...Provoque Enquanto Pode...
1 Tentações, melhor não tê-las...
- Ora, ora, onde está seu bom senso agora senhor executivo?
Como era irritante e importuno, definitivamente aquela boca carnuda teria que ser preenchida com meus lábios para que sustasse tanta soberba.
Meu corpo ardia em mil chamas ao tocar vigorosamente aquela pele firme. Ondas elétricas percorriam pelos meus músculos, fazendo meus dedos se fecharem com força naqueles cabelos perfeitos e macios e numa fração de segundo esses mesmos dedos se fecharam com força sobre o tecido caro que cobria aquele corpo vigoroso dilacerando-o e o transformando em tiras e farrapos numa tentativa desesperada em sentir a textura vulcânica daquela pele perfeita. Queria devorar aquela carne perfeita... com urgência...
O desejo despontava em mim ferozmente, e com uma sensual cólera, derrubou a máscara da impassibilidade fazendo com que o animal instintivo dentro de mim despertasse e se lançasse para atacar a presa que nunca fora imaculada e que praticamente se lançava para dentro de minha teia me pedindo para atacá-la e devorá-la sem reservas. Mas quem acabou caindo na armadilha, fui eu.
Sentia-me acuado por todos os ângulos. Era praticamente impossível desvencilhar-me daqueles olhos azuis penetrantes que me cercavam e provocantemente arrastavam-me aos mais profundos abismos e levavam-me até as mais alucinantes alturas.
Aquele corpo varonil desfilava e se mostrava capturando minha atenção por todos os lados onde eu pudesse lançar minha visão. Tentava controlar meus impulsos fazendo-me de indiferente, o que fazia com que aquela criatura sádica se lançasse mais e mais a minha frente.
Como estava difícil controlar a excitação quando ele passava e soltava daquele elástico os longos cabelos cor do sol deixando no ar aquela fragrância tão profunda que me embriagava.
Apertava os olhos ao sentir o aroma acre que emanava daqueles cabelos preenchendo os meus pulmões em um suspiro profundo, o que não passava despercebido àqueles olhos ágeis que me observavam por trás das grossas mechas onduladas que caíam displicentes pelos ombros com um brilho de pura luxuria, ocultando a todos os presentes no espaço cúbico daquele escritório, as intenções sedutoras daquele grego malicioso.
Dias seguidos fui vítima de flertes dos quais me esquivava, afinal, um executivo de grande prestígio como eu, não sucumbiria aos encantos de um reles assistente arrogante, atrevido, abusado, sedutor... bom mas segundo o meu bom senso eu deveria desconsiderar o último ítem e nem mesmo uma lista com cem dos piores desses adjetivos poderia classificá-lo. Mas aquilo me incomodava tanto quanto me excitava. Maldito.
Dias se transformaram em semanas, e os flertes e investidas contra mim, apenas aumentavam. Por várias vezes pensei em pedir a meu sócio para dispensar seus serviços alegando uma ineficiência qualquer. Mas não conseguia. Pegava-me imaginando o porquê não conseguia... Por acaso será que estava gostando?
Sim, só poderia mesmo estar gostando, mas minha postura séria não me permitia assumir que realmente era mais, muito mais que gostar. Eu estava adorando ser seduzido por 1,90 de puro magnetismo, uma pele morena tipicamente grega e deliciosamente perfumada que despertava os meus impulsos mais intensos, cabelos fartos de um dourado tão intenso, boca carnuda que revela uma arcada dentária tão branca e perfeita quando sorria abertamente ao me flagrar observando-o, ombros largos, peito forte e definido que podia ser notado por meus olhos até mesmo sob as finíssimas camisas sociais de linho egípcio, coxas perfeitas sempre protegidas pelas calças sociais de corte fino acompanhando o estilo que ele sempre trajava demonstrando todo o seu bom gosto. Maldita agência, por que enviaram um pedaço de perdição com tanto bom gosto e extrema eficiência, além de exuberante sensualidade para trabalhar justo com meu maldito sócio há ditos quatro meses?
Não pude conter-me em espiá-lo algumas vezes quando passava pelos corredores, não, várias vezes, claro, muito discretamente, para não ser capturados por aqueles olhos ágeis sempre. Mas ele não fazia a menor questão em esconder os olhos e fingir que não estava me observando, eu sempre o flagrava me fitando e ele nunca desviou os olhos como eu fazia quando era flagrado. Ele era a materialização do pecado em forma grega. E o pior, ele sabia disso.
