Proprietário

14 Quem te fez isso?


Notas iniciais
Boa leitura o/

Jackson estava sentado naquele chão nojento da prisão enquanto esperava que a sua irmã o viesse visitar. Como tinha sido preso já muito tarde, obrigaram-no a passar lá a noite sem direito a visitas. Sentia-se irritado. Muito irritado. Estava preso por crimes que nem cometera e isso iria manchar todo o seu currículo, tinha a vida arruinada. Sentia-se ainda mais irritado por ter pensado que a culpa daquela situação toda era de Bambam. Não gostou de pensar isso, mas tinha lógica na sua cabeça. Se não tivesse sido o rapaz loiro a persegui-lo desde inicio, Jackson nunca teria agredido o pai dele. Mas por outro lado… bem lá no fundo, Jackson sabia que voltaria a fazer tudo de novo. E se possível ainda teria agredido mais aquele homem que confessou deixar o seu menino inconsciente!

– Sou um idiota… — Murmurou de olhos fechados, deixando a cabeça cair para trás e bater na parede.

– Pois és.

Jackson levantou bruscamente a cabeça e encarou Yugyeom que o observava com os braços cruzados e uma careta pensativa mas engraçada. Ao seu lado estava um guarda, mas Jackson não viu a irmã.

– A Yuri?

– Está lá fora. — Responde Yugyeom simplesmente antes de se aproximar das celas e encostar-se nelas para ver Jackson melhor. — O que aconteceu?

– Porque te devo dizer? — Responde voltando a fechar os olhos e bater com a cabeça na parede.

– Porque eu posso-te tirar daqui, se me apetecer, claro. — Sorri.

Jackson voltou a erguer o olhar com as sobrancelhas franzidas. “Desde quando o noivo amável da minha irmã se tornou tão sádico?”

– E o que ganhas por me tirar daqui?

– Na verdade, nada.

– Hey! Eu sou o teu futuro cunhado! Se me podes tirar daqui fá-lo logo de uma vez! — Gritou enquanto se levantava e dirigia às grades onde Yugyeom estava apoiado.

– Antes de seres meu cunhado, o Bambam é meu amigo. Quero saber onde ele está. — Disse sério, sem se deixar intimidar.

– Eu não sei! — Agarrou fortemente as grades e gritou desesperado por provar a sua inocência. — Eu ia ter com ele porque não respondia ao telemóvel mas quando lá cheguei o pai dele acusou-me de o ter levado!

– Ele está em casa do Jinyoung.

Jackson não estava a gostar nada daquela conversa. O noivo da sua irmã estava a confundi-lo e ele não gostava disso. Se sabia onde Bambam estava porque o acusou?

– O que tu queres afinal? — Perguntou tentando controlar a raiva.

– A questão é esta: eu posso tirar-te daqui, é bastante fácil até. Mas se eu te libertar, estou a declarar guerra ao senhor Bhuwakul. As nossas famílias são sócias, por isso, iria dar muitas dores de cabeça se eu lhe declarasse guerra agora. — Explica Yugyeom enquanto Jackson ouve tudo com atenção cabisbaixo. — Por isso, preciso que me contes exatamente tudo o que sabes para ver o que posso fazer por ti. É claro que eu te quero libertar! És o irmão da minha menina! Mas se tu realmente fizeste o que estás a ser acusado…

– Eu não fiz! — Gritou Jackson em pânico. — Eu entrei pela janela de Bambam, é verdade, mas eu subo sempre por lá para ir ter com ele sem o pai dele descobrir. Mas hoje o pai dele estava lá quando eu subi… Aquele desgraçado disse que só eu poderia ter levado o Bambam embora porque ele o tinha deixado inconsciente depois de lhe bater! — Jackson continuava aos gritos, a raiva dentro de si crescia cada vez mais e já não sabia bem a quem direciona-la.

Yugyeom ficou calado durante algum tempo enquanto refletia sobre as palavras de Jackson.

– Ligaram para a Yuri a dizer que o Bambam estava em casa do Jinyoung a ser tratado por todos eles. O Jinyoung encontrou-o inconsciente na rua. — Disse calmamente, enquanto via a raiva de Jackson ser substituída por preocupação. — Disseram que ele estava muito mal mas que se negava a ir ao médico ou a voltar para casa. Se foi mesmo o pai dele que o deixou assim… Então acho que te posso tirar daqui sem grandes problemas.

