Prêmio de Consolação.
1 Capítulo 1. - Tarde Demais.
Notas iniciais
Meu nome é Dadva, mas podem me chamar de Dad. Essa é a primeira vez que posto uma fanfic em um site assim...postava só nas épocas do orkut (sdds, fórum de comunidade, sdds), é uma short fic pós-guerra criada em madrugadas sem sono e espero que gostem.
''Mas obrigada por me amar, pois você está fazendo isso perfeitamente.''
Whataya you want from me — Adam Lambert.
Hermione estava parada em frente ao quarto dos meninos. Encarava aquela porta toda vez que percorria aquele corredor, durante todas as sete manhãs que passara n'A Toca. Desde que Ronald pisara o pé ali, nunca mais saira. Ele não queria ver ninguém. Absolutamente ninguém. Molly levava as refeições e o prato voltava quase intocado. Isso, em relação à Ron, era sinal de preocupação. Se ela bateu? Já. Mas Ron simplesmente grita um ''Vai embora!'' mesmo sem saber de quem se tratava, ou se limitava a não dizer nada.
Ele vai acabar ficando doente.
Pensou, aflita.
Ela tem que tentar outra vez. Hoje, ela vai para Austrália, procurar os pais, desfazer o feitiço em suas memórias e trazê-los de volta. Adoraria um abraço de despedida, ou apenas um ''boa viagem'' vindo dele. Era pedir demais? Certo. Hermione entendia e muito bem, que Rony estava sofrendo pela perda de Fred. Sem contar, os traumas da guerra e outros ente-queridos falecidos.
Eu juro que entendo.
Repetia pra si mesma como se falasse com ele.
Mas ora, veja bem, por que ele não a procurara para consolá-lo? Para ajudá-lo a passar por esse momento tão horrível? Ela também sofria é claro. Tonks, Lupin, Dobby, Olho-Tonto Woody, Fred, e até mesmo, Edwiges. Todos eram seus amigos também e ela os amava demais. E os traumas? Toda noite ela acordava soada, aos berros, e certas vezes, Molly ou Harry iam até o quarto para ver se estava tudo bem. Mas Ron nunca aparecia. Cada um lida com a dor como acha que deve, ela sabia. Mas ele já a procurara antes para ter um suporte pela morte de seu irmão, por que não procurá-la agora?
Aposto que o problema é comigo.
Suspirou.
Sentia seu coração martelando no peito. Iria ter que sair daqui a dez minutos. Arthur daria uma carona até o aeroporto com seu novo Ford-Anglia, dessa vez, é claro, do modo trouxa. Experimentou — como fizera diversas vezes — abrir a porta, mas estava trancada. Molly sempre deixava a bandeija no chão e quando voltava, dava para ver que fora remechida mas nunca o viram sair para pegar. O que leva a outra questão. Molly era mãe de Fred, Arthur o pai. Ambos, com o coração sangrando, tentam retomar a vida, mesmo com toda a dor e fraturas expostas e ele...preferiu se isolar. Tudo bem. Jorge também se isolou.
Mas ele era gêmio de Fred. Os laços são mais fortes.
Logo se arrependeu de pensar isso e maneou a cabeça. Não que ela achasse que a dor de Rony era menor que a dos outros, não. Mas só que, nada se compara a dor de uma mãe. E, se as mulheres da família, Molly e Gina não estavam querendo se esconder do mundo, por que ele teria de fazer isso? Hermione sempre fora taxada como teimosa mas Rony não ficava atrás. Um cabeça-dura incorrigível e ele, com seu orgulho ou sei lá o que, se nega a pedir ajuda. Não suportava mais isso. Suspirou várias vezes, precisava manter a calma, pois se conseguisse falar com Rony, não queria que houvesse nenhuma dicussão.
Merlin, isso é quase impossível!
Bateu na porta. Três toc-toc-toc. Nada. Se virou, já se encaminhando para as escadas. Elaestava sendo estúpida. Ela o beijara. Ela sempre soube que sentia um sentimento além de amizade por ele. Ela sofria quando via ele com outra — aka: Lavander- . Ela, ela, ela. Sempre ela. Afinal, o que ela estava esperando? Que ele fosse de mãos dadas acompanhando-a até a casa dos Weasley's? Que se declarasse? Que pedisse ela em namoro? Que fosse com ela a Austrália? Que conversasse com os pais dela sobre eles? Que, depois que a dor da perda diminuissse e a atmosfera ruim se amenizasse, anunciaria seu relacionamento com Hermione Granger para a família e o mundo?
Hermione sempre esperando de mais. Hermione sempre se decepcionando de mais.
Mas foi aí, que um som de porta se abrindo se fez ouvir, quando ela estava no fim do corredor. Ela se virou subtamente e a porta estava fechando. Certamente, ele pensara que fosse a Senhora Weasley com a refeição. Encarou a porta de longe, e desceu decididamente as escadas.
Até quando seria feita de boba por Ronald Weasley?
*****
Assim que Ronald abriu a porta, sentiu o perfume dela. Bem, poderia não ser exatamente um perfume, mas era o cheiro dela. Apressou-se a voltar para o quarto e enfiar a cabeça debaixo do travesseiro. O quarto estava começando a cheirar a mofo, ele sequer abria as janelas. Rony só queria sumir. Olhou para a cama vazia de Harry e sentiu falta do amigo. Sabia que ele estava dormindo no quarto que era de Percy, junto com o insuportável — agora arrependido — irmão e a culpa era dele. Mas será que ninguém o entendia?