Senti o sangue subir várias vezes quando suas mãos tocavam as minhas em uma simples tarefa do dia a dia no escritório, ou quando ele se aproximava tanto que eu podia ouvir sua respiração apenas para entregar algum relatório, e eu já me perguntava se aquilo era realmente necessário e até quando eu toleraria. Aquilo era um tanto quanto incomum, eu estava sendo seduzido em ambiente de trabalho e tentava resistir às investidas de um dos novos funcionários. Incabível? Totalmente. Mas, a mais pura das verdades.
Várias vezes após o expediente trancavam-me em minha sala após um dia estafante de trabalho. Realmente apreciava os momentos em que me sentia totalmente só. Sentava-me na confortável poltrona de couro preto e relaxava a musculatura enquanto tomava umOld Pulteney 12 anos.
Imerso em diversos pensamentos sobre os eventos da empresa, de repente peguei-me em uma lembrança da qual tentava ocultar em minha mente e acontecida há pouco tempo. Senti minha face corar, seria o efeito do whisky? Tentei mentir para mim mesmo e fazer minha mente acreditar que fosse a bebida, mas o calor que subiu em meu estômago não era o já conhecido efeito do álcool.
Era de manhã. Sempre aproveitava o frescor da manha para fazer meus contatos mais capciosos. Apoiado ao batente de uma das janelas, eu observava uma fina chuva que caía enquanto esperava meu sócio para uma reunião, quando fui pego de surpresa. Era ele, me surpreendendo com um beijo rápido e molhado no lóbulo. Virei-me rapidamente, assustado com a ataque. Mas não tive se quer tempo para repreendê-lo, pois logo em seguida entrou meu sócio falando ao celular tão alto que nem mesmo precisaria do aparelho. Apenas lancei-lhe um olhar enfurecido enquanto recebi de volta uma piscadela discretíssima seguida de um sorriso matador e logo após o maldito entregou-me alguns relatórios como se nada tivesse acontecido. Maldita secretária. Para que servem as secretárias? Não seriam para anunciar quem está chegando? Já não se fazem mais funcionários como antigamente.
Aquele episódio não fora o único, a cada dia ele ficava muito mais ousado. Ele sabia que me tinha em suas mãos, e nem mesmo se dava ao fato que um fatídico dia suas mãos apertaram fortemente minhas nádegas enquanto eu tomava um café despreocupado na cantina. Por várias vezes protestei sobre sua postura, mas isso só o deixava mais atrevido. Havia cativado meu sócio, e por isso era confiante que não seria demitido nem mesmo sobre meus protestos. Mas algo em seus olhos sabia que eu também não o faria.
Certa vez, tomado pelo desejo após ter minha intimidade indiscretamente tateada, quis agarrá-lo ali mesmo na sala da Xerox e mostrar-lhe como se provoca alguém como Camus Enydreío, mas apenas afastei sua mão forte e atrevida enquanto involuntariamente suspirei pesada e profundamente. Ele fitava-me com aquelas belas safiras sem hesitar enquanto me bolinava. Virei-me para sair da sala e pude ouvir uma pequena risada vitoriosa.
Aquilo realmente estava passando dos limites, não poderia deixar que aquela situação permanecesse ou eu enlouqueceria. Tentava ser profissional e esquecê-lo, mas ele estava se tornando uma figura muito conhecida em meus sonhos e devo confessar que sempre levantava-me todo ensopado e não era apenas suor.
Sempre fui tão cauteloso, mas eu estava enlouquecendo. O simples fato de ouvir sua voz já me excitava quando ele ligava para minha sala para passar algum recado sério do meu sócio. E eu que sempre fui um ótimo empresário e sempre tinha as melhores respostas para todas as perguntas mais argutas e sabia desmontar qualquer empresário sabichão, não tinha sequer um ponto de voz para repreendê-lo quando ele ligava em meu celular e insinuava estar fazendo amor e gemia meu nome... Não conseguia se quer desligar o celular.
E então, o desejo já ultrapassava a zona permitida e eu devia tomar uma atitude ou então enlouqueceria de vez. Em mais uma noite de sonhos pervertidos com o loiro despudorado, acordei chamando por seu nome. Milo...
Enquanto me aliviava sob a água gelada da ducha, decidi que poria um fim naquela história. Ou quem sabe um começo.
Notas finais
Agradeço a todos que lerem, gostarem e massagearem o meu ego. Estou precisando. A historia é curtinha o proximo já é o fim.
BJX...
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