Próximo Momento
1 Prólogo
Corre. Mais rápido. Vão te pegar. Vão te violar de novo. E dessa vez pode não ter escapatória. Escuto barulho de passos pesados, estão cansando, eu sinceramente espero que cansem.
-- Onde você pensa que vai? -- Longe de você, pode ter certeza. – Me afasto. Ele não vai me prender de novo.-- Ninguém vai te machucar... -- Sério? Não foi o que aconteceu da ultima vez. – Só de lembrar daquele lugar imundo, um porão cheio de tudo que é mais nojento. Acredite em mim, você nunca ia querer estar naquele lugar.-- Prometo, Paola, não vão te machucar, só fizeram aquilo porque você se rebelou. -- Como é? Você jurou me proteger, Giovane, jurou que nunca mais eu iria ter medo. Não confio em você. Não confio em ninguém.-- Por favor, Lola, não faça isso comigo!-- Já fiz Gio, já fiz. Exatamente naquele segundo os outros caras chegaram, armados até os dentes, atiraram sem medo no vácuo, eu não estava mais lá, estava perdida, em algum lugar do passado... Não é nada agradável viajar dessa forma, escuto vozes das pessoas ao longo do percurso, meus ouvidos doem, certa vez fui tão longe que quase fiquei surda, não sei mais se eram as vozes ou a pressão ou a gravidade, também não sei como o faço, meu corpo parece que muda de forma, me sinto mais leve quando viajo, parece que meus órgãos se transformam em água, até que eu pare em algum lugar, demoro uns 3 segundos pra me estabilizar, mas isso depois de muitos anos de prática. Sou Paola Lengyel, Húngara, com 18 anos, me encontro nesse momento perdida onde eu acho que seja a Turquia, não sei o ano, já me acostumei depois de tanto tempo fazendo isso. Mas terei problemas com essas minhas roupas... --Kız, nereye gidiyorsun? Bunlar ne kıyafetler? Buraya geri alın! (Menina, onde você vai? Que roupas são essas?! Volte já aqui!) – Diz um homem que passava na rua, certeza que estou encrencada. Começo a correr com toda velocidade que consigo, o cara é velho, mas tem um bom pique. Entro em um beco, são casas antigas, estarei bem ferrada se me pegarem porque parece que entrei na idade medieval de calça jeans. Corro até minhas pernas formigarem e quando olho pra traz me vejo cercada de mulheres boquiabertas aparentemente com minhas roupas, o homem que me seguia deve ter cansado, mas delas eu não terei nem chance de escapar. -- Bu ne cüret! Bir erkek gibi giyinmiş!( Como se atreve! Vestida como homem!) – Grita uma das senhoras-- Kamu meydanında yakılacak hak ediyor!( Merece ser queimada em praça pública!) -- Diz uma segunda mulher, ambas aparentam ter menos de 40 anos. Preciso mesmo saber que em que ano estou, antes de ser presa ou qualquer coisa do tipo. -- S'il vous plaît! Je ne sais pas où je suis! Je me suis perdu et volé ces vêtements pour ne pas avoir froid! J'ai besoin d'aide!( Por favor! não sei onde estou! Me perdi e roubei essas roupas para não ficar com frio! Preciso de ajuda!) – Digo ao melhor francês que sei... As malditas aulas quando era criança devem me servir para alguma coisa...-- Êtes-vous français? (Você é francesa?)-- Oui! J'ai été enlevé et je sais pas où je suis!( Sou sim! Fui raptada e não sei onde estou!) -- Digo desesperada. Espero que a tenha convencido... A mulher vem até mim e tira seu manto das costas, me abraça e leva pra dentro de sua casa. Era pequenas mas aconchegante, uma lareira na parede da esquerda, um sofá cor de caramelo, uma prateleira de livros, as paredes são amarelas, com um desenho que imita flores, uma cerejeira.