Proprietário
9 Como arruinar a vida
Notas iniciais
A brisa fresca da noite causava arrepios ao rapaz que estava encolhido no sofá, tentando dormir um pouco. Ao seu lado estava Coco, também com frio e começando a ficar rabugenta. A cachorrinha raspava a pata no braço de Mark para que este lhe desse alguma atenção e principalmente comida.
– Vai chatear o teu dono, Coco… — Resmungou olhando para a cadela.
Estava farto de esperar que Bambam se lembrasse da sua existência. Quando Junior fugiu, ainda teve esperanças que voltasse arrependido, ou simplesmente para vir buscar a Coco, mas ele nunca apareceu…
– Ele não vai mesmo aparecer, não é? — A cadela continua a chama-lo com a patinha, arranhando-lhe um pouco o braço. — AH MAS QUE PORRA! — Grita frustrado. Levanta-se bruscamente e despenteia os próprios cabelos revoltado. Agarra no telemóvel e não hesita nem mais um segundo até ligar ao desgraçado do primo que o abandonara.
Demorou um pouco para Bambam atender, deixando Mark ainda mais irritado.
– ONDE ANDAS CARALHO?! VEM TER COMIGO À GARAGEM DA BANDA EM CINCO MINUTOS SE NÃO EU VOLTO PARA CASA SEM TI! — Gritou para o telefone, assim que o Bambam atendeu a chamada.
Voltou a atirar-se para o sofá, sentando-se com a cabeça apoiada nas mãos, caída.
J❦B
Jackson e Bambam já estavam caídos no sofá a devorarem os lábios alheiros como se tivessem passado um ano há fome no deserto. No início, Bambam tinha ficado bastante acanhado, mas ninguém resiste aos poderes de persuasão, ou neste caso, aos poderes de sedução de Jackson Wang.
Bambam estava entretido a sentir os músculos de Jackson por debaixo da sua t-shirt quando ouve o seu telefone tocar.
– Deixa tocar… — Murmurou Jackson entre o beijo.
Mas Bambam não podia apenas deixar tocar. Podia ser o seu pai ou alguém à sua procura… “Mark!” Pensou assustado, tinha-se esquecido de o avisar.
– Ja-Jackson… Passa-me o telemóvel por favor… — Pediu, tentando desviar o rosto dos lábios ferozes do mais velho. — Está no bolso das calças.
– Aqui? — Perguntou Jackson divertido fazendo o mais novo gritar e bater-lhe.
– JACKSON! — Gritou corado. Jackson não sabia se de vergonha ou se estava irritado. Mas beijou-o à mesma só para o calar. Assim que separaram o rápido beijo, Jackson estava com o telemóvel de Bambam na mão.
– É o Mark. — Diz simplesmente antes de por em alta voz e atender.
“ONDE ANDAS CARALHO?! VEM TER COMIGO À GARAGEM DA BANDA EM CINCO MINUTOS SE NÃO EU VOLTO PARA CASA SEM TI!”
Bambam arregalou os olhos para o aparelho que Jackson ainda segurava. Num rápido movimento, Bambam agarra no telemóvel e vê as horas. Já passava da meia noite.
– Ai merda… — Murmurou em pânico.
Empurrou Jackson com alguma violência de cima de si, saindo logo do sofá, mas voltou a ser preso num abraço de urso.
– Preciso de ir…
– Calma, eu vou contigo. — Sussurra Jackson rente à sua orelha.
Bambam fica congelado por alguns segundos enquanto Jackson o larga e caminha até à porta de casa.
– Então, Dama? Não vens? — Sorri matreiro.
– És mesmo um vagabundo… — Responde com um beicinho amuado mas vai logo a correr para junto do mais velho abraçando-lhe um dos braços.
J❦B
Quando Jackson e Bambam chegaram à garagem, Mark estava sentado no chão à porta a levar com o frio da noite.
– Mark! — Grita Bambam. Larga o braço de Jackson e correr para junto do primo.
– Isto é que são horas? — Mark levanta-se bruscamente e empurra os ombros de Bambam. O cantor sabia que a culpa da sua raiva não era inteiramente de Bambam, tudo estaria bem se Junior não lhe tivesse dado um fora. Porque NINGUÉM dá um fora ao maravilhoso e famoso cantor Mark Tuan.
– Hey! — Reclamou Jackson abraçando o mais novo. Não gostara de ver Mark a empurrar o seu pequeno Bambam.
