Notas iniciais
Dedico este capítulo à Thaís Costa, que me deixou uma linda recomendação. Há tanto tempo eu não recebia recomendações!!! hehehe OBRIGADA, linda!! Fique sabendo que você ajudou na motivação de uma autora, viu? =) Beijo grande! E beijos grandes a todos os leitores!! Espero que gostem do capítulo e relevem minha demora em postar... Para quem não sabe, eu ando com a vida mais corrida e não tenho tido tempo, mas vou tentar aparecer uma vezinha por semana, ok? ;)

As coisas não mudaram de repente entre Finn e Rachel, mas aos poucos, exatamente como o garoto queria.

Foi em uma quinta-feira comum que ela dormiu pela primeira vez ao lado dele, depois de começarem com aquele lance de amizade com benefícios.

Ele tinha saído cedo do trabalho, para estudar com ela e ajudá-la a decorar as falas de uma peça que iria começar a ensaiar. Não era na Broadway, ainda, mas, mesmo assim, ela queria dar o seu melhor. Tinha entendido que precisava ser humilde, começar como pudesse, e aproveitar bem todas as oportunidades, e não só aceitara o papel em uma Off-Broadway, oferecido por um diretor que a vira nas audições para Yentl, como estava empolgadíssima com a novidade!

Entre um trabalho da faculdade e outro, uma passagem de texto e outra, eles se entretinham do jeito que mais gostavam e, quando terminaram de cuidar de toda a parte profissional e foram parar na cama dele de novo, ela acabou tão exausta que pegou no sono sem querer. Ele se deitou ao lado dela, cobriu seus corpos e, depois de beijá-la na testa, sussurrou o “eu te amo” que ainda não tivera coragem de dizer com ela acordada, antes de fechar os olhos e dormir também.

Felizmente, não foi esquisito acordarem juntos, na manhã seguinte, o que não se pode dizer sobre a primeira vez em que foram vistos juntos pelos amigos.

Era sábado à noite e eles tinham ido todos a uma casa noturna nova, e, com Rachel dançando sensualmente e outros jovens olhando-a como para uma presa, tinha sido inevitável Finn se aproximar. Quando perceberam, já estavam trocando beijos, com o corpo dela espremido entre o dele e uma parede, e na hora de ir embora eles não sabiam bem como agir, com cada gesto dos dois sendo observado pelos demais e a certeza de que uma enxurrada de perguntas viria.

Finn disse para as garotas que estava ficando com Rachel, como se não fosse nada demais, e só contou toda a história deles ao amigo Delvin, a quem pediu discrição. As amigas de Rachel, por sua vez, já sabiam de tudo e só quiseram detalhes sobre como eles tinham acabado ficando de repente, sem que isso estivesse nos planos. Em relação às outras pessoas, mesmo com o constrangimento inicial, ela acabou achando, de certa forma, excitante, fingir que a relação deles era algo novo e sem pretensões.

A primeira vez em que ela verdadeiramente pensou que talvez aquele negócio de amizade colorida tivesse sido uma péssima ideia foi durante uma terça-feira à tarde.

Ela o viu em uma das lanchonetes próximas à faculdade, conversando com uma garota, que só depois ficou sabendo ser uma prima de Delvin que tinha se mudado recentemente para NY. Teve que controlar o ciúme, sem poder reclamar com ele por ter saído com outra garota e, apesar do alívio que sentiu, ao escutar uma conversa de Finn com o amigo e saber que eles tinham apenas comido alguma coisa e conversado por uma meia hora, acabou chateada com a constatação de que, a qualquer momento, vê-lo ficando com uma menina poderia ser uma realidade.

A apreensão seguiu com ela e ficou ainda pior quando a tal Patsy resolveu fazer parte do grupo com o qual eles saíam e passou a disputar a atenção dele com Cameron. Ele era simpático demais para tratar qualquer uma das duas mal, e isso, juntamente com o fato de que ele nem sempre ficava com Rachel na frente delas, fazia ambas nutrirem esperanças de fisgá-lo, e Berry ter vontade de esganar os três.

Era sexta-feira e o último dia de aulas daquele semestre, no entanto, quando discutiram pela primeira vez por causa do assunto.