-- De quando você vem? -- Você fala minha língua?-- Você quase me convenceu que era uma garota raptada, mas então vi suas vestes e não, você não foi raptada, você vem de algum ano à frente. Diga, de quando você vem? Sinceramente não sei se devo contar a essa mulher, o olhar dela me deixa apreensiva, como se soubesse de tudo... Posso sair daqui em alguns segundos...-- Cher... nous visitons? (Amor, temos visita? ) -- Diz um homem a porta.-- Apparemment pas. (Aparentemente não) – Escuto ao fundo. Sai dali, isso acontece sempre que fico nervosa, acabo sumindo sem minha vontade. Aquele homem me deixou ainda mais insegura, e aquela mulher? Será que ela seria igual a mim? E como sabia que língua eu falava? Droga agora vou estar perdida de novo. Era um lugar estranho, parecia um armário, pela fresta da porta vi um rapaz sentado, ele tinha em torno de 25 anos, com um óculos esquisito no rosto, parecia estar em um escritório... Transbordava confiança na voz. Falavam de alguma coisa relacionada a um caso... Ele deve ser policial ou ter uma amante... Não escuto direito após chegar de uma viagem, como já te falei, não quero xeretar também, seja o que for não parece ser nada bom... Meu deus! A mão dele está vindo nessa direção! -- Do mesmo jeito que sei de toda sua historia.As mãos dele! Como assim não me viu? Que diabos está fazendo? Se eu gritar esse louco com certeza saberá que estou aqui! -- Vi a verdade na alma delas. Mas isso não vem ao caso.E então esse maldito começa a mexer em meu seio direito!
-- Nossa. Não me lembro de ter almofadas tão confortáveis. – Diz o cara de óculos escuros e ainda mais esquisitos de perto. Ele pega um notebook e levanta o corpo.Você ainda vai ver, senhor Hermann. Vai pagar caro por isso. Preciso ir embora, não é mais minha escolha.Acabo por chegar em um lugar diferente, a viagem dessa vez foi estranha, as vozes estavam mais altas, senti como se fosse me encolher ao tamanho de um átomo. Minha visão está turva, mas percebo que estou no esgoto, ou pelo menos parece, sabe esgotos de desenhos animados? Parecem túneis, só que grandes com agua suja escorrendo, só que desse a água está quase limpa, estou numa estação de tratamento. O barulho da água é confortante... Me deito na base e deixo que ela me lave, me concentro em cada milímetro do corpo recebendo aquela maravilha, quase durmo com tanta paz, nunca tinha parado em um lugar tão tranquilo, estou sempre fugindo de alguém em algum lugar... Descansar é bom. Após horas ali resolvo me levantar, e acho a saída, é por volta das 16 horas, pareço estar no alto verão, minhas roupas agora úmidas me refrescam, preciso comer algo, e talvez arrume emprego. Com muita sorte um lugar pra dormir. Parece que já vim aqui antes, as casas, as ruas, claro que mais desenvolvido... Estou por volta de 2016, pelo meu corpo... Não te contei né? Tenho uma modificação a cada vez que viajo, se vou para o futuro ganho mais 3 anos na aparência. Tenho essencialmente 22 anos, meu corpo tem 25 agora. Se volto ao passado perco por volta de 2 anos, isso seria uma noticia feliz pras mulheres que querem rejuvenescer a todo custo... Mas o caso é que tenho 25 anos e estou na minha cidade natal, aqui nunca passa de 25º no verão... E deve ter uns 35 a 40 no momento... Estou assustada com isso. Dirijo-me quase sem pensar a minha antiga casa, antes de toda essa maluquice começar. Quando chego à minha rua o choro é inevitável, aquele lugar já me trouxe tantas lembranças boas, começo