Jackson apenas concorda com a cabeça. Tinha o olhar fixo no chão e a cabeça apoiada nas grades. Apenas ergueu o rosto sério quando Yugyeom lhe empurrou de leve o ombro.

– Vou pagar a fiança para te tirar daqui. Depois vamos ter com Bambam e logo se vê o que se faz em relação ao senhor Bhuwakul. — Sorri o rapaz docemente antes de abandonar o local. Já não parecia o mesmo homem de negócios sério que esteve a falar com ele até agora.

J❦B

Após ter ligado a Yuri para contar sobre Bambam, Jaebum tinha adormecido no sofá da sala da casa de Junior. Basicamente ele e Youngjae tinham-se mudado para lá para ajudar a cuidador do loiro. Jaebum tinha sorte de viver sozinho, mas Youngjae teve alguns problemas para explicar aos pais porque não iria dormir a casa pela terceira noite seguida, claro que nas duas primeiras noites estava com JB mas isso os pais dele não sabiam…

A senhora Park tinha saído para fazer compras e levou a filha consigo. Junior estava trancado no quarto a escrevinhar ferozmente no caderno de composições e Youngjae estava a servir de almofada de JB, mesmo que um pouco contrariado pois o mais velho simplesmente caiu em cima de si adormecido e Youngjae não teve coragem de o acordar. JB tinha ficado acordado a noite toda a vigiar Bambam e a tentar falar com Jackson, que tinha desaparecido do mapa.

Apenas Junior estava no quarto quando Bambam acorda, meio desnorteado, mas consciente. O loiro começa por abrir lentamente os olhos e observar o local onde estava. Não reconhecia aquele quarto e não se lembrava de ter ido lá parar. Decidiu sentar-se para ver melhor mas acabou por gemer de dor ao sentir as costas arderem.

– É melhor não fazeres muitos esforços. — Avisa Junior apenas erguendo ligeiramente o olhar do caderno.

– É o teu quarto? — Perguntou com a voz rouca. Junior apenas assentiu com a cabeça. Levantou-se e entregou-lhe um copo de água que estava ali à espera que ele acordasse. — Como vim aqui parar? — Questionou após beber todo o copo de água. Sentiu a sua garganta queimar e o estômago doer, talvez pela falta de alimento.

– Eu trouxe-te. Estavas desmaiado no chão e a Coco reconheceu-te. — Enquanto fala, faz sinal com a cabeça para a Cachorrinha que estava a dormir enroscada numa manta perto da cama. — Podes agradecer-lhe, pois eu não te reconheci até tu falares.

Bambam assentiu com a cabeça e sorriu ao ver Coco. Junior nunca tinha visto o rapaz sorrir e assustou-se um pouco.

– Agora que estás consciente e paras-te de repetir “Jackson”, queres ir para casa? Ou para um hospital? — Junior encostou-se à parede e esperou a resposta que demorou a vir.

– Onde está o Jackson…?

– Não sei. Ninguém o vê desde ontem.

“Será que o meu pai… Ele livrou-se mesmo dele? Tal como disse que fez com Mark…?” Pensou Bambam começando a entrar em pânico. Agarrou fortemente os joelhos e escondeu o rosto, tentando normalizar as suas expressões e a respiração. Não tinha confiança com Junior para mostrar mais do que a sua cara apática.

– Não te preocupes, deve estar com alguma miúda para não variar muito. Ele faz isso muitas vezes. — Continuou Junior, provocando o rapaz de propósito. Sabia bem que desde que Bambam apareceu, Jackson não tinha voltado a sair com ninguém.

– Espero que seja mesmo isso… — Respondeu contra os joelhos.

Jinyoung franziu o cenho ao ouvir isso. Era suposto o loiro ter ficado irritado e ciumento. Mas parecia aliviado por pensar que Jackson estava com outra pessoa. “Isto não faz sentido… Se ele gosta de Jackson como tanto diz, devia odiar essa possibilidade…”

– Eu vou buscar-te comida, a minha mãe fez uma sopa ótima para quando acordasses… — Murmurou um pouco desconfortável, antes de abandonar o quarto.

J❦B

– John! — Gritou Mark enquanto corria pelos camarins, à procura do seu manager. — Preciso da tua ajuda! É urgente!

– Calma rapaz! O que se passa? — Perguntou John, segurando-o pelos ombros. Mark estava irrequieto e com uma expressão preocupada. Tinha umas fundas olheiras debaixo dos olhos e estava mais pálido que o normal.

– Eu não quero continuar com isto!

