Notas iniciais
N/A: Essa história é um experimento, já que é a primeira vez que escrevo algo que envolve Nazismo. Espero que gostem, e se vocês acharem alguma coisa que não condiz com a história real, por favor me avisem. E se gostarem por favor, comentem, gostaria de opiniões. Boa leitura!

Anfang.

Alemanha, 1939.

Debaixo de um frio de congelar os ossos, Belle Straub caminhava determinada – apesar de temerosa – em direção à única ferroviária de sua pequena cidade. Sabia que a decisão de colocar seu futuro em risco fora tomada de modo rápido e não havia dedicado tempo suficiente para refletir, mas Belle, a esta altura do campeonato considerava preferível não pensar muito. Sem falar que não havia mais tempo; e então se concentrando neste único pensamento, cobriu mais o rosto com o cachecol assim que avistou a entrada do local, e então se pôs a se dirigir para a bilheteria.

“– Aqui está, garota.” – Murmurou o bilheteiro a olhando com desdém.

Belle levantou a cabeça decidida e – apesar do perigo que o ato poderia lhe envolver – retribuiu-lhe o olhar com o mesmo desprezo, antes de alcançar a passagem; tentando ignorar a furtiva última olhada que o homem estava a lhe lançar, se dirigiu a passos largos para a plataforma.

Primeiro parou na beira da mesma apreensiva, com esperanças de já ver o trem chegando ou ouvir o barulho do mesmo; como não conseguiu visualizar nada, optou por sentar e aguardar, apesar de sua ansiedade a fazer querer andar de um lado para o outro, o que no momento era muito arriscado.

_Mãe, compra um pirulito, por favor! – Gritou uma voz estridente á sua esquerda, distraindo Belle.

_Já lhe disse que não. Apenas ande, estamos atrasados – Urrou a mulher ao seu lado, agarrando o braço do menino com força. Assim que os dois indivíduos apressados passaram por trás do banco que Belle aguardava, ela tentou ver além do gorro que cobria grande parte do rosto da mulher, porém só conseguiu ver a boca da mesma.

Mas não necessitava ver o rosto dela para saber de sua condição arriscada, — embora sem ter culpa de nada – bastava olhar para o menino. O nariz adunco e os olhos levemente mais próximos que fugiam do protótipo alemão os denunciavam. Um atordoamento lhe abateu, se sentindo cúmplice do que estava para a acontecer àquelas pessoas.

_Judeus. – Murmurou uma mulher que estava a observar a cena assim como Belle, porém ao contrário da mesma, a mulher compartilhava uma opinião diferente dela já que cuspiu no chão olhando-os com um desprezo palpável.

Em uma ocasião normal, Belle a repreenderia e para acalmar seu orgulho, a humilharia publicamente, mas ela estava em desvantagem; um passo em falso a levaria direto para a forca. Por esse motivo, se limitou a abaixar a cabeça encarando suas mãos ao apertarem seu lenço com toda sua força.

Por sorte, o trem não demorou a chegar, e Belle suspirou agradecida assim que deixou o lugar na qual estava sentada, do lado da velha odiosa. Por trinta minutos ou mais, havia ouvido horrores sobre sua própria descendência. Apesar de sua mãe ser irlandesa, não a tornava menos judaica.

Assim que entrou no trem, viu que já havia várias pessoas acomodadas, em sua maioria homens, que se ocupavam com leituras ou olhar a paisagem, e isso facilitou o andamento da tarefa na qual definiria sua jornada:

“– Se concentre em procurar um homem com uma marca, uma cicatriz bem vísivel no pescoço, e ele te dará as respostas que precisa.” – Lembrou Belle.

Olhou discretamente para o pescoço de todo homem nas cabines que ela passava, porém nenhum mostrava um mínimo traço de qualquer marca.

Por fim, terminou frustrada, entrando em sua cabine que já estava ocupada, e se acomodou, colocou sua mala no bagageiro e se sentou no assento que lhe fora designado, que ficava de frente a outro de dois lugares. Belle olhou a figura adormecida tentando definir se a pessoa a sua frente era mulher ou homem, porém o chapéu unissex cobrindo-lhe o rosto juntamente com o casaco puxado para cima impedia qualquer identificação. Suspirou, torcendo para que a viagem não demorasse tanto, já que não teria com quem conversar. Porém o barulho da porta indicou que talvez teria, sim.

“– 910. Pensei que nunca acharia.” – Exclamou o homem, que de começo pareceu carrancudo, vestido todo de preto e com óculos da mesma cor, porém o sorriso que ele lhe ofereceu depois quebrou aquela primeira impressão.