a correr pela rua deserta, as casas estão lindas, pintadas, como eram só que com cores vivas, o asfalto está perfeito, minha casa é a azul, sempre amei o azul, pedi para meu pai quando tinha uns 7 anos para pintar meu quarto de azul, ele me repreendeu: “ azul é cor de menino” não ligo tanto hoje, mas... A sensação de estar em casa é magnifica, e depois de uns 10 minutos de pura nostalgia chego a frente dela, e continua da mesma forma... Não sei se bato na porta. Podem ter pessoas diferentes aqui, apesar dela ainda ser azul, apesar de ter o mesmo aspecto aconchegante de quando me lembro... Não resisto e bato, pelo menos poderei dizer que quero um copo d’agua. Ninguém responde, mas a porta na terceira batida se abre... Minha curiosidade vence, acabo empurrando e vejo que está do mesmo jeito que era quando parti. Será que o tempo não passou enquanto estive fora? Entro pela casa, ela tem cheiro do lustra móveis que minha mãe usava as fotos ainda estão na parede, impossível não chorar me vendo criança ali, impossível não reviver tudo de novo, cada momento retratado nas fotos é como uma viagem no tempo, mas de um jeito gostoso. Subo ao meu quarto, está como deixei. Quando topei fugir com o sádico do meu namorado... Não vou reviver isso, não aqui. Pego roupas no armário, claro que me servem, vou para o banho, lavo os cabelos, com calma, passo minha buchinha vegetal por todo o corpo, me enxaguo e seco, visto meu vestido favorito... Ele é em tom coral... De alças finas e rodado... Sentia-me livre com ele. Desço e faço um lanche, como sem pressa, fiz o que eu mais gosto, misturando tudo que encontrei, fazendo coisas que era proibida, como colocar 5 chocolates amargos no leite fervendo e deixar dissolver pra ficar com o gosto do chocolate... Faço um super lanche, usando de tudo que tinha na geladeira. E pego sorvete de brigadeiro, levo tudo pra mesa e saboreio com cuidado. Após limpar tudo volto ao meu quarto, pego o álbum de fotos e as vejo, sentindo saudades de tudo aquilo. Pego também meu diário... Sinto saudades de escrever nele. E tem de tudo, desde poemas a lágrimas e pétalas de rosas. Guardei ai meus sonhos pedidos a lua... Em noites quentes como o dia de hoje. Após toda essa injeção de nostalgia decido descansar um pouco. Deito-me, e pego no sono, e é ai que os pesadelos começam. Sonho que estou em um estábulo, amo cavalos, mas estes estão inquietos, minha presença os deixa nervosos... Existe um no canto esquerdo... É um puro sangue, você sabe bem preto, patas largas... Você já viu um desses por ai, em filmes e coisas do tipo... Ele está nervoso, suas ventas estão mais largas, seus olhos focados e o rabo rígido... E tudo acontece em um piscar de olhos, quando me dou por mim ele já está me batendo contra as paredes, agora estou consciente que estou sonhando, mas não acordo, sinto com se o cavalo estivesse realmente ali, ele quebrou minhas costelas... Pelo menos umas 5 delas... Caio no chão e sou pisoteada. Uma das patas atinge minha boca, não consigo falar, grito, com todas as minhas forças pra que alguém me escute, você poderia me ajudar sabia? Ele me pisoteia até que não sinto mais nada, como se cada parte do meu corpo estivesse reduzida a cinzas. -- Mas que raios! Isso não termina nunca! – São vozes ao fundo... Estou tonta-- Já está quase... -- Ela está acordando! -- Terminei...