Proprietário

8 Jantar sem velas


Notas iniciais
(vocês já devem ter reparado... mas os títulos dos meus caps são sempre uma coisa fascinante... quase que perco mais tempo a pensar no título do que a escrever a fic... simplesmente ignorem-nos xD) Boa leitura, leiam depois as notas finais o/

Jackson e Bambam ficaram a olhar para a porta fechada durante algum tempo. Bambam tinha o olhar apático mas a boca ligeiramente aberta em choque, enquanto Jackson tinha cara de estúpido, como se fosse um burro a olhar para um palácio. Durante vários minutos, aquele pedaço de madeira intitulado de “porta”, era a coisa mais fascinante do mundo para aqueles dois.

– Então… — Começou Bambam fingindo tossir em seguida. — É melhor eu ir andando…

O mais novo arriscou um rápido olhar a Jackson que o observava. Assim que os seus olhares se cruzaram, Bambam voltou a olhar para a porta e avançou na sua direção. Só não esperava que Jackson o puxasse pelo pulso para junto de si e depois o prendesse pela cintura com um braço.

– Posso não ser tão boa companhia como o teu “amor de infância” — Disse rabugento. — Mas… Já que te prometeram um jantar… eu não me importo. — Murmurou olhando-o profundamente nos olhos.

Bambam sorriu e concordou com a cabeça. Tinha medo que Jackson o tentasse expulsar à força de casa, mas agora sentia-se muito mais seguro e confortável.

– Mas sabes… — Começou o loiro com aquele pequeno sorrisinho que Jackson achava macabro. — Tu é que és a minha propriedade, por isso serás sempre melhor companhia que o Yugyeom. Ele é a propriedade da Yuri.

Jackson não conseguiu sentir-se ofendido com essas palavras. Na verdade, até se sentia bem em ouvi-las.

– Não devia ser a Yuri propriedade do Yugyeom? — Enquanto falava, inconscientemente o seu rosto aproximava-se mais de Bambam.

– Não.

Bambam respondeu tão rápido e sério que ambos começaram a rir descontroladamente. No final do ataque de risos, Bambam tinha a testa pousada no ombro de Jackson enquanto este tinha um braço à volta da cintura do mais novo.

– Tens mesmo de comer mais… — Murmurou Jackson suavemente. Num tom tão calmo que Bambam pensou que estava a sonhar, isto até sentir a mão de Jackson entrar na sua camisola e apalpar-lhe a barriga. — Isto é só osso.

O loiro ficou paralisado por uns segundos mas assim que voltou a si, afastou-se bruscamente do mais velho. Tinha um beicinho e um olhar agressivo para o mais velho, apesar de ter as bochechas rosadas. Com ambas as mãos, Bambam puxava a camisola para baixo, como se tivesse a impedir que Jackson a voltasse a tentar levanta-la e tocar-lhe. Ainda usava a camisola que tinha “pedido emprestada” de Jackson, e tratava aquele pedaço de tecido como se fosse ouro.

– Estás a fazer-te de inocente agora? Pensei que já tivéssemos dormido juntos. — Sorri Jackson manhoso.

– Sim. Duas vezes.

O baixista encara o mais novo com o cenho franzido. “Como assim duas vezes? Não foi só quando o conheci…? Será que houve segunda rodada?!” Esse pensamento assustou-o um pouco. Na verdade assustou-o bastante. Olhou para Bambam que ainda estava bastante envergonhado a abraçar o próprio corpo. “Algo aqui não faz sentido…”

– Quando tu dizes que dormimos juntos…? — Começa Jackson sério.

– Sim?

– Queres dizer… Dormir juntos na mesma cama ou…?

– Na mesma cama, óbvio! — Respondeu rápido, e se possível, ficando ainda mais vermelho. — Uma pessoa como eu não pode envolver-se com qualquer um!

Jackson não gostou da resposta. Sentia-se muito zangado de repente.

– Então que história foi aquela no dia em que nos conhecemos!? — Exigiu saber.

