Notas iniciais
Desculpem a demora. Boa leitura

Alguns dias se passaram. Nestes dias papai resolveu faz uma viagem para relaxar e se divertir. Falou que voltaria daqui a dois meses. E deixou claro que quando voltasse seria para o meu casamento. Ou seja, ele praticamente intimou que devemos preparar o casamento em dois meses apenas, o que eu acho impossível. Que tipo de casamento é preparado em apenas dois meses?

Meu pai perdeu o juízo completamente.

—- Dois meses? – Guido refaz a pergunta pela milionésima vez

—-Quantas vezes você quer que eu repita? – digo me jogando no sofá

Estou na casa do Guido. Vim contar a grande novidade, e lhe pedir ajudar. E ele está aparentemente inconformado com o pouco tempo que temos.

—- Quem prepara um casamento em dois meses? – ele está dizendo andando de um lado para o outro – Eu planejei tantas coisas. Não vai dar tempo de colocar todo plano em prática – ele diz sentando na poltrona à minha frente

—- Como assim, planejou tantas coisas? – pergunto me consertando no sofá

—- Ah, você sabe. – ele se levanta -- Um casamento no campo, chuva de prata, hologramas seu e do João em cima do bolo. Porque aqueles bonequinhos ninguém merece, cafona e fora de moda. Pensei também... – o interrompo

—- Hologramas?—pergunto – Guido você sonhou de mais. Pra que tanto exagero?

—- Ah, o vestido. Eu pensei em um vestido bem estilo princesa sabe? De mangas compridas com detalhes de renda. Uma grinalda longa... Ah, eu pensei na roupa do João também. Ele poderia usar um terno tipo de príncipe sabe? – ele diz olhando para o infinito – Ai vocês seriam os noivos mais lindos. – ele diz suspirando e colocando uma das mãos sobre o peito, mas logo fecha a cara – Mas seu pai estragou todos os meus planos.

—- Guido você idealizou muita coisa. – digo prendendo o cabelo em coque – Não esqueça que esse casamento é só de fachada. Eu não vou fazer um casamento exagerado que só durará alguns meses.

—- Hum. Como você pode ter tanta certeza? – ele diz se sentando ao meu lado

—- Como assim? – pergunto

—- Ué. Você e o João em uma casa sozinhos, uma hora vocês não vão ter mais motivos pra brigar. Vão estar sem nada pra fazer, sem ter ninguém pra conversar. Vamos começar a conversar se entender e... – o interrompo

—- E... nada! – digo levantando – Se a gente começar a conversar vai dá briga. – digo – Guido eu e o João, somos o tipo de pessoas que nasceram para se odiar.

—- Eu não tenho tanta certeza. – ele diz – Eu diria até que vocês foram feitos para se amar. – ele diz sorrindo

—- Só se foi em outra vida. – digo – Porque nessa, o único sentimento que temos um pelo outro é o ódio. – Eu odeio o João.

—- Por que motivo? – ele pergunta – Sempre quis saber.

—- Motivo?

Essa pergunta me fez pensar. Nunca teve um motivo real que me fizesse odiar o João. E se teve, eu não lembro.

—- Não precisa de motivos. – digo – O João é aquela pessoa que até a maneira que respira me irrita.

—- Hum. Eu acho que esse “eu odeio” de vocês, é uma maneira de dizer “eu amo” – ele diz levantando

—- Há vai dizer que virou psicólogo agora?

—- Não, mas vocês fazem um casal tão lindo. – ele começa – É incrível que mesmo brigando, vocês se entendem. Ah, e outro ponto fortíssimo, é que vocês se conhecem.

—- Guido não esquece que eu e o João moramos sobre o mesmo teto. Tivemos que reaprender a conviver um com o outro. E o fato de nos conhecermos, bom mesmo que eu não quisesse aprender, é praticamente impossível, conhecer a pessoa a vinte oito anos, e não saber pelo menos um pouco dela. – digo – E vamos mudar de assunto?

—- Tudo bem. – ele diz – Vamos começar a resolver algumas coisas do casamento então? – ele diz pegando o notebook

Respiro fundo

—-Vamos!—digo sentando no sofá, ele se senta ao meu lado – Queria que a Medeline estivesse aqui – digo lembrando que ela ainda está viajando

—- Ah, minha gnomozinha. Saudades de brigar com ela. – ele diz abrindo o notebook

Sorrio

Começamos a procurar algumas agencias de casamentos. Para tirar pelo menos um pouco de peso das minhas costas

POV JOAO

Papéis pra assinar, reuniões para assistir, casamento para resolver. Eu definitivamente estou casando. É tanta coisa pra resolver em tão pouco tempo. Principalmente esse casamento que a cada dia acho que faz menos sentido.

Ainda não sei como fui aceitar essa ideia da Maria. Ainda não sei como vou lidar com tudo isso. A gente não se suporta, as pessoas estão carecas de saber. Pra mim elas sabem de toda verdade e só estão dando corda pra uma puxar e nos enforcar. Como eu queria voltar no tempo.

Estou na minha sala, de pé olhando pela janela, de costas para a porta. Quando batem na porta. Permito que entrem, ainda de costas.