-- Olá minha cara! Bom dia! – Diz um senhor, já tem seus 54 anos... Estou amarrada nos braços e nas pernas como aquela arte famosa que mostra o corpo humano... Amordaçada, mudaram minha roupa, visto um shorts jeans preto que vai ao meio da coxa e uma camisa roxa com manguinhas... -- Claro que você está tentando se acostumar com a realidade, mas não se preocupe te trouxe aqui para diversão, ou melhor, para a minha diversão. – Ele sorri, e ao seu lado aparecem somente o maldito do Giovanne, minha melhor amiga de quando eu ainda era normal, e mais algumas pessoas que sinto que me conhecem mas não sei quem são. -- Enquanto você se acostuma com sua visão deixe-me explicar, ou melhor, vou me apresentar primeiro. Sou doutor Riddan, sou seu criador, ou melhor dizendo, alguém que te melhorou, quando você nasceu minha bela, era a criança mais adorável do hospital, cachinhos negros grandes pra sua idade.. Olhos verdes, lindíssimos, não tinha como não me apaixonar, fiz seu parto, e pedi aos seus pais que me dessem você, queria trabalhar em você, fiz de tudo, eu era ainda novo, um cientista com sede de sucesso, e você era perfeita. Então comecei a te observar quando não tinha nada para fazer, e mesmo que tivesse você chamou tanta atenção que mesmo numa emergência eu ignoraria... Então você desapareceu, eu fiquei louco, mas piscava os olhos e você estava lá de novo, achei que era maluco, mas percebi que era constante. Comecei a oferecer dinheiro, seus pais precisavam... E então eles aceitaram que eu fizesse algumas experiências em você. Você nasceu como viajante do tempo, mas eu melhorei isso, desenvolvi uma fórmula onde você poderia voltar ao passado e ir ao futuro com segurança. Apliquei e deu muito certo, mas seus pais não queria mais. Se estabilizaram e disseram que não queriam mais meu dinheiro, me frustrei e desde seus 3 anos venho desenvolvendo meios de te achar a qualquer custo, e isso demorou 25 anos pelo seu corpo. Finalmente te achei e te trouxe pra cá. Te induzi a ir na sua casa, fiz você feliz por um curto período de tempo, da mesma forma que você me fez, mas a felicidade passou e agora nós iremos brincar. Eu já tinha te achado antes, quando seu belo amante aqui te pediu pra fugir de casa. – Olho para o Gil... Ele me atraiu pra ser explorada, que belo amor... – Ele te levou para mim, mas não o culpe, ele teve motivos para isso. Fiquei furioso quando você fugiu, e se perdeu no tempo, era mais trabalho, quando você era pequena você viajava para lugares diferentes mas perto de onde estava, como o berço ao lado, por isso nunca percebeu... Mas agora, depois de crescida... Você me deu trabalho, mas achei as ondas para você. E garanto que não perderei de novo. Mas deixemos de conversa fiada, vou lhe contar como veio parar aqui. Após sua linda excursão pela casa, quando você dormiu, mandei as pessoas que estavam por perto te buscarem, só você tem o DNA com a mutação precisa... Retirei de você assim que chegou. Já estou desenvolvendo para aplicar em mim, mas como você me deu muitos anos de trabalho e pesquisa resolvi me divertir as suas custas dessa vez. Por isso trago ao palco central Giovanne Médice. Vou lhe dar um parecer do lugar, o doutor maluco está a 20 metros de mim, com uma bancada iluminada de azul, tudo muito moderno, no centro tinha um palco, também iluminado com azul, e as pessoas rodeavam esse palco, sentadas como se fossem uma plateia de programas que você assiste no seu dia a dia. O fundo é completamente preto pra que eu me concentre onde tem luz. O Gil se aproxima, e fica no centro, como se fosse ensaiado...
