Notas iniciais
Último capítulo da short-fic. Gostaria de ler comentários de todos que lerem, dizendo sinceramente o que acharam.

''Isso foi sempre o mesmo, todo meu orgulho e minha vergonha; e ela colocou meus pés no chão. Eles a chamam de amor.''
She is Love — Parachute.

Hermione acordou com os finos raios de luz do sol, que se impermeavam entre as folhas. Suspirou fundo e sentiu o cheiro dele. Estava ficando maluca? Tanto tempo sonhando que agora tem alucinações aditivas? Abriu os olhos novamente e sentiu o cheiro da água, esfregou os olhos e percebeu que estava com a cabeça afundada no pescoço de Rony. Espera! RONY!? Ia se levantar bruscamente mas o braço dele a impediu.
Firme e forte...

QUE É ISSO, HERMIONE!? RECOMPANHA-SE. SE ORIENTE.

Observou ao redor, ainda deitada, que o braço direito dele a envolvia e o braço esquerdo estava largado do lado do corpo. Ainda estavam de pijamas e deitados em um cobertor, com um lençol por cima.

Lembrou-se.

Não pretendiam dormir ali. Ele teve a ideia. Deitaram-se um ao lado do outro, com um pequeno espaço, olhando as estrelas, literalmente. Embaixo de uma árvore próximo ao lago. Poderia parecer clichê mas a noite estava limpa. Sem nenhuma nuvem e milhares de estrelas, uma mais brilhante que a outra. Até que ela se virou bocejando, ele se virou também, beijando sua testa. Deve ter adormecido primeiro. Seu braço direito estava largado no abdome do ruivo e o outro embaixo do seu próprio corpo. Ele respirava quase inaudivelmente e ela ficou mais alguns minutos de olhos abertos, tentando absorver o máximo aquele momento.

Ficou constrangida. Seu pijama era uma blusa fina e rosa bebê — estava com seu sutiã, é claro — e uma calça de flanela larga. Mesmo em pleno verão, sabendo das ventanias frias e noturnas, sempre dormia assim. E ele, com regata branca larga e gasta e uma calça parecida. Cada centímetro de pele dele que tocava nela era novo e até, de certo modo, especial.

Idiota, Hermione. Muito idiota.

Pensou.

SUA IDIOTA, ELE É SEU NAMORADO!
Sorriu.
Sentiu um beijo no topo de sua cabeça e ela sabia que ficara extremamente vermelha.
– Bom dia, namorada.– Disse, com a voz rouca de sono. Com um ênfase especial em ''namorada''. — Minha, namorada. Só pra constar.
Ela soltou uma risada, que considerou idiota.
– Bom dia, Ronald. — Conteve o riso quando ouviu ele bufar. — Meu namorado. Completou.
– Hermione?
– Sim?
– Eu te amo.
Os dois pareciam ter prendido o ar juntos.
– Queria ter dito isso primeiro. — Hermione soltou o ar com um risinho.
Rony soltou o ar e sorriu. Beijou o topo da cabeça dela.
– Você sempre é a primeira em tudo, Mione, já não está bom?
Antes que Hermione pudesse replicar, uma, ou melhor, outra figura ruiva caiu em cima dos dois.
– CUNHADA! RONIQUINHO SEU DANADO!
– Por Merlin, Ginevra, sai de cima! Exclamou Rony.
– Eu juro que tentei impedir, Rony, juro mesmo.
Harry se aproximava a passos largos tentando conter a risada.
– É uma boa hora pra dizer: eu te avisei.?
Riu Gina, finalmente se afastando e sentando-se ao lado deles. Rony e Hermione sentaram-se também, e o ruivo jogou o braço por cima do ombro dela, a deixando mais próxima. Harry sentou-se ao lado de Gina e fez o mesmo.
– Finalmente vamos poder sair em casal. Gina bateu palminhas freneticamente e lançou um olhar maroto ao irmão. — E posso saber o que faziam aqui hein? Pelo que vejo, dormiram aqui, né?
– Não começa, Gina. Por favor.
Hermione lançou um olhar de censura enquanto suas bochechas tingiram-se de vermelho.
– Relaxa, Mione, sabe como ela é. Ai! Suspirou Harry rindo e recebendo uma cotovelada da ruiva. — Bom, mas espero que você, Weasley, tenha juízo com a mocinha.
– Cala a boca Harry! Rony cruzou os braços, consequentemente se afastando da namorada.
– Tudo bem, Ron, eu sei que você tem muito juízo. Riu Hermione, encostando a cabeça em seu ombro e enlaçando seus braços. O ruivo diminuiu visivelmente a carranca e apoiou o queixo na cabeça dela.
– Agora vão ficar de melação o tempo todo? Gina fez uma careta, prontamente devolvida pelo irmão. — Ops. A Expressão da ruiva se tornou divertida, com o olhar fixo ao longe.
– Quê...!? Rony e Hermione se viraram ao mesmo tempo.
– Céus! Hermione levantou na velocidade da luz sentou-se do lado de Gina, escondendo o rosto no ombro da amiga. Que vergonha!
Molly se aproximou, dirigiu um sorriso cúmplice ao filho, Ronald sorriu.
– Hermione, querida?
– Bom dia, Sra Weasley. Sorriu amarelo encarando a grama.
– Posso me atrever a dizer uma coisa?
Hermione soava, desconcertada, assentiu várias vezes, já ciente da bronca. Estava arrasada.
– Continue fazendo Rony feliz. — Sorriu e Hermione levantou o rosto surpresa. Antes que pudesse dizer algo, Molly colocou as mãos na cintura e prosseguiu alternando o olhar do filho para a futura nora, por assim dizer. — E já era hora, não acham?
Saiu com um sorriso radiante.
– Como... ela....?
Rony, que não conseguira formular uma frase descente ao decorrer daquele momento, coçou a cabeça confuso.
– Por Merlin! Hogwarts inteira sabia que vocês sempre se amaram. A Sra Weasley saber, é o de menos. Harry riu, bagunçando o cabelo de Hermione com o braço que apoiava em Gina.
Rony fez biquinho, o que Hermione achou engraçado e atendeu ao pedido silencioso dele para que ela voltasse a sentar lá. Ambos riam e fingiam se chatear com as provocações de Gina. Dessa vez, os próximos minutos com os amigos não seriam incertos.
****
O ruivo estava feliz, não que estivesse completo; perdera tanta coisa, e ganhara também. Depois de todos esses anos, nunca pensara que estaria ali, sentado a mesa com sua família e os pais de Hermione, depois de ter conversado com o Sr Granger a sós. Ele dissera o típico: que estaria sempre de olho neles, que não machucasse sua filha, caso contrário seria um homem morto...mas, disse uma coisa que o surpreendeu: ''Você é uma pessoa que vale a pena confiar, Ronald.''
Isso o encheu de orgulho, como nunca ocorrera, nem quando recebeu a notícia que se tornara monitor. Ou goleiro. Rony se sentiu merecedor de Hermione, coisa que ele nunca achou que fosse. O amor que sente, parece insignificante perto do quão maravilhosa ela é. E céus, ele a ama tanto. E esse amor esteve sempre ali, todo o tempo. Não enjoa. Não exige. Não incomoda. Esteve sempre ali. Mas doía. De vez em quando. Uma pontada de arrependimento sempre o atravessa quando pensa em tanto tempo perdido. Em tanto orgulho que não levou a absolutamente nada. Dói pensar que um dia a machucou.

