Notas iniciais
Agradeçam à Dani por este capítulo estar saindo hoje, mas relevem se ele tiver ficado "bem mais ou menos", porque eu corri um pouco para escrever e poder dar essa fic de presente. Dani, minha amiga, minha irmã, pessoa especial pra mim e que ficou mais especial ainda nos últimos tempos, FELIZ ANIVERSÁRIO!! Tudo de melhor, hoje e sempre, e mil perdões se eu já escrevi coisa melhor, mas você sabe que eu ando meio na correria, né? =/ Beijão bem grandão!! Love you

Rachel abriu a porta do apartamento, puxando o namorado para dentro, e já beijando os lábios dele, sem delicadeza, enquanto a fechava. Finn levantou o corpo dela, que envolveu seus quadris com as pernas, para se manter no alto e agarrada a ele, enquanto suas línguas se agitavam em um beijo quase desesperado. Ele andou com ela no colo, já conhecendo bem o suficiente o caminho até a cama da garota, onde a colocou, antes de tirar o casaco que vestia, e os tênis e as meias.

Subiu na cama, para já encontrar a namorada impaciente de calcinha e sutiã, sem ter visto sequer onde o vestido dela tinha ido parar. Beijaram-se de novo, mas ela interrompeu logo o carinho, insatisfeita com a quantidade de roupas que ele ainda usava, e o ajudou a se livrar da camiseta. Ele se ajeitou na cama, pequena demais para os dois, e ela se ajoelhou, com uma perna de cada lado do corpo dele, passando os lábios por seu peitoral e abdômen, enquanto abria o botão e o zíper da calça jeans, deixando os dedos deslizarem, como sem querer, por seu membro já endurecido.

Foi ele, no entanto, quem arrancou a peça de roupa, sem olhar e usando apenas uma das mãos, porque a outra estava segurando os cabelos da morena e guiando seu rosto para perto do dele, que queria sentir o doce da sua boca de novo. Ela atendeu ao silencioso pedido dele e o beijo demorado acompanhou o ritmo de seus quadris, que se moviam fazendo suas intimidades roçarem de um jeito gostoso, antecipando um pouco da sensação que viria, em seguida, quando tirassem o resto das roupas, e ele a penetrasse enfim.

Foi uma transa meio rápida. Primeiro porque Kurt podia chegar a qualquer momento, e eles não queriam ser flagrados em ação. Segundo porque sempre era assim quando ficavam vários dias sem se ver, o que, infelizmente, vinha acontecendo muito, mesmo os dois estando em período de férias. Rachel tinha começado a ensaiar sua peça e o ritmo de ensaios era intenso, e Finn estava trabalhando ainda mais, depois de Bob sair da equipe de Rupert para ser, ele mesmo, diretor de um musical escrito por um amigo para o circuito independente.

Rachel ainda estava recuperando o fôlego, praticamente deitada sobre Finn, graças ao tamanho reduzido da mobília, quando seu melhor amigo chegou, gritando o apelido dela. Para evitar que ele fosse até lá, ela pulou da cama, colocando rápido o vestido, que estava no chão, e fazendo sinal para Finn se vestir também ou ir tomar banho, se quisesse. Não que isso fosse evitar que ele soubesse muito bem o que eles estavam fazendo, antes de ele chegar, e que fosse fazer o sermão de sempre.

“To indo!” Ela gritou, enquanto ainda se ajeitava. Depois, apareceu na cozinha, bastante apresentável, puxando assunto, enquanto ele tirava coisas de sacolas de mercado e as guardava nos armários e na geladeira. “E aí? Como foi lá na revista hoje?”

“Foi normal. Como foi o ensaio?”

“Foi legal. Eu conheci...”

“E que barulho é esse?” Indagou, interrompendo-a, já desconfiado, quando ouviu o chuveiro.

“Seu irmão tá no banho.” Ela falou, fingindo inocência, enquanto pegava uma maçã da fruteira e dava uma bela mordida.

“Você estavam...” Falou, com cara de nojo, sem coragem de pronunciar “transando”, “fazendo sexo”, ou qualquer coisa que o valha. “Não estavam?” Ela não respondeu e abocanhou de novo a fruta em suas mãos. “Eu já pedi tanto, Rachel! Essa casa não tem paredes! Se eu chego aqui e vocês estão... FAZENDO, eu vou escutar tudo e ficar traumatizado tipo... pra SEMPRE!”

“Você não é uma criança, ouvindo seus pais, pra ficar traumatizado, Kurt.” Ela riu.

