Ps:Te Odeio
10 Almoço
Notas iniciais
Acordo toda dolorida. Dormir no sofá não é uma das melhores coisas da vida. Levanto e vou me arrumar para mais um dia cansativo de trabalho. Não demora muito, para eu estar pronta para sair. Pego minha bolsa e saiu rumo ao trabalho.
No caminho lembro-me da minha triste realidade. Casar com o João não é e nunca foi meu sonhe de consumo pra vida, mas a vida não é perfeita, infelizmente você não tem controle sobre certas coisas na vida, isso me deixa bem triste, estressada e nervosa, muito nervosa, porque detesto não ter o controle sobre tudo. Isso é um grande defeito meu.
Chego ao trabalho e meu dia começa. Mais uma serie de testes com vários atores, que parecem ter comprado o DRT, porque não é possível. Preciso de muita paciência com cada ator que entra. Ainda falam que eu não tenho paciência com as pessoas. Meu amor se eu não tivesse a paciência que tenho câmeras e cadeiras voariam.
Acaba de sair daqui um verdadeiro, como eu posso falar? Melhor não falar nada, para não ridicularizar o rapaz.
–- Ok, esse foi o pior do dia. – diz Elisa trazendo um copo d’água pra mim
–-Com certeza Elisa. – digo pegando a água – Vamos parar para o almoço, ok? – digo dando um gole na água
–- Ok. – ela diz se retirando
Coloco o copo d’agua em cima de uma mesa que tinha ali. Arrumo minhas coisas para ir almoçar
–- Iuhuul Darling! – diz Medeline entrando acompanhada de Guido
–-Viemos aqui te convidar para almoçar. – diz Guido – E não aceitamos não como resposta. – ele diz mexendo no cabelo
–- É claro que eu aceito. Detesto almoçar sozinha. – digo pegando minha bolsa
Estávamos prontos para sair quando meu celular toca:
–-Só um momento. – digo pegando o celular para atender – Alo? – atendo
–- Maria – é meu pai – Liguei para te chamar para almoçar comigo hoje. – ele diz
–-Claro pai. – digo olhando para Guido e Medeline – Mas alguma ocasião especial?
–-Não. É apenas para conversarmos sobre aquele assunto. – ele diz – O João também almoçara conosco
–- Ah, que ótimo. – digo revirando os olhos
–- Então te espero, aqui em casa. – ele diz e desliga
Coloco o celular no bolso da calça e encaro Guido e Medeline
–- Não vou almoçar com vocês. – digo seria
–- Ah, por quê? – pergunta Medeline
–-Meu pai quer que eu almoce com ele. – digo
–-O João vai estar nesse almoço? – Guido pergunta
–-Infelizmente sim. – lamento
–- Acho que seria uma ótima ideia almoçarmos todos juntos. – ele brinca
–- Eu iria adorar Guido, mas meu pai quer falar sobre aquele assunto.
–-Que assunto – pergunta a Medeline
–-A desenformada. – diz Guido
–-Depois te conto Meddi – digo
–-Por que depois? – ele diz cruzando os braços – Você contou para o Guido
–-Ih gnomo, aceita. – ele diz – Ela contou pra mim porque sou o melhor.
–- Me chama de gnomo de novo, pra você ver se não te deixo almoçar sozinho.
–-Gnomo. – ele diz brincando – Ok parei.
–- Gente, vamos logo, por favor? – digo indo em direção a porta
–-Vamos. – os dois falam em coro
Guido e Medeline pegam um taxi e seguem para o lado oposto do meu. E eu entro no carro e sigo para a casa do meu pai.
No caminho penso em milhares de coisas. Não consigo ficar tranquila sabendo que terei que morar durante dois meses na mesma casa que o João. Ok já iríamos nos casar, mas sei lá. Não era pra ser assim tão rápido. Nem deu tempo de me preparar psicologicamente para isso. Imagina acordar todo dia e olhar pra cara daquele energúmeno.