-- Giovanne, vou lhe deixar consciente das regras; farei uma pergunta sobre o experimento Paola, caso você erre ela sofrerá as consequências, e caso você acerte, que eu duvido muito, as penas diminuirão no decorrer do nosso jogo. Vamos lá, quantos elétrons existem na camada do hélio especial que colocamos em sua querida amada? -- 17, senhor. -- Como você deve saber está errado, são 19. Acho que ele não te ama mesmo hein? – Doutor Riddan sorri de um jeito maquiavélico-- Foi ele quem calculou que eram 19 elétrons. Criar esse elemento foi quase impossível, mas para mim querida, nada mais é impossível. – Diz confiante, Dr. Riddan poderia até ser belo se não tivesse um olhar tão louco, ele tinha cabelos grisalhos, mas não brancos como você deve ter pensado, grisalho de um jeito charmoso... Olhos negros intensos, barba feita, completamente desenhada, seu corpo era forte, um garotão aos 50 anos. Assim que ele fecha a boca escuto duas portas se abrirem. De cada uma delas saem dois sentinelas com uma espécie de saia escocesa só que toda preta, obviamente você se lembra dos desenhos animados com isso não é? Então não preciso te contar como tantos detalhes assim, o fato é que esses homens vinham com um capuz no rosto, indicando que eram meus carrascos.-- Lindos não são? Machados como esses não sem encontram hoje tão fácil assim. Mas como seu divino namorado errou e eu não estou aqui para brincadeiras a não ser devolver tudo o que você me fez perder, Paola, comecemos, a pergunta era uma obrigação ser acertada. Então que vocês deem 30 chibatadas cada um nas costas dela. Vamos esquentar sua pele. Após essa frase me lembro somente de sentir um golpe gigantesco nas costas. Este me tira o fôlego e eu grito de dor. E quando começo me recuperar vem outro e assim seguem os 30 golpes, ao final disso sinto o sangue, escorrendo por minhas pernas. Os olhos do Doutor Riddan brilham de excitação. Me vi naquele momento como a melhor prostituta da cidade e que ele estaria pronto para pagar o que eu pedisse, e nesse momento, como em toda minha vida eu só quero ser livre. -- Próxima pergunta! – Ele anuncia com satisfação – Querido Giovanne, como está se sentindo vendo e ouvindo os gritos de dor de nossa pequena Paola? Espero que bem, pois a noite é uma criança! – Gio olha pra baixo, aparentemente triste com as palavras de seu mentor. – Vamos lá, quantos e como são os cromossomos X de sua adorável esmeralda? -- 23, os primeiros e os últimos são pares exatamente iguais. É uma anomalia onde ela não poderia sequer ter sido gerada, quando mais estar respirando agora depois do que você fez. –Sinto um tom de amargura na voz dele. -- Não seja insolente, lhe dei todo um campo de pesquisa para trabalhar. E não é minha culpa que você se apaixonou por ela, muito menos que você esteja errando as perguntas e a propósito você errou mais essa. -- NÃO! – Giovanne grita e vai em direção a bancada do Doutor Riddan, mas algo o prende e ele quase cai no chão, mas algo o segura também. O que me surpreende, nesse segundo mais golpes são desferidos em minhas costas, arfo duas vezes, se eles não quebraram meus ossos enquanto me violentavam quando me sequestraram dessa vez é certeza, respiro com dificuldade e cuspo sangue no chão. -- Riddan se você mata-la... -- Você fará o que super homem? – Desafia-o com olhar maligno. Após segundos de um silêncio perturbador, Riddan completa: -- Isso mesmo, como imaginei, não fará nada. E as perguntas se seguem, seu nível de complexidade chegam a tanto que eu não sei se falam mais húngaro. Não estou em boas condições para me lembrar de muita coisa. Meu corpo está como roupa esfarrapada. Minha cabeça dói e eu não consigo mais enxergar direito, vejo pontinhos pretos até que uma fala me chama atenção. -- Giovanne, essa seria a pergunta bônus, seria simples e fácil, de forma que até ela nesse estado responderia corretamente, mas como você errou demais, minto, só acertou uma única vez não tem mais esse direito. Agora vamos ao meu pequeno desafio. Você terá de suportar que ela leve choques de 5 watts durante 15 minutos ou toparia transar com a melhor amiga de infância dela na frente da Paola? A dor atravessa o rosto dele, ele não sabe o que escolher e isso me magoa. Ele vai ter coragem de fazer isso, com certeza vai. E vai acabar de vez com o que eu sinto por esse desgraçado. -- Segunda opção.