“Mas tenho o direito de não querer escutar vocês! Eu posso ficar IMAGINANDO depois! E aqui também é minha casa, se você não se lembra.”

“Tudo bem, Kurt. Desculpa.” Ela disse, sincera, com o olhar triste. “É que é difícil, pra gente, se controlar, e agora a gente nem tem mais como ir pros dormitórios.” Lembrou. Finn tinha contado na frente dele, dias antes, sobre a chegada antecipada de seu novo colega de quarto. Com a entrada de novos alunos em NYADA, quem tinha quarto individual havia perdido a regalia, como ele tinha sido alertado de que poderia acontecer, quando fizera a própria mudança.

“Eu sei.” Ele olhou para ela, solidário, pensando em como era todas as vezes em que ele conseguia ficar sozinho com Blaine, enquanto ainda namoravam e ambos moravam com suas famílias. “Talvez eu tenha exagerado na reação, ok? Mas, por favor, não façam no sofá ou aqui na cozinha, e escolham um horário seguro, em que eu esteja BEM longe!”

Ela agradeceu com um sorriso e também se ofereceu para guardar o resto das compras, para que ele pudesse trocar de roupa e relaxar. Finn se juntou à menina pouco depois, quando ela já estava preparando lanche para os três, e não tinha escutado nada da conversa entre ela e seu irmão, mas também não precisava. Com ele dividindo um quarto na faculdade e ela dividindo um loft com divisórias feitas de cortina, a vida sexual dos dois ficaria seriamente comprometida.

“Eu vou resolver esse nosso problema, amor... se Deus quiser.” Afirmou, sentando-se em um banco.

“Que problema?” Ela questionou, distraída, espremendo laranjas para fazer um suco.

“Essa falta de privacidade.” Respondeu. “Eu acho que devo achar um lugar com paredes ao menos.”

“Você não me disse que tava pensando em se mudar!” Reclamou, parando de fazer o que estava fazendo e se aproximando dele. “Você tá ganhando assim tão bem? Ou os seus pais vão ajudar?”

“Eu vim aqui PRA te contar.” Falou, puxando o corpo dela para junto do seu pela cintura. “Pra te ver também, claro. Mas especialmente pra te contar isso e ver se você tem algum horário pra ir comigo, olhar uns apartamentos. Eu não to ganhando nenhuma fortuna, mas a Santana tá vindo mesmo morar em Nova York, e, se cada um de nós pagar um pouco mais do que eu pago no dormitório, pelo que eu andei vendo, dá pra um sala e quarto, aqui nessa área.”

“Peraí!” Ela disse, se afastando, surpresa, mas não com a mudança de Lopez, que já tinha conversado com ela sobre a vontade de morar na cidade. “Você não pode morar com a Santana! Ela é uma garota!”

“Uma garota que gosta de garotas.” Deu de ombros.

“A garota com quem você perdeu a sua virgindade!” Ela colocou as mãos na cintura, irritada.

“Rach! Sério?” Ele enervou-se também. “A Santie transava com qualquer cara que fosse popular, antes de sair do armário, e eu só fiz isso com ela porque achei que você ia perder a SUA virgindade pro JESSE!” Lembrou, fazendo uma bela careta.

“Ainda assim, é uma garota dividindo uma casa com você, e ela pode não gostar de garotos, mas você gosta de garotas. É estranho!”

“Eu preciso te lembrar que você mora com um cara?”

“O Kurt, Finn? O Kurt é... diferente!” O rapaz levantou as sobrancelhas e esperou, claramente a desafiando a dizer qual era a diferença. Porém, segundos depois, quando ele já lutava para não rir, ela acabou percebendo que não tinha argumentos e foi ela mesma quem soltou uma gargalhada. “Acho que eu só to com inveja, porque ela vai morar com você.” Declarou, voltando a preparar o suco cítrico.

“Ela vai morar comigo, mas você é a minha namorada. Eu te garanto que foi o lado ruim que ficou pra ela: o mau humor de manhã, a bagunça, o esforço que ela vai ter que fazer pra me convencer a dividir as tarefas direito.”

Rachel deu um sorriso que não se refletiu em seus olhos, enquanto começava a discursar sobre seus próprios problemas para dividir tarefas com Kurt, que aliás entrou na cozinha e não negou que a garota fizesse mais coisas na casa do que ele, apenas colocando a culpa em sua maior aptidão para mandar do que para fazer e nas inegáveis habilidades da amiga. Ela tentou se distrair, mas na verdade não concordava com a afirmação de Finn sobre Santana ficar com a pior parte da coisa toda. Viver com ele era o que ela mais queria, e seria a latina quem teria isso, dentro de pouco tempo.