– O quê? Tu apenas invadiste o meu quarto e me beijas-te, depois adormece-mos. — Bambam estava a sentir-se ameaçado por isso voltou a por a sua máscara apática. Se não mostrasse sentimentos não poderia ser magoado, nem usariam isso contra ele. Pelo menos era isso que o seu pai dizia.

– Só isso!? — Gritou fechando os punhos.

– Sim. — Essa resposta tão direta e dita com a maior poker face do mundo ainda irritou mais o baixista.

– Então tu andas-te a seguir-me feito lunático, a assustar os meus amigos e a fazer dramas de ciúmes por causa de uns simples beijos?!

– Não foi bem isso… — Bambam teve a decência de corar e desviar um pouco o olhar. Agora que ouvira o que tinha feito, sentia-se bem idiota. — Eu gosto mesmo de ti.

– Já te disse para não me dizeres essas palavras com essa cara!

– É a única que tenho. — Responde sério.

Aquela discussão poderia ter durante a noite toda, mas algo dentro de Jackson obrigou-o a parar. Bambam estava muito agitado e isso ele conseguia ver bem. Não pelo seu rosto, mas pelo seu peito que subia e descia rapidamente com a respiração, os seus olhos vermelhos, as suas mãos fechadas e ombros rígidos. Afinal aquele rapaz não era tão opaco como queria, só era preciso aprender a lê-lo de outra maneira.

– Vamos esquecer isto… Não tens fome? — Pergunta Jackson. Queria sorrir mas ainda estava chateado para o fazer.

– Não. — A resposta veio quase como automática, fazendo o baixista revirar os olhos.

“Era óbvio que ele ia dizer que não. Está a fazer a dieta estúpida para perder as bochechas estupidamente adoráveis.” Pensou chateado.

– Bem, temos pena. A casa é minha e eu digo que vamos comer.

Sem esperar a resposta negativa, que certamente viria, Jackson agarra o braço de Bambam e puxa-o para a cozinha, obrigando-o em seguida a sentar-se.

Só quando o mais novo está sentado, é que Jackson e Bambam reparam na decoração da cozinha. Havia velas espalhadas pela divisão, uma toalha bordô muito chique na mesa, assim como pratos organizados de forma prefeita.

– Quando é que ela teve tempo de fazer isto?! — Exclama Bambam olhando à volta. A sua mascara tinha caído pelo choque e Jackson aproveitou logo para finta-lo e tentar decorar todos os seus traços. — Velas? A serio?!

Jackson seguiu o olhar do rapaz e não pôde evitar rir. Havia um candelabro sobre a mesa, a separar os dois pratos.

– Importas-te se eu tirar isto daqui? — Perguntou Jackson também achando aquilo absurdo, mas divertindo-se com as reações de Bambam.

– Por favor! — Implorou o mais novo começando logo a apagar as pequenas velas que decoravam a cozinha. — Isto é demasiado formal! Parece um daqueles jantares de família em que fingimos ser felizes e adorar toda a gente.

– Os meus jantares de família costumam ser um churrasco no jardim. — Comenta Jackson sem grande interesse. Estava a levar o candelabro para a sala. Não sabia bem onde a irmã tinha arranjado aquilo, mas ela que o voltasse a arrumar.

– A sério!? — Jackson teve que retroceder um passo quando, ao virar-se, vê o rosto sorridente de Bambam.

– Sim…

– Nunca fui a um churrasco. Deve ser incrível! — Diz feliz.

– É cheio de mosquitos e faz muito calor. Acho que não faz bem o teu estilo…

– Parece ser incrível… — Repete Bambam com olhar sonhador e enorme sorriso no rosto.

– Se quiseres, pode-mos fazer um na garagem. — Jackson não sabia bem porque estava a sugerir aquilo, mas na altura parecia-lhe a melhor coisa a fazer. Faria qualquer coisa para ver Bambam feliz. Mas feliz de verdade. Tão feliz que se esqueceria de usar a sua máscara fria, tal como agora.

Bambam acenou com a cabeça e abraçou fortemente Jackson, apanhando-o desprevenido. Apesar de surpreso, Jackson não pensou duas vezes antes de retribuir o abraço e beijar-lhe o topo da cabeça.

