Ps:Te Odeio

9 Morar juntos?


Notas iniciais
Boa Leitura... Não esqueçam que o comentário de vocês agilizam os capítulos... ;)

No caminho de casa não consigo parar de pensar que eu posso ter feito uma grande merda. Olho no relógio que marca exatamente 21h:10min. Dou meia volta com o carro e dirijo até o apartamento do João.

Chego ao apartamento do João, aperto a campainha e ele demora um pouco para abrir a porta. Quando ele abre:

–- O que você faz aqui? – ele pergunta olhando para o relógio de pulso. – Uma hora dessas

–-Nem esta tão tarde assim. – digo entrando – Licença

Ele fecha a porta

–-Vai, diz logo o que você quer Maria. – ele pergunta dobrando a manga da camisa

–-Vem ca, você só usa terno? – pergunto o analisando

–-E o que isso te interessa? – ele pergunta colocando as mãos na cintura

–-Em nada, mas se toda vez que eu te vejo você esta usando terno. – digo – Você usa terno pra dormir? – pergunto

–-Não, Maria – ele diz claramente irritado – Não que seja da sua conta, mas eu acabei de chegar do trabalho. – ele passando a mão pela cabeça

–-Ah... – digo

–-Você veio aqui pra que? – ele pergunta novamente

–-Ah, já ia me esquecendo. – digo ajeitando a bolsa em meu braço – Eu vim aqui, pra perguntar qual é a proposta que meu pai de fez.

–-Ué, porque você quer saber agora? – ele pergunta cruzando os braços

–-Eu não disse pra você me falar depois? Então, o ‘depois’ é agora.

–-Maria, você não quis me ouvir quando estava no trabalho, imagina se você iria querer me ouvir agora. Que esta na hora do seu descanso. – ele diz – Pra você ter vindo até a minha casa, para perguntar isso. Alguma coisa aconteceu. – ele diz colocando os braços na cintura novamente – O que você aprontou?

–-Nossa, falando assim parece até que eu só faço merda. – digo

Ele levanta uma das sobrancelhas

–-Ok. – digo respirando fundo – Quando eu estava voltando pra casa, meu pai me ligou e pediu para eu ir até a casa dele. Chegando lá ele perguntou se você tinha falado comigo a respeito da proposta. – digo. Ele fecha os olhos e respira fundo – E eu disse que sim, né. Ai ele perguntou o que eu achava e se eu aceitava. – sorriu nervosa

–-E o que você disse? – ele pergunta com um ar preocupado

Talvez seja com a resposta

–-Eu resolvi seguir, meu consciente. – digo – Então eu disse que aceitava a proposta.

Ele da um sorriso meio incrédulo e se vira

–-Eu não acredito que você fez isso Maria. – ele diz colocando as mãos sobre o rosto

–-Por que? – digo – Ai eu fiz merda né?

–-Fez... – ele diz nervoso

–-Ai diz logo, a proposta afinal? – pergunto aflita – Ai meu Deus. Não me diga que eu aceitei casar com você com comunhão de bens?

–-Não, pior Maria. – ele diz

–-Então diz agonia. – digo batendo as mãos contra o corpo

–-Seu pai acha que antes da gente se casar, a gente tem que ter uma experiência. E então a proposta dele, é para morarmos juntos durante dois meses. Ai só ai e se nos provarmos que nos damos bem morando sobre o mesmo teto, ele aceitara o nosso casamento. – ele diz

Coloco uma das mãos na cabeça. E me viro

Eu não estou acreditando nisso. Meu pai não podia ter uma ideia pior que essa. Morar sobre o mesmo teto que o João? Tudo bem que a gente já ia se casar e tal, mas eu tinha tempo para me acostumar com a ideia. Mas e agora? Vão ser dois meses de martilho.