Ele percebeu que ela ainda não estava realmente confortável com a situação, quando os dois foram olhar alguns apartamentos, no final da semana. Soube que a razão não era tanto a questão da divisão do espaço com a amiga dele, e sim o desejo de que estivessem procurando algo para os dois, quando ela deixou escapar como decoraria uma determinada sala, de um dos pequenos imóveis visitados. Tinha que tentar convencê-la, de alguma forma, de que a mudança podia não ser ainda o casamento que ela tanto queria, mas seria, mesmo assim, positiva para ambos.

Só conseguiu a oportunidade, contudo, depois de escolher um apartamento de quarto e sala, de convencer Santana a fazer de parte da sala seu quarto, e de fazer a mudança. Algumas caixas e malas foram levadas de NYADA para a casa nova, e algumas outras coisas chegaram de Lima, durante um sábado à tarde, e Rachel foi até lá com ele para começarem a arrumar algumas delas. A primeira coisa que ele fez foi montar a cama, antes mesmo que ela chegasse, e, quando ela finalmente apareceu, foi carregada para o quarto, sem abrir um único embrulho.

“Eu já testei o chuveiro e água quente tá ok. Eu liguei a geladeira bem cedinho e fiz umas compras.” Ele comentou, abraçado a ela, depois de compartilharem orgasmos, fazendo sexo oral um no outro e em uma penetração bem demorada. “Você podia dormir aqui comigo hoje.”

“Já pensando em mais, é?” Ela brincou.

“Você pode me culpar? Eu só quero aproveitar essa privacidade toda e passar o maior tempo possível com a minha namorada.”

“Antes que a Santana chegue, né?” Ela falou, sem esconder que ainda estava um pouco contrariada.

“A gente vai ter privacidade com ela aqui também, Rach. Bem mais do que a gente conseguiria na sua casa ou lá no dormitório, com aquele esquisito do Elliott como meu roomate.”

“Bom...” Ela beijou os lábios dele e se levantou, sem esticar o assunto. “Vamos experimentar esse chuveiro, então?” Chamou, sorrindo de um jeito sapeca, e ele riu, saindo de baixo dos lençóis também.

O resto do fim de semana foi bem divertido e Rachel relaxou, aproveitando a companhia do namorado, ao invés de ficar pensando em como eles já poderiam estar casados e morando juntos naquele lugar. O casal arrumou a casa, Berry tentou improvisar um jantar com as poucas coisas que Hudson tinha comprado, e, no fim, eles atacaram biscoitos e pipoca, depois que a comida só deu para uma porção pequena, que mal mataria a fome de um. Mesmo com a cama arrumada, acabaram dormindo na sala, sobre um amontoado de edredons esticados no chão, assistindo à televisão que Carole enviara e que tinha ficado melhor naquele cômodo.

Santana chegou a Nova York na terça-feira, levando consigo apenas roupas e itens pessoais. Arrumou rapidamente tudo em prateleiras que Finn tinha colocado no canto da sala, separado do resto por um grande biombo, para ser o quarto dela, e saiu. Tinha que ir ao lugar no qual arrumara uma vaga de garçonete, por meio da Internet, e queria também andar pela cidade, além de procurar saber se daria tempo de fazer inscrição em algum curso, mesmo que não fosse ainda um de ensino superior.

Não estava no apartamento quando Rachel chegou, intimada por Finn, que queria que ela passasse a noite lá, para mostrar, de uma vez por todas, que eles poderiam fazer o que quisessem dentro do quarto, mesmo com a latina vivendo na sala. Só encontrou a garota no dia seguinte, e acabou prejudicando os planos do amigo, de convencer a namorada de que os dois dividindo apartamento seria algo bom para todo mundo, ao aparecer na cozinha usando apenas calcinha e uma camiseta velha.

“Bom dia, Berry.” Ela disse, prendendo o cabelo com um elástico, como se tivesse visto a outra menina no dia anterior, e não um bom tempo antes. Não era do feitio de Santana Lopez ficar distribuindo abraços e declarando saudades de ninguém, afinal.

“Bom dia pra você, Santana.” Rachel devolveu, em tom ainda mais antipático, olhando-a de cima a baixo. “O meu certamente não começou muito bem, com uma garota de calcinha na cozinha onde meu namorado pode vir tomar café a qualquer momento!”

“Muita calma nessa hora, Hobbit! Eu nem gosto de garotos. Não to desfilando pela casa pensando em seduzir o seu amado gigante!” Ironizou.