– Ah. Então é isso? — Diz Mark secamente observando os dois rapazes à sua frente. — Deixaste-me sozinho a noite toda para ficares a namorar?
– Desculpa… Mark… Deixa-me explicar, não foi… — Começou Bambam mas novamente foi interrompido.
– Não me voltes a falar até eu esquecer isto! — Gritou Mark, assustado o pequeno que se encolheu no abraço de Jackson.
– Não achas que estás a ser idiota? — Acusa o baixista. — Ele já pediu desculpas.
– Tu também não me fales. — Mark aponta o indicador para Jackson com um olhar agressivo.
– Estives-te com o Junior? — Devolve Jackson.
Mark fecha fortemente os punhos mas não responde. Em vez disso, agarra em Coco, que estava a dormir no chão ao seu lado sem que ninguém desse por ela, e começa a refazer o caminho para casa. Com ou sem Bambam.
– Aish… Mark! — Chama Bambam. Antes de o seguir, vira-se para encarar Jackson e beija-o timidamente. — Até amanhã… Vagabundo.
– Dorme bem, Dama Proprietária.
Bambam e Jackson ainda tiveram tempo de trocar um sorriso antes do loiro correr atrás do primo até casa. Tiveram sorte de conseguirem entrar sem ninguém ter feito grande escândalo. Mas, por um lado, Bambam já estava habituado a isso. Os seus pais só iriam dar pela sua falta quando houvesse alguma jantar importante ou reunião.
Mark fez o caminho todo calado, ignorando as tentativas de Bambam para meter conversa. Esteve o tempo todo abraçado à Coco mas só agora, quando chegaram a casa, é que lhe surgira o dilema: “Onde ela vai ficar? E se Jinyoung já não a quiser? Não a posso abandonar… E se os meus tios não quiserem animais em casa? Como vou alimenta-la?! Eu não sei nada sobre cães! E se ela ladrar à noite? Estou fudido.”
– Por favor Mark… — Insistia Bambam. O mais velho pestanejou bruscamente e olhou para o primo que o tinha seguido até ao quarto enquanto falava algo que ele não ouvira, por estar perdido em pensamentos.
– Hn?
– Perdoa-me… Eu não vi mesmo as horas… Pensei que era só um jantar para conhecer o noivo… Desculpa. — Pediu pela milésima vez.
Mark ouviu tudo com atenção. Pousou a cachorrinha no tapete do quarto e olhou para o primo.
– Tenho duas condições para te perdoar. — Avisou sério, mas logo sorriu ao ver o rosto de Bambam animar-se. — Primeiro: preciso de tratar da Coco, procura algo para ela comer enquanto eu tento lhe dar um banho. Segundo…! — Disse fazendo suspense. — Arranja algumas bebidas e vamos beber.
– Estás com algum problema? — Perguntou Bambam com cuidado. — Se quiseres, podemos falar agora, sabes que eu não vou gozar contigo e…
– Eu vou dizer-te quando estiver bêbado e não me lembrar de nada! Agora vai! — Resmungou de mau humor.
Bambam sorriu alegremente e foi procurar alguma coisa para a cachorrinha comer. Teria que passar pela cozinha, com sorte, a esta hora, os corredores estavam vazios e ninguém iria notar se ele trouxesse umas quantas garrafas da coleção dos pais.
– E para de estar tão feliz! Eu estou chateado! — Gritou para a porta. — Insensível… — Resmungou antes de levar a Coco para a sua casa de banho. Era sempre bom ter uma casa de banho privada ligada ao quarto, assim não chamaria atenções de ninguém. — Vamos ver se depois de um banho o teu dono já vai querer saber de ti… Aaah! Porque continuou a falar dele?! A culpa é tua sua bola de pelo do inferno! Aposto que só vieste à terra para me atormentar.
Depois de um grande monólogo com a cachorrinha, Mark lá deu-lhe banho com muito cuidado, como não tinha champô para cães acabou por usar o seu. No final, ele também estava a precisar de um banho, a Coco tinha-o o molhado todo.
Deixou a cadela a correr pelo quarto e a esfregar-se no tapete e no chão para se secar enquanto ele próprio tratou do seu banho. Não demorou muito tempo, não estava com paciência para isso. Quando saiu da casa de banho, Bambam já estava sentado no chão com várias garrafas de álcool e uns quantos petiscos salgados. A Coco também já estava a comer alguma coisa de uma taça, provavelmente restos do jantar. Mark fez uma nota mental de ir comprar ração amanhã, não queria que o animal comece comida humana.