–-Eu não estou acreditando nisso. – digo passando as mãos pelo cabelo

–-Maria eu tentei te avisar. Sei lá eu imaginei que você teria uma ideia. Falar que não concorda em duas pessoas morar junto sem ser casado ou qualquer outra coisa. – ele diz – Mas você não quis me ouvir

–-É porque você me cansa João. – digo rodando o cordão em meu pescoço – Eu não acredito que vou ter que morar com você durante dois meses, antes do casamento. – digo com voz de choro

–-O que eu fiz pra merecer isso. – ele diz colocando uma das mãos sobre a boca

Caminho até a janela e olho lá para baixo.

–-Vem cá, que andar é esse? – pergunto

–-Vai me dizer que você não viu quando apertou o numero? – ele diz – Estamos no quinto andar Maria.

–-Se eu pular, eu vou sobreviver? – pergunto juntando as mãos

–-Sim, quebraria uma perna no Maximo. – ele diz

–-Caramba, mas nem pra morar em um andar que de para se suicidar você serve né? Se a pessoa quiser fazer um suicídio aqui, não pode. Porque só vai quebrar uma perna.

Ele respira fundo

–- Se quiser pode tentar, quem sabe você cai de cabeça e tem um traumatismo craniano?

–- Você é louco pra se ver livre de mim né? – digo sorrindo

–-Meu maior sonho. Você não sabe como eu ficaria feliz se ele se realiza-se. – ele diz cruzando os braços

–-Eu imagino. Porém como eu não me importo nem um pouquinho com a sua felicidade e o seu bem estar. Pode se preparar João, que eu vou fazer desses seus dois meses, os piores da sua vida. – digo caminhando até a porta

–-Digo o mesmo. – ele diz abrindo a porta

14 anos atrás

Estava no meu quarto falando com uma das minhas amigas ao telefone sobre a matéria que foi dada hoje na escola. Estou no primeiro ano do ensino médio e parece que as matérias complicam a cada dia. Só queria saber o que as letras estão fazendo na matemática, porque português tem tanta regra e por que a química é tão complicada.

Estava concentrada na explicação que ele estava me dando pelo telefone, quando meu pai me grita. Desligo o telefone e desço correndo.

Quando chego à sala, esta meu pai o tio Pedro e o palerma do seu filho João. Que eu não o suporto me deixa ver, desde sempre. Ele é um ano mais novo que eu e está adiantado uma série, ele tem apenas quatorze anos e já esta no segundo ano. Não eu nunca repeti, ele que metido a nerd.

–-Como vai Maria? – pergunta tio Pedro

–-Eu estou bem e o senhor. – pergunto sendo simpática e ignorando a existência do João

–-Ah, esqueci que estou invisível hoje. – João ironiza

–-Não vai cumprimentar o João filha. – meu pai pergunta

–-Claro... – digo – Por que não iria não é mesmo? – digo – Como vai João?

–-Muito bem obrigado. – ele diz

–-Que pena. – digo baixo mais alto o suficiente para ele ouvir

–-Que? – ele pergunta

–-Nada. – digo

–-Filha o eu e Pedro tivemos uma ótima ideia. – meu pai começa – O Pedro e a Joana resolveram se mudar, só que eles não queriam que o João trocasse de escola e perdesse os amigos dele.

–-Ta. E eu com isso? – pergunto encarando o João

–--Então nos conversamos e resolvemos que o João, vai morar conosco a partir de hoje.

O que?

Gritei mentalmente, que morte terrível. Não é possível, estou em um pesadelo. Isso é pegadinha né? Cadê as câmeras? A produção. Já descobri tudo podem sair.

Não? Não é pegadinha? Nem pesadelo? É real? Morri. Por que senhor? Por que?

–-Que ótimo pai. – digo lamentando – Eu estou tão feliz com essa noticia. – digo mentindo

–-Que bom que gostou meu amor. – meu pai diz beijando minha testa.

–-Nos vamos até o meu escritório. E vamos deixar vocês a sós para conversarem melhor. – diz meu pai saindo da sala com o tio Andre

Eu e o João continuamos a nos encarar, sem falar nada apenas nos encarando. Nesse momento eu queria ter visão de raio lazer. Deus que ódio.