“Você pode não gostar de garotos, mas ele gosta de meninas, e vai olhar!” Explicou, cruzando os braços. “Se você arrumar uma namorada e ela dormir aqui, você vai gostar que EU apareça pra tomar café de lingerie?”

“Ok... ok.” Santana levantou os braços, se rendendo, depois de pensar um pouco. “Você tem um argumento, minha pequena anã de jardim.” Disse, abrindo um sorriso e dando um beijo na bochecha da amiga, que foi pega de surpresa e acabou não contendo um sorriso também. “Eu vou por um short.” Completou, indo até a área escondida da sala.

“Foi por isso que eu disse que não queria você morando com a Santana, seja ela sua melhor amiga e goste ela de rapazes ou não.” Falou, aborrecida, para Finn, assim que ele entrou no cômodo.

“O que houve?”

“Ela tava aqui só de calcinha e camiseta!”

“Sério?” Ele coçou a nuca, nervoso. “Pode deixar que eu vou falar com ela e isso não vai mais acontecer, Rach.”

“Não precisa! Eu já falei e ela foi colocar um short.” Afirmou. “Mas quem me garante que ela vai ser tão obediente assim e não desfilar quase nua, quando eu não estiver aqui, hum?”

“Eu também não vou me sentir confortável com ela andando assim pela casa. Eu já disse... eu vou falar sério com ela sobre isso.”

“Tudo bem.” Ela deu um sorriso amarelo e um beijo rápido nos lábios dele. “Eu vou indo. Eu lembrei que tem uns donuts, lá perto do teatro, que o pessoal disse que são ótimos, e eu vou aproveitar que ainda não comi nada e tá cedo, pra provar.”

“A gente se vê à noite?” Indagou, esperançoso de que o dia não estivesse completamente perdido.

“Me liga quando sair do teatro. Se eu já tiver saído também...” Ela deu de ombros, colando os lábios nos dele de novo, antes de pegar a bolsa, que estava sobre a bancada, e sair.

Finn começou a preparar seu café da manhã e continuou a tarefa mesmo depois de Santana ter entrado na cozinha, para fazer o dela também, enquanto perguntava por Rachel. Tentou desconversar, a princípio, mas quando ela insistiu em se desculpar por ter aparecido em trajes íntimos logo no primeiro dia, imaginando que a baixinha tinha resolvido ir embora abruptamente por causa do incidente, ele resolveu aproveitar e desabafar.

“Eu tenho quase certeza que o problema, na verdade, é muito menos ciúmes, e muito mais decepção, porque eu resolvi sair dos dormitórios, alugar um apartamento, e não foi com ela que eu fui morar.”

“Vocês foram noivos. Quase casaram, duas vezes! E a gente tá falando da Rachel, uma pessoa ansiosa pra realizar todos os sonhos tipo ontem!” Os dois riram. “É natural que ela tenha achado que, se você só não casou com ela pra que ela pudesse vir pra cá, agora que vocês tão aqui, juntos, vocês fossem começar a vida num apartamentozinho tipo caixa de sapato.”

“Eu já me precipitei, uma vez. Quis fazer tudo correndo, viver tudo de uma vez e... não deu certo! Eu tenho certeza que quero me casar com a Rach, mas eu também quero esperar um pouco, quero namorar, como todas as pessoas da nossa idade.” Explicou. “Eu to sendo muito egoísta?” Questionou, preocupado.

“Não, Finn! De jeito nenhum! Só de você estar se preocupando com isso, já mostra o quanto você NÃO é nem um pouco egoísta.” Assegurou. “Daqui a pouco, a Rachel se acostuma. Vai até gostar de vocês terem o quartinho de vocês, aqui, e ela poder ficar sozinha no dela, quando quiser.”

Ele sorriu, agradecido, e perguntou sobre como tinham sido a visita ao trabalho novo e o passeio que ela tinha feito, no dia anterior. Ela desdenhou o lugar e as outras garçonetes e reclamou do barulho da cidade, mas ele pode ver, no brilho dos olhos dela, uma velha empolgação que não via há algum tempo. Tinha saudades de conversar com os amigos de Lima, e ter a melhor amiga por perto e poder dividir com ela problemas e soluções, era realmente bom!

Estava bem contente com as coisas como estavam e era assim que ele deixaria que ficassem, pelo menos por um tempo.

Notas finais
A todos os demais leitores, mil beijos também, obrigada pelos comentários e me desculpem por ainda não ter respondido aos do último capítulo. Farei isso assim que puder!