Eu preciso ficar sozinho. Juntar os pedaços.
Repetia em pensamento.
Saia sorrateiramente para pegar as bandejas com refeições e ir ao banheiro e é claro, velar pela fresta da porta do quarto da irmã, o sono de Hermione. Ela não sabia. E não iria saber. Ele sabia que ela deveria estar confusa e zangada, e até certo ponto, com razão. Mas droga, ele estava sofrendo. E odiava estar fraco. Ser fraco. Não queria que ninguém o visse naquele estado. Muito menos ela. Logo ela. Nunca gostou tanto de alguém como dela. E era um sentimento que ele mesmo nem sabia como havia começado. O beijo que ela lhe roubara, não saia dos seus pensamentos e às vezes se pegava sorrindo. Um sorriso que logo se apagava quando lembrava do local e das coisas que ocorreram lá.
Tantas mortes pela causa...e uma delas poderia ser...
Interrompeu seu próprio pensamento.
Rony sentia tanto medo o tempo todo, de perder Hermione naquela batalha. Era um medo que sufocava. Estremecia só de pensar. Era simplesmente inconcebível a ideia de nunca mais poder vê-la, tocá-la ou até mesmo brigar com ela...Sorriu, lembrando-se de quantas vezes fora estúpido com uma das pessoas com quem ele mais se importa na vida. Estava sendo estúpido outra vez. Ele poderia ter a perdido para sempre, a uma semana atrás, e agora, se priva da companhia dela. Qual é a lógica disso?
Você é um completo idiota, Ronald Weasley.
Suspirou. Passou a mão pelos cabelos e se levantou, decidido a explicar tudo a Hermione.
- Um legume insensível idiota.
Disse ao bater a porta. Descendo as escadas, percebeu que as conversas, poucas, porém um pouco audíveis, cessaram. Sentiu sua face pegar fogo, ciente de toda a atenção voltada para ele. Tomou coragem e encarou a mesa da cozinha. Molly acabara de colocar uma bandeja no balcão, certamente preparando o café dele mesmo. Gina parou no ato, quando estava levando uma torrada a boca e encarava o irmão. Harry, do lado da ruiva, o encarava com uma expressão preocupada, como se Rony fosse surtar a qualquer momento. Percy, Gui e sua esposa Fleur — que ficariam ali até a situação se amenizar, para depois então voltar para casa (no caso de Percy, arranjar uma), o encararam surpresos. Nem sinal de Arthur, nem Hermione e muito menos Jorge ali.
- Onde está Hermione?
A pergunta escapou de sua garganta indo direto para fora, sem ao menos ele perceber.
- Rony, querido, está com fome? Perguntou Molly, gesticulando para que todos voltassem a fazer o que estavam fazendo.
- Estou bem, mamãe. — Afirmou. — Onde está papai, Jorge e Hermione? Reformulou melhor a pergunta, quando percebeu que não conseguiria repetir a anterior.
- Seu pai foi para o Ministério, entende? Ver como estão as coisas e quem sabe, já retonar ao trabalho. Ficou a semana toda em casa.
- No caminho ele deu carona para Hermione. E Jorge...bom, ele também não saiu do quarto...como você.
Gina disse e recebeu uma cotovelada de Molly, que logo após sorriu amarelo, chamando Rony para a mesa.
- Carona pra onde, Gina?
- Por que não conversamos antes do café, hein? — A ruiva se levantou, puxando o irmão para o lado de fora. — Já voltamos, mamãe. Sairam, antes de qualquer um poder contestar. Caminharam (ou melhor, Gina arrastou Rony) em silêncio até o lago. Ela cruzou os braços e o encarou, com uma expressão omissida.
- O que foi? Ele ousou perguntar, embora talvez, apenas talvez, soubesse do que se tratava.
- O que foi!? O que foi!? — Gina repetiu com a voz esganiçada. — Ronald, eu também perdi um irmão e não me isolei uma semana, para sofrer sozinha e não ajudar os outros com suas próprias crises. Que atitude egoísta!
- Olhe, Gina, em pri...
- Cala a boca! — Levantou um dedo no ar. — Todo dia, Rony, todo dia, Hermione passava em frente aquela maldita porta esperando você sair, ela batia e você nada fazia. Ela estava sofrendo seu próprio conflito interno e você nem aí! Olha, eu juro que até entendo essa sua atitude, mas se pelo menos tivesse ficado uns dois ou três dias...mas UMA SEMANA! Por que você tem que ser tão complicado? Ela foi embora, certamente, pensando que você não gosta dela de verdade!
- Foi embora? Como assim? — Rony arregalou os olhos e com o choque, se afastou alguns passos da irmã. — E o que faria ela pensar isso!?
Sentiu suas orelhas queimarem.
- Foi para a Austrália. Atrás dos pais. — Disse por fim. — Papai deu uma carona até o aeroporto. Sabe-se lá quando ela vai voltar!
- Sozinha!? — Passou as mãos pelo rosto logo em seguida bagunçando os cabelos. -BLOODHELL! Como ela pode ir sozinha!? Não é perigoso? E ela ainda foi naquelas coisas estranhas que voam...e ela odeia voar! Por que não a impediram? Por Merlin!
- Aposto que hoje de manhã, foi a última tentativa dela antes de ir embora. Pra depois você não dizer que ela não tentou. Você sempre chegando tarde demais, não é Ronald?
Gina cuspiu as palavras como se fossem veneno. Maneou a cabeça em sinal de negação e andou a passos duros em direção A Toca.
Minha irmã tem razão. Eu sempre chego tarde demais.
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