Ele queria que Fred estivesse ali. O irmão, juntamente com Jorge, lançariam provocações infinitas para os dois. Fred era o que mais ansiava para ver ambos juntos. E agora, ele não estava lá. Tão injusto. Doía muito e demais. Todo o tempo. E ele sabia, a partir dali, que essa dor o acompanharia para sempre. Mas ele tinha um remédio. Der repente, Rony se levanta da mesa, fazendo sinal disfarçadamente para que Hermione o seguisse. Juntos, caminharam de mãos dadas para o lago novamente.
Até a noite passada, Hermione não pensaria que tudo iria acontecer tão rápido. Aliás, nunca imaginou que tantas coisas diferentes pudessem ocorrer em menos de vinte e quatro horas. Coisas boas. Na guerra, tudo aconteceu mais rápido que isso, contudo, coisas terríveis. Ainda doía. E ela sabia que essa dor a seguiria por toda a sua vida. Mas não fazia mal, pois Rony estaria perto dela. Junto a ela. Como nunca imaginou. Na realidade...já imaginou sim. Imaginou diversos momentos deles juntos. Dele falando com seu pai. De ambos felizes em um relacionamento de verdade, sem medo de admitir e juntos.

Juntos.

Mas nada se compara com a realidade. Ela tem que admitir: houve diversos momentos de sua vida em que ela tinha certeza que nada disso iria acontecer. Uma coisa impossível e fruto de um sonho bobo de adolescente. Hermione podia ver agora, que a ligação entre os dois era forte e visível para quem se permitisse ver.

Era magia. Bom uso da palavra, diga-se de passagem. Ela finalmente derrubou a barreira. Aliás, eles a derrubaram juntos. Foi tão simples que ela se azarava por não ter feito antes. O sorriso dele quando ela mexe em seus cabelos ruivos é maravilhoso. Momentos tão nada, tão aparentemente simples e relevantes...que se tornam tão irrelevantes e grandiosos, por assim dizer. Mas nada se compara ao som da risada conjunta deles. É tão...bom. Tão ótimo. Tão natural, simples. Não há palavra que descreva. O som ecoa por sua mente sempre que pode, a deixando com novos ares.

Merlin, ela o ama tanto. A dor de perder o irmão saltava dos olhos do ruivo e ela gostaria de arrancar dele. Mas, pensando bem, isso poderia funcionar. Juntar ambas as dores e tentar repará-las, ajudando um ao outro, sim, isso certamente vai funcionar. Hermione sabe que haverá problemas. Ronald e Hermione sem brigas, não seriam eles. Mas ela sabe também, que vai dar certo.

Agora, ali, em silêncio, ambos encarando o lago com seus próprios pensamentos e temores, eles sabem. Sabem que nunca foi tarde de mais pra eles. Que nunca haverá um adeus. Que o caminho foi difícil mas está valendo a pena a vai valer muito mais.
Rony sabe que perdeu o irmão, mas ganhou um prêmio maravilhoso e deve agradecer e tentar continuar — Fred diria isso em um tom maroto, ele sabia.
Hermione sabe que depois de todas as coisas terríveis que acontecera, ela tem o direito de sorrir com Rony. Sabia que um remendará o outro e irão prosseguir.

O ruivo colocou uma mão no bolso e a outra, puxou a namorada pelos ombros a mantendo perto, prometendo a si mesmo, que será isso o que faria daqui para frente. Mantê-la perto.
A castanha enlaçou o namorado pela cintura, suspirando contra o peito dele, jurando para si mesmo que sempre seria assim — apesar de todas as brigas que viriam pela frente — ela ficaria por perto.

Eles tem consciência agora. Depois de muito custo, eles sabem.
Sabem de tudo isso, mas não fazem a menor ideia em quem o outro está pensando nesse exato momento.

Bem, certas coisas não mudam.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!