Rachel chegara à faculdade animada com a proximidade das férias, mas apreensiva por ainda não ter recebido uma das notas, a qual poderia provocar um adiamento de alguns dias no início do merecido período de descanso. Se não conseguisse um sete por sua última apresentação em Dança II, sua média geral ficaria abaixo da necessária para aprovação imediata, e um trabalho a mais teria que ser elaborado. E receber um sete de Cassandra July não era tarefa das mais fáceis, mesmo que ela já não implicasse tanto com a aluna àquela altura.

Tudo o que a garota mais queria era achar Finn e dividir com ele todo o seu nervosismo, mas quando ela adentrou um dos corredores de NYADA, lá estava ele conversando com Cameron, na maior intimidade! Ele estava de costas para ela, mas a suposta amiga estava de frente e, como fazia sempre que tinha oportunidade, aproveitou para provocá-la, se aproximando mais do garoto, ajeitando a gola de sua camisa e mostrando exageradamente os dentes.

Normalmente Rachel respirava fundo, contava até dez, ia até os dois, cumprimentando ambos educadamente, e conseguia facilmente atrair para si a atenção do rapaz, que se despedia da outra menina e andava com ela para uma das salas de aula, um dos teatros ou outro lugar qualquer da faculdade. Naquele momento, porém, ela não estava com paciência suficiente para fingir cordialidade e decidiu passar direto, mesmo sabendo que ele poderia vê-la, como de fato aconteceu.

“Rach?” Hudson chamou uma, duas, três vezes, antes de pedir licença a Cameron e ir atrás da morena. “Rach? RACHEL!” Repetiu, mais alto, quando ela não parou de caminhar. “Ei! Você não me escutou te chamar?” Indagou, com o cenho franzido, quando finalmente parou na frente dela.

“Não.” Ela balançou a cabeça, acompanhando a resposta negativa, enquanto evitava a todo custo que seus olhos se encontrassem com os dele.

“Claro que ouviu, Rach.” Ele riu de nervoso. “O que foi?” Perguntou, preocupado.

“Eu to indo pra aula da Cassandra e to com pressa, Finn.” Ela respondeu, encarando-o, mas cruzando os braços na frente do corpo, em um gesto de autoproteção inconsciente. “Ela já deve ter chegado.”

“Isso não é verdade, e nem seria motivo pra você fingir que não me ouviu.” Afirmou, sério. “É... por causa da Cameron, né? Eu já te falei, babe, que eu não quero nada com ela! Ela é só minha amiga...”

“E, se você quisesse ficar com ela, já tinha ficado... eu sei. Ela se oferece há tempos!” Revirou os olhos. “Eu não tenho medo de perder você pra ela. A questão não é essa.”

“Qual é o problema, então? Me fala!” Questionou, verdadeiramente curioso e ansioso para resolver qualquer que fosse o problema que fizera a morena tentar ignorá-lo.

“É que, toda vez que ela faz gracinha pra você, se insinua, ou te toca com aqueles dedos cumpridos, sorrindo pra mim, cheia de ironia, ela me faz lembrar que eu não posso tirar o riso idiota da cara dela, ou afastar as mãos dela de perto de você, dizendo que você é meu, porque você... não é!” Suspirou, frustrada. “Você não é meu namorado, a gente não tem um compromisso, você não me fez promessas e, por mais que eu tenha certeza de que a gente vai ter o nosso final feliz, um dia, eu fico com medo do que possa acontecer até lá!”

“Mas o que po-”

“Você não tá nem aí pra Cameron, mas, qualquer hora dessas, pode aparecer alguém por quem você se interesse. E, se você ficar com uma garota, eu nem vou poder falar nada, porque vai ser um direito seu... você não vai estar fazendo nada de errado, já que eu aceitei ser só uma amiga um pouco diferente das outras.”

“Rachel, eu não...”

“Finn...” Ela o paralisou com um gesto. “Depois, por favor! Agora, eu tenho aula com a única pessoa que pode me impedir de fechar o semestre sem precisar de nenhum trabalho extra, e isso já é estresse suficiente, ok?” Praticamente implorou e ele assentiu, acompanhando-a com o olhar até que entrasse na sala de aula onde encontraria a mesma professora que a tinha obrigado a fazer uma prova final teórica e dificílima, no semestre anterior.