J❦B
– E, e, e, e depois… — Gaguejou Mark deitado no chão a olhar para o teto. — Ele disse que só queria ser meu amigo! — Batendo com o punho fechado fortemente no chão, Mark levantasse e encara um dos quatro Bambam’s que estava a ver. — Achas isto normal? Depiois… Depos… Depois de tudo! E ainda disse que nojento eu era. — Resmungou trocando-se todo. — EU!? Nojento. AH ah! Ele é que me ama e nun sabe!
Bambam riu escandalosamente antes de dar mais um gole na garrafa que segurava. Também não estava muito melhor que Mark, mas o seu estado bêbado fazia-o rir-se de tudo. Por isso é que o pai nunca o deixava beber mais do que um copo nas festas importantes, tinha que fazer boa figura. Por essa razão, Bambam era fraco com álcool. O mais provável é que não se lembre de nada no dia seguinte.
– Isso é porque tu não sabes beijar! — Respondeu Bambam com um sotaque tailandês bastante carregado. — O Jackson beija muito bem… — Com um ar sonhador Bambam deu um gritinho e depois voltou a rir feito doido. — Ele dixe que ieu sou fofo! — Sorriu idiota.
– Será qu-que ele ia gostar de mim… se eu não fosse famuoso? — Murmura Mark começando a chorar. — Quero morrer.
Bambam volta a rir. Pousa a garrafa já vazia algures no chão, e arrasta-se para junto de Mark.
– Se ele não góstar de tu é porque ele não presta. — Diz sério enquanto agarra numa garrafa ainda cheia e a entrega ao rapaz que a bebe. — Há muita gente a querer ficar com tu!
– Mas eu quero ele! — Num ataque de desespero, Mark atira-se para cima de Bambam e começa a chorar.
Bambam continua a rir enquanto tenta acalmar o primo com pancadinhas nas costas que mais pareciam agressões. Mesmo pequeno e magrinho, Bambam tinha muita força.
– Ele vai voltar. Ninguém pode deixar o cantor Mark! — Ri Bambam enquanto procura outra garrafa ainda cheia. Mark não o largava o que tornou a missão complicada.
– Kunpimook! — Gritou de repente. — Vamos tirar uma fo-foto.
– Poroquê…? — Murmurou sem ligar muito ao assunto, ainda tentava fugir do abraço do primo para chegar à garrafa que estava a um palmo de distância dele.
– Para o Juniore ver como estou feliz.
Largando finalmente o loiro, que logo apanhou a sua garrafa. Cambaleou pelo quarto até chegar ao seu telemóvel e voltou para junto do primo. Sentou-se ao seu lado com a câmara posicionada mas logo acabaram por cair, ficando deitados no chão, ao lado do monte de garrafas vazias.
– Nun estás a aparecer! — Choraminga Mark tentando puxar Bambam para se enquadrar na foto. O loiro arrasta-se no chão até ficar com a cabeça deitada sobre o peito de Mark e abraçado à garrafa já pela metade.
Mark premiu o botão e riu idiota para a foto, apesar dos seus olhos vermelhos indicarem que tinha estado a chorar. Bambam apenas sentia-se desnorteado e estava a começar a sentir-se zonzo por isso a sua cara não ficou muito fotogênica. Ambos tinham expressões horríveis onde era visível as suas bebedeiras, mas nenhum parecia importar-se com isso no momento.
– Vou por na net para o Juniore ver! — Disse Mark tentando mexer no telemóvel e reclamando do mesmo por não fazer o que ele queria.
Acabou por postar a foto no Instagram com a seguinte mensagem “Amo-te Junior.”
Quando premiu enter sentiu-se ficar ensonado. Bambam já dormia em cima do seu peito e Mark só teve tempo se pousar o telemóvel no chão antes de adormecer também.
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Na manhã seguinte, a capa de todos os jornais e revistas era a foto de Mark e Bambam. Onde as pessoas associaram que Bambam se chamava Junior e que ambos estavam envolvidos. Já para não falar no cenário maravilhoso de garrafas vazias no fundo da foto e das caras pouco sóbrias dos dois rapazes presentes.
O dia prometia trazer muitos problemas, não só para Mark, como para Bambam e até mesmo Junior…
Continua...
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