–- Você sabe que olhar não mata, não sabe? – ele diz

–-Eu vou fazer da sua vida, um inferno. – digo cruzando os braços

–-Digo o mesmo. – ele diz colocando as mãos no bolso

–-Então, que comecem os jogos. – digo

Logo depois subo as escadas correndo e volto para o meu quarto.

14 anos depois

Estamos ainda nos encarando.

–-Passar mal. – digo sorrindo ironicamente

–-Que Deus a leve. – ele diz retribuindo o sorriso

Volto pra casa arrasada. Como deixei isso acontecer? Como pude ser tão burra? Aceitar uma coisa dessas é como assinar um documento sem ler. Como vou suportar esses dois meses? É demais pra mim. Vou sofrer eternamente com isso

Ok, talvez eu esteja exagerando um pouquinho. Mas eu já morei a minha adolescência inteira com o João. Não vou suportar isso Brasil.

Meu pai se superou, na boa. Nem eu teria pensado nisso. Como pode ter jogado tão baixo? Ah, mas isso não é culpa dele é culpa daquela Margarida intrometida, alguém pediu a opinião dela, pra alguma coisa?

Chego em casa tomo banho me troco e preparo uma panela de brigadeiro, ligo a Tv e coloco no canal de desgraças. Talvez se eu vê a desgraça dos outros eu perceba que a minha desgraça é mínima.

Ligo para Guido para ele vir pra cá me animar. Não demora muito para a campainha tocar. Corro para atender

–-Oie amiga. – ele diz todo animado – Nossa que fossa. – ele diz vendo minha aparência deprimente

Ele entra e repara na panela de brigadeiro em cima da coberta que estava me cobrindo

–-Brigadeiro, coberta e... – ele olha para a televisão que esta passando tragédias no mundo – Ok, eu esperava ver um filme romântico, mas como você não é normal. – ele diz virando para mim – Diz pra mim. O que aconteceu? – ele pergunta

Antes de eu começar a falar ele me interrompe

–-Ai já sei. O João desistiu do trato e não vai mais casar com você, ele achou uma noiva e vai casar com ela. – ele diz – E você esta nessa bad, porque vamos ter que começar a busca toda de novo. Acertei?

Balanço a cabeça negativamente

–-Antes fosse isso. – digo me sentando no sofá novamente – É pior.

–-Pior que isso? – ele repete – Oh, my god. Seu pai morreu?

–-Não. – digo – Vira essa boca pra lá.

–-Ah então não sei gente.

–-Eu vou ter que morar durante dois meses com o João para experiência. – digo lamentando e colocando as duas mãos na cara

–-É isso gente? – ele diz sentando – Você esta fazendo esse drama, porque vai morar durante dois meses na mesma casa que aquele um metro e noventa de formosura? – ele pergunta cruzando as pernas

–-Claro que é. E não é drama. É tragédia... – digo colocando uma colher de brigadeiro na boca

–-Devo te bater agora ou mais tarde? – ele pergunta – Amor cheio de mulher e eu no mundo querendo um metro e noventa daquele. E você fazendo show porque tem um. – ele diz pegando minha colher de brigadeiro

–-Guido, eu odeio o João. Vamos-nos matar. – digo

–-Que se matem amor. Se matem de prazer os dois juntos. – ele diz mexendo no cabelo

–-Nunca. – digo

–-Nunca é uma palavra muito forte. – ele diz – Mas tudo bem. Explica melhor porque você vai ter que morar durante dois meses com o João?

Explico tudo a ele. Depois de conversarmos bastante ele vai embora. Já havia terminado de comer o brigadeiro, então levanto e vou colocar a panela na cozinha. Volto para a sala e sem perceber durmo ali mesmo.

Notas finais
Sabia que ela tinha feito merda. Comentem...