Depois de pegar os próprios resultados, Hudson ainda procurou por ela nas dependências da faculdade, mas a busca foi em vão. Então passou todo o resto do dia tentando entrar em contato, mas, durante boa parte dele foi ignorado. Mesmo quando ela cansou de se fazer de morta e respondeu suas mensagens no whatsapp, foi só para recusar um convite para comemorar o final do semestre, apesar de ele saber que, assim como ele, ela tinha sido aprovada em tudo. Tinha arrancado nada mais, nada menos, que um oito de Cassandra e algo assim virava notícia com a maior facilidade em NYADA!

Já era noite quando percebeu que não conseguiria convencê-la, então decidiu deixar as celebrações de lado e ir até o apartamento dela. Só mudou de ideia no meio do caminho, quando encontrou, no metrô, duas das melhores amigas que a menina tinha feito na faculdade, e as garotas disseram estar indo justamente para o loft. Sabia que não teria como conversar com Rachel, se ela estaria com as amigas, e também que só havia um jeito realmente certo de lidar com o problema.

Foi direto para o Callbacks, enquanto elas iam ao encontro de Berry, com seus pijamas nas bolsas e levando guloseimas que dariam para o final de semana todo. Nem a caloura Hope, nem a veterana Jennifer tinham feito qualquer objeção quando a morena sugerira que a festinha delas fosse em casa, mas depois de meia hora comendo batata frita, amendoim, marshmallows e chocolate, e estufando as barrigas com refrigerante, elas começaram a insistir para que, antes de colocarem seus pijamas e tagarelarem até quase de manhã, fossem dar uma volta e ver gente.

Rachel queria mesmo ficar em casa! Não estava com vontade de ver ninguém e, até com as meninas, estava falando menos que o normal, rindo menos que o normal. Tinha pensado em colocar um filme para assistirem, que desse a ela a desculpa perfeita para chorar copiosamente, como não fizera até o momento, pois, mesmo que já tivesse contado às amigas sobre o que tinha acontecido mais cedo, não quisera transformar, de cara, aquela noite em uma sessão de terapia. No entanto, acabou sentindo-se mal diante do pedido delas. Não parecia justo fazer com que passassem a primeira noite de férias cuidando da dor de cotovelo de alguém.

“Tudo bem, tudo bem! Eu saio com vocês.” Aceitou, levantando-se, então, para trocar de roupa. “Eu só não quero ir ao Callbacks. O Finn vai estar lá, com o pessoal, e eu não quero me encontrar com ele hoje, muito menos com a Cameron junto, e talvez até aquela tal de Patsy grudada nele também.” As amigas se entreolharam, tentando consultar uma à outra sobre como agir.

“É melhor falar. Ela não vai, se a gente não contar.” Jennifer deu de ombros.

“A gente encontrou o Finn, quando tava vindo pra cá, Rach.” Explicou Hope. “E ele pediu pelo amor de Deus pra gente te levar lá, porque...” Ela olhou de novo para Jenn, ainda incerta.

“Ele quer fazer uma surpresa pra você.” Despejou a outra, mais decidida.

“Uma surpresa?” Ela se mostrou um tanto cética, mas, não completamente desinteressada, sentou-se de novo no sofá, ao lado da colega de turma.

“É... e deve ser coisa boa, né?” Sorriu Jenn, enquanto Hope balançava rápido a cabeça, concordando entusiasmada.

“Eu não acho que seja nada demais. Ele só sabe que eu to chateada e quer me encontrar, pra conversar logo comigo, jogar aquele charme insuportável, ao qual ele sabe que eu não resisto, e a gente continuar ficando, como estava até hoje de manhã.” Comentou, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.

“Se for mesmo só isso, e você não quiser mais só ficar com ele, você vai ter que dizer isso pra ele, Rach.”

“E, se eu fosse você, pelo menos iria até lá, pra saber e... poder me decidir.”

Berry pensou por alguns segundos e depois pediu alguns minutos para substituir a própria camisola por uma roupa com a qual pudesse ir ao bar. Escolheu com cuidado, porque, se iria encontrar Finn, sempre acompanhado das muitas garotas que tentavam chamar a atenção dele constantemente, tinha que aparecer verdadeiramente linda e garantir que ele só tivesse olhos para ela. Por mais que soubesse que ele a estava aguardando, não conseguia evitar os ciúmes e a insegurança. Eram simplesmente mais fortes que ela, naquele momento!