—- Pensando no casamento? – é Arthur

Viro-me e caminho até minha mesa

—- Também. – digo suspirando – Às vezes me da uma vontade de jogar tudo pela janela. – digo apoiando uma das pernas sobre a mesa

—- Te entendo. – ele diz se sentando – Um casamento de fachada, e pra daqui a dois meses, é realmente um problemão.

—- Nossa! Muito obrigado Arthur. Eu realmente me sinto melhor. – digo esfregando as mãos

—- Foi mal. – ele diz – Eu vim pra ver se consigo te ajudar e acabo fazendo o contrario.

—- Agradeço a sua boa vontade. Mas suponho que ninguém possa me ajudar. – digo

—- Nem com os papeis do casamento? – ele diz coçando a cabeça

Abaixo a cabeça sorrindo

—- Isso pode sim. – digo indo sentar na minha cadeira

—- Pode deixar. Que eu mando agilizar tudo.

—- Eu ficaria muito grato. – digo encostando as costas na cadeira – Ah, esse casamento ainda vai me dar muita dor de cabeça.

—- Você é muito dramático ás vezes sabia? – ele diz

—- Dramático?

—- Sim. Você vai se tornar dono de todas as empresas de publicidade do seu Carlos, vai poder mandar e desmandar aqui dentro. E de quebra vai casar com a filha dele, que com todo é maravilhosa. – ele diz – Não acha que está reclamando um pouco de barriga cheia?

—- Não! Não acho. – digo cruzando os dedos e apoiando os cotovelos na mesa – Eu sempre sonhei sim em seguir os passos do seu Carlos. Ele foi e sempre será como um pai pra mim. Mas a maneira que tudo está acontecendo. – digo balançando a cabeça negativamente – Eu estou mentindo pra ele, para meus pais, para todos. Eu estou me submetendo a casar com uma mulher que eu não amo, muito pelo ao contrario, uma mulher que eu odeio.—digo descruzando os dedos e voltando a encostar as costas na cadeira

—- Você só está pensando na ruim da coisa. – ele diz – Você está mentindo, ok. Mas vai estar realizando um sonho do seu Carlos. Ele vai ver você se casando, vai ver você assumindo as empresas, vai ver você crescer. – ele diz levantando – E quanto ao fato de você casar com uma mulher que você odeia. Não é um sacrifício tão grande assim.

—- Ah, não?

—- Não. João qualquer homem nessa empresa gostaria de estar no seu lugar meu querido. A Maria é uma mulher linda. – ele diz – Acho que só você não enxerga

Dou um leve sorriso e abaixo a cabeça

—- Quem disse que não? – digo voltando a encara-lo

POV MARIA

Estava esperando Guido na sala de sua casa, para sairmos. Cansei de procuras agencias, de ver vestidos de noivas, até vídeos de casamento e tutorias de penteados, Guido me fez ver. Preciso respirar tomar alguma coisa, e ver pessoas usando roupas que não sejam vestidos de noiva.

-- Vamos? – ele pergunta aparecendo na sala

—- Vamos! – respondo pegando minha bolsa em cima do sofá.

Já estamos dentro do meu carro decidindo a onde vamos tomar café.

—- Ah, tem um restaurante incrível que vende os melhores cafés do Rio de Janeiro. – ele diz enquanto dirijo

—- To com vontade de tomar milkshake Guido. – digo – E de baunilha.

—- Ih, ta grávida. – ele brinca

Rio

—-Como se fosse possível. – digo balançando a cabeça negativamente

Estou concentrada no transito quando vejo um cachorrinho bem pequeno, preto todo peludo. Uma graça

—- Ah, Guido olha que judiação. – digo direcionando o carro para a calçada onde está o cachorro

—- Tão lindinho e tão pequeno. – ele diz – Espera Maria o que está fazendo? – ele pergunta enquanto paro o carro

—- Vou até o cachorro. – digo saindo do carro ele vem logo atrás

—- Ai meu Deus. – digo abaixando perto do cachorro – Como tem gente que tem coragem de abandonar essa coisinha?

—- Ele é uma graça mesmo. – Guido concorda

Pego o cachorrinho no colo e levanto

—- Você não vai fazer o que eu estou pensando vai? – ele pergunta

—- Se você está pensando que vou levar ele pra casa. Sim eu vou fazer isso. – digo indo até o carro

—- Maria isso não vai dar certo. O João não vai gostar nada. – ele diz

Entro no carro ele entra logo atrás de mim

—- Como se eu ligasse. – digo – Mudança de planos Guido. Vamos ao pet shop e ao veterinário. – digo colocando o cachorrinho no banco de trás – Eu vou me dar um cachorrinho.

—- Ai meu Deus. – Guido diz

—-Que nome você acha que devo dar a ele? – pergunto

—- O João vai ter um ataque. – ele diz

—- Muito grande esse nome. – digo – Você vai se chamar Bruce. – digo olhando para o cachorrinho pelo retrovisor enquanto o mesmo estranha o carro e tampa o fucinho

Sorrio e dou partida

Guido balança a cabeça negativamente

Notas finais
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