Ps:Te Odeio
33 Terror
Notas iniciais
Depois de levar o Bruce no veterinário e pet shop, fui comprar as coisas necessárias para ele. Como ração, coleira, caminha, caixinha de areia. Depois de comprar tudo me veio a pergunta:
Onde que vou enfiar tudo isso?
—- Ah! Eu dou um jeito. – penso alto enquanto coloco as compras no porta mala
—- Dá um jeito em que? – Guido pergunta me ajudando
É claro que não deixaria Guido ir embora sem me ajudar com tudo, ele reclamou um pouco, mas quando que ele não reclama?
—- Estava pensando onde colocar tudo isso. – digo fechando o porta mala
—- E você já sabe onde? – ele pergunta – Porque o apartamento não é tão grande assim.
—- Quando eu chegar em casa eu resolvo isso. – digo entrando no carro. Guido entra logo em seguida.
Partimos para casa.
Assim que chegamos, coloco o cachorrinho no chão, ele estranha um pouco e fica deitado ao lado da porta de entrada. Graças a Deus o prédio permite animais. Mas se não permitissem, ficaria com o Bruce do mesmo jeito. Guido me ajuda a carregar tudo, alias são muitas coisas.
—- E então? – Guido pergunta colocando a caixa de areia no chão da sala – Já decidiu onde ele vai ficar?
—- Já. – digo afirmando com a cabeça – Por enquanto ele vai ficar no quarto e a caixinha de areia na área de serviço. Tem espaço o suficiente lá.
—- Hum... – ele diz – Isso não vai dar certo
—- Vai sim. O veterinário disse que é só eu ensina-lo a fazer as necessidades na caixa de areia, que ai ele não faz no lugar errado. – digo olhando para o Bruce que continuava deitado no mesmo lugar -- E como ele é pequeno, vai aprender rápido.
—- Me refiro ao João. Não as fezes do cachorro. – ele diz e eu respiro fundo indo sentar no sofá
—- O maxímo que o João pode fazer é esbravejar, mas nada. – digo concertando a manga da minha camisa
—- Você está querendo promover a terceira guerra mundial. – ele diz – Bom, eu tenho que ir agora. Mais tarde ligo, para saber como ele reagiu. – ele diz caminhando até a porta
Levanto-me e o acompanho. Depois de fechar a porta, pego Bruce no colo e caminho com ele até o quarto. Eu até o deixaria dormindo também na área de serviço, alias seria o mais apropriado, mas ele é tão pequeno, me dá dó deixá-lo sozinho. Então decido deixá-lo no quarto mesmo. Espero que ele não faça sujeira no meio dá noite.
Depois de arrumar e colocar tudo em seu devido lugar. Levo Bruce até a área de serviço, pra colocar ração para o mesmo. O deixo comendo, e vou tomar banho.
Quando saio do banho volto para a área de serviço e a mesma já estava suja.
—- Meu Deus! – digo assim que entro – Como você tão pequeno e fofinho faz um estrago desses? – digo o encarando. Ele se encontra ao lado da caixa de areia. – Por que não fez o que tinha que fazer, na caixinha? – digo. Como se ele fosse me responder
Tento ensiná-lo da maneira que o veterinário me explicou. Se bem que nem eu entendi muita coisa. Mas ele deve ser um cachorrinho esperto e deve estar entendendo tudo. Espero.
Depois de ensiná-lo, ou pelo menos ter tentando, limpo a sujeira. E vou para a cozinha, procurar algo para comer. Faço um lanche rápido e volto para ver como esta o Bruce e o encontro dormindo ao lado da caixinha de areia.
Sem muita coisa pra fazer, vou para sala e decido ficar assistindo televisão. Não acho nada de interessante para assistir, apenas um canal, onde visivelmente só passa filmes. Interesso-me pelo filme e resolvo assistir.
Fiquei assistindo filmes, pelo que me pareceu um eternidade. Nem notei que a tarde passou rapidamente. Bruce já tinha acordado e estava deitado atrás do sofá, de frente para porta. Tenho a sensação que esse cachorrinho é um pouco preguiçoso, mas é tão lindinho.
Estou intertida no filme de terror que está passando e nem percebo quando João abre a porta.
—- Mas o que é isso? – é a primeira coisa que ele diz
O encaro e percebo que ele está olhando para o Bruce
—- Bruce, João. João, Bruce. – digo os apresentando
—- Isso é um cachorro? – ele pergunta
—- Não – digo balançando a cabeça negativamente – É uma arara azul. – ironizo. Volto a olhar para TV
Ele respira fundo
—- O que esse cachorro está fazendo aqui? – ele pergunta passando a mão na testa
O encaro e olho para Bruce que continua atrás do sofá
—- Está enfeitando a sala. – digo dando um leve sorriso de deboche
—- Por favor, Maria. – ele diz enlanguescendo a gravata – Não, podemos ter um cachorro em casa.