Tal como acontecera das outras vezes, os actos mais íntimos faziam o lado tímido de Bambam gritar. O mais novo afastou-se rapidamente, com o olhar fixo no chão.

– Tão tímido. — Sorriu Jackson carinhoso, despenteando-lhe os cabelos. — Anda, vamos procurar o famoso jantar que a Yuri fez.

– Está em cima do fogão. — Respondeu Bambam baixinho. Jackson tinha vontade de o apertar como se fosse um peluche devido à fofura, mas conteve-se.

– Se for esparguete com almôndegas eu vou matá-la… — Ameaçou Jackson baixinho enquanto levava o tacho para cima da mesa.

– Tu és o Vagabundo. — Riu-se Bambam. Ele sabia perfeitamente a ementa do jantar, afinal ele tinha ajudado a prepara-lo, e Jackson estava 100% certo.

– Ok! Como queiras, Dama! — Respondeu ao ver que acertara na ementa. — Ao menos teve a decência de por dois pratos…

Jackson serviu-se e esperou que Bambam fizesse o mesmo para começarem a comer. Mas isso nunca aconteceu.

– Eu não te vou servir, oh Dama. — Disse Jackson sério mas com um sorriso trocista. — Aqui não há criados para ninguém.

Em resposta, Bambam levou as duas mãos ao queixo e pôs a língua de fora, imitando um cão.

– Que estás a fazer…?

– Au! — Respondeu Bambam, ladrando, abrindo logo um belo sorriso de seguida

Jackson não sabia se achava aquilo estranho ou fofo… Decidiu achar que era estranhamente fofo.

– Ne, eu não quero cães à mesa por isso… — Jackson nem acabou de falar, já Bambam estava de joelhos no chão com a cabeça apoiada nas suas pernas e com a expressão de “cachorro abandonado”.

– Já te disseram que és muito estranho? — Perguntou o baixista erguendo uma sobrancelha.

– Achas-me estranho?

– Muito.

Bambam fez uma cara amuada e voltou a sentar-se. Enquanto isso, Jackson aproveitou para por comida no prato do mais novo antes que ele negasse.

– Aaah isso é muito! — Resmungou Bambam puxando logo o prato para si. Tinha menos comida que o prato de Jackson, mas ele continuava a achar que era demasiado.

Jackson deu de ombros e começou a comer a sua comida. Estava cheio de fome e aquilo estava realmente apetitoso. Quando estava quase a acabar de comer, reparou que Bambam tinha o prato quase todo cheio e agora apenas brincava com a comida enquanto o observava com um olhar sonhador e um sorriso provocador.

– Estás a tentar seduzir-me? — Pergunta Jackson de boca cheia.

– Estava. Mas agora estragas-te tudo. — Responde sorridente.

– Come mais. — Jackson voltou a olhar para o seu prato o pouco constrangido. Quando dissera aquilo não esperava que o rapaz respondesse.

– Não tenho fome.

O moreno parou de comer, agarrou nos hashis de Bambam, pegou em algum esparguete do mesmo e levou-o à boca do mesmo.

– O que estás a fazer? — O loiro afastou a cabeça e olhou Jackson sério, com aquela expressão no rosto que ele tanto odiava.

– Vamos, abre a boca. A~! — Mandou Jackson.

– Eu não sou uma criança.

– Então come sozinho. — Desafiou.

– Não tenho fome.

– Não tens é nada dentro da cabeça! — Exaltando-se, Jackson gritou e aproximou mais a cadeira do rapaz, prendendo-lhe os ombros com o braço livre, enquanto voltava a tentar dar-lhe comida. — Come.

– Pára. Estás a magoar-me. — Pediu num fio de voz, mas mantendo sempre a mesma expressão.

Jackson pôde perceber o quanto o rapaz estava assustado com a sua atitude mais bruta, mas decidiu ignorar. Estava demasiado irritado com o facto de ele continuar a ter aquelas crises estúpidas de não comer.

Após muita gritaria, Jackson venceu a batalha e forçou Bambam a comer tudo o que tinha no prato. Sentia que agora lhe tinha saído um peso de cima dos ombros. Largou o braço de Bambam que se mexeu desconfortável e logo saiu a correr.