Finn sabia disso, entendia e não queria mais que ela se sentisse daquela forma. E foi por isso que ele subiu ao palco do piano bar, logo depois que ela chegou, parando de deixar todo mundo passar à sua frente na fila do karaokê. Eles sempre tinham falado melhor um com o outro por meio da música e, além disso, ele sabia que cantar na frente de pelo menos um terço de seus colegas de faculdade ajudaria no cumprimento de seu objetivo.

“What would I do without your smart mouth / Drawing me in and you kicking me out / Got my head spinning, no kidding / I can't pin you down” Ele cantou, ganhando a atenção e suspiros das meninas, mas pensando em atingir apenas uma delas.

Rachel reconheceu a música, é claro! Era uma das suas favoritas nos últimos tempos e Finn sabia disso. É óbvio que nem toda a letra tinha a ver com eles e que, no começo, ele estava apenas participando do karaokê, como tantas outras vezes, mas, mesmo assim, ela já sabia que ele estava cantando para ela, ou nem teria escolhido algo naquele estilo. Isto, no entanto, não a preparou para o momento em que o rapaz desceu do palco, indo em sua direção e entoou o refrão da canção olhando fixamente para ela e fazendo carinho em seu rosto.

“Cause all of me / Loves all of you / Love your curves and all your edges / All your perfect imperfections / Give your all to me / I'll give my all to you.”

Ele cantou um pouco mais sem sair de perto dela e então voltou ao palco, terminando a apresentação sob muitos gritos e aplausos, antes de retornar à mesa onde ela estava com as amigas e mais alguns colegas de NYADA. Felizmente, a maioria das pessoas ali estava acostumada com aquele tipo de coisa e não ficou prestando atenção neles, depois que a performance acabou.

“Eu te amo, Rach.” Falou, sério, segurando as mãos da garota, ao ocupar o banco que Hope tinha deixado livre, para que ele pudesse sentar-se ao lado dela. “Me desculpa por te fazer passar por essa coisa toda de amizade com benefícios, mas eu só... eu queria ter certeza de que a gente poderia dar certo, entende? Eu não queria simplesmente voltar com você, por não conseguir ficar longe, e acabar me machucando de novo ou... te magoando, por não estar preparado ainda.”

“E agora você tá?”

“Não.” Respondeu rápido e ela mostrou, no semblante, toda a confusão que experimentou. “Não... é...” Ele riu de si mesmo e coçou a nuca, nervoso. “O que eu quero dizer é que não tem como eu estar preparado. Não de verdade! Não tem como eu ter certeza de que vai dar certo, de que nunca mais a gente vai brigar, de que nenhum de nós vai sofrer mais por causa do outro. Não tem!” Deu de ombros.”MAS... uma coisa de que eu tenho certeza é que eu não quero ficar sem você. Eu tenho certeza do meu amor, do seu amor, de que eu sou mais feliz quando eu to com você, de que eu sou alguém MELHOR quando eu to com você!”

“Eu te amo tanto, Finn!” Ela disse, com lágrimas nos olhos, observando seus dedos entrelaçados, antes de encará-lo, séria. “Sou eu que fico muito melhor quando to com você, e egoísta, chata e mimada, quando não to.” Os dois riram. “Mas é que eu sei que as outras garotas também VEEM você e sabem o quanto especial você é... o quão lindo, generoso, carinhoso... gostoso.” Sorriu, maliciosa. “Aí eu fico insegura e...” Ela não terminou a frase, pois ele a calou, colando os lábios delicadamente nos dela.

“Eu acho que todas essas garotas de quem você tá falando me viram cantar pra você, e algumas devem ter visto esse beijo também.” Falou, em seguida. “E, se surgirem outras por aí, achando que eu sou tudo isso, eu prometo dizer logo que tenho namorada.” Piscou para ela, que abriu um sorriso imenso, antes de beijá-lo de novo, dessa vez mais demoradamente.

Enfim puderam comemorar juntos o final do semestre, dividindo alguns duetos, ao longo da noite, e fazendo planos para as férias. Só não dividiram a cama naquela madrugada, porque estavam gratos demais às meninas e Rachel manteve os planos de acampar com elas na sala do loft e infernizar a vida de Kurt, mesmo com as duas explicando que entenderiam se ela fosse para os dormitórios com o namorado.

Namorado! Eles eram namorados de novo!

E agora Rachel só aceitaria trocar aquele status, se fosse para “noivos”, mais uma vez, ou, finalmente, para “casados”.