—- Mas quem disse que o Bruce é um cachorro? – digo levantando – É uma arara-azul, lembra? – digo com o mesmo sorriso no rosto
Ele coloca as mãos na cintura e respira fundo novamente
—- Maria! Não estou com paciência pra você hoje. Muito menos pra esse cachorro. – ele diz
—- Mas ele se comporta muito bem. – digo olhando para Bruce – Não vai te incomodar em nada. É tão pequeno.
—- Maria, isso é um cachorro. – ele diz – Não um urso de pelúcia.
—- Parece. – digo cruzando os braços
—- Precisa de cuidados. – ele diz tirando o terno
—- Eu cuido. – digo
—- Esse cachorro não vai ficar pequeno pra sempre. – ele diz
—- Eu sei disso.
—- Não dá pra termos um cachorro em casa.
—- Você já disse isso. – digo indo até o cachorro – João o Bruce fica. – pego Bruce no colo
Ele coça a cabeça e cruza os braços
—- É impossível conversar com você. – ele diz indo para o quarto
Assim que ele some da sala, comemoro.
—- Há, vencemos. – digo ainda com o Bruce no colo – Toca aqui. – digo encostando minha mão em uma de suas patas.
Volto a sentar no sofá, ainda com Bruce no colo e continuo vendo meu filme, que graças ao João perdi metade dele.
Às vezes nem eu sei como consigo assistir filmes de terror. Apesar de não saber esse é o segundo filme de terror que estou vendo hoje. Quero só ver como vai ser pra dormir
—- Oh, você vai dormir comigo, ta ouvindo? – digo me referindo ao Bruce que ainda estava no meu colo.
Existe cada filme de terror estranho que só o nome me causa calafrios. Não vi muitos filmes de terror em toda minha vida, se vi três foi muito. Claro que com esses dois que vi hoje são cinco. Admito que até gosto do arrepio na espinha, dos calafrios do grito que fica preso na garganta. Isso significa que o filme é bom. Alias filme de terror só é bom quando dá medo. Mas a parte de dormir depois sempre foi complicada pra mim. Por isso quase nunca assisto e graças a Deus, nunca precisei dirigir nenhum. Os filmes de terror que mais me apavoram são os que têm palhaços. Só de pensar nessa palavra, arrepia meu corpo inteiro.
Esse filme que estou vendo foge completamente dos clichês, que contem fantasmas, assombrações demoníacas entre outros. Mas mesmo assim consegue me deixar aflita e me fazer sentir todas as sensações, que qualquer outro filme de terror me faz sentir. O filme está mais para um mistério, mas um mistério muito bem aterrorizante, tenso e angustiante.
Estou na metade do filme, algumas cenas são fortes demais. Além de tapar meus olhos, tapo o de Bruce também. Estou de olhos fechados, quando sinto uma mão gelada tocar meu ombro. Grito tanto que chego a sentir dor na garganta
—- João! – o repreendo colocando Bruce no chão e levantando – Você quase nos matou de susto.
—- Ninguém manda ficar assistindo filme de terror. – ele diz rindo da minha reação
—- O que você quer? – pergunto ainda sobre o efeito do susto
—- Dormir. – ele diz cruzando os braços – Já passam de 00h: 00min e preciso dormir.
—- Não podia ter chamado? – pergunto – Ao invés de ficar tocando nos outros. Ainda toca com essa mão gelada, que parece mão de defunto – digo fazendo gestos com a mão.
—- Maria, eu arrumei minha cama ao lado do sofá e você nem percebeu, de tão intertida. – ele diz – Pensei que se te chamasse não me escutaria. Alias não iria perder a oportunidade de te assustar.
—- Haha, muito engraçado. Adorei o susto. – digo ironizando – Eu quero terminar de assistir o filme.
—- Ótimo dorme na sala que eu durmo no quarto. – ele diz se virando
—- Não João. – digo – O filme já está acabando. O que custa esperar mais um pouco. Já está acordado mesmo.
—- Eu estou com sono, Maria. Eu acordo cedo. Custa muito. – ele diz
—- É rápido deve faltar menos de vinte minutos. – digo sentando
O ouço bufar e deitar em sua cama improvisada.
—- Quero só ver se você vai conseguir dormir. – ele diz
—- Não sou mais criança João. – digo deitando no sofá
—- Sei...—ele diz
Com certeza faltava mais que vinte minutos para o filme acabar. Mas quero saber o final e de qualquer jeito, tenho certeza que vou demorar muito pra dormir.
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