Prêmio de Consolação.

4 Capítulo 4. Ah, o amor...


Notas iniciais
Penúltimo capítulo da fic. Espero que gostem ;*

''Eu cometi erros, mas penso que você me ama mesmo assim.''
Hermione's Song (You and Me) — Oliver Boyd and the Remembralls.

Arthur e Molly insistiram para que Hermione e seus pais, permancescessem por pelo menos mais uma semana, até encontrarem uma casa e se instalarem. Para o alívio de Rony, o Sr Weasley ocupa a maior parte do tempo do Sr Granger, com conversas animadas e perguntas constantes. Molly e Rose sempre engatam em uma conversa animada sobre diversas receitas e a Sra Granger insiste em ressaltar quais alimentos são mais propenssos para ocasionar caries. Porém, isso não ajudou em nada o novo estágio do futuro-quase relacionamento de Ronald e Hermione.
Três dias haviam se passado e eles mal conversavam. Hermione se trancava no quarto com Gina, fazendo coisas que só Merlin sabe, e Rony começou a passar mais tempo conversando com Jorge no quarto, assim que o mesmo chegava do loja. Hermione não tinha certeza, mas jurava que já vira o ruivo sair de olhos vermelhos do quarto do irmão mais velho.
Harry analisava todos os convites que emprego que recebera, e, embora houvesse muitos, ele já tinha certeza do que queria — ser auror sempre fora seu grande sonho. Rony e Hermione receberam tantos convites quanto Harry, porém, ambos não pareciam tão interessados em analisar. Cada vez mais cartas de ''fãs'' do Trio de Ouro entravam pela janela da cozinha dos Weasleys, carregadas de agradecimento e inúmeros chamados para festas elegantes e cerimônias. Uma, pareceu chamar a atenção de Harry e Rony. Era uma cerimônia de honras, no Ministério, dali a um mês.
Rony já podia se imaginar saindo de uma das chaminés, retornando a um lugar onde sua última visita não fora tão boa,mas dessa vez, com Hermione ao lado. Não conseguia pensar em algum homem mais sortudo que ele. Se bem que, olhando por esse lado...é uma festa,não é? E geralmente em festas as garotas vão arrumadas e...vai ter muita gente.


E se ficarem babando em Hermione? Fez uma careta só de pensar. Argh Ronald, não seja assim tão possessivo. Segure-a firme ao lado do corpo para deixar bem claro para todos, que ela pertence a você.


Ali, parado em frente ao espelho pela vigésima vez em menos de um minuto, imaginava a cara de inveja de todos os boas-pintas do Ministério e fora dele, ao avistar ele e Hermione se aproximando. Ele tinha de admitir, era a honra das honras tê-la ao lado dele. Poderia ousar pedir que isso fosse para sempre?
Toc-toc-toc.
– Está aberta.
– Mamãe mandou te chamar irmãozinho. — Gui bagunçou os cabelos de Rony. — O jantar está servido e todos já estão lá. Lembre-se que é daqui a pouco, que Harry irá oficializar o namoro com Gina. Não podemos perder isso, você sabe é claro, como irmãos mais velhos dela.
– Ah, pode ter certeza que nunca deixarei Harry se esquecer disso. — Riu debochado. — Podemos ir.
– E você, quando vai assumir tudo com a Hermione? — Enquanto caminhavam pelo corredor, ele perguntou, como se subitamente se lembrasse de algo.
– Quê!? Rony arregalou os olhos e sentiu suas bochechas, pescoço e orelhas queimarem. Tinha muito orgulho de gostar de Hermione e de saber que o sentimento era recíproco, porém, ele não sabia que a notícia já se espalhara pela família inteira. É tão constrangedor!
– Ahhhh Rony, acha mesmo que ninguém sabia? Que ninguém desconfiou? Vocês se amam desde sempre...até eu sei disso, eu. Nem passei muito tempo perto e consigo ver.
– Você...hum...acha mesmo? — Sussurrou, inseguro, enquanto desciam as escadas lentamente. — Quero dizer...acha mesmo que ela gosta de mim?
– Óbvio que sim, veja, está nos olhos dela. Sorriu Gui e Rony pôde perceber, que um sorriso se formou em seus lábios e ele teve de fazer força para parar. Suspirou e juntos caminharam em direção a mesa.

