo estar mais relaxado
–-Essa historia esta muito estranha. – diz papai levantando novamente – Como eu posso ter certeza disso que você me falou Maria? Me de uma prova? – ele pergunta
Oh agonia. Meu Deus! Não vai parar de fazer pergunta não?
–- Naquele dia que o senhor disse que o João veio contar que tinha arranjado uma noiva. Então eu estava morrendo de ciúmes. – digo
–-Ciumes? – ele pergunta
–-É.
–-Não posso ter certeza. Isso não é prova, não estava na sua cabeça pra saber se é verdade. – ele diz – Eu quero mais...
Se não fosse tanta loucura, eu iria achar que o papai está querendo que eu beije o João.
–- O que o senhor quer mais? – pergunto com medo da resposta
–-Todo casal apaixonado, demonstra isso com um beijo. – ele diz cruzando os braços
–-Que? – eu e o João gritamos em coral
Gente esse é meu pai mesmo, preciso nem fazer DNA. Filho da mãe! Como assim beijo?
–-Que isso seu Carlos? – diz o João voltando a gaguejar
–-Que isso o que? É normal vocês se beijarem não é? – ele diz – Já que são tão apaixonados
Essa mentira foi ideia minha? Ok. Mas não precisa me punir tão severamente.
–-Sim, mas não. O João não gosta de beijar em publico sabe. – digo sorrindo de nervoso e passando a mão pelo ombro do João. – Ele é muito reservado, né amor? – digo
–-Amor? – ele repete me olhando
O encaro
–-É, claro que é meu bem. – ele diz – Ela me conhece tão bem. – ele diz dando tapinhas na minha mão
Puxo a minha mão, pois ela já estava ardendo
–-Ok. – papai diz
Serio que ele acreditou?
–-Vocês vão ter um mês para me provar que estão apaixonados. E iram ter que fazer tudo o que eu falar. Pra quem está apaixonado, vai ser moleza. Só depois disso eu dou minha benção para o casamento de vocês. – ele diz sentando
O que pode ser pior que beijar o João? Pelo menos ele acreditou.
Eu e o João sorrimos
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