Belle sorriu, observando o homem fazer o mesmo que ela havia feito e se sentando no lugar ao lado do homem adormecido.

“– Não sei como conseguem dormir com esse movimento. Sinceramente, me deixa enjoado.” – Disse o homem, numa tentativa de puxar assunto. Belle se limitou a sorrir, tentando visualizar o pescoço do mesmo.

“– Importa-se de eu fumar?” – Perguntou o homem, pegando Belle de surpresa. A mesma não gostava do cheiro do cigarro, pois lembrava o seu pai. Mas não negaria isso ao estranho, já que queria conseguir informações do lugar para onde estavam se dirigindo, então sorriu para o homem, que então abriu o sobretudo e começou a procurar algo.

Nisso, o desconhecido se mexeu, e olhou Belle por um instante antes de o momento dar uma reviravolta. O homem recém-despertado pulou de seu assento, abriu a janela e pegou Belle pelo braço, ao tempo que o homem de sobretudo mostrou que o “cigarro” era na verdade uma pistola, que foi apontada diretamente para o rapaz. Antes de o outro atirar, o homem colocou Belle nas costas e subiu para o telhado do trem em movimento.

A mulher estava totalmente alheia ao que acontecia, tentando assimilar os eventos que se sucediam. Já em cima do telhado, o homem a botou de pé com muito cuidado:

“– Corra!” – Berrou para a mesma, que não hesitou em correr.

O outro homem os alcançou, atirando em tudo que via pela frente, porém seu alvo era o rapaz que agora lutava com ele. Belle correu para o espaço entre os vagões e se esgueirou por lá, descendo a escada que lá havia, já se preparando para avisar o maquinista, se sua curiosidade não fosse tão aguçada.

E se fosse diferente, nunca teria se virado para ver o desenrolar da luta, e nunca teria visto a grande marca no pescoço do homem que a salvara. Belle suspirou, precisava falar com o homem, mas ele morto nunca a ajudaria. Então se pôs no telhado do vagão novamente, surpreendendo os dois apenas por um instante, antes de darem continuidade ao confronto, apesar da coragem recém-adquirida, Belle estava sem saber o quê fazer para ajudar o rapaz, calculou as formas de tentar atingir o outro sem fazer os dois caírem do vagão.

Então no tempo que Belle pensava, o homem atirou o outro no ombro, que se apoiou em seus joelhos e os dois pararam por um instante. A mesma não conseguia enxergar direito, mas dava pra ver o rosto do homem de sobretudo olhando para o rapaz que estava de costas para a mesma, e a expressão vitoriosa do homem foi se tornando aterrorizada a medida que ele continuava a olhar para o rapaz, e o terror estampado em seu rosto não condizia com a posição dele na luta.

“– Ele havia vencido certo?” Pensou Belle enquanto avançava cada vez mais.

“– Scheiße!” – Murmurou o homem, horrorizado e se afastando do outro. Belle viu que um túnel despercebido pelos dois se abria a frente, e mesmo se eles se abaixassem, por ser muito estreito, o resultado seria terrível.

Então aproveitou que o trilho passava por cima de um rio a uns cinquenta metros de altura e correu até o rapaz, se lançando contra ele e por fim se jogando do trem, pouco antes de o túnel alcançar o outro homem e o esmaga-lo.

Os dois caíram pesadamente na água gelada, Belle sentiu seu corpo doer como nunca, e cada vez mais que ela afundava junto com o rapaz, a mesma acreditava que não teria forças para nadar até a superfície. Porém o homem pareceu se recuperar mais rápido da queda, e se pôs a nadar para cima, carregando Belle consigo, que ficava sem fôlego. Assim que alcançaram a superfície, ambos estavam ofegantes e por fim nadaram até a borda do rio.

Belle se jogou na areia, com os pulmões queimando e desacreditada que fora mesmo capaz de se jogar de um trem para salvar um completo desconhecido e que agora a havia salvado duas vezes. Olhou para ele, estendido ao seu lado, respirando pesadamente, Belle pôde constatar que ele aparentava ser mais velho do que ela havia pensado, inclusive parecia que ele tinha mais ou menos a idade dela, se não mais velho que a mesma.

Porém quando o homem se recuperou, Belle esperava tudo, menos que ele lhe lançasse um olhar ameaçador, assustando a mesma. Pior que isso, ele parecia perigoso; mas Belle calculara que teria que enfrentar algo assim cedo ou tarde, já que o homem que matara seu pai tinha uma tatuagem igual a que esse homem possuía.

Continua.

Notas finais
E aí? Espero mesmo que tenham gostado! Se não gostaram também peço que comentem para eu ver no que preciso melhorar. Beijos!