O jantar transcorreu normalmente. Rony sentou-se ao lado de Hermione, lhe falando um simples ''oi'' e passaram o jantar sem conversar. Rony não sabia ao certo o que dizer e Hermione esperava alguma atitude do ruivo, atitude essa, que não veio. Ele sentia que perdia tempo, sentia que ela podia se afastar de novo, mas oras, ele já havia dito tudo que precisava não? Infelizmente, não existe manual para uma coisa dessas e ele não se lembra de ter esquecido nada. Será que fugira do protocolo invisível imposto por Hermione?

Não entendam mal. Não que tudo que ele disse fora mentira e uma farsa para conseguir ter Hermione. Não. Era somente tudo que ele sentia e precisava dizer, pois poderia explodir com tudo aquilo guardado só pra ele. E às vezes ele ainda pensa se é logicamente possível ele deixar de existir, devido a tantos sentimentos, palavras e atitudes escondidas. Ninguém morreu disso ainda, eu acho. Pensou. Ali, no escuro, colocou os braços por trás da cabeça e suspirou várias vezes. Não iria conseguir dormir tão cedo. Der repente, as lembranças do beijo que Hermione o roubara a dois meses atrás, invadiram sua mente, que recomeçava a trabalhar com mais força do que fizera o dia todo. Ciente de que não conseguiria dormir, desceu rapidamente as escadas em direção a cozinha. Poderia comer alguma coisa, quem sabe.

Hermione já estava esgotada. Seria pedir de mais um relacionamento simples e fácil? Onde Rony falaria com seus pais e os próprios pais do namoro dos dois, assim como Harry? Bem, não há nenhum namoro. Para piorar. Nem o pedido oficial ele fizera, aliás, nem sequer se beijaram outra vez. Se revirou na cama, por mais algumas vezes. Desistiu. Desceu as escadas e foi tomar um copo de água na cozinha. Onde ela errara? Nada colaborava para o futuro relacionamento dos dois...aliás, qual era a dificuldade de perguntar: ''Quer namorar comigo?'' Céus! Ele já sabia a resposta. Era só verbalizar. Podia parecer besteira, clichê, frescura...mas era pedir de mais? Será que ela não era uma garota para namorar? Pensou, com amargura, como que ela não seria uma garota para namorar, e Lavander Brown seria...

