Notas iniciais
Olá! Cá estamos novamente. Espero que vocês estejam gostando da história! Quero agradecer as lindas HatsuneMikuo e a ju_mysczak que comentaram e esse capítulo é para vocês. E um avisinho: apesar do vocês vão achar no final do capítulo, não tem fantasia na história tá? hehe. Boa leitura!

Wahnsinn.

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Belle levantou assustada, aguardando pelo próximo movimento do desconhecido, o quê não demorou muito, já que no momento seguinte o mesmo agarrava seu pescoço e a prensava contra a parede da montanha. E no meio de todo o terror e da surpresa, a mesma percebeu que as pupilas do homem estavam dilatadas de uma maneira monstruosa. Aterrorizada, ela constatou que ele era tudo, mas não era normal.

“– Para quem você trabalha?" — Perguntou o rapaz, uma pilha de nervos.

“– O-o quê?..." — Belle perguntou, confusa sentindo o ar lhe faltar a medida que o homem botava mais força na mão, afundando cada vez mais a traqueia da moça.

“– Não me faça repetir"

“– Pa-pa-para ninguém!" — Berrou, por fim.

Após um momento observando a garota, o homem afrouxou a mão, se acalmando cada vez mais, mas não chegou a retirá-la totalmente do fino pescoço.

“– Por quê pulou do trem?" — Ele sussurrou, parecendo estar com dificuldades para respirar.

“– Pa-para te salvar." — Disse Belle, firme. Desacreditada que o homem não havia percebido que ela acabara de sacrificar a própria vida para salvar a dele.

O mesmo respirou fundo e Belle assistiu os olhos do homem deixarem de ficar dilatados para se tonalizarem de um tom de azul turquesa com pontinhas castanhas a medida que retirava os dedos em volta de seu pescoço. Olhos esses que não condiziam com a expressão que ele exibia naquele momento.

“– Por quê? E o quê você quer em troca? " — Terminou o homem, a olhando com desconfiança.

Belle deduzira que ele lhe perguntaria algo semelhante e não o culpava, ainda havia muito para o homem digerir, já que uma completa desconhecida havia se jogado de um trem a quarenta metros do solo apenas para salvá-lo. E em tempos como aqueles, as pessoas eram desconfiadas, tudo era analisado meticulosamente. Ainda mais pessoas que tinham culpa no cartório.

“– Respostas." — Murmurou a moça, incerta.

O homem não respondeu, tampouco mostrou que falaria algo.

“– Sobre?" — Falou o homem após um breve silêncio, pegando Belle de surpresa. Ao mesmo tempo em que ele parecia procurar algo.

“–... o paradeiro de meu pai."

“– Ou o corpo dele." — Pensou com pesar.

Ela esperou pelo pior, porém o homem agiu como se não tivesse ouvido. Após um tempo, ele juntou vários gravetos que ele estava procurando e o juntou em um lugar em que não havia umidade e se pôs a tentar acender uma fogueira.

“– Por quê acha que lhe darei as respostas?"

“– Por quê você pegou o trem para Kiel, e meu pai mantinha um casebre por lá. E como a cidade é pequena..." — Mentiu Belle, esperando que o mesmo morasse lá e caísse na conversa. Porém como antes, ele não aparentou estar disposto a responder.

“– Meu nome é Isabelle, por falar nisso." — Insistiu.

“– Como ele se chamava?" — Ele perguntou, subitamente sério.

Belle ficou surpresa por ele ter de fato ouvido.

“– Aaron Strauß." — Falou, já esperançosa.

“– Não me lembro." — Respondeu categórico, ao mesmo tempo em que conseguiu acender a fogueira. E apesar da resposta ter parecido meio vaga, ele parecia estar medindo cada palavra. Ele sabia jogar, Belle constatou.

Mas a mesma não se deixou abalar e tampouco deixaria a oportunidade de conseguir respostas passar. Se não obtivesse o paradeiro do seu pai, tentaria achar algum lugar em que conseguiria.

“– Ele costumava trabalhar em uma fábrica em Berlin." — Falou distraidamente, e se exaltou ao ver que a postura do homem mudara.

“– Pode me levar lá?" — Arriscou.

“– Não."

“– E se eu te pagasse?"

“– Não."

Belle suspirou, frustrada e passou a olhar o fogo. Até que o homem a puxou de súbito para um vão da parede rochosa.