– Aish merda… BAMBAM! — Gritou Jackson, levantando-se e correndo atrás dele. Conseguiu puxar-lhe o braço antes dele entrar na casa de banho. Só de imaginar o que ele ia fazer, fê-lo sentir ainda mais irritado e enjoado.

– Eu preciso de ir… — Jackson estranhou o tom de voz abatido com que Bambam se dirigia a ele. Com cuidado, obrigou o rosto do mais novo a olha-lo e pôde vê-lo a chorar baixinho.

– Porque fazes isso? — Perguntou calmamente, limpando-lhe as lágrimas.

– O meu pai…

– Tu és prefeito assim! Não ligues ao que ele diz. Aposto que se soubesse que passas fome por causa disso ele ia mudar de ideias.

– Foi ele que me disse para eu não comer até perder as bochechas. — Disse Bambam olhando fundo nos olhos de Jackson. Era visível a confusão nos olhos do loiro. Tal como se Jackson estivesse a dizer a uma criança que o céu não era azul ou que a relva não era verde. Bambam tinha alguns conceitos bem distorcidos mas Jackson queria ajuda-lo a encarar a realidade.

– Bambam. — Chamou com cuidado. — Tu quando dizes…. quando dizes que go-gostas de mim… é mesmo a sério?

– Claro! — Respondeu sem hesitar. Apesar de ter estranhado a súbita mudança de assunto.

– Então, posso te pedir um favor? — Bambam concordou com a cabeça. — Não faças o que o teu pai te manda… pelo menos quando estás comigo… Podes fazer isso? — Jackson usa o seu melhor sorriso charmoso enquanto pede isso.

– Não… — Murmura desviando o olhar.

– Porquê?

– Eu… também quero que tenhas orgulho em mim e me aches bonito… — Bambam diz tão baixinho que Jackson teve que se esforçar para ouvir. — Eu quero que me ames…

– Se queres mesmo que te ame tens de ser tu mesmo, parar de fazer aquela cara horrível e começares a comer mais.

– Eu sou eu mesmo. — Reclama voltando a olha-lo nos olhos.

– Só as vezes. — Sorri Jackson encostando a sua testa à do mais novo. Bambam tentou fugir para trás mas o baixista abraçou-o antes que ele conseguisse. — Podes dizer outra vez?

– O quê? — Perguntou já com as bochechas coradas.

– Qu-que me am-amas… — Gaguejou também corando. Estava a sentir-se uma adolescente apaixonada naquele momento, mas ele precisava de ouvi-lo, e tinha de aproveitar o momento em que Bambam não tinha a sua máscara apática. Jackson precisava mesmo de ouvi-lo dizer aquilo.

Jackson queria ajuda-lo mas também não queria ter falsas ilusões sobre os seus sentimentos. Naquele momento, prometera a si mesmo que só iria tratar dele se pudesse ver os seus verdadeiros sentimentos e não apenas palavras ocas.

– Eu… — O loiro desviou o olhar e mordeu o lábio, enquanto tentava ganhar coragem. Não conseguia pensar com Jackson tão próximo. — Eu amo-te.

Aquele rostinho inocente e corado era tudo o que Jackson queria ver enquanto Bambam dizia aquelas palavras tão importantes. Ele já as tinha usado tantas vezes com tantas miúdas e já as tinha ouvido tanta vez mas sem realmente ligar ao seu significado. Não entendia bem porque desta vez era diferente. Jackson só precisava de saber que era mesmo aquilo que o pequeno sentia e agora tinha a certeza absoluta disso.

– Também te amo, Baby Bambam. — Respondeu antes de o beijar carinhosamente, deixando um Bambam muito atordoado mas feliz.

Continua...

Notas finais
Um cap mais fofinho para compensar ^w^ Espero que não tenha ficado demasiado wtf mas vá... Ah e eu não sei como está traduzido nos outros países... mas a história que citei ao jantar é a Dama e o Vagabundo (Lady and Tramp) da Disney. Se houver alguma coisa ou palavra que não percebam não hesitem em perguntar, oki? :3 Kissus o/