– Por favor, Hermione, não começa com sua infantilidade.
Disse para si mesmo, enquanto adentrava a cozinha. Parou de súbito, se apoiando na porta, quando viu uma figura ruiva debruçada sobre um prato, que, aparentemente, estivera cheio em algum momento.
– Hemion? Off...o que...fazacorda? — Terminou de engolir.. — O que...você faz acordadaa?
Pensando em mil maneiras de como cometer um homicídio a um certo ruivo comilão.
– Estou sem sono. Ela sorriu amarelo.
– Somos dois.
– Olha, concordamos em algo.
Ironizou, sentando-se em frente a ele. Baixou os olhos, encarando as mãos por sobre a mesa e suspirou.
– O que há de errado, Mione?
Perguntou, e de relance, ela pôde ver ele limpando as mãos sujas de migalhas de panquecas.
– Pergunte o que há de certo, se quiser uma resposta curta.
Rony demorou de responder. Suspirou algumas vezes e Hermione cogitou a ideia de que ele não entendera o que ela dissera. Quando levantou a cabeça, com o objetivo de lançar alguma piada sobre o quão burro ele é, deu de cara com seus olhos imensamente azuis, a fitando. Não de um jeito acusador, confuso ou chateado. Mas de um jeito X. Um jeito extremamente bom e que ela tinha certeza que acabara de se tatuar em sua memória. Uma eterna lembrança que ela pode dar replay quantas vezes desejar. Uma incógnita que Hermione estava louca pra decifrar. Ou talvez, já decifrara, mas não queria admitir.
Tamanha a intensidade daquele olhar, não conseguiu sustentá-lo. Passou as mãos pelos cabelos focando o olhar em todos os cantos possíveis da cozinha e via que ele continuava a fitá-la.
– Então...o que há de certo, Hermione? — Perguntou. Rony reuniu toda a coragem que lhe foi concebida em toda sua vida. Ele esperava que houvesse entendido errado, o que ela dissera. — Parece que nós não está certo, não é? Que não é o suficiente pra você.
Se levantou abruptamente.
– Mas esse nós existe, Ronald!? Replicou prontamente, levantando-se também.
– Por que não existiria!? Você está tentando me fazer de palhaço, é isso? Depois de tudo que eu disse?
– Claro que não! Como você pode pensar isso? Você mal fala comigo esses dias, depois do que ocorreu. E ainda quer que eu fique numa boa?
– Mas...mas...- Ele suspirou ferozmente. — Hermione, eu nunca vou te entender.
– POR MERLIN! — Gritou, mas logo tratou de ponderar a voz. — EU é que nunca irei te entender. Não aguento mais, será que vai ser sempre assim?
– Assim como!? Eu gostando de você e me dando mal? Acho que será sim!
Ela se calou. Olhou-o nos olhos soltando a respiração contida pela discussão.
Ronald se aproximou, envolvendo o rosto dela com as mãos. Ele não aguentava mais aquilo tudo.
– Rony, por favor, para. Murmurou.
– Pode me dizer por que? Sussurrou.
– Eu gosto tanto de você, Ronald. Para.
– Quer namorar comigo, Hermione?
– O..o que?
Rony vacilou. Parecia que todo o seu ar havia sido tirado do peito ou que estava a beira de um precipício, sem saber se haveria um paraquedas. Mas era agora ou nunca. Sorriu, pensando na última vez que dissera essa frase.
O mundo de Hermione virou de cabeça pra baixo e ela sentiu o chão ruir sob seus pés. Tinha medo de ser mais um de seus sonhos e ela ter que acordar lamentando, triste ou até mesmo chorando.
– Quer...na...droga, Hermione, vo-você ouviu. — Gaguejou. Ele não iria conseguir dizer de novo. Ele podia ver as folhas balançando através da janela. Mas parecia ter colocados tampões nos ouvidos, pois o som do vento lá fora,estava abafado, seu coração incrivelmente descompensado e sua respiração descompassada.
– Você sabe a resposta, Ronald.
Não sabia como. Mas ela conseguiu formular uma frase coerente. E nesse momento ela contava todas as sardas da bochecha e nariz do ruivo, ciente de que estava com um sorriso marcado em seus lábios para sempre. Era isso mesmo que estava acontecendo?
– Sei? Ele riu pelo nariz e encostou suas testas. Ela o enlaçou pela cintura e soltou um risinho. Rony percebeu que o nariz dela enrugou com a risada e não conteve a tentação de beijá-la.

Em um primeiro momento, foi um selinho demorado, apenas para eles curtirem a sensação dos lábios um do outro. Depois, a língua dele pediu passagem e ela cedeu. Rony fazia círculos na bochecha dela com o indicador e mexia em seus cabelos. Hermione sorriu entre o beijo pois os carinhos dele eram os melhores do mundo.
O coração dela falhou um batimento.
O coração dele já não batia mais.
O tempo pareceu parar.
Ela sentia um frio no estômago como se estivesse em queda livre constante.
Ele sentia tudo fora do lugar dentro de si.

O beijo cessou e eles permaneceram com as testas coladas e olhos fechados. Ronald desceu a mão para a cintura da garota e ela o enlaçou pelo pescoço, bagunçando levemente seus cabeços. Um riso irrompeu do fundo da garganta de Rony e ela percebeu, abriu os olhos durante alguns segundos e viu o sorriso contido dele e sorriu. Fechou os olhos. Iniciaram outro beijo.
Naquele momento, ambos decidiram, em um acordo secreto e tácito, que nunca deixaria o outro escapar.