– Com isto o quê? Calma Mark. Respira fundo, vamos-no sentar ali, está bem? — O manager guiou até umas cadeiras nos camarins, mais distantes de todas, para poderem ter um pouco mais de privacidade. — Agora, com calma, conta-me o que se passa.

Mark tira um envelope do bolso e entrega-o ao manager. Quando o homem abre, os seus olhos arregalam visivelmente com o conteúdo. Dentro do envelope estava um desenho de Mark torturado. No desenho, a cabeça de Mark estava no chão, numa enorme poça de sangue e todo o seu corpo estava em muito mal estado, cheio de golpes, feridas e até umas quantas espadas espetadas. Claro que o desenho não estava nada artístico, era bastante amador na verdade, mas dava para perceber muito bem o significado.

John levantou o olhar para Mark, mas o cantor apenas o forçou a ver melhor a carta. No fim do desenho, estava uma ameaça escrita a vermelho.

“Estou farta de ver gays bêbedos na televisão. Se não sais a bem eu tiro-te daí”

– Onde arranjas-te isto? — Perguntou John enquanto amachucava o papel com violência.

– Há montes deles! Estão por todo o lado, John! Já recebi todo o tipo de ameaças e presentes de mau gosto. Enviaram-me fotos minhas com a cabeça cortada, cd’s meus partidos ao meio… E sabes aqueles peluches porta-chaves? Também recebi alguns todos rotos e rasgados! Eles querem matar-me… — O rapaz começou a tremer e a olhar à sua volta apreensivo, como se a qualquer momento um anti-fã aparecesse com uma faca para o atacar. — Eles disseram que queriam matar-me…

– Tu estás seguro conosco Mark. Ninguém te vai fazer nada, isto é só um fase… Assim que sair o teu novo single eles vão esquecer isto tudo. — Assegurou o manager abraçando o rapaz para tentar anima-lo. Mas Mark apenas ficou quieto no abraço, enquanto olhava para todos os lados. — Vou falar com a segurança para todo o teu correio ser aberto primeiro antes de tu o veres, o que achas?

– John… Eu tenho medo…

J❦B

Quando Junior voltou, Bambam estava de pé pelo quarto, a tentar chegar à mochila com as suas coisas, mesmo que para isso, quase se arrastasse pelo chão com dores.

– Que estás a fazer? Só demorei cinco minutos! — Reclamou Junior. Pousou o tabuleiro na secretária e ajudou o rapaz a voltar para a cama. Em seguida foi buscar a sua mala e entregou-a, seguindo-se o tabuleiro com a comida.

Bambam esqueceu logo o que ia fazer quando sentiu o cheiro da comida quente. Estava realmente com fome e sempre adorou sopa. Comeu tudo apressadamente mas com gosto. Sentia-se no céu.

– Está delicioso! — Disse animado entre colheradas.

Jinyoung apenas o observou calado mas com algum interesse. “O que será que o Jackson vê nele?” Tinha pensado se deveria ir acordar os amigos que estavam a dormir no sofá, mas achou melhor deixa-los descansar, tinham tido uma noite complicada.

– Eu disse, as comidas da minha mãe são as melhores. — Respondeu com um sorriso convencido.

– Posso te pedir um favor?

– Hn? Depende. — Respondeu, voltando a ficar alerta. Não gostava nada daquele “proprietário” e por isso não conseguia relaxar na presença dele.

– Empresta-me o teu telefone para eu por o meu cartão. Preciso de falar com o Jackson e com o Mark. — Jinyoung já estava a abrir a boca para responder mas Bambam foi mais rápido. — Por favor! É mesmo urgente! O Jackson pode estar em perigo…

Junior não sabia o que fazer, Bambam estava quase a chorar enquanto implorava pelo telemóvel.

– Porque dizes que o Jackson está em perigo?

– Porque… — Bambam desviou o olhar envergonhado. Dizer aquilo era humilhante. — Quem me fez isto disse que ia atrás do Jackson… E foi a mesma pessoa que fez com que Mark fosse embora….

– Tu sabes quem te fez isso?! Não foste assaltado? — De repente, Junior estava muito interessado naquela história toda e até foi capaz de baixar a guarda perto de Bambam e sentar-se na cama ao seu lado. — Quem te fez isso? — Bambam baixou o olhar e encolheu-se mais nos lençóis. — Diz-me! Quem te fez isso?!

– O meu pai! — Gritou de volta enquanto fechava fortemente os olhos e começava a chorar.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado e até à próxima! o/ Kissus