Dessa vez, não pego transito para chegar á casa do meu pai, quando estou quase chegando à frente, avisto o carro do João vindo à minha direção. Sim ele entrou pela outra entrada do condomínio. Paramos os carros quase que se batendo.
Respiro fundo e desço
–- Como vai Maria? – ele diz
Ele faz pra me provocar né
–-Você pode fazer o favor de não falar comigo? – caminhando até a porta
–- Esta com raiva de mim, ou de você mesma? – ele pergunta – Porque não fui eu quem aceitou uma proposta as cegas. – ele completa
–- João não me testa a paciência. – digo alterando a voz e virando pra ele
–- Eu que deveria estar muito irritado com você Maria. – ele diz – Deveria não, estou. – ele altera também a voz
–- Ah, jura? Nossa eu me importo tanto com isso. – ironizo
Assim que eu termino de falar meu pai abre a porta e eu e o João sorrimos na maior falsidade do mundo.
–-Enfim chegaram. – diz meu pai – Estavam brigando não né?
–-Brigando? Eu e o João? – digo sorrindo – Há tempos não sabemos o que é isso. – digo entrelaçando nossos braços
–- Há tempos mesmo. – ele confirma – Estávamos apenas tempo uma discussão de relacionamento, nada serio e normal, entre os noivos – ele diz.
Estou surpresa por ele não ter gaguejado ou suado frio
–-Ótimo. Então vamos almoçar. – ele diz entrando – Margarida já preparou o almoço
Entramos logo em seguida
–-Essa tal de Margarida é alguma coisa do seu pai? – ele pergunta
Ainda estamos de braços dados
–-Também queria saber. – digo. Logo percebo que ainda estamos de braços dados e puxo o meu braço – Não fale comigo, quando não for para fingir para o meu pai ok? – digo e saio andando
Estamos todos à mesa, meu pai praticamente obrigou eu e o João sentarmos um do lado do outro. Servimos-nos e logo começamos a almoçar. Não demora muito para o meu pai tocar no assunto: morar junto.
–-Então? Já decidiram onde vão morar? – ele pergunta dando uma garfada em seu prato – Hum... Eu até pensei em comprar uma casa para vocês, mas não sabemos se a experiência dará certo. – ele diz bebendo um pouco de suco
–- E comprar casa pai, eu acho um pouco demais. – digo
Olho para o João que também esta dando um gole em seu suco
–- O João tinha pensado em morarmos no apartamento dele. – digo limpando a boca com o lenço
Assim que termino de falar o João se engasga com o suco e começa a tossir.
–- O que? – ele diz entre a tossi
Dou leves, mentira. Dou tapas em sua costa.
–- É meu amor, você não disse? – digo dando uma garfada na minha comida
Meu pai e Margarida estão nos encarando
–-Disse, disse. – ele diz me fuzilando com os olhos
–- Ótimo. Mas quero deixar claro que esse apartamento, não será a moradia permanente de vocês. Se tudo der certo dentre esses dois meses, eu iria dar de presente para vocês uma casa como a minha. O que acham?
–- Por mim tudo bem seu Carlos. – ele diz – Mas pela Maria, ela disse que ela adoraria ela mesma comprar a nossa casa.
É a minha vez de engasgar.
–-Claro que não, está maluco. – digo rápido – Quero dizer... Você entendeu errado meu amor.
–-Tenho certeza que não entendi errado não. – ele diz me encarando
–-Entendeu sim. – digo entre dentes e encravando minhas unhas em seu joelho – Eu só disse que seria muito bom, se nos mesmos conseguíssemos comprar nossa casa. Mas eu aceito seu presente de coração papai. – digo
João tira a minha mão de seu joelho
–-Que bom minha filha. – papai diz
–-Vocês fazem um casal muito bonito. – se intromete Margarida – Tenho certeza que até vocês se surpreenderam com esse casamento.
É realmente eu vou me surpreender, pois tenho certeza que com esse casamento, eu vou melhorar minha pontaria. De tanto arremessar coisas no João.
Sorrio
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