-- Então você, Giovanne Médice, aceita ter relação com a melhor amiga da mulher que você idolatrava como a luz da sua vida na frente dela? E tudo isso para evitar uma tortura psicológica direcionada a você? Quanto egoísmo. Eu achei que você fosse um ser pequeno, só que a cada resposta errada você me mostrou que é menor ainda. Sinto sincera vergonha ao ver que trabalhei por tantos anos com um moleque. Para começar Giovanne, você atraiu sua namorada para meu laboratório por dinheiro, pelo que eu tinha a oferecer, nunca pensou no quanto aquilo poderia ser nocivo, eu podia tê-la matado em uma das aplicações, mas você escolheu correr o risco. Ela nada mais nada menos que um ratinho de laboratório. E você com toda sua dignidade aceitou. Aceitou que eu modificasse sua amada. Pois bem, escolha feita, aproxime-se Ariel. Ela se aproxima, tímida como sempre foi, minha melhor amiga tinha lágrimas pedindo desculpas nos olhos. Eu a entendia, ela não estava ali por que queria, mas era obrigada. Conheci a Ariel quando tínhamos uns 8 anos, ela tinha acabado de fazer a cicatriz que carrega até hoje no rosto, vai desde a sobrancelha ao meio da bochecha esquerda, ela não é feia por isso, muito pelo contrário, sempre a achei linda, cabelos longos, pretos e olhos castanhos intensos, era 3 tons de pele mais escura que eu com um corpo legal chamaria a atenção de qualquer garoto. Éramos da mesma classe na escola, aos 16 ela começou a fazer estágio na clinica do Riddan, lá que eu conheci o Gio... Eles eram de alas diferentes, ela cuidava da parte de botânica e metais ele estrutura do DNA. Mas agora nada disso importa mais. Não depois da decisão que ele tomou. E eles fazem tudo que tem direito, na minha frente, fui impedida de olhar para o lado, chorei em silencio durante todo o tempo. Até que eu vejo que pararam. Meus olhos estão embaçados, Giovanne se aproxima e tenta tocar meu rosto. Agora já tenho liberdade para virar e o faço. Ele já esta vestido quando faz isso e também nesse momento escuta-se barulho no fundo, como se batessem em uma porta de aço. -- Maldição! Preciso sair daqui! -- Você perdeu, Doutor Riddan... -- Não mesmo, meu jovem. – E ele desaparece, da mesma forma que eu faço. Milhares de policiais entram no galpão, agora posso ver melhor. É um grande galpão. Me desamarram e vejo a troca de olhares dos enfermeiros que não é nada amistosa. Bom se eu morrer pelo menos não terei pesadelos com a cena que acabo de presenciar. -- Por favor, por favor, se ainda mereço alguma coisa, por favor, que não seja por mim, mas por ela, por favor. – Escuto isso sendo sussurrado ao lado de minha maca, droga sobrevivi e estou em um hospital. Abro os olhos para confirmar, mas o cheiro não me engana. Estou em um quarto de paredes azuis com o babaca do Giovanne sentado do meu lado chorando e sussurrando as palavras que te disse. -- Para com isso, ta me irritando. -- Lolla! – Ele aperta minha mão com força.—Eu nem sei por onde começar, por favor me perdoa pelo que fiz, por minhas escolhas erradas, eu não queria te ver sofrendo, seus gritos, eu pedi para me trocarem por você mas não aceitaram.-- Cala a sua boca, não me interessa o que você queria, não me interessa o que você suportaria, eu aguentaria os choques, eu aguentaria mais meia hora sendo surrada para ajudar você, estava tentando sofrer calada, mas você estragou tudo. -- Lolla me perdoa. Eu não quis...-- Sim você não quis sofrer. E não pensou em mim em momento nenhum. O que importava era se seu psicológico estava bem. Não se importou se eu estava ferida fisicamente, você queria me deixar uma marca, a sua marca. E você ainda saiu ganhando! Teve uma boa transa na frente da sua ex namorada! Pois bem, saia daqui. E leve seu egoísmo e sua falta de vergonha junto. -- Mas eu quero te ajudar. -- Eu vi o quanto você quis me ajudar. -- Precisam achar o Riddan...-- Essa tarefa e minha e eu vou fazê-la sozinha. -- Não, eu vou com você. -- Me obrigue a aceitar. Saia daqui Giovanne, espero não te ver nunca mais.Com essa frase ele sai porta a fora chorando, eu respiro fundo e entendo que isso dói. Mais 2 meses e eu me recuperarei. E então Riddan, você que me aguarde.
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