“– O-o quê?"

“– Calada." — Sussurrou o homem.

O barulho de um movimento nas águas denunciou uma terceira pessoa ali. Belle chegou a cogitar a possibilidade de ser o mesmo homem do trem, senão tivesse visto o mesmo morrer esmagado pouco antes de se jogar da locomotiva. Então ficaram ambos em silêncio, esperando por algum sinal que indicasse o que poderia ser. Até que o som de passos sobressaiu o som da fogueira que continuava a chamuscar.

“– Sabe T, recebi ordens de que devo te levar vivo ou morto para Berlin." — Anunciou uma voz masculina após um tempo.

Belle achou que estivesse imaginando, mas o peito do rapaz a sua frente parecia fazer um barulho parecido com um rosnado e ele começava a ficar muito quente.

“– Porém, pelo que tenho ouvido de você... Para o bem de todos, acho que é melhor você morto." — Continuou a voz, fazendo Belle ficar cada vez mais assustada.

Temerosa, a mesma olhou para o rosto a sua frente, constatando que a pupila do mesmo voltava a dilatar.

“– Quando eu falar para você correr, você corre." — Sussurrou para a mesma, a afastando de si.

E Belle pela segunda vez no mesmo dia, temeu por sua vida.

“– E sabe, a ladainha de sua irmã, perguntando todo santo dia por você já está cansando." — E foi isso.

As simples palavras proferidas pelo outro acabaram por liberar o que quer que estivesse contido dentro do homem a sua frente, se é que era mesmo um homem. Belle, que observava tudo, não acreditava mais na ideia de ele ser mesmo humano.

“– Corre." — Murmurou; E Belle correu, assistindo o desenrolar daquele confronto.

“– Então que tal você aparecer?" — Insistiu o outro homem.

Dito e feito, após longos minutos, o rapaz — ou o que quer que fosse — decidiu sair de seu esconderijo e começou a se dirigir até o homem, que de tão pasmo com a visão, virou e saiu correndo, atirando com sua arma de fogo para todo o lado enquanto o outro o perseguia calmamente, estudando os passos e calculando como e quando era o melhor momento de atacar, assim como um predador. Ela assistiu calada enquanto ele avançava para o outro homem ao mesmo tempo em que se tornava um ser feito só de fúria, e aquela personalidade cautelosa que ela havia visto até agora se dissolvia pouco a pouco, sendo substituída por algo perverso e inconsequente.

Naquele momento ela não só temia pela própria vida mas também pela vida do homem que estava prestes a ser atacado por ele.

“– Então minha irmã está viva?" — Murmurou o rapaz, numa voz sussurrada.

Assim que o homem ficou sem saída, o outro o atacou; o pegando pelo pescoço e girando-o, de modo que a boca da coisa ficasse próxima ao pescoço do outro.

“– Sim, sim, está. Por favor, me deixe ir!" — Gritava o homem.

Belle saiu do vão e começou a gritar incessantemente, esperando salvar o homem. Depois de um tempo, o homem ficou em silêncio, já denunciando que tinha aceitado o que quer que estivesse para acontecer. A mulher contudo ainda tentava pensar em algo para tirar o pobre homem daquele abraço.

“– Você procurou por isso. Agora brinque de acordo com as regras."


“– O q-quê é você?" — Falou o homem.

“– Um defeito."

E quando o silêncio reinou, só o que Belle ouviu foi o som do pescoço do homem se quebrando. Um som que ela seria incapaz de esquecer, barulho no qual ecoaria em seus ouvidos pela vida inteira.

Em choque, ela apenas assistiu o corpo cair das mãos da coisa e atingir o chão com um baque surdo.

Porém foi só depois de ouvir os barulhos de passos se aproximando, que ela constatou que sua vida ainda continuava em perigo.

Continua.

Notas finais
E então? Gostaram? Espero que sim! :( E espero também que deêm uma chance a história apesar de esse capítulo ter ficado um pouquinho confuso. Quero que saibam que ele não é nenhum ser mitológico ok? Antes de vocês acharem que ele é algum Jacob da vida, parem, que não é mesmo! hahahahahahahahahahaha. Tudo será explicado nos próximos caps. Espero que comentem o quê gostaram e o que não gostaram também. Um beijo e até o próximo, lindas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.